Poemas de Sophia de Mello Breyner sobre Mar

Cerca de 7 poemas de Sophia de Mello Breyner sobre Mar

POEMA

A minha vida é o mar o abril a rua
O meu interior é uma atenção voltada para fora
O meu viver escuta
A frase que de coisa em coisa silabada
Grava no espaço e no tempo a sua escrita

Não trago Deus em mim mas no mundo o procuro
Sabendo que o real o mostrará

Não tenho explicações
Olho e confronto
E por método é nu meu pensamento

A terra o sol o vento o mar
São a minha biografia e são meu rosto

Por isso não me peçam cartão de identidade
Pois nenhum outro senão o mundo tenho
Não me peçam opiniões nem entrevistas
Não me perguntem datas nem moradas
De tudo quanto vejo me acrescento

E a hora da minha morte aflora lentamente
Cada dia preparada

Sophia de Mello Breyner Andresen

O mar dos meus olhos

Há mulheres que trazem o mar nos olhos
Não pela cor
Mas pela vastidão da alma
E trazem a poesia nos dedos e nos sorrisos
Ficam para além do tempo
Como se a maré nunca as levasse
Da praia onde foram felizes

Há mulheres que trazem o mar nos olhos
pela grandeza da imensidão da alma
pelo infinito modo como abarcam as coisas e os homens...
Há mulheres que são maré em noites de tardes...
e calma

Sophia de Mello Breyner Andresen
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Mar Sonoro

Mar sonoro, mar sem fundo, mar sem fim.
A tua beleza aumenta quando estamos sós
E tão fundo intimamente a tua voz
Segue o mais secreto bailar do meu sonho.
Que momentos há em que eu suponho
Seres um milagre criado só para mim.

Sophia de Mello Breyner Andresen
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POEMA

Mi vida es el mar el mes de Abril la calle
Mi interior es una atención vuelta hacia fuera
Mi vivir escucha
La frase que de cosa en cosa silabeada
Graba en el espacio y en el tiempo su escritura

No traigo a Dios en mí pero lo busco en el mundo
Sabiendo que lo real lo mostrará

No tengo explicaciones
Miro y confronto
Y por método es desnudo mi pensamiento

La tierra el sol el viento el mar
Son mi biografía y son mi rostro

Por eso no me pidan papel de identidad
Pues ningún otro sino el mundo tengo
No me pidan opiniones ni entrevistas
No me pregunten fechas ni direcciones
Con todo lo que veo me acreciento

La hora de mi muerte aflora lentamente
Cada día preparada

Sophia de Mello Breyner Andresen
Inserida por MELDEC

Liberdade

Aqui nesta praia onde
Não há nenhum vestígio de impureza,
Aqui onde há somente
Ondas tombando ininterruptamente,
Puro espaço e lúcida unidade,
Aqui o tempo apaixonadamente
Encontra a própria liberdade.

Sophia de Mello Breyner Andresen
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Mesmo que eu morra o poema encontrará
Uma praia onde quebrar as suas ondas

E entre quatro paredes densas
DE funda e devorada solidão
Alguém seu próprio ser confundirá
com o poema do tempo.

Sophia de Mello Breyner Andresen
Inserida por lucijordan

A presença dos céus não é a Tua, embora o vento venha não sei donde. Os oceanos não dizem que os criaste, nem deixas o Teu rasto nos caminhos. Só o olhar daqueles que escolheste nos dá o Teu sinal entre os fantasmas.

Sophia de Mello Breyner Andresen
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