Poemas Vinicius de Moraes Patria minha

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Miligrama de verso IV

“Quando derramas sobre mim o teu olhar de Sol,
neste momento,
só neste momento
eu ouço o som do coração do Universo
e experencio a eternidade.”

Inserida por elenimariana

Miligrama de verso III

Passado?


É perdido.

Passo para trás.

Prefiro o


Presente lúdico que me


Presenteia com os sabores do agora.

Inserida por elenimariana

Miligrama de verso II

Alcandoradas esperanças!

Viajo pelo Universo nos teus rastros

À procura das bem-aventuranças.

Do encantado tesouro dos teus braços

Somos partes de um todo

Senão por que a sede e a fome

Devoradores das minhas entranhas?

Causas estranhas

Que não me deixam inerciar

Vivo a trovejar

Para o infinito o meu grito

Que ressoa pelos séculos.

Pois meu amor por ti é milenar.

Inserida por elenimariana

O preço de um sorriso

Dizem que um sorriso não custa nada.

Custa sim, e, bastante.

Quanto custa, então?

O meu vale:

Algumas dolorosas horas na cadeira da minha dentista

E uma considerável quantia subtraída da minha conta bancária.

Inserida por elenimariana

Miligrama de Verso I

Dentro do Universo, nossa galáxia.

Dentro da nossa galáxia, a terra

Dentro da terra, Eu

Dentro de mim, o deserto

Dentro do deserto, um oásis

Dentro do oásis, uma fortaleza...

Teus braços.

Inserida por elenimariana

Perda Dolorosa

Retalhos das minhas lembranças estão por todo canto
Num desespero da alma que tenta ajuntar os poucos
Momentos de lucidez
Revisito minhas lembranças pra ver se te encontro
Ao menos nelas ou talvez
Resgate um gesto teu não acenado.
Por medo da minha impetuosidade.
Tinha de ter sido menos intensa
Com maior zelo da minha fala
E não ter extravasado o meu amor
Que liquidifica todo o esplendor
Da descoberta
Ah! Oferecida em demasia
Não podia
Ter entornado o meu coração nos meus recados
De amor pra ti.
Por ter sido sincera, tornei-me leviana.
Por ser afoita assassinei a esperança
E fiz lances tresloucados, ousados
E no fim
Perdi.

Inserida por elenimariana

SOU EU

Fiquei perdida entre as tuas coisas

Magníficas ou pequenas. Por pouco

Achavas o meu riso solto ou embrulhado

No papel que escrevias os teus versos.

De amor não pude tecer nosso namoro

Debruçada na janela da tua alma embebida

Nas paixões que entornaste toda a tua vida.

No trovejar da voz que soltas quando atinges

O ápice do amor. Então, navego por telepatia

Na mesma magia.

Não é comigo, mas atinjo, também, grande ironia

O auge de ser troca, ser o outro, ser um só.

E quando sentes o arrepio de uma alma que te busca e

Beija-te até secar todo o desejo.

Afaga-te tanto que desemboca noutro lampejo

De mais querer. E tudo se repete.

Infinitamente,

Em pensamento apenas, lamento.

Ai sou eu. Apenas eu.

Inserida por elenimariana

A MESMA SORTE

Eu quero a mesma sorte dos casais que celebram
O amor em um jantar-cruzeiro com "Marina de Paris",
Descobrindo a cidade Luz enquanto saboreiam um refinado menu
Para aqueles que pelejam no Zimbábue em condições subumanas
E se espremem em minúsculas cabanas
Feitas de barro
Com seus filhos desnutridos e sedentos.
Ir até o continente africano nem precisa.
Quero essa mesma sorte rica para os brasileiros
Ensacados numa bolsa de codinome família.
Esmola que lhe estendem para lhes comprar o dedo
Qualquer um deles que vá apertar a tecla
Que garanta para os do poder o sustento, que sustento!
Tenham tento...
Uma preciosa caixa com milhares de aumento
Dois?
É apenas um nome simples, mas que guarda uma inimaginável
Montanha de dinheiro.
Que dá até pra comprar aviões.
E outros, vão extorquir esfoliar o povão e se refestelarem
Com a barriga cheia em Planaltos e planícies
Com suas esquisitices
De se autoproclamarem salvadores da Pátria Amada.
Então eu quero a sorte dos mandachuvas estendida
Para cá, para os que ficam do lado de fora do muro das mansões
Para os que vagam nas ruas
Moram em casebres
E sobrevivem de lixões
E se enjaulam em prisões.
Não vou aceitar menos, nem para tal
Proponham-me nada menor do que isto.
E tenho dito.

Inserida por elenimariana

COISAS DA LUA

Chego à janela e fito a Lua

Então ela me pede pra ser sua namorada;

Eu respondo

— Não pode ser. Talvez eu namore o Sol.

Por que ele é masculino, você é feminina e sou mulher.

Ela retruca indignada e meio sem jeito.

— Xô preconceito!

Inserida por elenimariana

POSSE

Meu coração é atemporal amor

Por isso transito

Entre longínquos dias e o agora.

Pouco importa se não possuo no momento

Algo concreto de tua poderosa pessoa.

Guardei no meu coração o teu sorriso

Tua voz. Teu jeito indecifrável de fingir

Desinteresse quando eu sei, querias

Via fagulhas de amor no olhar teu.

Fui tua lua, teu luar, sonar...

Foste meu sol, meu arrebol,

Bastou-me.

Porque eu tenho o mágico poder

Das deusas apaixonadas.

E engavetei na minha alma

A tua essência. E atravessei

Meio século de existência

Sorvendo o teu sabor

Demasiadamente homem

Desumanamente inibidor

De nãos. Talvez, ou quase

Absoluta e resoluta estive ai na tua posse.

Que seria desse ser sem estas lembranças?

Seriam o tédio e o vazio engolidores

De mim.

Inserida por elenimariana

SAUDADES...

Oh! Saudades do ontem que

Eu tive teus olhos pedintes voltados para os meus

Lábios e seios.

Até pareceu-me ser amada

E sonhei sentindo uma dolorida agudez

De desejos quase realizados.

Não pude alcançá-lo, pois no instante seguinte

Partias. Nunca mais deixaste a poesia

Dos teus olhos derramar esperanças

Pros meus tristonhos.

Sepultei nossos abraços suspensos no

Meu pensamento febril

Beijos lúdicos ficaram espremidos na minha

Boca ressecada de tristezas.

E a saudade se ajeitou no meu peito

E nunca mais quis existir sem mim.

Inserida por elenimariana

Para meu pai Orizon.

Menino meigo,
risonho.
Humor sempre à flor da pele.
Suas gargalhadas explodiam
Com o encantamento de alguém que descobre o mundo
E está sempre enamorado pela vida.
Colocava o coração
no doce olhar brejeiro
e faceiro
Construía poemas pra amada Mercês.
Talvez
Sem sabê-lo fosse um poeta
Não, talvez não, ele o era de fato
Na simplicidade de suas palavras,
tecia lindos poemas
Cujo tema versava sempre o amor
Grande amor dedicado à eterna amada.
desenhava neles, a menina dos sonhos.
Também foi valente
passou pela vida de uma forma
Magnificamente inteligente!
Homem decente e prudente.
Pois, apesar de muito pobre delineou com exemplos, os perfis dos seus filhos.
Com sua bela herança de honestidade
e generosidade.
Hoje somos todos ricos de valores humanos.
se estivesse aqui entre nós
Teria completado 86 anos de uma exemplar existência.
como partiu, compõe agora lá infinito
86 bilhões de bonitos
Fachos de luz.
Minha constelação de estrelas.
Meu sol
Meu herói imortal.
Meu dilúvio de amor.

Inserida por elenimariana

Lágrimas vãs

Fui eu que chorei o Pacífico
Quando enxerguei as muralhas erigidas
Com toda aquela riqueza lá dentro.
Enquanto crianças de ruas cheiravam cola.
Fui que verti em lágrimas o rio Nilo
Quando soube que mentiriam
Para angariarem muito dinheiro.
Espoliando os pobres e desinformados.
E mal-intencionados
Inventariam sistemas financeiros.
Cruéis e excludentes.
A fatia seria dividida desigualmente
Muitos sem nada
Poucos com muito.
Gente comeria lixo,
Viraria nada.
Na desabalada
Carreira individualista,
Egoísta.
O mundo chegaria ao caos.
Então,
Minha aflição foi tanta.
Que chorei todos os outros mares e oceanos
E rios, e lagos e lagoas
E riachos perenes e temporários.
E no auge da minha dor,
Quando não me restava mais lágrimas.
Suguei as águas do chão,
Sequei a terra
Do deserto do Saara.
Quando entendi que o homem
Trocaria por dinheiro a sua alma.

Inserida por elenimariana

Milhões de amores

Tenho milhares de almas
Milhões de amores.
Milhares de bocas
Trilhões de beijos
De carícias.
De desejos.
Para quem confessaria o meu amor
Se apaixonada sou multidões
De mulheres
Todas gritando por liberdade.
Fisicamente um único ser
Sensível e indecifrável
Dentro de uma solidão incomensurável.
Todos os passantes pela minha vida
Piedade...
Pois se tenho todas as promessas do sim
Tenho de suportar, também, todas as renúncias.
E renunciar quando se ama, é morrer
Disse o poeta
Vim morrendo pela vida aos longos dos meus anos.
Morro todo o dia
Morro toda à hora.
Morro a todo instante.
E morro agora.

Inserida por elenimariana

Impregnados de TEREZA

Os que não conheceram Tereza ao tomarem conhecimento da sua partida
Pensando em nós que ficamos consternados, talvez digam:
Faz sete dias que eles estão sem ela...
Que pena!
No entanto, enganam-se...
Ela tinha um mágico pincel
E desenhou nas nossas almas seu sorriso, seu semblante
De uma forma tão marcante,
Que ficaram incrustados nas nossas mentes
E fica impossível para nós que a amamos.
Esquecê-la um só instante.
Com o tempo a dor diminuirá.
A saudade, por sua vez, aumentará
Então, nós estaremos com certeza
Predestinados
Determinados
Em permanecermos
Impregnados.
De TEREZA.

Inserida por elenimariana

Crônica para Tereza

Sorriso meigo, olhar sereno.
Tereza deixava-se derramar em amor
Porque sabia ser uma interlocutora dos Arcanjos,
na sua magnífica caminhada entre os homens.
Trejeitos leves de quem perdoa sempre...
Eu pude beber na sua fonte, suprema alegria
de ter Tereza no seio familiar e contemplar
o perfil de uma mulher singular.
Belo exemplo deixou-nos do saber, que somente uma alma
generosa traz para compartilhar com os semelhantes:
Paz, e se lhe faltavam as palavras....
ela se transmutava em Anjo para serenar
as pessoas que tiveram o privilégio
Doce mistério.
De ter Tereza, de ver Tereza, de saber Tereza.
Mais que amiga, era minha irmã
Por isso,
ficará no meu baú de saborosas recordações.
Por que?
Tereza partiu, mas imprimiu no mundo a sua marca
Que jamais se apagará.
Mudou-se, foi para um castelo reluzente
E se encontra nos braços do Pai tão sorridente!
E estaremos sempre, todos nós, seus amigos e familiares
Num eterno encantamento, abraçados.
Entrelaçados.
Mais que saudosos, apaixonados.

Inserida por elenimariana

Mágico Menino Neymar

Voa o menino. É alado?
Talvez tenha asas invisíveis
Que os olhos humanos não percebem
Apenas quem pode como ele
Crer na vontade de ser grande.
Ser o melhor naquilo que faz com amor.
Pode enxergá-las.
É contorcionista?
De certo que sim.
Pois, entre pernas adversárias lá vai ele
Com seus requebros estonteantes
Desintegra-se diante de abismados oponentes
Para se recompor lá na frente
E em giros espetaculares golpear redes.
E, quando vestido de verde amarelo,
O garoto multiplica-se em
Duzentos milhões de amantes da bola.
Deixa-se usar por todos nós.
Nós nos entranhamos nele e
Rolamos com ele nos gramados.
Vão junto, também, as nossas almas
Nosso querer e os nossos sonhos
E, então somos com ele, vencedores.
Também é o menino um perfeito desenhista
Quando reproduz nas suas cobranças
Com o floreio dos passistas
Nossos semblantes
Risonhos...
Com seus chutes certeiros e implacáveis
Aí então ele é um mágico gigante, e
Dobra o mundo que maravilhado
O aplaude de pé.
E, então, senhores?
É um Pelé?
Sim, ele o é.

Inserida por elenimariana

"O amor é uma espécie de preconceito. A gente ama o que precisa, ama o que faz sentir bem, ama o que é conveniente. Como pode dizer que ama uma pessoa quando há dez mil outras no mundo que você amaria mais se conhecesse? Mas a gente nunca conhece."
(Charles Bukowski)
"Nunca me senti só. Gosto de estar comigo mesmo. Sou a melhor forma de entretenimento que posso encontrar."
(Charles Bukowski)
"É este o problema com a bebida, pensei, enquanto me servia dum copo. Se acontece algo de mau, bebe-se para esquecer; se acontece algo de bom,bebe-se para celebrar, e se nada acontece, bebe-se para que aconteça qualquer coisa."
(Charles Bukowski)

Inserida por BrendaFleetcher

Quando colocarem seus ideais em xeque, você terá duas escolhas:
-Derrubar o Rei e mudar suas opiniões;
-Continuar jogando, sabendo que o empate é o resultado mais provável.

Inserida por Althielis

Emociona-se, ao assistir à Globo,
Com a morte do DG
Mas quando encontra um outro jovem
Que, infelizmente, furta pra sobreviver,
Amarra, chuta, mata
E diz: o culpado por isso é só você.

Inserida por Althielis