Poesia para Conquistar Alguém
quando você é magoado, você apreendi a odiar.
Por outro lado! quando você mogoa alguém, você será odiado, e ainda nos sentimos amargo por dentro.
Conhecer a dor é que nos faz crescer, e tomar as decisãoes para liberar o perdão.
Na travessia da vida, quando alguém te carrega do outro lado da ponte, quando a situação está difícil!
Não se chama ajuda, mais sim amor.
RONAN HELIO DE SOUZA
As melhores conversas não acontecem porque alguém deseja convencer o outro.
Acontecem porque duas pessoas
aceitam caminhar juntas por uma ideia.
... principalmente à beira de um fogão à lenha,
sob uma grande janela aberta
para o silêncio do mundo...
Inferno Localizado
Nesta terra alguém chora sangue,
E ninguém se importa.
O choro e a agonia são provocados por vocês,
Ó demônios de carne!
Quem é o Satanás senão vocês?
Com esses olhos malignos e mentes perversas,
Com esses risos de hienas.
Quem são os inimigos se não os da mesma espécie?
Peso sobre a cabeça e as costas.
A agonia transborda.
Sua autonomia é vendida:
"Se submeta, eu te ajudarei!"
Isso é violação da própria alma.
Vocês pediram, não há escapatória?
Nessa prisão eles mantêm o controle,
Mas vocês não são inocentes.
Não parecem inocentes.
Deus tenha piedade de nós.
Que Deus amaria demônios que ele mesmo criou?
Que conversa é essa?
Tempo se esgotando.
Por que esperar tanto?
Você sabe, não sabe?!
Nesta terra alguém chora sangue,
E ninguém se importa.
- Ramile Godon
Muitos fingem lutar por direitos ao buscarem privilégios em detrimento do direito de alguém.
Eles vestem a armadura do discurso justo, empunham bandeiras coloridas e erguem palavras como se fossem espadas morais.
Dizem lutar por direitos, mas no fundo desejam apenas inverter a balança — não para equilibrá-la, e sim para fazê-la pender a seu favor.
A luta por direitos nasce do reconhecimento da dignidade comum.
Já a busca por privilégios nasce do medo de perder vantagens.
Direitos ampliam a mesa; privilégios escolhem quem pode sentar.
Os direitos libertam; os privilégios substituem correntes de lugar.
Há uma diferença muito sutil — e também muito perigosa — entre justiça e conveniência.
Quando alguém reivindica algo que, para existir, precisa reduzir o espaço legítimo do outro, talvez não esteja defendendo um Direito, mas disputando Superioridade.
E toda superioridade travestida de virtude carrega o germe da injustiça.
É fácil se comover com o próprio discurso.
Difícil é examiná-lo com honestidade.
Porque defender direitos exige coerência: o que peço para mim deve caber também ao outro, inclusive àquele de quem discordo.
A verdadeira luta por direitos não escolhe favoritos.
Ela não humilha para incluir, não exclui para compensar, não silencia nem divide para vencer.
Ela constrói pontes onde antes havia muros.
No fim, a pergunta que resta é tão simples quanto desconcertante: estamos ampliando a Liberdade Coletiva ou apenas redesenhando o Mapa dos Privilégios?
A resposta começa no espelho da consciência.
Entre apoderar-me da Verdade para julgar alguém, prefiro togar-me da Justiça Poética para julgar os que o julgam.
Talvez porque a Verdade — essa palavra tão invocada — raramente chega pura às mãos humanas.
Quase sempre, ela vem filtrada por convicções, interesses, ressentimentos ou paixões mal resolvidas.
E, quando alguém acredita possuir a Verdade absoluta, o julgamento deixa de ser um exercício de consciência para se transformar num espetáculo de vaidade moral.
A Justiça Poética, por outro lado, não se preocupa em parecer infalível.
Ela apenas observa, com a paciência do tempo, como cada gesto humano acaba escrevendo a própria sentença.
Quem julga com excesso costuma revelar mais de si do que daquele que está sendo julgado.
No tribunal silencioso da vida, o eco das palavras denuncia as intenções que tentavam se esconder atrás delas.
Há uma estranha pressa em condenar.
Como se apontar o erro alheio fosse uma forma rápida de limpar a própria biografia.
Mas a experiência ensina que os dedos que se erguem para acusar, quase sempre ignoram o espelho que os acompanha.
Por isso, em vez de disputar a posse da Verdade — como se ela fosse um troféu moral — prefiro assistir ao lento trabalho da coerência e das contradições humanas.
A Justiça Poética tem um modo curioso de agir: ela não grita, não se apressa e não faz discursos inflamados.
Apenas permite que cada um seja, com o tempo certo, revelado pelas próprias atitudes.
E, no fim das contas, quase sempre descobrimos que julgar os juízes é menos sobre condená-los… e mais sobre lembrar que ninguém deveria ocupar o tribunal da consciência humana sem antes revisitar, em silêncio, o próprio banco dos réus.
Seria Humanamente Impossível julgar alguém com tanta facilidade e rigidez, sem togar-se da santidade moral fabricada.
Porque o julgamento apressado quase nunca nasce da justiça — nasce da necessidade de se sentir acima dos outros.
Quando a consciência não suporta o peso das próprias contradições, ela aprende um truque antigo: apontar para as falhas alheias com a solenidade de quem acredita estar se purificando.
É uma liturgia silenciosa, onde a toga não é de magistrado, mas de uma santidade improvisada.
Essa santidade, porém, não é virtude — é armadura.
Ela protege o indivíduo do incômodo de reconhecer que carrega dentro de si as mesmas podridões que condena nos outros.
Julgar com rigidez torna-se, então, um atalho psicológico: condena-se o outro para evitar o trabalho de compreender a própria humanidade.
Talvez por isso o tribunal moral seja sempre tão lotado e tão raso.
Ali, a pressa substitui a escuta, a certeza ocupa o lugar da dúvida, e a complexidade humana é reduzida a veredictos simples demais para serem honestos.
No fundo, quem se veste dessa santidade fabricada não se interessa na verdade sobre o outro, mas na absolvição de si mesmo.
Porque compreender exige humildade, enquanto julgar exige apenas um pedestal — e algumas pessoas passam a vida inteira acreditando que a altura do pedestal é prova de caráter, quando muitas vezes é apenas a distância que escolheram manter da própria consciência.
Talvez o simples fato de alguém abrir um debate, já militando, já negue a honesta vontade em debater qualquer pauta.
Há uma diferença sutil — e ao mesmo tempo bastante abissal — entre quem entra em uma conversa para compreender e quem entra apenas para vencer.
O primeiro escuta com desconforto, com a humildade intelectual de quem admite não saber tudo; o segundo fala com a urgência de quem já decidiu tudo, antes mesmo da primeira palavra alheia ser dita.
Quando o debate já nasce contaminado pela certeza inabalável, ele deixa de ser encontro e se torna encenação.
Argumentos passam a ser munição, não pontes.
Perguntas deixam de buscar respostas e passam a servir como armadilhas retóricas.
E, nesse cenário, o outro não é mais alguém a ser compreendido, mas alguém a ser derrotado — ou, no mínimo, deslegitimado, demonizado e até desumanizado.
Militar, no sentido mais rígido, é carregar uma causa com convicção.
Mas quando essa convicção ocupa todo o espaço da escuta, ela se torna um filtro que distorce qualquer possibilidade de diálogo real.
Tudo o que não confirma crenças pré-existentes é descartado, reinterpretado ou combatido.
E assim, paradoxalmente, quanto mais se fala em debate, menos ele de fato acontece.
O problema não está em ter posicionamento — isso é inevitável e até necessário.
O problema surge quando o posicionamento antecede a disposição de ouvir, quando a conclusão vem antes da reflexão, quando o compromisso é mais com a própria identidade do que com a verdade.
Talvez o verdadeiro debate comece apenas quando há risco.
Risco de rever ideias, de ajustar certezas, de reconhecer pontos no outro.
Sem esse risco, resta apenas o conforto das próprias convicções — e o eco previsível de quem nunca esteve, de fato, disposto a dialogar.
Nada é tão difícil e penoso quanto habitar um mundo que gira em torno do umbigo de alguém.
Há pessoas que tentam transformar a própria existência no centro de gravidade de tudo o que acontece.
Suas dores sempre parecem maiores, suas conquistas mais importantes, suas ideias mais assertivas, seus problemas mais urgentes.
Quem vive ao redor delas, pouco a pouco, deixa de ocupar um lugar de sujeito para tornar-se apenas figurante em uma história que nunca lhe pertenceu.
Conviver com alguém assim é experimentar o desgaste silencioso de ser constantemente invisível.
É perceber que o diálogo se torna monólogo, que a empatia tem mão única e que o afeto passa a ser medido pela capacidade de alimentar as necessidades do outro.
Quem exige compreensão sem limites, muito raramente oferece a mesma disposição para compreender.
O egoísmo, quando se torna modo de existir, não desgasta apenas quem está por perto.
Também condena quem o cultiva a uma vida estreita, incapaz de enxergar a riqueza que existe na troca, na escuta e na vulnerabilidade compartilhada.
Afinal, ninguém cresce olhando apenas para o próprio umbigo.
Relacionamentos saudáveis não se sustentam quando apenas um ocupa o centro da mesa.
Eles florescem quando há espaço para diferentes histórias, diferentes dores e diferentes alegrias.
Amar, conviver e construir exigem um movimento constante de descentralização: reconhecer que o outro também carrega um universo inteiro dentro de si.
Talvez a verdadeira maturidade comece justamente quando deixamos de perguntar apenas “o que isso significa para mim?” e passamos a perguntar “como isso afeta quem caminha ao meu lado?”.
Porque a vida não foi feita para ser um espelho onde admiramos incessantemente a própria imagem, mas uma janela pela qual aprendemos a enxergar o mundo através dos olhos de quem compartilha a caminhada conosco.
Quantos Sonos eu deixei de dormir com medo do Sono Profundo me abraçar e alguém Precisar de mim?
Há pessoas que passam a vida em estado de vigília.
Não necessariamente só porque sofram de insônia, mas porque carregam a estranha sensação de que descansar é um luxo muito perigoso.
Vivem acreditando que, se baixarem a guarda por alguns instantes, algo dará errado, alguém chamará por socorro ou uma responsabilidade inesperada baterá à porta.
É curioso como o Amor, o Dever e o Medo podem vestir a mesma roupa.
Quem ama, cuida.
Quem é responsável se faz presente.
Mas, quando o medo de falhar se torna maior do que a necessidade de repousar, o cuidado deixa de ser virtude e passa a ser prisão.
O Sono Profundo simboliza muito mais do que o descanso do corpo.
Ele representa a confiança de que o mundo continuará girando mesmo sem o nosso controle.
Dormir é um ato silencioso de entrega.
É reconhecer que nem tudo depende de nós e que há batalhas que precisam esperar, sim, pelo amanhecer.
Quantas noites foram roubadas por preocupações que jamais se concretizaram?!?
Quantas madrugadas foram preenchidas por cenários imaginários, enquanto a vida seguia seu curso sem exigir a nossa vigilância permanente?
Talvez a maturidade também consista em aprender que estar disponível não significa estar esgotado.
Quem nunca descansa acaba oferecendo aos outros apenas os restos da própria força, da própria existência.
E ninguém sustenta uma luz acesa para sempre sem, um dia, ver a chama enfraquecer.
Permita-se dormir em paz.
Se alguém realmente precisar de você, que o encontre inteiro, renovado e capaz de estender a mão com serenidade.
Porque há um Tempo para Velar, mas também há um Tempo Sagrado para fechar os olhos, confiar e simplesmente Descansar.
CHAMAS
Como pode alguém amar quem só retribuiu com silêncio?
Porque o amo tão intensamente e ele nem imagina...
Nem imagina que passo o dia me lembrando dos seus olhos,
da sua boca, dos seus cabelos cor de fogo e até do sorriso fofo
e do olhar que faz para mim quando quer me provocar.
Eu te amo, amo muito.
Mas, não aguento mais tanto silêncio e me questiono:
Como pode alguém não me amar?
Você fica aí pensativo, no seu trabalho, nos seus medos, na sua insegurança,
no seu mundo e nos seus flertes...
E eu aqui, te amando apesar do tempo, da distância e das tuas falhas.
Sem pedir permissão para amar sigo te amando como uma luz disposta a ser
tudo o que você um dia sonhou ter como mulher.
Como pode você não me amar?
Meu coração esquenta só de pensar no teu nome.
O choro me engasga a alma só de pensar que podemos nunca mais se
reencontrar e essa é uma dor que não sei se vou superar.
Queria ser o teu tudo, porque você foi alguém que me fez voltar a querer amar.
Porque esse amor surgiu das cinzas, do que nem achava ser mais possível
voltar a desejar.
Mas, infelizmente, não é recíproco.
Estamos em tempos diferentes...ou sei lá mais o que se utiliza como desculpa
para não se viver uma linda história de amor.
Se não me ama, eu me amo, me amo por nós dois.
E agora eu que me fecho para o meu autoamor.
Deixo então, para você, o seu silêncio que foi tudo o que me entregou.
Um dos maiores palcos de manipulação do país — quiçá do mundo — Brasília haveria de receber alguém de pulso, cheio de vontade de libertar — deixe ir: Fabrício Carpinejar!
Brasília, com sua arquitetura monumental e sua aura de poder, sempre foi mais do que a capital política do país — é o símbolo vivo da manipulação institucionalizada, da retórica cuidadosamente ensaiada, das verdades maquiadas em discursos de ocasião.
Ali, onde se fabricam narrativas e se negociam destinos, a liberdade — essa palavra tão pequena e tão cara — costuma ser tratada como um artigo de luxo, raramente distribuído e quase nunca praticado.
E então, de repente, chega Carpinejar.
Com sua voz que mistura ternura e brutal honestidade, com seu dom de traduzir sentimentos que o poder não compreende, ele atravessa os corredores de Brasília não para discursar, mas para desatar.
Lança “Deixa ir” — um livro que fala sobre o desapego, sobre o amor que sabe partir, sobre a leveza que nasce quando se solta o que aprisiona.
E é aí que mora a ironia mais sublime:
No palco da manipulação, onde os verbos dominantes são reter, aprisionar, onde a vaidade se confunde com propósito, chega um poeta dizendo: “Deixe ir.”
É como soltar um pássaro dentro de um aquário de concreto.
Como ensinar o poder a amar sem possuir.
Carpinejar, nesse gesto, não apenas lança um livro — lança uma provocação existencial.
É como se dissesse: “Enquanto o país se esforça para segurar o que não cabe mais nas mãos, eu escrevo para lembrar que o verdadeiro domínio é saber soltar.”
Não haveria melhor palco para deixar ir do que aquele que só sabe aprisionar!
Quando eu me calar, eu sei que o mundo não sentirá saudade da minha voz, mas se alguém sentir, que se contente com ela.
Sei que o mundo seguirá em frente — como sempre seguiu — indiferente à ausência da minha voz.
Não porque ela não tenha existido, mas porque os ruídos do mundo, muito raramente, o deixam perceber silêncios que não gritam por atenção.
Ocupado demais com os próprios ecos, ele não notará a falta de uma voz tão insignificante que nunca quis ser multidão.
E está tudo bem.
Porque quando eu me calar, talvez não seja por ausência de palavras, mas por excesso de lucidez.
Há momentos em que falar já não acrescenta, explicar cansa e gritar não cura…
Então o silêncio deixa de ser fuga e passa a ser escolha.
Nem toda ausência precisa virar ruído.
E nem todo silêncio é pedido de aplauso.
Se alguém sentir saudade, que a sinta por inteiro, sem pressa de transformá-la em cobrança.
Saudade não exige devolução, não pede palco e nem reclama resposta.
Ela apenas existe — como prova de que algo foi dito, vivido ou sentido no tempo certo.
Ainda assim, se alguém sentí-la, que não lamente.
Que se contente com ela.
E que guarde essa voz como quem guarda um copo d’água no deserto: não para exibir, mas para lembrá-la.
Porque há vozes que não foram feitas para ecoar em multidões, e sim para alcançar um coração de cada vez.
O silêncio, quando escolhido, não é derrota nem esquecimento.
É o berço do descanso da alma…
O lugar onde a palavra aprende a ter peso justamente por não ser dita.
É a forma mais honesta de permanecer inteiro quando as palavras já não alcançam.
E se restar alguém que sinta, que se contente com o sentir.
Porque há afetos que não precisam de voz para continuar verdadeiros — sobrevivem, intactos, exatamente no espaço onde o silêncio começa.
As Palavras Impensadas, ditas em meio à euforia, podem inviabilizar a calmaria de alguém.
Às vezes, não é o que sentimos que machuca — é o que deixamos escapar sem passar pelo crivo do silêncio.
Palavras ditas na euforia nascem sem freio, sem cuidado e sem escuta alguma.
Carregam o peso do instante, mas podem pousar na vida de alguém como sentença duradoura.
O que para quem fala é só excesso de emoção, para quem ouve pode ser o início de uma inquietação que não pediu para carregar.
A calmaria de alguém é frágil como água parada: qualquer pedra jogada sem intenção cria ondas que demoram a se desfazer.
E há palavras que, mesmo ditas sem maldade, afundam fundo demais.
Por isso, nem toda verdade precisa ser dita no calor do momento.
Há silêncios que não são covardes — são cuidados.
Porque preservar a paz do outro, muitas vezes, é um ato de maturidade muito maior do que vencer qualquer euforia passageira.
Quando as demandas ignoradas viram costume, basta alguém fingir preocupação para despertar a paixão do povo.
Ano eleitoral costuma ser tratado como tempo de promessas, mas deveria ser, antes de tudo, tempo de vigília.
Quando demandas ignoradas viram costume, o povo se acostuma a sobreviver com a ausência desenfreada.
E, nesse cenário de carência prolongada, basta alguém fingir preocupação para parecer o grande salvador.
Não é a solução que encanta — é a encenação do cuidado que seduz corações cansados.
A paixão política, quase sempre, nasce menos da razão e mais da fome: fome de atenção, de escuta, de dignidade.
Quem nunca foi ouvido, tende a se apaixonar por quem ao menos finge ouvir.
E assim, o abandono repetido pavimenta o caminho da ilusão coletiva.
Por isso, ano eleitoral exige menos euforia e mais memória.
Menos discursos inflamados e mais perguntas incômodas.
Quem só demonstra zelo quando o calendário aperta, não descobriu o povo — apenas a sua utilidade.
Vigiar é lembrar.
Refletir é comparar.
E escolher com lucidez é o único antídoto contra a velha armadilha: confundir preocupação encenada com compromisso verdadeiro.
Nem nos meus melhores momentos de descontração, me atreveria a brincar com os infortúnios de alguém…
Mas me atrevo a dizer que talvez não haja câncer mais agressivo que a metástase que há muito assola o Congresso Nacional.
Nem mesmo nos instantes de maior descontração ousaria brincar com os infortúnios que a vida impõe a alguém.
A dor alheia, por mais distante que pareça, nos exige muito respeito — porque amanhã, uma igualmente ou até pior, pode bater à nossa porta.
Mas, olhando para a realidade política, percebo que talvez não exista câncer mais agressivo do que aquele que corrói as instituições por dentro.
A metástase que há muito tempo assola o Congresso Nacional não é feita de células doentes, mas de práticas que se multiplicam despudoradamente: corrupção, privilégios, conchavos e o desprezo pelo povo.
Diferente de uma doença física, que a ciência e a esperança tentam curar, esse mal se fortalece no silêncio da sociedade e na acomodação de quem já se acostumou com ele.
E assim, geração após geração, vamos herdando um corpo político debilitado, enfraquecido e refém de suas próprias deformações.
Se um câncer no corpo humano ameaça a vida, o câncer da política ameaça a própria noção de futuro coletivo.
A diferença é que, nesse caso, a cura não depende apenas de médicos ou remédios, mas da coragem de uma sociedade inteira em não se conformar.
Sempre que vejo alguém se valendo do nome de Deus para se Esconder, Aparecer e se Promover, sobretudo na arena política, lembro da perseguição ao Filho d'Ele…
Mataram-no!
E foram justamente os religiosos da época que perseguiram o Filho d’Ele até a cruz.
Mas, ali, no desfecho da maior injustiça, não estava cercado por sacerdotes ou homens de fé, mas ladeado por dois ladrões.
A lembrança é dura, mas necessária: a vaidade dos que se dizem de Deus pode ser tão nociva quanto a agenda oculta dos que O negam.
Está para nascer alguém mais Feliz do que os que podem (com)partilhar suas tristezas e mais Triste do que os que não podem (com)partilhar suas alegrias.
Feliz é aquele que encontra espaço para partilhar as próprias tristezas. Porque a dor repartida, mesmo que não desapareça, torna-se mais leve ao ser acolhida por outro coração.
Do mesmo modo, está para nascer alguém mais triste do que aquele que não encontra com quem partilhar as próprias alegrias.
Porque a felicidade guardada em silêncio perde cor, e um riso não ecoa inteiro quando não encontra outro riso para acompanhá-lo.
A vida se constrói nesse movimento de ida e volta: consolar e ser consolado, celebrar e ser celebrado.
Quando temos a quem confiar nossas lágrimas e a quem oferecer nossas risadas, descobrimos que a verdadeira riqueza não está em acumular, mas em compartilhar.
Talvez a maior bênção da existência humana não seja estar sempre Feliz ou sempre amparado, mas nunca estar só.
Sem naufragar no abismo das próprias misérias, ninguém conseguiria comemorar o infortúnio de alguém.
Mas, se parar para pensar, essa comemoração revela mais sobre o vazio de quem celebra do que sobre o destino de quem caiu.
É como se a dor alheia funcionasse como anestesia momentânea para a própria carência.
No entanto, a alegria construída sobre a queda do outro é sempre frágil: dura pouco, envenena devagar e nunca preenche.
A verdadeira libertação não está em aplaudir a ruína do outro, mas em resistir ao impulso de medir a própria vida pela infelicidade alheia.
Aprendi que tudo feito com muito Amor e Carinho dá certo…
Inclusive Brigar!
É raro alguém conseguir Brigar com tanto Amor e Carinho, sem deixar o pincel cair de propósito — só para rabiscar o perdão no meio da discussão.
Porque certas brigas nascem apenas para nos lembrar que o Abraço é o ponto final mais bonito…
Os abraços grandes, os memoráveis, nascem das mãos livres… e dos corações presos — ao desejo de amar.
Com carinho — à prima, Elaine Ferreira.
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