Poesias para um Futuro Papai
No peito, um quarto vazio,
paredes brancas esperando cor.
Não dói, mas lateja em silêncio,
como chão que pede passo.
Ontem vi que foste embora,
não em palavras, mas em ausência.
O vazio então se acendeu,
me pedindo dono, me pedindo vida.
Não vou preenchê-lo com sobras,
nem com migalhas de outros amores.
Vou preenchê-lo comigo:
minhas canções, minhas tintas,
meu riso fora de hora,
meu corpo que insiste em existir.
O vazio não será falta,
será território meu.
E onde era eco,
vai nascer voz.
Admitir que alguém te faz bem é um ato de bravura silenciosa. É coragem porque desfaz certezas,
derruba defesas e mostra que reconhecer valor não é fraqueza,
mas a forma mais pura de sabedoria: saber que crescer junto é mais forte do que caminhar sozinho
Um perfume invadiu a sala e, num segundo, ela estava ali. Não em carne, mas em memória.. no ar, no canto do tempo, no friozinho que arrepia.
Era o mesmo cheiro, e com ele vieram os risos, os silêncios, o jeito de existir dela. Fechei os olhos e sorri, mesmo que a saudade apertasse. Porque às vezes o passado chega perfumado, só pra nos lembrar que certas pessoas nunca nos deixam de verdade.
A vida é um caos mal administrado pelo ser humano...
Todo mundo tentando impor ordem em algo que nasceu pra ser imprevisível. No fim, quem aprende a dançar no meio do tumulto é quem sobrevive com um mínimo de sanidade.
Três anos de fidelidade e eles nem te ofereceram um limite simbólico pra um café parcelado em três vezes. É quase romântico o quanto os bancos são frios. Você movimenta dinheiro, eles movimentam desculpas.
Aí um pelo menos finge menos. É aquele tipo de banco que te trata como adulto: tudo digital, sem drama, sem gerente te ligando pra “conversar sobre oportunidades”. E se quiser sair, eles nem choram, só fecham o app e seguem a vida. Quase civilizado.
E o outro é tipo aquele tio formal que ainda usa gravata pra ir ao mercado. Tem estrutura, tradição, um pé no século passado… mas funciona. Só que cada clique no app parece um ritual burocrático. Se você tem paciência pra lidar com ele, até dá pra viver bem.. Mas não espere agilidade, eles gostam de carimbo emocional.
Confiável é. Engessado, mas confiável. Não vai sumir com seu dinheiro do nada.. só vai demorar três telas, duas senhas e um juramento de fidelidade pra te deixar movimentar. Eles são o tipo de instituição que prefere morrer de tédio a cometer um erro contábil.
A espera é um mar sem fim,
a alma se perde,
dias viram séculos,
e o coração não mede.
Cada hora é fogo,
cada instante é chão,
mas ainda pulsa a esperança,
teimosa no coração.
Tem coisa que faz a gente lembrar que é... viva e doída,
um eco que não se cala,
um fio solto no tempo
que puxa a gente pra casa.
Que é... riso que arde,
lágrima que dança,
um cheiro, uma cor,
um instante que nunca se cansa.
Um amor não se esquece de verdade,
mas se solta aos poucos.
Não é apagar, é deixar de sangrar.
Cada lembrança vai doer menos, até virar só uma parte da sua HISTÓRIA... Uma que te fez sentir tudo, e agora te ensina a se Erguer de novo.
Cometa
Eu me ergo de um lugar
onde não quero estar.
Não por orgulho.
Por sobrevivência.
Não sou faísca.
Sou cometa.
Não passo rápido.
Deixo rastro.
Minha vida cigana
não é fuga,
é chamado.
Há um propósito que me move
mesmo quando ninguém entende o mapa.
Quero ser muito mais.
Agora não pros outros.
Não pra provar.
Não pra caber.
Quero ser, pra mim mesma,
tudo o que me devo.
E isso basta
pra seguir.
Quando tudo caiu, algo ficou
Houve um tempo em que tudo me foi tirado.
Dinheiro, chão, confiança, abrigo.
Caí no corpo, caí na fé, caí no silêncio das pessoas.
Mesmo assim, algo ficou.
Um fio invisível que não arrebentou.
Aprendi que nem toda perda é castigo
e que Deus nem sempre salva do tombo,
às vezes salva no tombo.
Fui boa demais onde o mundo era duro.
Fui inteira onde o outro era raso.
Isso me feriu, mas não me corrompeu.
Hoje recolho o que restou de mim
como quem junta cinzas ainda quentes
sabendo que ali há vida.
Não peço devoluções.
Não imploro justiça.
Confio no tempo, que vê o que ninguém viu.
Se tudo caiu, foi para que eu ficasse.
Mais quieta.
Mais lúcida.
Mais minha.
E isso, ninguém levou.
Despertar
Hoje eu acordo sem certezas,
mas acordo.
E isso já é um ato de coragem
que ninguém vê.
O que me feriu não levou tudo.
Levou ilusões, promessas, futuros ensaiados.
Mas ficou algo em pé
no meio dos escombros:
eu.
Descobri que o amor também ensina
quando falha.
Ele mostra onde eu me abandonei
tentando ficar.
Mostra que não era excesso sentir,
era falta de cuidado do outro.
Não sou a mesma de antes.
Sou mais lenta,
mais desconfiada,
mais profunda.
Aprendi que despertar dói
porque os olhos ardem
quando a verdade entra.
Hoje eu não floresço.
Hoje eu crio raiz.
E raiz não aparece,
mas sustenta tudo.
Se for para seguir,
que seja com menos ruído
e mais verdade.
Mesmo que doa.
Mesmo que demore.
Eu continuo.
Não por força.
Por consciência.
Um dia vou te encontrar de novo. Não por acaso. Por destino atrasado.
Já não serei a mesma pessoa.
Nossas vidas estarão diferentes.
Outros caminhos, outras versões, outras cicatrizes.
Mas algo em mim ainda vai reconhecer você.
Céu -
quando me veio a memória teus lábios:
azuis, azuis.
Na ponta um arco-íris arrebentando – lábios pós-chuva, ainda úmidos.
Casamento
Vamos nos casar: te quero atraente.
Um vestido que te faça corpo-ouro reluzente,
branco, branco como neve.
Sapatos cristalinos, marchantes e precisos no corredor principal
Como o ritmo dos clarins te recebendo – em festa.
Num casamento não basta o amor
É necessário o visual:
Te querer mais que a mim - é o que importa.
Te olhar e desejar-te toda torta
Depois da festa
Numa festa
Só nossa.
Havia uma casa.
Nela um porão empoeirado.
Duas lamparinas apagadas, um resto de vaso, uma cortina rasgada, quadros sobrepostos e um cheiro de madeira adocicada.
Guiei-te pela mão. Não que estivesse suficientemente escuro, mas te guiar é como dizer – vem que sou tua.
Amamo-nos naquele chão, que ardia os pulmões – não sei se, pela necessidade dos corpos, ou se por todo aquele pó.
Pó nenhum mais incomodava, ao final.
Só havia o sorriso então, invadindo aquele espaço todo. Luzes tremeluziam do olhar e já não estavam apagadas as lamparinas. Ardiam e queimavam como meu ósculo,
molhado em suas costas.
A verdade é simples, o desconforto é o berço do sucesso. E
ninguém alcança um grande propósito vivendo na sombra do
conforto.
O conforto acomoda. A adversidade desperta.O desconforto é
um território fértil para a transformação. Ele incomoda, provoca,
pressiona, mas também desperta habilidades ocultas, fortalece o
carácter e prepara o ser humano para níveis mais altos de
propósito.
Como pode um Sol se apaixonar,
Por uma Flor nascida para perfumar ?
Ela tem um trunfo, sabe conquistar
E o Sol se entrega sem hesitar.
Entre o castelo e o mirante,
Um conto triste teve um desfecho brilhante.
Mesmo depois de tanta tristeza,
Ela encontrou um Príncipe que a chamou de Princesa.
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