Poesia Agua de Mario Quintana
De que serve a minha poesia
se a sua boca não me dá
o destino , atravessia,
o destino de eu estar
guardo versos na lapela
metáforas ao relento
mais a rima mais singela
morre aondabor do vento
pois , se o lábio não confirma
o que a alma já escreveu
toda estrofes se desmancha
entre o seu mundo e o meu .
Poetizar é o percurso da alma ao coração, com coragem e doçura.
Cada poesia em mim transcorre como um rio de águas límpidas e serenas, rumo ao destino revolto de uma tempestade que chega sem avisar.
As palavras vêm e vão… e lançá-las ao ar é meu maior desassossego.
Poesia Ancestral
Somos brasileiros, frutos de migrações.
Chegamos a esta terra que já era Pindorama,
habitada por aqueles que cruzaram Bering
e fincaram raízes na vastidão da floresta.
Somos mestiços de muitas regiões,
acolhedores, enérgicos, diversos.
Em nossa cultura não há fronteiras,
há encontros, há braços que se abrem.
Na gastronomia, temperos se misturam,
aromas dançam, modos se reinventam.
Carregamos raízes fecundadas em terras distantes,
que se entrelaçam às raízes que aqui florescem.
Somos brasileiros com fervor,
não superiores, mas únicos:
resultado da obra divina,
expressão viva do universo.
Invicta
Invicta, é poesia inacabada: o mundo poético dentro de uma cidade.
O Douro escreve poesia líquida nas margens das rugas da ribeira.
O nevoeiro na invicta não é clima: é véu. E todo véu oculta um portal.
Há portas na cidade que só se abrem a quem carrega profundidade e revelação. Cada varanda é uma metáfora, cada rua um poema à espera. No Porto, a alma encontra abrigo porque sabe o que é amar em silêncio.
A guerra é poesia invertida:
transforma rostos em sombra
e em terra embebida em lágrimas,
as flores não nascem.
Poesia Infantil – “História na Hora da Soneca”
A professora conta baixinho,
com voz de nuvem no ar.
O Bento fecha os olhinhos,
pronto pra imaginar.
No tapetinho macio,
o mundo inteiro aparece:
tem estrela, tem passarinho,
tem sonho que nunca esquece.
Cada palavra é um abraço,
cada rima, um afago no chão.
E o Bento, guardião de sonhos,
ouve tudo de coração.
Seus pares de olhos
Gritam a poesia
Que tanto tento escrever.
Rasgo e amasso papéis
Com a esperança de que
Meus dedos dancem até a
Reposta.
A cor de sua poesia é
Indecifrável;
Nem o arco íris a possui.
Direta e única,
Picasso correria atrás
Da suavidade de sua íris.
Poesia: Medo de Crescer 01
Olhar de Criança
Quando pequeno pensava
Nas coisas que vó dizia.
Nos bichos que existia
E que no terreiro rodava
No vicente finim ela falava
Neu até medo botava
Com aquelas prosas boas.
Eu como o minino que era
Com tanto medo que o coro pela
Num duvidava de coisa atoa
Daí o tempo foi passando
E eu o acompanhava de perto,
Ligeiro, garoto esperto
Crescendo e já fui notando.
Dá conversa desconfiando,
O medo já me deixando,
E eu já difícil de crer.
Histórias que outras horas,
Como do saci ou da caipora,
Agora não tinha mais paricê.
Cresci e também percebi
Que o tempo foi o meu pecado.
O que me deixava assombrado
Não é nada do que vivi.
O mundo me calou aqui
E mesmo tentando insistir
Nada me assusta tanto
Que me faça esmurecer
Mais do que pude perder
Com o tempo que me tirou em prantos.
Hoje a bassora caída
No assusta mais ninguém
E até o grito de alguém
Passando nalguma avenida
Num soa mais forte que a vida
Quando bate despercebida
Vindo deixar algum recado.
Os bichos foram tudo embora,
Acabou-se os medos das histórias.
Ficaram os contos no passado.
Tsharllez Foucallt.
terreiro: quintal.
Vicente finim: busca no google.
Caipora: Mãe da mata.
Paricê: parecer.
Esmurecer: enfraquecer.
Bassora: vassoura.
Nalguma: Em alguma.
Forma de sentir
Não sei dizer se o que escrevo é
poema ou poesia…
acho que só sigo o que o meu coração diz.
É expressão em estado bruto.
Talvez uma prosa poética —
quando narrativa e poesia se misturam
até não dar mais para separar
onde termina uma
e começa a outra.
Eu não me preparo para escrever —
eu sinto…
e as palavras vêm.
Às vezes em silêncio,
principalmente quando estou ansiosa,
triste ou nervosa,
elas vêm em rimas,
como se a vida,
por um instante,
virasse melodia
só para me confortar.
Como um drama,
um conto
ou romance antigo —
talvez de filmes
ou de uma época desconhecida.
Escrevo quando algo transborda,
quando aperta,
quando precisa existir
fora de mim.
As palavras apenas saem —
e eu as escrevo.
Não sigo regras,
não penso demais…
apenas deixo acontecer.
As frases vêm como ondas:
às vezes calmas,
às vezes quebradas,
às vezes interrompidas…
como quem respira fundo
ou engasga com o próprio sentir.
Dou saltos —
de assunto,
de emoção —
como batidas irregulares
de um coração apaixonado.
E, muitas vezes,
quando termino,
leio de novo
com um certo estranhamento —
como se não tivesse sido eu…
mas, ao mesmo tempo,
sabendo que nunca fui
tão autêntica assim.
Talvez não seja texto.
Nem poema.
Muito menos poesia.
Talvez seja só
o meu jeito de sentir
ganhando forma. 🌙
Poesia sobre maternidade
Dentre tantos sonhos que podemos sonhar
O mais lindo eu pude realizar
Mãe eu me tornar
E descobri que a cada dia que passar
Meu coração se põe e dilatar
E o maior amor a me transformar.
Tem dia que a alma não quer poesia, só silêncio.
Não quer conselhos, quer sumir.
E no meio do sumiço,
um pedaço pequeno
de esperança insiste em ficar.
Mesmo cansada, ela respira.
Mesmo sem fé, ela tenta.
Porque dentro do sei lá, ainda mora alguém que quer recomeçar.
Se você fosse um livro, eu te leria
Se você fosse música, eu cantava
Se fosse poesia, eu recitava
E se fosse bebida, eu beberia
Se fosse um erro, eu errava
Mas, se fosse um acerto, eu acertava
Se tivesse à venda, eu comprava
Se tivesse perdido, eu te achava
Você traz movimento pro meu tédio
E teus olhos pra mim são um remédio
Pra minha dor que me curam todo dia
Você é como um gole da bebida
Que a gente rejeita toda vida
Porque só uma dose já vicia
Por mais poesia em nossas vidas
Por mais momentos nos quais a beleza do dia a dia nos faça perplexos
E agradecidos pela vida !
Te conheci poesia,
Hoje, lhe vejo em versos
Desgarrados, desalinhados,
Grandes garranchos
Entre as finas linhas do
Caderno da vida.
Todo Poesia
A poesia se esconde nos impronunciáveis momentos provados pela alma.
A tentativa objetiva de expressar a subjetividade dos mistérios.
Poesia é fantasia, é mágica é maestria.
O contorno do corpo sob a luz da lua, envolto num cobertor para fugir do frio.
O sono gostoso enquanto espera pelo jantar.
Poesia é o segredo das noites em fuga, o esconderijo nas manhãs de sol. (Júlio Raizer)
Poesia Voluntários da Pátria I
Até quando esperar?
Até quando esperar se nada mudou,
se nada te importa?
Até quando esperar se é complicado te dizer alguma coisa?
Até quando esperar se já se perdeu,
se ficou pra trás?
Mas não é nossa culpa,
não é desculpa.
Pois eu sei que uma só força da fração do seu amor,
desse amor que só acontece quando realmente se quer,
é grande,
é como se fosse um “eu te amo” na primeira semana.
Ouvir um “eu te amo” na primeira semana
faz disparar seu coração,
despeja na corrente sanguínea adrenalina suficiente pra você nunca ter que pular de paraquedas na vida,
te faz sentir vivo.
E mesmo sabendo
que toda a riqueza que anda por aí tá nas mãos erradas,
que existe corrupção,
que existe injustiça,
a força de um “eu te amo” na primeira semana
nos dá a certeza de que
juntos
nós vamos ganhar o mundo.
Ainda que hoje seja um dia comum.
Ode à Poesia
(31 de Outubro — Dia Nacional da Poesia)
Óh, Poesia!
Senhora do meu âmago!
És a fonte do viver
desse meu Eu lírico,
o elo de sobrevivência
entre o meu sentir e o meu existir...
É em ti que respiro
os silêncios não ditos,
as dores não curadas,
os afetos perdidos...
Tu és o refúgio sagrado
onde repousa minh'alma,
o templo onde a emoção
se faz verbo e luz...
Sem ti, Poesia,
eu seria deserto,
árido de encantos,
vazio de sentidos,
mas contigo,
sou flor que floresce
em meio às ruínas,
sou canto que atravessa
as muralhas do tempo...
Óh, Poesia,
que habitas em mim
como uma prece antiga,
permanece eterna,
infindável,
como a chama
que dá voz
à minha própria essência...
Óh, Poesia!
Matéria viva do meu sangue,
alma incandescente
do meu caos interior...
És o grito que ecoa
quando o mundo me cala,
a seiva que impede
a minha alma de secar...
Não és escolha,
és instinto,
necessidade,
sopro vital...
És a vertigem que me salva,
a dor que me dá forma,
a ferida que floresce
em palavras e silêncio...
Em cada verso que nasce,
sinto o parto do infinito
rasgando o meu peito,
e é em ti que sobrevivo
entre o abismo e a luz...
Poesia...
És o meu fôlego,
meu vício,
meu exílio e minha redenção...
Óh, Poesia,
minha doce companheira,
tão antiga quanto os sonhos
que me habitam em silêncio...
Tu me acompanhas
nos instantes de ternura
e nas madrugadas de solidão,
quando o mundo adormece
e só a alma desperta...
Em teus braços repouso
meu cansaço e minha fé,
contigo, aprendi que o sentir
é também uma forma de cura...
És o murmúrio que acalma,
a brisa que sopra sentido
sobre as dores do tempo...
Poesia...
tu és o modo mais puro
de me reencontrar
e me reconhecer,
em cada palavra que floresce
dentro do meu próprio silêncio...
✍©️@MiriamDaCosta
