Poemas Vinicius de Moraes Patria minha
Ah Maria,
Você salvou meu dia primeiro;
Depois salvou minha semana,
Meu mês e finalmente,
Salvou meu ano inteiro.
Juro que nada corresponderia,
A minha plena admiração,
Um juramento efervesceria,
A altura de nossa conexão,
Há uma oração que descreveria,
A indescritível sensação.
Se tu quiseres serei hélice quando voares,
Serei asas enquanto planares,
Sereia minha, água em meu aquário,
Sobre os planaltos elevados, receptor e emissário.
Muito esforço e transpiração, Estabeleceram minha pose, Faturamento anual e crônica neurose.
A recompensa da aposentadoria
E seções de Terapia em hipnose.
Síntese Nossa em Minha Sinopse
Sinto-me fraco,
Síndrome da falta,
Porto um vácuo,
Uma pausa na pauta.
Estagnado em minha lauda,
A cobertura sem a cauda.
Ouso escutar a cantoria,
Ouço executar a sinfonia,
Simpática força que culmina.
Sinto-me Senhor
Da minha própria sorte,
Síntese nossa em minha Sinopse.
Sou sua serifa,
Tu és minha haste,
Me mantém proporcional,
Irracional em minha arte.
Não escrevo mais
O que vem da inspiração,
Pira-me a tua tenaz convicção.
O diário está mudo,
Nada mais me diz,
Fui criado graúdo
E a grafia não condiz.
Mas antes de ontem
Se antecipou,
Hoje é a conseqüência
Do que passou
E também somou
E tão bem semeou.
Sinto-me Senhor
Da minha própria sorte,
Síntese nossa em minha Sinopse.
Sente-se agora,
Sinta-se com vontade,
Sossegue e levante sem alarde,
Ainda não é tarde
Para aliar, para obter, para habitar.
Sinto-me Senhor
Da minha própria sorte,
Síntese nossa em minha Sinopse.
Apaziguando minha quietação,
Implacáveis precauções,
Conduziram-me a energização,
Facilitando as aspirações.
Resíduos da sua fragrância,
Fragmentos da minha lembrança.
Todavia não fracassamos,
Deveras enfraquecidos estamos.
Contudo, se o ato de amar liberta,
Cumpro minha pena livre.
Sou um condenado,
Obrigado a responder em liberdade.
Outro Evento de Extinção
Neste Pequenino Orbe Azul
você implodiu a minha vida
de um jeito diferente,
e se eu tivesse
uma máquina do tempo,
faria tudo do mesmo jeito,
exatamente.
porque apesar de toda vida,
nalgum momento chegar ao fim,
nesta pequenez valiosa,
até mesmo as tuas moléculas
brilharam para mim.
e assim sobrevivemos
ao inverno nuclear,
afinal, os corpos celestes
queimam tudo ao seu redor,
antes de acabar.
(Michel F.M. - Trilogia Ensaio sobre a Distração - 31/10/23)
DESATINO
- Dramatizei a minha história: chorei e pensei: corri atrás, consegui, agradeci, venci.
- Hoje no vazio desta noite, sinto um vácuo em meu peito.
- Olho para o guarda roupas com vontade de me vestir a minha melhor roupa, toco no perfume e penso, usar para o nada.
- Fecho o frasco e o guarda roupas e me tranco inteiro.
- Amanhã vou viver "penso", detalhes me dão conta de mim.
- De repente eu existo.
Quero arrancar as grades da minha janela,
Tocar as flores! sentir a brisa singela,
Dormir com a porta aberta
nas noites de verão!
Quero a honestidade meu irmão!
Ainda que seja rara
Quero a vergonha na cara,
Mas pra dizer a verdade,
Quero a solidariedade
Quero a esperanca,
a alegria e confiança!
Onde exista amor a fraternidade.
Minha Saracura
Saiu da lagoa apressada
Logo de manhã bem cedo
Assustada e com medo
Correndo desajustada
Um canto potente esbraveja Corpo Esbelto e perna fina
Um trejeito de menina
Nos outros causando inveja
Dorso castanho camuflada
Vestido verde pele aveludada
Minha linda Tres Pote
Amanhã quando cantar
Reserva pra mim um lugar
Pertinho do seu camarote.
Poeta Missias
Estrela Flamejante
Estrela flamejante,
De hoje em diante
Serás o minha guia,
De noite e de dia;
De-me sabedoria,
Mesmo com sacrifícios,
Para cavar masmorras
e vencer os meus vícios,
Estrela guia
Símbolo de elevação moral,
Guia-me a pedra filosofal.
Proteja-me sempre do mal,
Leve-me ao caminho do aperfeiçoamento individual;
O Estrela Flamigera com toda sinceridade,
Guia-me a retidão que leva à verdade,
Não deixe que as forças e os perigos possam desvirtuar nem o homem mais sábio de todos os sábios,
Não pare de brilhar!
Eu
Testemunha de minha passagem
Com minhas palavras divina
Como criatura nesta viagem
Busco algo que as defina
Infinito são os vestígios e o clarão,
Que deixarei em minha biografia,
Procuro explicação
Tecendo meus versos e poesias
Em equilíbrio com meus pensamentos
Buscando arte e conhecimento
Vida bela que conquistei
Esposa, filhos e netos
Tecendo os meus sonetos
No Redentor sempre acreditei.
Minha Janela
Lanços fulgurantes da minha história
Retalhos da minha infância
Guardado na memória
Quando ainda criança
Vividos com alegria
Pequeno uma doçura
Brincadeira e fantasia
Colo de mãe muita ternura
Adolescência fragilidade
Incertezas, procura e vaidade
No mundo de tanta gente
Primordial controlar a mente
O amadurecimento necessário
Colo n’outro lado do morro
Pouca roupa no armário
Sem alguém pra pedir socorro
Sementes novas lançadas regando todo dia
Renascendo a alegria
Um quadro pintado em aquarela
Suplício fechar a janela.
O lapso de minha consciência
Me responde com deveras clareza
De onde vim, onde estou e para onde vou e com
Enorme certeza
A respeito da minha existência.
Saudades de Você, Minha Querida Mãe
Mãe, sinto saudades de te abraçar
E de sentir o seu coração bater
Sinto saudades de te escutar
E de todos os conselhos que me fez entender
Sinto falta do seu amor incondicional
E da sua força sempre presente
De todas as suas demonstrações de carinho
Que me faziam sentir tão contente
Mesmo que você tenha partido
Seu amor vive em mim para sempre
Neste Dia das Mães, te honro com carinho
E agradeço por tudo que fez por mim, minha mãe querida, eternamente.
