Poemas Vinicius de Moraes Mulher Aries
É válido...
Para caber em meu laço foi preciso deixar você ir e voltar , foi preciso deixar você seguir sem rumo e fugir dos teus próprios sentimentos até você reconhecer que aqui é o teu lugar.
Já tive receios, já te odiei, já até te deixei e na hora que eu me senti um ninguém esperei a água ficar morna em fogo baixo para depois contra - atacar, despejei esperança em cima da minha amargura e fui a colheita do nada ao acaso, das quedas aos novos desafios, dos motivos aos propósitos.
O amor merece as tentativas.
Dual
O bom da vida é viver num lar sem paredes, com teto solar e com suas fundações em cima de uma rocha,
Através do reflexo do espelho caído no meio da floresta o sol brilha e ilumina as flores e as borboletas ao mesmo tempo que sua sombra revela uma paisagem de galhos finos e as folhas secas caindo lentamente e se espalhando pelo ambiente,
A uma dualidade e beleza entre o que é exposto para todos e o que é visível apenas para o que está dentro do nosso cantinho mágico e bem guardado.
Enganosos
Enquanto o tempo vendia o presente doando o futuro,
a saudade presenteava com dores,
e a realidade disfarçava com sorrisos fingindo calma.
Ruínas da dor
Alicerces enfraquecidos, fugas da realidade,
num castelo aonde eu sou o rei as aparências são o meu melhor disfarce,
um dia agente percebe que é tarde demais para voltar atrás , e então de joelhos choramos em ruínas sobre as nossas próprias decisões,
carrego uma dor que não encontrou um lugar para ser enterrada,
nas brincadeiras a joia vermelha foi tratada como bobo da corte,
sob o sacramento a confissão virou piada, a rosa se encheu de espinhos, a mentira fingiu ser verdade e o romance virou uma mentira.
Um dia
Um dia você vai acordar evitando abrir os olhos por não ter se entregado a quem realmente merecia, tendo assim evitado viver os melhores momentos da sua vida.
Fogueira mantida acesa
Com uma fogueira na caverna mantive o nosso amor aquecido e bem cuidado da neve lá fora,
o inverno é duro e duradouro, a escassez e os sons estranhos vindos do tempo sombrio tentam esfriar as almas, nos atentam a reações incomuns ao que acreditamos ,
os perigos do frio e de seus ventos penetrantes são visíveis na pele, deixam marcas profundas nas lembranças,
mais uma caça foi bem sucedida, mais lenha é posta na fogueira, a noite cai e com isso os sorrisos e o clima de segurança se levantam e renovam os laços na caverna,
ao dormir, os arrependimentos e as mágoas fogem pelas sombras da fogueira,
é manhã, os pássaros nos acordam, o barulho da correnteza do rio é ouvido, a neve timidamente se esconde e no ensaio de acordar com a pressa de um urso voltando da hibernação, nos levantamos e a imagem do sol nascendo a nossa frente com a vegetação recebendo sua fotossíntese foi o que marcou o momento de dois corações ganhando novos sentidos, assim como, respirando vitoriosos o som da mesma música.
Contra o fogo
Tem dias que tudo começa diferente.
Enquanto o mundo explode eu quero que você fique,
estou buscando oxigênio aonde dá para manter nós dois respirando na travessia até o outro lado da ponte,
o nosso castelo está logo ali e lá a nossa mesa com quatro cadeiras nos espera no jardim, só falta mais algumas braçadas eu já consigo ouvi os nossos cachorros latindo,
vou pegar um coberto, fique aqui próximo a lareira, sabe aquela flor branca que você viu ao chegarmos, então, vou buscar - lá no quintal pra vê se assim consigo arrancar mais um belo sorriso teu,
lutastes com bravura na travessia pelo lago ao fugirmos do fogo que toma conta desse mundo contraditório,
observo a minha volta e me divirto sem ela entender o quanto ainda tenho a explorar desse amor, dessa intimidade e da proximidade com a tal felicidade.
-Não me interessa o que digam, o que pensam
ou o que falam....
Quando eu amo, eu amo e pronto!
E, é nessa hora que o meu corpo sobe, flutua e contempla
a bangunça que é a minha vida!
☆Haredita Angel
"Eu amava alguém que amava outro alguém.
É mesmo assim; alguém é sempre o outro de alguém."
(Haredita- 11.11.78)
Não me macem, por amor de Deus!
Queriam-me casado, fútil, quotidiano e tributável?
Queriam-me o contrário disto, o contrário de qualquer coisa?
Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade.
Assim, como sou, tenham paciência!
Vão para o diabo sem mim,
Ou deixem-me ir sozinho para o diabo!
Para que havemos de ir juntos?
Não me peguem no braço!
Não gosto que me peguem no braço. Quero ser sozinho.
Já disse que sou sozinho!
Ah, que maçada quererem que eu seja de companhia!
(...) Deixem-me em paz! Não tardo, que eu nunca tardo...
E enquanto tarda o Abismo e o Silêncio quero estar sozinho!
O fim
Indo e vindo, desgastando e abandonando displicentemente mas sem querer abandonar por completo,
coração vadio, carente das sombras, mesmo sem ser notado na rotação certa buscava o consolo insignificante naquele amor vazio,
na história contada do irrelevante, o invisível é a estrela protagonista,
coração doente, soberba em exposição, correria da razão, fuga dos sentimentos,
morre mais um amor inocente.
"O coração da mulher é assim, parece feito de palha, incendeia-se com facilidade, produz muita fumaça, mas em cinco minutos é tudo cinza que o mais leve sopro espalha e desvanece."
O coração da mulher é assim, parece feito de palha, incendeia-se com facilidade, produz muita fumaça, mas em cinco minutos é tudo cinza que o mais leve sopro espalha e desvanece
Nem o que come, o que veste, o que compartilha, o que fala, o que idealiza, o que demonstra, o que conquista, o que cria, nem mesmo as ações. Antes de tudo, sois, de fato: a intenção! És a intenção do que te age.
Quando a gente perceber que no filme da nossa vida o diretor é nós mesmo, a gente começa a perceber que esse é o papel mais importante, não os atores coadjuvantes e nem o resto do elenco/cenário.
A nossa evolução humana começa a partir do momento em que paramos de olhar para a vida dos outros e começamos a olhar para a de nós mesmo. Quando entendermos que nem tudo é o que está na sua tela a frente, estaremos pronto para encarar a realidade.
