Poesia Esperança
Há noites em que a esperança veste roupas de luto. Parece estranho, mas existe beleza até nisso. Aceitar o luto como parte do caminho é bem-vindo. Porque nele às vezes surge um novo broto. E o broto é o começo de outro começo.
A esperança às vezes é um rascunho reaproveitado. Não tem a pompa do novo, mas carrega história. Reutilizo, retoque, e faço dela peça que serve. Nada de desperdício quando o que se tem é pouco. E o pouco, bem cuidado, chega longe.
Quando a saudade alcança, não nos dá esperança, só dá pancada, vem sem aviso, acerta o peito, desorganiza o fôlego e nos lembra, com brutal delicadeza, que houve amor onde hoje só mora o vazio.
A esperança madura não exige certezas absolutas. Ela cresce em terreno de perguntas bem feitas. Satisfeita com pouco, ela floresce mesmo na escassez. Cultivá-la é trabalho de jardinagem diária. E os frutos, quando vêm, têm sabor de testemunho.
Nasci com um cansaço atávico, como se minha alma carregasse o peso de séculos e a esperança estivesse permanentemente em débito.
Minha mente é um território hostil após a meia-noite, lembranças andam armadas e a esperança raramente faz o turno da noite.
Minha esperança é uma sobrevivente teimosa, mesmo ferida e sem fôlego, ela insiste em se manifestar nos escombros.
A esperança é uma visita inesperada, ela senta em silêncio, não promete nada, mas sua presença torna o ar menos pesado.
O tempo é um alfaiate cruel que vai apertando nossas roupas de esperança até que não consigamos mais respirar sem sentir a costura do passado nos sufocar. Aprendi a andar nu de expectativas, vestindo apenas a pele crua da realidade, por mais fria que ela seja nas manhãs de junho.
A esperança é uma teimosia quase sagrada que insiste em existir mesmo quando tudo dentro de você já desistiu.
Viver é equilibrar-se no fio da navalha entre a memória que nos prende e a esperança que nos puxa, tentando não cortar os pés enquanto caminhamos em direção a um futuro que nunca promete nada, mas que nos seduz com a possibilidade de um novo amanhecer.
Nem todo recomeço nasce da esperança. Alguns surgem da exaustão de permanecer no mesmo lugar. Chega um momento em que ficar dói mais do que mudar. E então, sem força e sem certeza, a alma escolhe partir. Não por desejo de novidade, mas por fome de sobrevivência.
Às vezes, o que me sustenta não é esperança. É o hábito de continuar. É o corpo seguindo mesmo quando a alma hesita. É a persistência automática de quem caiu tantas vezes que aprendeu a levantar antes mesmo de acreditar.
Nem toda fé nasce da esperança. Às vezes, ela nasce do desespero de quem já esteve tão perto do abismo que somente Deus permaneceu olhando.
Minha alma tornou-se um território onde convivem fé, exaustão, esperança e ruínas espirituais em permanente conflito.
A esperança é curiosa: costuma escolher como morada exatamente os corações que já não acreditam merecê-la.
A ilusão é a esperança que os nossos desejos mais profundos carregam e se sustentam, entre a dúvida e a certeza, destino e acaso, drama e poesia.
Da vida eu nada espero, mas eu vivo a vida, espero apenas da esperança, ela sim pode motivar a ter uma vida melhor da que vivo no hoje.
“Todo sonho ganha vida quando deixa de morar na esperança e passa a habitar nossas atitudes.” Os`Cálmi
Para se adquirir os sentimentos verdadeiros, tenha esperança, fé e equidade e retidão ao teu próprio coração, pois os teus direitos estão garantidos, tens discernimento em seus olhos e em seu interior que a faça plena e justa.
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