Poesia sobre Homem
Se é verdade que a religião, por um lado, liberta o homem do medo, por outro lado gere-o fortemente.
O vinho não embriaga tanto ao homem como o primeiro movimento da ira, pois ele cega o entendimento sem deixar luz para a razão.
O homem pode adquirir conhecimento ou se tornar um animal, como ele quiser. Deus faz os animais, o homem faz a si próprio.
Um homem faz sobre a Terra a mesma figura que um piolho de uma linha de altura e de um quinto de largura sobre uma montanha de mais ou menos 15700 pés de circunferência.
O homem, por natureza, é levado a desprezar quem o bajula e a admirar quem não se mostra condescendente.
O homem de bem, no meio de malvados, resvala sempre; e nós estamos acostumados a associar-nos ao mais forte, a pisar em quem está no chão e a julgar segundo as circunstâncias.
Quando um homem deseja matar um tigre, chama a isso desporto; quando um tigre deseja matar um homem, este chama a isso ferocidade.
Quando o homem pondera a respeito da conduta a seguir, termina por preferir sempre a via da moderação.
Para se ser completamente Homem, indispensável se torna ser um pouco mais e um pouco menos do que homem.
Autoridade: sem ela o homem não pode existir e, no entanto, ela traz consigo tanto o erro como a verdade.
Mata-se um homem, é-se um assassino. Matam-se milhões de homens, é-se um conquistador. Mata-se a todos, é-se um Deus.
Não é livre o homem que não se governa a si mesmo; a liberdade existe na proporção do autodomínio equilibrado.
O porco tornou-se sujo apenas depois de entrar em contato com o homem. Em estado selvagem, é um animal muito limpo.
Devoção perpétua ao que o homem chama de seu negócio, somente é mantida pela perpétua negligência de muitas outras coisas.
A mulher escolhe sempre o homem que a escolhe a ela, como é da sabedoria das nações. A verdade também.
Cada homem age por si, segundo um plano próprio, mas o resultado é uma ação social, em que outro plano, externo a ele, se realiza; e com os fios crus, finos e desfeitos da vida de cada um, se tece a teia de pedra da história.
Afinal de contas, atribui-se preço bem alto às suas conjecturas quando se cozinha um homem vivo por causa delas.
Conhecer aquilo que dele estava escondido é, para o homem, a embriaguez, a honra e a perda de si próprio.
O homem não pode de forma alguma impedir de ter pela mulher um desejo que a aborrece; a mulher não pode de forma alguma ter pelo homem uma ternura que o aborrece.
