Poesias Faceis do Elias Jose
“ Gostaria de desconhecer metade das pessoas que conheço, mesmo que isso me custasse um esforço bruto de trocar de nome, ou mudar de cidade. Porque, pôrra, cansa levar pessoas de um lado pro outro, na mente, de lá e pra cá, quando tudo o que nos resta delas são belos momentos juntos enterrados na memória, mas que já não significam nada. Cansa ter a agenda preenchida de contactos que nunca ligaremos, cansa ter a mente abarrotada de nomes de pessoas sem significado, e que connosco partilham de forma paralela a tristeza doce e infinita de uma solidão que nos abraça. Gostaria de poder ser outro, em outro lugar, sem essas crises constantes de desistência, e essa mania dóida de fazer os pensamentos sobre a morte uma ideia fixa. Talvez eu seja triste, acho que é isso ─ ou depressivo. Ou talvez só tenha entendido que todos, nalgum momento, precisamos recomeçar, mesmo que isso signifique que tenhamos que mergulhar perdidamente nos nossos pensamentos mais loucos. Gostaria de ser um fluxo contínuo, e para alguém significar mais do que um livro do qual se cansaram, uma pessoa que não gostam mais, ou um cigarro jogado no asfalto. Se eu pudesse conhecer alguém, gostaria que me olhasse nos olhos, e me lembrasse que as pessoas são isso, abutres, devoradores emocionais, nos dizendo que pode ser a última vez e que devemos amá-las com tudo o que temos. Ou que me recordasse que por mais que no presente as pessoas nos dêem tanta importância, um dia seremos lembrança, e noutro seremos menos que um pedaço cigarro jogado no asfalto.”
__ José Alexandre
“Se eu te disser que estou perdido, você vai me procurar? Se te disser que ontem foi mais uma noite daquelas e que hoje acordei cansado e com vontade de desistir, e que até as coisas mais belas da vida se tornaram pútridas diante da minha angústia, o que você fará? Você vai me procurar? Com aqueles olhos mortos de tristeza, me pedindo pra parar, ou com aquele pose divino de garota alemã, na crença de que a sua presença ainda move o meu mundo? Você suportará a imagem esquálida da minha presença em desgaste? Suportará a ideia de que tenho pensado em suicídio o tempo todo e que é por uma outra pessoa? Sabe o que é se sentir insignificante e trocado? Sabe o que é não ter forças pra levantar da cama numa tarde chuvosa enquanto a casa toda é inundada pelas águas? Não poder arrumar os lençóis, as roupas espalhadas, os talheres, as latas e as garrafas de bebidas inacabadas, os livros na estante, não poder arrumar nem a própria alma que se decompõe, sabe o que é isso? Não sabe, amor, você não sabe. Porque há sentimentos que só se entendem experimentando, não se aprendem na terceira pessoa.”
___ José Alexandre
Este entrelaçado de galhos escuros
Nessa densa floresta da vida
Em sala de aula, os futuros
Pelos alunos, muito querida
Nestas árvores em bosque denso
Neste caldeirão de coisas fatídicas
Selva de pedra, trânsito intenso
De plantas de seivas verídicas
Gentil mulher de sorriso reluzente
Muito esforçada, incrivelmente inteligente
Muita noção da vida
8º anjo que o diga
Sonhadora iminente
Voa longe
Resiliente
Peita, do males, a fonte
Obrigado por estar aqui
De verdade
Viajante dos sonhos
Vidente da realidade
Do seu castelo é dona
Pinheiros no coração
Entretida na televisão
Ela é meio estranha
Sofá laranja, ideias em colisão
No pátio a mulher-aranha
Em saturno tu encontras tua concha
Da pedra da lua, você
E.T
Tudo isso que em ti habita
Como mentora a dar conselhos
Tentativa falha de compor
Em ti me espelho
Com todo o seu louvor
Poema estou escrevendo
Sem ver de onde saiu
Talvez de mim até ti
Mas sem nenhum ensaio
Vim para falar de sabedoria
O que nas linhas do universo
Já escrito se via
Num verso sem paralelo, sem inverso
Estou aqui a te implorar
O que rogo a ti
Meu encarecido torpor
Ao te admirar por me dar
A oportunidade de conhecer-te
Do Pai Nosso que lhe abençoou
Me fizeste bem, tão bem
A oportunidade de fazer o bem
A rima se repete e disso eu gargalho
Porque rapper eu não sou, nem avacalho
Tento porque tento.
Te dar o que não posso
Mesmo depois
De tanto te dar o que desgósto
E fico triste
Mas não vim falar
De coisa ruim ou sem asneira
Sem eu nem me perdoar
E essa tua habilidade de criar?
Onde o bem não há
E fazer o que se fez
Onde no coração, solidez
Flor, flores... como as margaridas
De amarelas pétalas
De belezas já ditas
A fragrância da leveza
Da pureza
Da simplicidade
...
Do universo que se expande
Ao universo que em ti habita
Se o vácuo é um Deus. Morte
Tu és uma Deusa. Vida
Porque tu crias
Não destrói
Todo o bem que fazes
Para tantos seres
Nessa existência
Tenho consciência
E de geração em geração
És a reencarnação da divina
Da existência a importância
Como a do sol, sua relevância
Tudo isso que em ti habita
Se eu não estou para mim primeiro,
Não estou primeiro para mais ninguém,
Todos precisamos de nós e de alguém,
Neste mundo somos todos caminheiros.
Nosso universo
Era só o que queria; Dar-te o universo. Sempre soube que não podia dar-te tudo, mas quis dar tudo que tinha. Não era muito, mas era tudo. Não sei se é errado dar tudo que tenho, mas pode ter sido errado ter dado tudo e nada sobrar. Não é errado por que é de coração. E valeu. Valeu, vale e valerá. Sinta-se abraçada pelo universo. O meu, o seu universo.
Você cresceu tanto, Mariana
E os dias continuam sendo dias
Os meses, soma de alguns dias
Eu te amo: cem dias e cem meses
Sábados, domingos, oh!, são anos
E anos e anos de inventar
Um carinho que vá após o tempo
de qualquer nome, filme ou pensamento
que dia a dia é estar sempre te vendo
e não te ver é ver-me não vivendo.
Eu já vi mulher linda. Mais igual a você só tem duas, você por dentro e por fora. Por que essas duas pessoas.
Ama primeiro a se mesma para que ela não se importa com o que os outros pensam.
Então a palavra certa disso é eu me amo mais que tu se ama. Por que se você se amasse não estaria tomando conta da minha vida.
Não há palavras para descrever as inúmeras emoções que a música gera em nós. Ela tem a capacidade de nos levar a uma alta dimensão sem sairmos do espaço físico.
Mais do que "arte", a música é linguagem, é vida. As notas comunicam, despertam em nós sensações inexplicáveis...
A música é terapia, é um REMÉDIO EFICAZ.
Ódio é
.
Ódio é água que molha sem molhar
é cegueira que enxerga mas não se vê
é uma felicidade de um infeliz porquê
é prazer em dor por não poder amar
.
É um querer muito o que não se quer
é ficar só por não ganhar o coração
é negar o bater sentido do querer
é ganhar nada por perder a razão
.
É desejar um desejo indesejado
é servir um prato frio de sal e sódio
é ser odioso por não ter amado
.
Mas como pode causar lugar no pódio
de um fado tão triste e malfadado
se tão semelhante a si é esse ódio?
Morte de poeta é um DÓ
Uma poetisa na vida é RÉ
Seres que habitam em MI
Infortúnio de um FÁ
Como fá de um outro SOL
Amando assim eu LÁ
Levito em SI
Valentia de covarde
É fácil mostrar valentia ante os mais fracos. Algumas pessoas gostam de encher os pulmões de ar e dizer "falo o que penso doa a quem doer", mas só dizem isso quando julgam o destinatário como sendo mais fraco de alguma forma. Quando estão frente a alguém que na sua concepção é mais forte, curvam-se à sua própria covardia e passam a agir com hipocrisia.
Quando estamos na mesma canoa remando em direções opostas é péssimo, contudo entendo ser menos desgastante do quer estar na mesma canoa com quem já abandonou os remos definitivamente.
Digo isso por entender que na primeira situação, apesar da oposição, existe uma vontade de remar e os desencontros de ideias podem ser solucionados, por sua vez quem desistiu de remar de forma definitiva coloca todos, que ainda estão com os remos, em desânimo.
Creio que o ser humano insignificante que é, não tem conhecimento suficiente para compreender uma grandeza imensurável, incognscivel, complexa,anfigúrica, que comumente a chamamos de "deus". Nenhuma religião, nenhuma crença ou prática ocultista, esotérica, tem condições de descrever deus, nem tampouco afirmar ou negar a Sua existência (agnose).
José Bitencourt
Mostrarão progressos falsos,
as cidades adiantadas,
enquanto houver pés descalços
em suas ruas calçadas !
"Tão longe estás de mim
Que eu penso ser o fim
Do nosso grande amor
Por não ouvir a sua voz
Mil vales, céus e rios
Ficaram no vazio
Pavor do nunca mais
Somente existe entre nós
O Longe me faz mal
Por que lembra final
E o fim me desespera
Neste tempo de esperar
Que volte aos braços meus
Por que depois do adeus
A dúvida ficou
Se vais ou não voltar
Na espera do será
A gente nunca está
Completamente só
Se olhar num ponto muito além
A Lua na amplidão
A iluminar no chão
De nossa solidão
Os passos meus e os seus também
Se a Lua que te vê
Dissesse o que você
Está pensando agora
Nesta ausência tão cruel
Se já me esqueceu
Ou lembras como eu
E ao nosso juramento
Se mantém fiel"
Melanina, para que te quero?
Quero para resistir à opressão.
Quero para resistir à “miscigenação”.
Quero para resistir ao branqueamento.
Para lutar por liberdade.
Para lutar por sobrevivência.
Para lutar por dignidade.
Para lutar com resiliência.
Para lutar por igualdade.
Para lutar por residência.
Apesar de ter limpado palácios,
Lavado roupas sujas, preparado
a melhor comida, amamentado
o senhorzinho...
Apesar de ter construído casarões,
Igrejas, escolas, estradas e pontes
Hospitais, fortes e até seguros porões;
Apesar de ter servido de piso,
Carregado liteiras e limpado latrinas...
Apesar dessas atitudes humilhantes,
ainda hoje a melanina organiza mutirão global
para garantir reconhecimento da humana igualdade
entre os humanos desiguais,
por direito à vida, sem opressão.
Melanina a fazer história.
José Atailson.
Poema racismo
Racismo!
Conhecer para destruir.
Conhecer para desnaturalizar.
Racismo!
Reagir e não aceitar
Reagir e denunciar.
Racismo!
Educar para não praticar
Educar para não valorizar.
Racismo!
Confio na alteridade
Respeitamos o nosso próximo.
Racismo!
Eu me autoaceito como sou, gente!
Somos iguais no amor, Senhor!
Racismo!
Tu não vás nos dividir.
Tu não vás mais existir.
Racismo!
Para que te quero, ódio!
Para que te quero, violência!
Tu vás para a lata de lixo, lixo!
Meu professor
Professor, que sonhos você teve que não realizou ?
Ensinou-me a ler, pensar e escrever... Professor, esse sonho foi seu?
Mas quem bem realizou o sonho, fui eu.
Tratou-me com carinho, respeito e atenção... Professor, esse comportamento foi seu?
Mas quem melhor se comportou, fui eu.
Dedicou tempo aos livros e aos papeis... Professor, esse momento foi seu?
Mas quem se lucrou do tempo de seu filho, fui eu.
Passou dias e noites trabalhando aulas... Professor, você aprendeu?
Mas quem usufruiu desses saberes , fui eu.
Consumiu horas a fio corrigindo o erro... Professor, a sua vista escureceu?
Mas quem se apropriou do certo, fui eu.
Desgastou-se na escola sem se dá conta... Professor, você adoeceu?
Mas quem mais cuidou da saúde, fui eu.
Envelheceu se doando, se doando... Professor, o corpo doeu?
Mas quem cresceu todo saudável, fui eu.
Em fim, o mestre se aposentou... Professor, com que salário?
-- ... --
Tanto que Bíblia ensinou...
“ Deus Trabalhou seis dias; depois, descansou!”
Descansou para sempre!
E você, meu professor, não entendeu?
(Feliz mês de outubro, meus companheiros!
Feliz mês, minhas companheiras!)
Aprendi a dizer não
A lidar com a indiferença
A superar o desprezo
A ver a morte sem desespero.
A gostar de quem gosta de mim
A seguir o meu coração
A tratar todos do mesmo jeito que me tratam.
A confiar mais em mim e em Deus
A ser um homem de fé e não de religião
E a entender que tudo nessa vida passa, inclusive a própria vida.
