Poesias de Dor
Exauriu-me a tarefa de legendar minha dor para quem não sabe ler sentimentos. Prefiro o silêncio de quem escreve.
Tenho pavor da apatia. Prefiro a dor que me lembra que estou vivo ao gelo que me protege de sentir qualquer coisa.
Minha dor é um texto longo, cheio de notas de rodapé e silêncios estratégicos que nenhuma frase curta consegue resumir.
Não uso a dor como tema, uso como tinta. É a partir dela que desenho os contornos do que ainda resta de mim.
Há dias em que a existência se manifesta como dor física, cada respiração é um lembrete de que ainda estou na arena.
A dor é o único mestre que nunca mente, ela nos despe de todas as vaidades até que sobre apenas o osso da nossa fragilidade radical.
O mundo exige uma produtividade que minha dor desconhece, pois ela opera em um fuso horário onde o segundo é uma eternidade de esforço apenas para respirar. Sou um desertor dessa guerra pela felicidade compulsória, preferindo a paz de ser apenas um resto de esperança.
Cada lágrima cai como aço incandescente, não é fraqueza, é raiz, é a dor que germina força no deserto da alma.
Transformar dor em combustível é alquimia selvagem, a chama que nasce do abismo, a vida que renasce incendiada pelo próprio sofrimento.
O fim não existe, é apenas o instante em que a dor vira recomeço, quando a queda se converte em força.
Minha alma ergue muralhas invisíveis, mais forte que qualquer dor, abrigo que nenhuma sombra destrói.
A dor que tentou me derrubar foi a mesma que, pela graça de Deus, me deu o manual de instrução para levantar e nunca mais duvidar da minha força.
Transforme suas feridas em degraus firmes, cada dor em escada e cada queda em um novo impulso para a subida.
A dor me afinou a visão do essencial, descartei o supérfluo e me concentrei no vital, a vida simplificou-se em propósito.
Minha compaixão brota de ter sofrido, conhecer a dor ensinou a aliviar, dou mãos onde precisei delas
A dor já não me define, me informa, ela sinaliza o que cuidar e o que transformar, não mais sou refém do que passou.
Já caminhei pelos abismos cobertos de pedregais, já senti a dor dos espinhos de arbustos insensíveis, com seus galhos já sem vida a muito tempo. Afundei na lama até o pescoço, lutando para respirar e, por um instante, só pude ouvir as batidas lentas e vacilantes do coração... se é que ainda o tinha.
“O medo da injeção no adulto é a filosofia da dor reduzida a um ponto: pequeno o bastante para atravessar a pele, grande o suficiente para revelar quem realmente somos.”
“Ser pobre é ser vencido pelo sistema antes mesmo de ser atendido: a dor sangra, a fila congela a vida, e a esperança aprende a pedir desculpas por existir — enquanto a cura continua sendo privilégio de quem pode comprar pressa.”
