Poesia sobre poesia
“Há injustiças cometidas em nome de Deus que revelam menos sobre o céu do que sobre a ambição dos homens.”
Quando Deus deixa de ser uma certeza, a pergunta sobre Deus pode permanecer como uma das mais profundas experiências humanas.
“Toda lei é uma decisão sobre o poder; toda boa lei é também uma decisão sobre os limites do poder.”
Um Estado que teme a crítica na ponta da língua é um Estado que já perdeu o controle sobre a justiça das suas próprias ações.
Quanto maior o poder de decidir sobre outros, maior deveria ser a obrigação de justificar a decisão.
A riqueza pode ampliar a liberdade individual e, simultaneamente, ampliar o poder sobre a liberdade alheia.
Camus encontrou no absurdo uma pergunta sobre como viver; o jurista encontra no Direito uma pergunta sobre como conviver.
Quem exerce autoridade sobre alguém deveria lembrar que também responderá moralmente pelo modo como exerce esse poder.
Toda certeza sobre o absoluto deveria carregar consigo a delicadeza de uma dúvida, porque o infinito não cabe inteiro numa consciência finita.
O agnóstico não escolhe entre Deus e o nada; escolhe não mentir sobre aquilo que não pode demonstrar.
A teologia dogmática tenta mapear o infinito: é a arte de inventar certezas sobre o que simplesmente não dá para saber.
Histórias extraordinárias sobre revelações divinas exigem provas reais — coisa que a religião nunca deu.
A laicidade não é uma negação da fé; é uma limitação da autoridade estatal sobre aquilo que não pode demonstrar.
O consumidor contemporâneo compra produtos enquanto produz dados sobre si; talvez seja esse o primeiro mercado em que o comprador paga e, ao mesmo tempo, fornece matéria-prima.
A ciência pode demonstrar que determinada afirmação sobre a natureza é falsa sem demonstrar que toda experiência religiosa seja falsa; entre uma conclusão e outra existe um território que exige cautela.
A ciência pode informar o Direito sobre riscos biológicos, climáticos ou tecnológicos; o agnosticismo lembra que modelos científicos também possuem margens de incerteza.
Quando uma afirmação religiosa sobre o mundo físico pode ser testada, ela entra no território da ciência; quando não pode, sua avaliação exige outra linguagem epistemológica.
