Poemas Vinicius de Moraes de Mar

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Nas revoluções políticas os povos ordinariamente mudam de senhores sem mudarem de condição.

Há muita gente que, assim como o eco, repete as palavras sem lhes compreender o sentido.

A indiferença ou apatia que em muitos é prova de estupidez pode ser em alguns o produto de profunda sapiência.

Os velhos que se mostram muito saudosos da sua mocidade não dão uma ideia favorável da maturidade e progresso da sua inteligência.

É tal a falibilidade dos juízos humanos, que muitas vezes os caminhos por onde esperamos chegar à felicidade conduzem-nos à miséria e à desgraça.

Onde intervêm o favor e as doações abatem-se os obstáculos e desfazem-se as dificuldades.

Os homens de pouca inteligência não sabem encarecer a própria capacidade sem rebaixar a dos outros.

Faço dizer aos outros aquilo que não posso dizer tão bem, quer por debilidade da minha linguagem, quer por fraqueza dos meus sentidos.

O rosto de uma mulher, seja qual for a sua discrição ou a importância daquilo em que se ocupa, é sempre um obstáculo ou uma razão na história da sua vida.

Não podemos deixar de ser difusos com os ignorantes, mas devemos ser concisos com os inteligentes.

A luxúria é como a avareza: aumenta a sua própria sede com a aquisição de tesouros.

Muitas pessoas se prezam de firmes e constantes que não são mais que teimosas e impertinentes.

Se fazes o bem para que te o agradeçam, negociante és, não benfeitor; cobiçoso, não caritativo.

Desejamos fazer toda a felicidade, ou, não sendo isso possível, toda a infelicidade daqueles a quem amamos.

A honra tem assim, as suas regras supremas, e a educação é obrigada a respeitá-las. Os princípios são que nos é sem dúvida permitido preocuparmo-nos com a fortuna, mas que nos é absolutamente proibido fazer o mesmo com a nossa vida.

Apenas um homem de gênio ou um intriguista se atrevem a dizer: «Fiz mal». O interesse e o talento são os únicos conselheiros conscienciosos e lúcidos.

Os que têm tentado reformar os costumes do mundo, no meu tempo, com opiniões novas, reformam os vícios da aparência; quanto aos da essência, deixam-nos intactos, quando não os aumentam.

O nosso amor-próprio exalta-se mais na solidão: a sociedade reprime-o pelas contradições que lhe opõe.

Hoje, setenta por cento da humanidade ainda morre de fome... e trinta por cento faz dieta.

É preciso que um autor receba com igual modéstia os elogios e as críticas que se fazem às suas obras.