Poesia de um Coração Apaixonada

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O coração é uma caixa de música quebrada que, de vez em quando, solta uma nota perfeita no meio do ruído de engrenagens emperradas. É por essa nota que eu ainda luto, por esse lampejo de harmonia que justifica todos os anos de dissonância existencial.

Ser forte nunca foi sobre não cair, mas sobre levantar com o coração em pedaços e ainda assim acreditar que vale a pena continuar tentando.

Aprendi que Deus, às vezes, responde no silêncio, porque há verdades que só um coração quebrado consegue compreender.

​O silêncio mais pesado não é a falta de palavras, mas sim o de um coração que se cansou de pedir ajuda e decidiu endurecer.

Entregar o coração não é perder o controle, é oferecer o mapa das fragilidades para que o outro cuide. A dificuldade de amar reside em quebrar o pacto com a autossuficiência e permitir que a vulnerabilidade seja a ponte, e não o abismo, entre duas almas.

Um coração ferido ainda sabe amar, mas ama com olhos atentos, não entrega tudo de uma vez, mas também não fecha as portas, ama com sabedoria.

O coração sábio, como ensinado pelo salmista, não se perturba com o rugido das ondas da crise, pois entende que a verdadeira superação reside em aquietar a alma e não na ausência de problemas, ele confia no Divino como seu refúgio, uma fortaleza inabalável que resiste a todas as tempestades, sabendo que aquele que guarda Israel jamais dorme ou cochila.

A gratidão não é um suspiro leve, mas a memória em carne viva do coração que se recusa a esquecer o dom, ela transmuta o fardo brutal da obrigação na epifania silenciosa de uma bênção.

A covardia não é o passo para trás, mas a permanência mórbida onde o coração se tornou um túmulo frio, o ápice da bravura é a fuga instintiva para salvar a si mesmo, ainda que o mundo chame isso de abandono.

O coração humano é um campo de batalha onde cada lembrança tenta reivindicar um território. Algumas constroem templos, outras cavam tumbas. E entre fé e desespero, vamos tentando existir nesse terreno instável. Mas é no caos que aprendemos o valor de cada pequeno gesto de paz.

Às vezes o coração é como uma casa com portas emperradas. Não entra sol, mas entra renúncia. Eu empurro cada porta com o punho das minhas pequenas certezas. Algumas cedem, outras permanecem guardiãs do escuro. E morar nesse lugar é aprender a plantar janelas.

Meu corpo guarda mapas que o coração não entende. Há estradas marcadas a ferro por decisões alheias. Caminho por elas com cuidado para não me perder. Algumas curvas trouxeram paisagens inesperadas. E agradeço por cada uma, por mais áspera que seja.

O coração humano não foi feito para a paz, mas para melodias impossíveis, essas que nos rasgam por dentro e nos fazem sentir vivos.

Quando alguém encontra Deus, sua vida se firma sobre rocha sólida. O coração descansa como criança nos braços da mãe. Tudo muda de lugar: aquilo que parecia enorme perde importância, e só Deus se revela verdadeiramente grande. A quem encontra Deus acontece como a quem ama pela primeira vez: corre, voa, sente-se renovado. As dúvidas continuam na superfície, mas no fundo da alma reina a paz. Já não importa tanto a situação exterior. O essencial é isto: Deus está presente. Deus é Deus.

O teu coração tem sabor a mar, a tua alma tem o perfume da floresta e o teu corpo é poesia naufragada no meu corpo.

A dança cura porque devolve o corpo à alma:dançar é alinhar o coração ao pulso invisível do universo.

Há quem carregue no coração a ternura das flores e isso, por vezes, pode ser maior do que o jardim inteiro.

No meio do barulho que me cerca, minha alma inquieta chora baixinho, soluçando ao ver meu coração dividido em quatro pedaços.

A melhor oficina é o coração, entregamos alma destruída, sem perspectiva de solução, mas devagar e com perfeição, depois de um certo tempo, ele nos devolve nova, como se nunca tivesse sido quebrantada.

A fragilidade é útero da força, do coração quebrado nasce o poder, beleza brutal do vulnerável.