Poemas Vinicius de Moraes Patria minha

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As Plêiades e a Lua
juntas irão dançar,
É um bonito prelúdio
que os teus beijos
pela minha boca
de Morango-silvestre
haverão de gamar.


Não vejo a hora
do nosso dia chegar,
Com toda devoção
iremos nos achegar
para o amor fazer
ninho e conosco ficar.

A tua existência
sobre a minha
sem resistência
faz residência
no florescimento
dos Garapuvus
de Florianópolis
como residência,
Por isso não há
nada no mundo
que plante a ideia
de desistência,
O meu coração
tem raízes na terra
e no teu peito
com plena consistência,
E da mesma maneira
a utopia elegida,
o romance e a consciência.

Admito sem contorcionismo
que sei o meu lugar de fala,
que na minha idade tenho história,
e não tenho o florescer em primícia;
Transbordo sem a flor retórica,
enraizada e resistente a qualquer
estação com encanto e entusiasmo,
arfagem, pulsação e cheia de orvalho.


Por ti milimetricamente provocado,
intencionalmente tenhocada pingo
espargido para deixá-lo vulnerável,
e cheio de razão todo derramado.


Há tempos tudo tem sido calculado
em nome daquilo que pode ser
incorporado, comemorado e desfrutado
talvez por toda nossa existência.


Tudo ao redor faz o coração
renovado sentindo sem temor,
sem tremor, todo suplicante,
e convictamente insaciável:
da tua existência inteira capaz
de fazer da minha uma obra-prima,
tal como a colheita do Licuri intima.


No final, o que realmente importa,
é estar sob rendição da tua turgidez,
para depois com gratidão repousar
serena contigo em total languidez,
satisfeitos, orgulhosos e entregues
plenos como deuses na vida terrena.

Oceânica, aveludada, carinhosa
e de madrepérola sardanapalesca,
A minha presença edênica nunca
será desfeita dentro do coração,
Libidinosa, lúbrica, voluptuosa -
sei que no teu íntimo tenho
o lugar preservado e intocável,
O concuspiscente e o insaciável
se encontram com o pudendo
em estro diante do teu priápico.


Não há como negar que a nossa
fórmula gera uma combinação
explosiva que nem mesmo o tempo
está a altura de alcançar e imitar,
Não nascemos para outro tipo
de languidez que não seja pós vulpina
por nossa plena vontade faminta.


Luxuriosos acendemos o céu austral
que dentro de nós vívido - ilumina,
Que condor só voa com condor,
somos a inquestionável prova viva.


No infundibuliforme o céu e o inferno
sempre nos unirá em nome da astúcia,
da lascívia e da luxúria - imperiosas,
que reunidas se retroalimentam, testam
e põem mortais à prova em todas horas.


Ínscios não somos - e ainda bem...,
tumescente, ebúrneo e desafiador,
sei muito bem que és e com andor.


O sôfrego nunca me desmobilizou,
e no fundo sei que por isso reino
com absoluto fascínio no teu peito;
Sou o ser angélico, o teu beijo de mel,
o Achachairú maduro e a inspiração
primaveral que fortalece contra o fel.


(O teu primeiro amor verdadeiro).

Floração de Manduí


silenciosa no coração,


É a minha presença


que traz o frescor


com flores do amor


discreto e feminino,


Que não será resistido


por nada nessa vida.






Revelo-me como titular


assumida da rebelião


interna que não pode


ser dentro de ti contida,


Eis-me a inabalável


que mantém o tempo


todo a tua pele acendida,


e a fantasia mais realista.

Minha mente e mãos
trazem sempre algo
das quebradeiras de côco
da Mata dos Cocais,
Há tanto tempo faz
que canto para os vivos,
e também para os mortos,
Porque não aceito jamais
o meu chão em destroços;
De tudo o que a Carnaúba
que vida nos traz carrego
tudo sem nada deixar,
Seja com o Bem e o Mal
para virtuosa lidar,
Nada devemos deixar
passar ou deixar de aprender,
para trilhar o caminho
certo para sempre crescer.

Apenas ser, não me cabe,
quero permanecer
plena com minha altura
e aura nua e oculta
caminhando pela rua,
cercada por montanhas,
com uma morada poderosa
em nossas entranhas.

Quando todos se forem
sou a flor que rompe
a dureza asfáltica,
A minha guerra sempre
será contra a guerra,
sou enraizada na terra.


Não importa quanto
tempo venha durar,
Com fogo cruzado
nasci com intimidade
silenciar não faz parte;
Está para nascer quem
haverá de me deter.


Como sopro de liberdade
feito para enlouquecer
os senhores da guerra,
Carrego sem ceder,
e sem os esquecer...;
Com pequenas coisas
não tenho tempo a perder.


Por ser semente além
do tempo invernal,
estarei sendo plantada
para vencer o grande Mal.

Parte minha é estrangeira,
e a outra parte é indígena
nascida de Norte ao Sul
abraçada amorosamente
pelo Oceano Atlântico,
Aqui têm todas as razões
de ser o destino romântico.


O Hemisfério Celestial Sul
guarda a Amazônia Azul
do meu Brasil Brasileiro,
que é terra do Pau-Brasil,
ninho do Sabiá-laranjeira
e terra de absoluta beleza.


Entre sóis, luares e chuvas,
não há outra terra que
caiba com todos os sonhos
que nutro todos os dias
com amor, ternura e folias.


Desta vida nada excluo,
nesta terra que me ensinou
honrosamente seguir
de pé com tristezas e alegrias.

A minha liberdade
como mulher não deve
oferecer risco para mim,
para outra mulher,
a quem quer que seja,
e tampouco oferecer
risco ao meu país,
A minha liberdade
como mulher não deve
ser encarada nunca
como ameaça ou ofensa;
E da mesma maneira
que a sua deve existir
reconhecendo o seu lugar,
e o dever inalienável
de usar a cabeça para pensar.

A cor e o sabor da palavras
têm a verdade da Chanana.


Da minha boca e da caneta
só sai o que jamais engana.


O louco coração o amor
não nega jamais e proclama.


Te venero como quem espia
a Via Láctea e aurora cigana.

Não tens ideia que a poesia
desta cidade é muito maior
do que a minha poesia,
que talvez não tenha sido lida.


O Sol ainda vibrante anuncia
no Médio Vale do Itajaí
que Rodeio entrará em festa,
por gratidão à terra erguida
com dedicação e amor.


Só sei que o Sol iluminando
enfeita e veste com alegria,
quem sabe apreciar a visão
do nosso Pico do Montanhão.


Com encanto o coração
agradece os sons, o silêncio
e o sino da Igreja Matriz
São Francisco de Assis
que juntos fazem a orquestra
que abençoa o nosso chão,
e faz recordar a tradição.

Sempre que quiserem retirar
o heroísmo da minha história,
ou de quem quer que seja,
Deixo-me iluminar pela chama
do panteão dos heróis,
Para que a glória e a esperança
nada nem ninguém jamais apaguem.


Peço a iluminação e coragem
do espírito de Guglielmo Oberdan,
um valente garibaldino convicto,
o protomártir do Irredentismo;
Para recordar de onde viemos,
pois continua vibrante e mais vivo
do que antes e não será esquecido:
[Que a forca nunca deteve o objetivo].


Com igual espírito do herói ainda jovem,
que com Garibaldi esteve reunido,
Os nossos ancestrais chegaram,
se estabeleceram para [permanecer];
e unidos com amor e entrega
esta Pátria para viver e construir,
Saiba que está para nascer
[quem ousará a História destruir].

"Poetisa"


A minha identidade
não precisa de discrição,
Porque chego sem
nenhuma permissão,
Como substantivo
enraizado, feminino
e em eflóreo Pau-Brasil.


Entre a vida e a morte,
o paraíso e o inferno,
Por norte e algo de sorte
pelo instinto aberto,
e plenamente definido.


Entre a paz e a guerra,
escrita no Universo,
mesmo que há quem
se sinta muito e decida,
Se sou ou não nada
menos do que poetisa.


(Porque qualquer coisa
há mais me torna menos).


Anna Flávia Schmitt Wyse Baranski


Rodeio, Santa Catarina, Brasil.

Ele ama a Allah e ao povo
mais que à própria vida;
nele habita toda a poesia
que a minha inteira suspira,
de uma maneira invicta,
fazendo das palavras
a maior e mais fina joalheria.


Filho do cemitério dos impérios,
que vivo tentando sempre
decifrar em seus versos
os mais profundos mistérios,
como se passasse a noite
sob as estrelas majestosas
no ponto mais alto de Cabul.


Ele é todo feito de paz,
e não foge da guerra;
ele tem alma de primavera
que embelez a minha
e não conheço outro poeta
que ame mais a própria terra,
e sem que ele saiba, até que existo
toda a sua poesia sempre me empresta.

O rio que vem de longe
e abastece a minha fonte.


O Araribá-amarelo cobre
com flores a minha fronte.


Nós habitantes indeléveis
do amor e da paixão inoxidáveis.


Os pensamentos são iguais,
e estamos construindo a paz.


Não somos nuvens passageiras,
não tememos travessias inteiras.

Paz


A minha morada
é a morada da paz.
O meu pensamento
é feito de paz.


A minha Cidade
é a Cidade da paz.
A minha emoção
é feita de paz.


O meu Estado
é o Estado da paz.
O meu sentimento
é feito de paz.


A minha Nação
é a Nação da paz.
Os meus sonhos
são sonhos de paz.


O meu Continente
é o Continente da paz.
Os meus desejos
são desejos de paz.


O meu Hemisfério
é o Hemisfério da paz.
A minha comunicação
é a comunicação da paz.


Se qualquer pessoa
ou circunstância
for diferente da minha paz,
a cabeça jamais faz.


Não permanecerei por perto
para que tenha acesso,
nem darei sucesso
a tudo o que não é de paz


Viver em paz a diferença faz,
e o melhor sempre nos traz.

Bombas Atômicas


Duas delas foram desejadas
para a minha Nação
por um falastrão
no mês de julho do ano passado.
E foram tratadas como linguagem figurada, mas por mim — não!


Duas bombas jamais
da memória passarão!


Uma foi desejada para o Sul
da minha Nação
por outro falastrão
no mês de março.
E foi tratada como piada,
mas por mim — não!


Uma bomba e a desqualificação
da memória jamais passarão!


Outras foram lançadas,
e outras estão sendo desejadas
para esta noite pelo maior canastrão
para acabar com outra Nação.


Uns desejam tudo,
menos que se abram a consciência
e que não punamos cúmplices
dos Arquivos de Epstein, mas eu não!


Bombas atômicas não são coincidência, não!

No Médio Vale do Itajaí
a Lua Crescente aqui
ao alcance da minha mão,
Na minha querida Rodeio,
estou no seu coração.


No teu bonito olhar
tenho versos de luas
para me inspirar
no Poemário Rodeense,
No tête-à-tête entre
a gente vou contar.


Sem hora para acabar,
juntos de luar em luar,
Seremos a poesia
deste vale a se espalhar.

Línguas ou armas estrangeiras
colocadas contra o meu povo,
da minha parte sempre
encontrarão forte oposição.
Outras Nações jamais
estarão acima da minha Nação.
Espero, da mesma maneira,
que assim seja para você e sua Nação.


Com igual lealdade, ainda que solitária,
tal qual a dos guardiões
das pirâmides do Sudão,
é a que guardo no coração:
ela mantém meus pés e a alma
fincados neste chão
que, sob o Hemisfério Austral,
enlevo em total sagração.
Não sei de onde me lês
nem que terra te chama,
mas desejo a ti a mesma devoção.


Cultivar o nosso amor vivo
em dias solares ou de tormenta,
nas noites de lunação ou escuridão,
é o meu diário voto e querer:
que a poesia se cumpra
e nunca nada me faça esquecer;
para que ninguém nos domine
e nada abale o meu e o teu viver.