Poesia Agua de Mario Quintana
Te quero com inspiração
como florescem os resedás,
E no meu nome a canção
de amor encontrar sem
nenhuma outra distração,
Ser para você o paraíso
divino, a fuga, a devoção
e constante celebração.
Petúnia vermelha
rara e poética
nas quatro estações
e dos sentidos
a tua flor perpétua,
A dama inopinada,
absoluta e discreta,
Por mim você
não mais sossega.
Não existe combate
ao eufemismo que
alcance igual poder
da Raflésia atômica
de ter nascido poeta,
Não tente arriscar
e nem pagar para ver,
Quando tentar dominar
quem vai cair será você.
Caminho em direção ao mar,
com você no coração e na mente
me permito mergulhar,
insisto com a água até a cintura
com uma das mãos Lua
capturar e deixo a onda
os quadris balançar,
Assim sou eu a poesia do mar
e do teu amor a pactuar,
a reverenciar e te encantar.
Você irá com a sua fantasia
de Rei e eu fantasiada de Rainha,
tu bem sabe como esperei por
este glorioso dia para dançar
o auto natalino na sua companhia.
O Mestre, o Contra-mestre,
os dois embaixadores, o General,
a Lira, o índio Peri, os vassalos,
os dois mateus, os dois palhaços,
a Catirina e a sereia estão ansiosos.
Com o índio Peri você vai me disputar
no ritmo da sanfona, do pandeiro,
do triângulo, do tambor,
da voz do Mestre e do meu amor,
Esta noite promete muito calor
e tem água na bolsinha para dois.
O bailado estará sob a iluminação
da estrela de ouro, da estrela
brilhante e da estrela republicana,
Seremos da rua o poema magistral
sob a escolta do completo figural.
Quando a Banda da Lua se aproximar
chegando quase no final,
algo me diz que você vai se declarar,
e pelo amor se deixar levar,
porque há muito tempo não
tem dado mais para disfarçar.
(Você nasceu para dançar
Guerreiro e ser o meu bem amado).
Os meus lábios sidéreos
te arrepiam a distância,
Como a brisa cósmica
a Flor de Jade balança,
A minha existência te rende,
derrete e te encanta,
O meu nome é balada romântica
que te põe para dançar
no trapézio do destino
para nos meus braços se entregar.
A ária da Via Láctea
me veste de estrelas
e despe com milhões de beijos,
Ainda há na cena uma
Rosa Juliet nos meus cabelos.
Rendamos culto aos desejos
de seda e de atrevimento ondulantes
que fazem tapeçarias de diamantes.
Não há nada meu que não
seja seu num único dístico
feito de luz e sombra,
Nada mais assoma
no jardim interno das romãzeiras.
Dancemos os passos do amor
enquanto muitos perdem tempo
de viver com total enamoramento.
Consciência Negra
Só um povo com uma
consciência imensa
foi capaz de cruzar
o Oceano Atlântico
e em nome dela resistir,
se libertar e seguir
libertando muitos
de nós que continuamos
presos e nem sabemos.
O Quilombo de Palmares
sempre estará vivo
sempre que houver
necessidade de heroísmo.
Ter muito o quê aprender
com a herança do passado
deve ser compromisso
para que no presente
o quê for nefasto não
seja copiado e no futuro
não seja nunca mais repetido.
(Sempre que houver chamado
a minha poesia é Zumbi,
A minha Consciência é Negra
porque com a vida eu aprendi).
#DiadaConsciênciaNegra
O céu está todo ensolarado
e deste lado estão os Lambe-sujos,
vamos encontrar e nos encantar
com a festa entre dois mundos.
O Rei Africano, a Rainha e
os Embaixadores fazem acenam
corteses e a Mãe Suzana
também nos cumprimentam.
O Pai Juá e o Feitor conversam,
riem distraídos e neles esbarram
correndo um grupo de meninos.
Os tocadores e os brincantes
fazem o aquecimento com
os seus ganzás afinados,
pandeiros rodopiantes,
cuícas chorosas, tambores
alucinantes e reco-recos inebriantes.
Os teus olhos hipnotizados
se encontram com os meus
ainda mais encantados pelos teus.
Você ganhou de surpresa
uma foice e um cachimbo,
e eu ganhei uma chupeta,
Passou um nós um homem rindo
dizendo que daqui a pouco o carvão
e o mel de cabaú estarão servindo.
De longe sem sentir ciúme
sinto o aroma do mel que parece
que pegou do teu perfume.
De longe vejo os donos dos engenhos
cortejados pelos Caboclinhos
pintados de marrom com os seus
magníficos cocares coloridos.
Antes do Padre chegar para abençoar,
todos nós estaremos prontos
para dançar os combates até
a noite se estrelar e os Caboclinhos
a vitória da tradição sob todas
as vitórias ao povo declarar.
No embalo deste encontro
feito para abençoar e festejar
entre o Lambe-sujo e os Caboclinhos:
ao nosso amor vamos nos entregar.
Não existem guerras
que não sejam
contra as crianças
Quem disser o contrário
estará mentindo,
As balas e bombas
vem programadas
para matar as crianças.
Os senhores da guerra
não gostam de crianças,
porque eles não amam
ninguém e nem a si mesmos.
Os senhores da guerra
quando não matam
as crianças com suas
balas e bombas,
Os senhores das guerra
roubam a infância
através da malignidade
das suas tropas,
Porque as que escaparem
serão convertidas
em escravos ou soldados.
Os senhores das guerra
matam a alma das crianças
por perversão fazendo as cantar
as suas canções de destruição.
Para os senhores da Guerra
o único Deus é o dinheiro,
os senhores da Guerra
não servem aos povos,
e sim são óbvios meros
lacaios dos impérios.
Os senhores da guerras
padecem de embotamento afetivo,
por isso sem culpa cultuam
os crimes de guerra e de genocídio.
Os senhores da guerra
nem sempre vestem farda,
às vezes vestem terno e gravata,
Os senhores da guerra também
podem ser senhoras de tailleur.
Os senhores da Guerra são
frontais arqui-inimigos da infância
em nome da perpétua ganância,
e deles só quero mesmo é distância.
Conviver com os senhores da Guerra fortalece a violência em espiral,
e nunca espere de nenhum
deles que te ofereçam um bom final.
Com peônias nas duas
mãos deixo os ventos
me tirar parar dançar
e a organza do vestido
ondular sem receio,
Como quem faz um rito
cultivo você no íntimo
e do desejo não me asilo,
Na imaginação preparo
o caminho para ser a tua
amável Lua secreta Lua.
A minha humanidade
de poeta sob a Lua,
não se entrega jamais
ao Deus da Guerra,
com a minha pluma
infinita invoco a paz
e o amor na Terra.
Os livros de romance
devem ser abertos
e as baladas de amor
devem ser cantadas
para que o melhor
para nós permaneça.
Confiante no giro
da orbe celeste,
Vou no ritmo
do peito o nome
do amor derradeiro.
Trago-te imperiosamente,
Sensualmente,
Para beijá-lo deste jeito,
Para mergulharmos
Profundamente,
Um no outro...
Trago-te sensualmente,
Tacitamente,
Para beijá-lo de todos os jeitos,
Para nos abraçar com os nossos abraços,
Ternamente,
Carregando juntos um tesouro...
Trago-te apaixonadamente,
Vulgarmente,
Para beijá-lo dos jeitos mais escandalosos,
Para você se enroscar nas minhas colunas
De mármore branco,
Para o bom conjugar do nosso fino ouro...
Trago-te largamente,
Carinhosamente,
Para beijá-lo intensamente,
Para a gente se explorar extensamente,
Sexualmente,
Porque nos pertencemos imensamente...
Trago-te amorosamente,
Ternamente,
Juntos vamos para Thassos,
Temos o amor como a nossa [joia,
Que levaremos até para a Lagoa [Giola,
Porque em nós cabe o Universo [esplêndido,
Carregamos juntos o amor [primeiro
E derradeiro,
Juntos viajaremos o mundo [inteiro...
O teu beijo é a fonte que beija os bosques
- naturalmente me tens
Como o pasto se entrega para a chuva
- nada me detém
Sê meu, porque escolhi ser tua,
- por mais de mil e uma noites
E com todos os teus toques.
Irei me banhar na tua seiva
No primeiro ensejo,
Não escondo o meu desejo
à ti entrego-me toda,
Dou-te o meu melhor desvelo.
Se é maravilha o quê estou sentindo,
não nego, e revelo que maravilhada estou,
Por ti o meu coração brilhou e ainda brilha;
E ele continua brilhando,
desde o dia que elogiastes a minha escrita quando ainda ela era reduzida
à modestos e religiosos 'versos',
Provocaste-me os impulsos mais diversos...
Ainda me provoca a tal ponto que continuo
escrevendo como refúgio,
- escrevo para me refugiar dos outros, é claro!
Escrevo para estar mais perto de ti,
- insinuo
Sem nenhum pudor, desnudo-me para ti.
Nunca viste nada mais sem vergonha, creio
- com jeito de brisa e cheiro de mato
Um coração carinhoso e ensolarado,
- com a intensidade de uma queda d'água
E com um corpo pelando feito brasa,
Com versos e fluidez para descrever,
- o amor in natura
Que chamam até de loucura...
Para sempre o seu nome
Será [resguardado],
Porque o amor em nós sempre vive,
Ele se revive em festa,
E no vinho mais tinto,
O amor jamais será apagado,
Ele é a nossa história,
O nosso mar [serenado].
Temos a sementeira do amor,
Amor que é amor nunca morre,
O amor não morre nem de fingimento,
Ele é um bouquet - o imortal sentimento,
Que dissipa as tempestades,
E traz o solar [encantamento].
Serena o teu coração,
Repousa a tua [cabeça],
Deixa o teu impulso agir,
Deixa o teu coração sentir,
Que o teu corpo encontrará
O caminho de [volta].
Amor, sossega aqui e me beija,
Como um beija-flor que beija a flor,
Como o sol beija a areia da praia,
A hora de amar nunca perde a hora,
Ela jamais se despede de nós,
A hora de amar é agora!... Regressa!...
Vem, toma o teu lugar,
Porque é sempre tempo de [amar]...
A eternidade se torna desdita
E completamente 'frondosa'
Porque longe da tua paz
Sinto-me desventurosa.
Porque te busco em letras
Uma por uma perfumada
Sonho um dia ser por ti amada.
Eu já tinha a ciência
Que jamais de ti escaparia
Disseram-me que eu enlouqueceria
Pelo teu olhar fatal que desafia.
Busquei ganhar os teus olhos
Bem sabes, que o teu corpo também
Não mintas para mim, eu vejo o além.
Conheço a tua intenção penetrante
Tentes ser comigo vacilante
Não encontrarás nada tão vibrante
E que chegue perto do meu seio amante.
Não irei atrás de você,
Nada irei te cobrar,
Para lembrares sempre de mim,
Como um jardim em plena espera,
Vibrando pela primavera,
Que só o amor conserva.
Sempre voltarás correndo para mim
Porque o meu tempo é sempre ameno,
E o meu jeito é veramente sereno.
Porque se entregaste ao meu jeito,
Eu sou insaciável, viciante,
Como a flor que produz pólen,
Só para atrair a abelha,
Eu exalo uma aromatizante centelha.
Sou flor de alcaçuz,
Tenho perfume, cor e brilho,
Para povoar o teu espírito
Com o meu florir que seduz.
Ainda não conheceste bem a primavera,
Preparo-te todos os dias para ela,
Porque aqui sempre estarei de sentinela,
Aguardando de vez pela tua entrega,
Eu sempre estarei à tua espera.
Porque tens
os meus cabelos,
Estou mansa entre
os teu dedos,
Pronta para ser
só loucura
Em ritmo e ledos,
Ainda bem
que não temos
Mais [segredos].
Excitam todos
os teus meneios,
Confesso que
já tive mil medos,
Mas muito mais fortes
foram o desejos;
Entusiasmam todos
os teus empregos,
Nunca houve notícia
de tão subversivos enredos,
Nunca chegou perto sequer
dos históricos mancebos.
Tenho no teu regaço
o melhor dos berços.
Porque a poesia
é a boa desculpa
Para que não
nos desviemos,
E sempre para
que nós voltemos
A viver esse espetáculo
venturoso.
Tenho atração pelo teu
beijo meloso,
Que na verdade é um
beijo licoroso,
Somos dois seres
para lá de criteriosos,
Que buscam em matéria de amor
serem primorosos
Confesso-te tudo,
e ainda mais um pouco:
Tens poder sobre mim,
mexeste com os meus impulsos
Para lá de [vigorosos]...
Um pedaço de sanidade,
E outro de insanidade,
Tens um pedaço de verso,
E outro que é só saudade;
Uma boa estrofe descrita,
Para dizer o quê me atina,
Porque somos uma mistura,
Que até ao Universo fascina.
A terra sempre precisa da água,
Você precisa da minha calma,
Quando você me dá o teu sorriso,
Jamais resisto,
Eu te entrego a minh'alma.
Não sei escrever, e nem recitar,
Quero nos viver, vivo a inventar,
Você é o meu mais lindo luminar,
Porque a tua potência provoca,
A tua ausência sempre me sufoca,
Perco até o meu respirar,
Amor, volta logo!... porque és o meu ar.
Sinto muito não saber falar direito,
E também não escrever com o português
Correito - os meus versos são na realidade:
Um por um - todos 'escorreitos'...
A água que sempre ginga na terra,
Exatamente, como a água eu sou;
Basta que você me peça,
Logo, me dou.
Escrevo do meu jeito,
Escrevo para você imaginar tudo,
E do jeito que deve ser imaginado.
É verdade, que mesmo sem saber escrever,
Arrisco-me escrevendo
Para cair na boca do povo,
E deixar esses meus versos falados,
Antes escrever poesia para alguém,
Do que ser inteiramente só
Ou andar mal acompanhado.
Quero o seu olhar em mim,
Conheço os teus enredos,
Sei que abrigas segredos,
Lindos são os teus dedos,
Quero que venhas, enfim.
Os labirintos da vida fizeram
A gente se encontrar...
Existe um amor e um afeto
Para a gente cuidar...
Vamos nos entregar?...
O amor é o sol que ilumina,
As mais escuras prisões,
E transcende todas as estações...
Conheço os mistérios dos porões,
Que levas nos teus olhos escuros,
Não menos lindos, e tão puros...
Fico silenciosa aguardando por você,
Estou aqui esperando o teu mimo,
Por ti não nego que suspiro,
Imaginar você longe - temo, podes rir!...
Com os olhos abertos quase que deliro...
Chegou a hora de desfrutares do amor,
Com o meu doce sabor de infinito,
O amor mais bonito e mais seguro,
O amor mais inesquecível e fecundo,
Não me esqueço de ti em nenhum segundo.
