Poesia de Amor pequena
O amor deseja a presença do outro; o casamento pode transformar esse desejo em uma gramática de pertencimento.
O casamento não necessariamente extingue o amor; às vezes apenas substitui o mistério que o alimentava pela familiaridade que o administra.
Quando o amor necessita de garantias para permanecer, talvez já esteja procurando na lei aquilo que deixou de encontrar no desejo.
O amor é uma experiência da liberdade; sua institucionalização é a tentativa humana de conferir estabilidade jurídica ao que nasceu sem contrato.
O amor pode suportar a distância porque pertence à liberdade; o casamento, quando reduzido à posse, passa a temê-la como se toda ausência fosse uma sentença.
Talvez o amor seja uma de nossas escolhas mais arbitrárias: encontramos uma pessoa entre milhões e damos ao acaso o nome de destino.
Ser privado de amor é uma ferida; tornar-se incapaz de amar é transformar a própria alma em território desabitado.
O amor continua sendo a experiência mais sofisticada que temos de perder temporariamente o controle sobre nós mesmos.
O amor de si procura preservar a própria existência; o amor-próprio nasce quando a consciência começa a medir seu valor pelo olhar e pela comparação com os demais.
Um coração cheio de amor, jamais deixará de amar, só porque uma ou mais pessoas, passaram por tua vida.
Escreveria um livro sobre o amor que sinto por você, mas também com apenas um único palito de fósforo, apagaria todas elas.
Todos os momentos em que achei ter encontrado o amor, meus olhos nas fotos estavam tristes. Talvez o amor não tenha nascido para mim.
A vida é tão estranha. Pessoas fazem juras de amor, nosso nome perde o lugar para os adjetivos carinhosos, e depois o nosso nome passa a ser entoado quando alguém na relação já traçou o caminho do fim, e já se vê em outra história, enquanto o outro ainda está tentando.
Quem não consegue permanecer consigo mesmo frequentemente procura no amor uma anestesia para perguntas que deveriam ser enfrentadas em silêncio.
A autonomia não elimina o amor; elimina a necessidade de transformar amor em mecanismo de sobrevivência.
A liberdade exige espaços interiores onde nem o amor, nem a família, nem a sociedade tenham autoridade absoluta.
A verdadeira autonomia não proclama guerra contra o amor; apenas recusa que o amor seja transformado em argumento contra a liberdade.
O amor maduro não promete eternidade porque conhece a contingência; promete apenas presença enquanto a liberdade de ambos puder sustentá-la.
A traição entra pela porta, o amor e a confiança se vão pela janela. Na maioria das vezes, sem volta e sem perdão.
