Poesias Faceis do Elias Jose
E o aprendiz em seu constante caminhar pergunta ao Mestre:
Por que temos que estar sempre preparados para mudanças?
Ao que o Mestre lhe responde:
Porque quando pensamos que sabemos todas as respostas, todas as perguntas são mudadas...
O HERÓI QUE CAIU DA TARDE
.
.
Morreu o herói,
Como morria a tarde.
Para ele, o silêncio estendeu seu manto
Sem o feroz fulgor das festas; sem fazer alarde
.
Ah, tu,
Que tantas lutas vingaste
Contra as tiranias que derrubaste.
Agora já não há glória; já não queimam fogos.
Somente o último calor suave: apenas o calar dos pássaros
.
Como é possível, a um herói,
Morrer sem fogos, sem a luz que arde?
Como é possível este pôr dos olhos, como um cair da tarde?
.
Os pássaros, à sombra, não respondem,
O riacho murmura e cala:
Morreu o Herói
Ao cair
da
Tarde
A MÁSCARA (ou: Pequeno Enigma para ser lido de mil maneiras)
.
.
O Homem Velho sentou-se ao bar
onde costumava tomar um gole
Pediu daquela vez um suco
antinatural
ao invés da cerveja
quase habitual
.
Despiu o par de luvas brancas
revelando a mão inédita
Olhou, em torno, as caras sempre as mesmas
todas desfiguradas por uma triste alegria
Eternamente tão banal
.
E num gesto novo, já premeditado,
ele arrancou do rosto o que era máscara
desfazendo a falsa face do Homem Velho
na nova imagem, ainda nunca desvendada
.
E aquela gente, entre-surpresa e fascinada,
fitou o Homem Novo que então se revelava
mas logo dissolveu-se tudo em riso escárnio
e a multidão zombou do que se lhe mostrara
.
Não que a face nova fosse em si ridícula
ou contivesse traços engraçados
Simplesmente era destoante
ao olhar convencional e redundante
.
Ou nem isso, apenas dissonante
em seqüência imediata à velha face
à cuja imagem bem comportada
todos os olhos se acomodaram
.
Diante do riso o Homem Novo
Por um momento de fraqueza envergonhou-se
Mas logo percebeu que não eram faces que riam
mas outras máscaras ainda não tiradas
.
E removendo do seu ser os últimos resíduos
do Homem Velho que antes fora
abandonou na mesa a vergonha
que a sua face nua já não irradiava
..
Nunca mais retornou àquele bar
e os homens de máscara que ficaram
jamais souberam que algo mudara
senão por um Homem Velho que faltava
[publicado em Falas Breves, nº9, 2021]
O universo está em festa, pois uma parte dele esta fazendo aniversário, como resultado de uma Supernova e dotado de alma e espírito o ser humano é único , que este ser telúrico hoje
chamado Arthur, mas que já teve outros nomes, seja o resultado de uma evolução espiritual a caminho do maior e do melhor, para atingir o todo e o tudo. Feliz Aniversário Sir Arthur, meu netinho e que a força esteja sempre com você.
[A CIDADE COMO TEXTO]
Entre as diversas metáforas operacionais que favorecem a compreensão da cidade a partir de novos ângulos, uma imagem que permitiu uma renovação radical nos estudos dos fenômenos urbanos foi a da “cidade como texto”. Esta imagem ergue-se sobre a contribuição dos estudos semióticos para a compreensão do fenômeno urbano, sobretudo a partir do século XX. Segundo esta perspectiva, a cidade pode ser também encarada como um ‘texto’, e o seu leitor privilegiado seria o habitante (ou o visitante) que se desloca através da cidade - seja nas suas atividades cotidianas para o caso do habitante já estabelecido, seja nas atividades excepcionais, para o caso dos turistas e também do habitante que se desloca para um espaço que lhe é pouco habitual no interior de sua própria cidade. Em seu deslocamento, e em sua assimilação da paisagem urbana através de um olhar específico, este citadino estaria permanentemente sintonizado com um gesto de decifrar a cidade, como um leitor que decifra um texto ou uma escrita.
[trecho extraído de BARROS, José D'Assunção. Cidade e História. Petrópolis: Editora Vozes, 2007, p.40].
[O CAMINHANTE E O TEXTO URBANO]
Ao caminhar pela cidade, cada pedestre apropria-se de um sistema topográfico (de maneira análoga ao modo como um locutor apropria-se da língua que irá utilizar), e ao mesmo tempo realiza este sistema topográfico em uma trajetória específica (como o falante que, ao enunciar a palavra, realiza sonoramente a língua). Por fim, ao caminhar em um universo urbano onde muitos outros caminham, o pedestre insere-se em uma rede de discursos - em um sistema polifônico de enunciados, partilhado por diversas vozes que interagem entre si (como se dá com os locutores que se colocam em uma rede de comunicações, tendo-se na mais simples ‘conversa’ um dos exemplos mais evidentes).
Enfim, se existe um sistema urbano - com a sua materialidade e com as suas formas, com as suas possibilidades e os seus interditos, com as suas avenidas e muros, com os seus espaços de comunicação e os seus recantos de segregação, com os seus códigos de trânsito - existem também os modos de usar este sistema. A metáfora linguística do universo urbano aqui se sofistica: existe a língua a ser decifrada (o texto ou o contexto urbano), mas existe também o modo como os falantes (os pedestres e habitantes urbanos) utilizam e atualizam esta língua, inclusive criando dentro deste mesmo sistema de língua as suas comunidades linguísticas particulares (dentro da cidade existem inúmeros guetos, inúmeros saberes, inúmeras maneiras de circular na cidade e de se apropriar dos vários objetos urbanos que são partilhadas por grupos distintos de indivíduos)
]trecho extraído de BARROS, José D'Assunção. Cidade e História. Petrópolis: Editora Vozes, 2007, p.43-44 ].
O CEGO, E O OUTRO QUE VIA
Havia na estrada do mundo
um Cego, e um Outro
que via
O Cego tinha uma estrela
cujo brilho não sabia
A Noite não lhe era um mal
pois não via o que não devia
O Outro tinha três olhos
e pelo excesso sofria
pois via com o olho da sobra
tudo aquilo que não podia
Numa flor via seus átomos
e nessa profundidade desastrada
Toda beleza se perdia
No perfume sentia cheiros
(cada nota em separado)
pelo nariz lúcido e enfermo
que todo aroma dissolvia
E assim, pela estrada do mundo
Ia o Cego, e o Outro que via
O que via indagava a causa
e o Cego gozava o efeito
Sendo feliz porque não via
Contava-se nas estalagens
Por onde a estrada passava
Que Um era a sombra do Outro
E os Dois, partes de um mesmo ser
Cuja felicidade de ver
Somente estava onde não devia
[publicado em Recital, vol.3, nº1, 2021]
[HISTORIOGRAFIA - Definição]
A Historiografia – ou História – pode ser compreendida como o vasto universo de realizações produzidas até hoje por todos os historiadores e autores de História. Neste sentido, a Historiografia é a “História escrita”; de modo que não é à toa que a expressão indica literalmente isto (historio-grafia). Oportunamente, veremos ainda que – se o universo de realizações historiográficas inclui tudo o que já foi produzido em termos de livros de história, artigos ou conferências sobre os mais diversos temas históricos – há muito mais que isto envolvido na ideia de historiografia. Afinal, constituem igualmente realizações historiográficas os próprios sistemas conceituais desenvolvidos pelos historiadores, as metodologias por eles criadas ou empregadas, os diversos paradigmas teóricos que foram por eles construídos coletivamente, as hipóteses levantadas para abordar os diferentes objetos de estudo, e a própria ciência histórica tal como esta é compreendida hoje.
A transformação da História escrita em uma modalidade científica de saber, a partir do trânsito do século XVIII para o XIX, é de fato a maior realização historiográfica de todas. Neste sentido, pode-se dizer que a Historiografia também termina por incluir dentro de si o próprio campo de saber mais específico que tem sido construído pelos historiadores desde os seus primeiros tempos e até o momento contemporâneo: um campo de saber ou disciplina que – ao mobilizar diferentes aportes teóricos e as mais variadas metodologias – estuda a própria história.
[trecho extraído de BARROS, José D'Assunção. "Historiografia e história: todas as relações possíveis" In: A Historiografia como Fonte Histórica. Petrópolis: Editora Vozes, p.15].
PINDORAMA CONTRA BRAZIL
Pindorama estava em guerra
Contra um país chamado Brazil
E uma gente vestida em verde
Veio convocar a juventude
Para lutar do lado errado
Aos que não foram, deram um paredão
Uma venda e um pelotão do outro lado
E uma coisa abstrata chamada morte
Mas que talvez não passasse de uma passagem
Para o Campo de Caça Feliz
Aos que foram, deram um fuzil
Prometeram uma medalha e disseram
– Vai, e me traz um índio!
Aquela guerra estava fadada a não terminar nunca
Porque também era a guerra contra os passarinhos
Contra as borboletas, e o que sobrou de ar puro
Para vencê-la, seria preciso matá-los todos
Ou convertê-los à cor cinza
Quanto a mim – este índio civilizado –
Ficarei para sempre no espaço
Intermediário que chamam de limbo
... A floresta, ali não entrarei
A cidade... jamais entrará em mim...
[publicado em Ponto de Vista, vol.10, nª1, 2021]
A REGRA DO ESTADO DE EXCEÇÃO
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A Boa Classe Média só percebe as ditaduras
Quando lhe invadem as casas
Quando violentam as suas intimidades
Quando lhe pedem documentos com aquela cara
De “tu és ladrão”
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A Boa Classe Média só percebe as ditaduras
Quando não lhe deixam sair mais com a sua cor predileta
Quando a fuzilam – primeiro com os olhos –
Por causa de suas opiniões
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Também percebe a ditadura, a Boa Classe Média,
Quando lhe dirigem preconceitos de cor
Apesar dos seus ternos cuidadosamente engomados
Agora, suas mulheres ouvem piadas
E o assédio dos chefes foi liberado.
Seus filhos são preteridos,
quando tentam entrar para certas universidades,
pois estas são destinadas aos de maior patente
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A Boa Classe Média só percebe as ditaduras
Quando arrombam a porta de suas casas
Quando mancham de fardas policiais o seu lar
Quando lhe despejam o arrogante arbítrio
Como um balde gelado de água
Quando lhe tiram o emprego sem aviso prévio
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Já os pobres, estes mal percebem as ditaduras,
Pois já fazem todas essas coisas com eles
Durante todo o tempo
[publicado na revista Nós, vol.2, nº3, 2021].
[CORPORATIVISMO NA HISTORIOGRAFIA]
Embora ocasionalmente um certo sentimento corporativo leve alguns dos historiadores de formação – ou seja, aqueles que se graduaram em História em uma universidade – a apenas considerarem como historiografia aquilo que foi produzido pelos historiadores profissionais e graduados, não vejo nenhum problema em que também consideremos como historiografia as obras produzidas por historiadores não-especializados. Há muitas maneiras de nos aproximarmos adequadamente, e de modo sério, de um determinado campo de saber, que não necessariamente através dos bancos escolares superiores. Dito isto, é claro que aqueles que pretendem escrever História sem terem se formado em História – se desejarem realmente escrever algo relevante e bem aceito na área – precisarão se aproximar seriamente do modus operandi dos historiadores, dos procedimentos bem aceitos no campo, das suas metodologias, dos seus modos de trabalhar conceitualmente evitando deslizes que são muito comuns entre aqueles que não estão efetivamente familiarizados com a ciência histórica.
[trecho extraído de BARROS, José D'Assunção. "Historiografia: todas as relações possíveis" In: A Historiografia como Fonte Histórica. Petrópolis: Editora Vozes, 2022, p.17].
A Mulher
A mulher
Incrível aonde estiver
Tão guerreira e batalhadora
Uma mãe gentil e acolhedora
Mulher que nós da a vida
Mulher que se torna parte de nossa vida
Com uma paixão sempre movida
Mulher é a perfeição de Deus sendo vivida
Diante a um poço de emoções
Encantando sempre nossos corações
São nossas eternas paixões
Sua companhia afoga solidões
A mulher sempre batalhou
Já caiu mas sempre levantou
Hoje tem o direito que conquistou
A mulher e a perfeição que Deus criou
Pessoa Especial
A paz que eu sempre procurei
Foi em você que eu encontrei
Alguém que jamais esquecerei
Pois foi a pessoa que eu mais me importei
As vezes você distante
Não muito falante
Sempre me lembrarei
De tudo aquilo que eu conversei
Pois sempre me fez me sentir especial
Aonde sua ausência dói fora do normal
As vezes uma dor aperta no peito
E lágrimas ecoam direto
Pois eu sinto saudade
De forma sincera e de verdade
Mas sei que você sempre se esforça
E logo retorna
Fico aqui sempre a esperar
A hora que minha amiga possa voltar
E se um dia de vez se afastar
E não mais voltar
Ainda peço a Deus a te guiar
E quem sabe um dia você volte a me procurar
Pois eu sempre irei te amar
Não importa o que o tempo revelar
Para Uma Amiga Especial
Como gosto de admirar
Esse sorriso lindo que você consegue dar
Essa total simpatia
Essa nossa sintonia
Obrigado por sempre me ouvir
Somos amigos para o que der e vir
Gosto muito de sua companhia
Que me dá todo dia
Amiga linda e querida
Quero sua companhia por toda minha vida
Para que sempre possa contar
E sempre possamos nos apoiar
Você é muito especial
Uma pessoa legal
Nos conhecemos há tanto tempo
E nunca deixei de gostar de você em nenhum momento
Apenas Mais Uma Lembrança
Talvez lá no fundo ela sabia
Tudo aquilo que eu escondia
Aquilo eu que guardava e não dizia
Só de me olhar ela já entendia
Talvez nós dois erramos
Afinal somos humanos
Queria um dia no tempo voltar
E de forma diferente isso acabar
Mas o tempo e irreversível
E ao mesmo tempo terrível
Para erros do passado
Que fica sempre marcado
Então cada um segue de forma diferente
Ambos de forma ausente
Tudo aquilo que foi especial se torna apenas uma lembrança
Já não há mais esperança
Eu Sempre Estarei Aqui
Eu prometi sempre por você orar
Sempre por aqui estar
Sempre te cuidar
Se o dia que eu chegar a faltar
Peço a Deus que lá de cima eu possa te olhar
Que Ele me faça as asas criar
Para que aonde eu esteja poder te abençoar
E se até for precisar
Eu possa voar para te ajudar
E sempre poder te abençoar
Já que jurei a Deus eu sempre te amar
E não importa o que acontecer eu nunca vou te abandonar
Eu sempre vou estar aqui se precisar
Em Forma de Poesia
Deixo em forma de poesia
Para lembrar-me da época de alegria
Aquele passado
Que em palavras deixo registrado
Jamais acreditaria que nesse fim isso levaria
Que de mim você desistiria
No fim me abandonaria
E nunca mais te veria
Já que o tempo passou
E tudo aquilo de bom acabou
Tudo mudou
As vezes questiono se você se importou
Mas em meus pensamentos
Poesias e sentimentos
Tudo ainda é vivo nas minhas palavras
Tão puras e imaculadas
Te amei de forma tão intensa e bela
Que jamais quis deixar isso tudo morrer
Então comecei a escrever
Para esse amor continuasse a viver
Sei que hoje tudo e passado
E nosso caminho no destino já foi dado
Te perdoo por ter me maltratado
E seu bem te desejo de bom grado
As Pessoas Mudaram
As pessoas andam tão caladas
Fingem sorrisos com suas almas despedaçadas
As pessoas tão vazias e sem sentido
Corações tão frios que me pergunto se algum dia novamente podem ser aquecidos?
Será que tenham esquecidos?
Os sentimentos tenham sido perdidos?
Até quando guardaremos mágoas enquanto vivos?
Uma grande falta de empatia
Humildade e simpatia
Máscaras nos rostos caminhando na multidão
Almas boas em um precipício rumo a escuridão
Qual Caminho Devo Seguir?
Chega um momento que é tanta emoção
Que você não pensa mais com razão
Será que todo poeta está fadado a ficar sozinho?
Será que ando certo nesse caminho?
A vida é uma caixa de surpresas, mas a decepção é sempre parecida
Sempre amei de forma enaltecida
A intensidade a mim sempre foi conhecida
Uma pena para muitos ela não é oferecida
E qual caminho será que tenho que seguir
A quem eu devo ir
Não sei o que está para vir
Mas torço sempre para o melhor de mim
O Que é o Natal?
Afinal de contas o que é o natal?
É uma data única e especial
Natal é a reunião, é a paz é o amor
Natal é também a saudade
De pessoas que conhecemos e marcaram de verdade
Que mesmo hoje distante
O nosso amor é sempre constante
Hoje aquela memória boa da infância
Fica para muitos apenas na lembrança
Que as luzes brilhantes de natal
Venham a nós com um proposital
Junto com o nascimento há mais de 2 mil anos em Belém
Nos tempos de hoje possa nascer dentro de nós mesmo um novo alguém
Para que não seja só no natal que possamos dizer palavras e gestos de amor
Que possamos dar valor
Não só as coisas materiais
E que percebemos que as pequenas coisas são as essenciais
São essas que realmente valem mais
Que possamos valorizar pessoas e momentos importantes
Que tenhamos calma em situações estressantes
Que o pai lá de cima nos traga felicidade e saúde
Afinal é isso que importa de verdade
Que nossos corações possam transbordar felicidade, fraternidade e sinceridade
Te desejo um feliz natal de verdade
