Poesia de Coragem
O sofrimento pode até roubar seu conforto, mas ele te entrega a coragem e a força que só os verdadeiramente fortes possuem.
A coragem não me foi inata, foi escolhida, escolho-a todo dia, em passos curtos, a escolha virou estilo.
A coragem que admiro é a que volta ao início, recomeçar não é derrota, é perícia, saio mais preparado a cada vez.
Aprendi a ler riscos e acomodar coragem, não faço da audácia espetáculo, faço cálculo, e assim avanço com segurança.
A decisão certa é fruto de acúmulo, acumulei experiência, coragem e paciência, assim a escolha tem sustentação.
A coragem que guardo é prática diária, não espero grandes provas, faço as pequenas, elas somam uma vida inteira de bravura.
Fui ferido por quem amei, mas curado por quem ficou. Curar-se também é um ato de coragem, quem ficou se tornou ponte onde a confiança pode voltar a andar.
A fé não me fez invencível, me fez suportar o invisível. A fé não elimina o vulnerável, dá coragem para atravessá-lo sem sucumbir à desolação.
A noite testa a coragem, a aurora revela o rosto da esperança. Onde a alma clama, nasce um caminho, ande, que há um propósito esperando.
Chorei com medo, mas segui com coragem, as lágrimas não me pararam, me moveram, medo sentido, coragem atuante, caminho real, segui e tornei o medo em impulso.
Jesus é o fogo sagrado que, nas sombras mais densas, reacende a coragem até mesmo dos mais exaustos.
Quando a coragem me trai e se esvai, Sua paz se manifesta, delicadamente, na forma do meu próximo e seguro passo.
A coragem presente é o memorial erguido por todas as vezes em que o terror do passado falhou miseravelmente em nos quebrar.
Enquanto o mundo vocifera a exigência de força, a Fé sussurra a coragem paradoxal de se render ao pedido de ajuda.
A coragem máxima é a rendição de se ajoelhar, um ato de insubordinação sagrada contra a imposição de uma força vazia.
É preciso coragem para dar o reset na rotina que aniquila o significado profundo do viver, para apertar o pause no ciclo vicioso que nos transforma em autômatos da sobrevivência diária, e reconhecer que o esforço de desmantelar as fortalezas autoimpostas é o trabalho mais revolucionário. Nós nos aprisionamos em defesas que, paradoxalmente, nos condenam à não-vida, e a liberdade só é conquistada quando ousamos ser despidos das nossas velhas certezas, trocando o conforto da jaula conhecida pelo risco glorioso do horizonte inexplorado.
A superação é um ato de vulnerabilidade e força. É preciso muita coragem para admitir que todos os meus planos eram incompletos sem a sua presença. Eu abandono o meu jaleco de cientista racional para vestir a camisa de um aprendiz apaixonado, e corro de volta, disposto a enfrentar a dificuldade com a leveza de quem só quer ser amado.
Acordo com a pleura aberta para o dia, como quem mantém janelas quebradas por coragem. A dor assenta à mesa e pede licença para ficar. Eu respondo com silêncio, porque o silêncio é o único remédio que conheço. E ainda assim, sorrio, não por esquecer, mas por aceitar o corte.
