Poesias Keidy Lee Jones
Eterno Agora
A cada amor uma esperança
A cada pensamento uma lembrança
E o doce amor que um dia senti,
Não sei se foi amor
E o que será amor?
A cada futuro um passado
Ser da loucura pelo prazer
De uma rápida emoção
Onde se arrisca tudo
Pra ganhar o inexplicável
Mas e o amor do futuro
Onde todos querem para sempre
E em duas faces
Se apresentarão em uma
O amor eterno e o pensamento sem razão
E o eterno amor acontece agora.
Relicário de meus delírios
Súbito desejo
Corpo alvorecer
Em sã loucura
Relicário de meus delírios, lírios.
Tua vida vivo a viver, ver.
Em você, tua paz perdida
De desejo a merecer, tecer
Tuas mãos sobre mim
Acalentada estará,
Tua boca faz-me suar, suave.
Quando me vês, te vejo.
Quando observas o profundo de minh'alma
Com teus olhos bonitos, livros
Escrevo a você, pra ver
Só você, vai ler
Nas páginas de meu interior, amor.
O Segundo Motivo
Às vezes eu quero ser um peixe,
Às vezes eu quero ser um pássaro,
Um pergaminho, uma ilusão
Outra pessoa, fugir de mim.
Às vezes eu quero ser um gato,
Às vezes eu quero ser uma ovelha
Um guerreiro da Idade Média,
A promiscuidade lapidada.
Às vezes eu quero ser um motivo
O segundo motivo,
O próprio amor e a amizade,
A obediência, o entendimento.
Às vezes eu quero ser a explicação
Às vezes não,
Às vezes eu quero ser o futuro
A luz, a vida, o dia, a noite, o som,
Às vezes eu sou o que penso ser
Eu sou o que penso ser.
Rígida Justiça
Passeando por entrelinhas
Hoje estão rígidas,
Quando as vi pareciam mais fracas.
Ontem quando te vi
Tentei consertar suas roupas rasgadas
Meus nervos e minhas mãos
Tremiam em plena harmonia,
Não é crime chorar
Estava me matando para agradar.
Escorreguei com a agulha
Até lhe furar
Não foi por querer
Por isso não foi crime.
Palavrinhas destroçadas
Assim como suas feridas
Expostas sem expectativas
De um dia curarem.
Rodeando toda a lua
Não há como se refrescar
A agonia da agulha
Até agora dilacera
Seus errinhos que acabei de perdoar.
Não, não foi por querer
E, também não foi crime
As paredes ameaçam desabar,
Por sobre nossas enevoadas barracas de papel
Não, não é crime.
O Mestre
(leia em: keidylee.blogspot.com)
Há cem anos indaguei um mestre
Queria saber o que é sentir
E, sair de minha vida anestesiada
Longa demais em um só dia.
Ele esperou o inverno chegar
E o frio acalentar minhas vestes suadas
Levou-me a ruas calmas,
O mundo estava calado
Só se ouviam suspiros raramente
Quando até as matas se fechavam.
Ele segurou minha mão
E mortalmente intactos
Escutamos um barulho inebriante do inexpressivo,
Das pessoas paradas nas ruas desertas,
Dos pingos de chuva
Que insistiam em lavar minha alma
E, em me dizer: você está vivo.
Escutamos o puro inocente barulho do mundo
Que não conseguia calar,
Pois suas paredes riscadas insistiam em me comunicar.
Entrara em mim. Senti.
Século XXV
(leia em: keidylee.blogspot.com)
Deve ser essa a diferença
A tal diferença que a tanto falo:
O que me torna diferente
Da maioria dos humanos
É que eles quando estão apaixonados
Perdem o sentido das coisas,
Eu não!
Não vou dizer que sempre fui assim,
Que nunca fiquei boba,
Eu fico boba sim!
Afinal, essa é a graça do amor:
Deixar-te feliz.
Mas os humanos,
Oh humanos!
Custam a entender
Que por mais forte que seja o sentir
Devem reconhecer os defeitos e fraquezas e,
Não só as virtudes.
Desromantismo (keidylee.blogspot.com)
Pouco silêncio,
Cá estou a escutar
Amores eternos acabam
Em dois ou três dias.
No mar onde piratas se consagram
Nas ruas desestas que não calam,
Apelam por paixões inebriantes
Corações sozinhos e palpitantes,
Gritos escrevem suas novas canções
Decorrentes de tantas necessárias apresentações,
Cartas apelam sozinhas
A um dicionário de paixões proibidas:
Um pouco de amor.
Cansadas canetas românticas,
Cabeças pensativas vazias,
"Desromantismo" inaugurado sem nostalgia.
