Poesia de um Coração Apaixonada

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A gratidão não é um suspiro leve, mas a memória em carne viva do coração que se recusa a esquecer o dom, ela transmuta o fardo brutal da obrigação na epifania silenciosa de uma bênção.

A covardia não é o passo para trás, mas a permanência mórbida onde o coração se tornou um túmulo frio, o ápice da bravura é a fuga instintiva para salvar a si mesmo, ainda que o mundo chame isso de abandono.

O coração humano é um campo de batalha onde cada lembrança tenta reivindicar um território. Algumas constroem templos, outras cavam tumbas. E entre fé e desespero, vamos tentando existir nesse terreno instável. Mas é no caos que aprendemos o valor de cada pequeno gesto de paz.

Às vezes o coração é como uma casa com portas emperradas. Não entra sol, mas entra renúncia. Eu empurro cada porta com o punho das minhas pequenas certezas. Algumas cedem, outras permanecem guardiãs do escuro. E morar nesse lugar é aprender a plantar janelas.

Meu corpo guarda mapas que o coração não entende. Há estradas marcadas a ferro por decisões alheias. Caminho por elas com cuidado para não me perder. Algumas curvas trouxeram paisagens inesperadas. E agradeço por cada uma, por mais áspera que seja.

O coração humano não foi feito para a paz, mas para melodias impossíveis, essas que nos rasgam por dentro e nos fazem sentir vivos.

Treinei meu coração para bater em surdina, quanto menos ele chama a atenção, menor é o alvo para novas decepções.

Meu coração não conhece a economia do afeto, ele quer o inteiro, a verdade absoluta, e quase sempre recebe o troco em ausência.

Meu coração ignora a lógica das despedidas, ele insiste na espera mesmo quando a ausência já virou poeira.

O coração humano é um músculo que aprende a bater no ritmo do prejuízo, contando os batimentos como quem conta as moedas que sobraram após um assalto emocional. Somos sobreviventes de nós mesmos, celebrando a vitória de cada minuto em que o peito não parou de insistir.

O coração é uma caixa de música quebrada que, de vez em quando, solta uma nota perfeita no meio do ruído de engrenagens emperradas. É por essa nota que eu ainda luto, por esse lampejo de harmonia que justifica todos os anos de dissonância existencial.

Ser forte nunca foi sobre não cair, mas sobre levantar com o coração em pedaços e ainda assim acreditar que vale a pena continuar tentando.

Aprendi que Deus, às vezes, responde no silêncio, porque há verdades que só um coração quebrado consegue compreender.

​O silêncio mais pesado não é a falta de palavras, mas sim o de um coração que se cansou de pedir ajuda e decidiu endurecer.

Existem dias em que o coração não quebra, apenas se torna mais nítido, e essa nitidez dói como luz em olhos cansados.

O coração é um lugar estranho: transforma lembranças em eternidades e faz uma única ausência pesar mais do que a presença de mil pessoas.

Há um momento em que o coração deixa de esperar milagres, ainda assim, continua batendo como quem se recusa a abandonar o impossível.

O coração não se parte quando perde alguém, parte-se quando entende que jamais voltará a existir da mesma maneira.

A paz não nasce quando o mundo se acalma; nasce quando o coração deixa de guerrear contra o inevitável.

“Existe no coração humano um gosto depravado pela igualdade que leva os fracos a querer rebaixar os fortes ao seu nível, e conduz os homens a preferir a igualdade na servidão à desigualdade.”