Poemas sobre Si Mesmo

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A morte não é um mal: porque liberta o homem de todos os males, e ao mesmo tempo que os bens tira-lhe os desejos. A velhice é o pior dos males: porque priva o homem de todos os prazeres, deixando-lhe deles todos os apetites; e traz consigo todas as dores. Não obstante, os homens temem a morte e desejam a velhice.

Por minha própria natureza, não estou longe da dúvida mesmo sobre as coisas consideradas indubitáveis.

Ser mãe não é uma profissão; não é nem mesmo um dever: é apenas um direito entre tantos outros.

O público compra opiniões do mesmo modo que compra a carne ou o leite, partindo do princípio de que custa menos fazer isso do que manter uma vaca. É verdade, mas é mais provável que o leite seja aguado.

O homem não pode fazer-se sem sofrer, pois é ao mesmo tempo o mármore o escultor.

Não fales asperamente a ninguém, pois aqueles a quem falas te responderão no mesmo tom.

Em pintura pode-se experimentar tudo. Tem-se mesmo esse direito. Com a condição de nunca se recomeçar.

Eu lembro a mim mesmo toda manhã: nada que eu disser neste dia me ensinará coisa alguma. Portanto se eu pretendo aprender, devo fazê-lo através de ouvir.

Talvez ninguém possa ser poeta, ou mesmo apreciar a poesia, sem uma certa perversão da mente.

Compra não o que consideras oportuno, mas o que te falta; o supérfluo é caro, mesmo que custe apenas um soldo.

O pudor é tão necessário aos prazeres que é preciso conservá-lo mesmo nos momentos destinados a perdê-lo.

Todo o caráter coerente consigo mesmo tem sempre razão; perder a razão é a única contradição.

Só posso fazer uma coisa de cada vez, mas posso evitar fazer muitas coisas ao mesmo tempo.

Mesmo o cataclismo de todos os sistemas solares e estelares apenas te poderia matar uma vez.

Foge do luxo; ao mesmo tempo lembra-te de evitar / O crime da avareza; ambos prejudicam a reputação.

O amor agrada mais que o casamento, pelo mesmo motivo que os romances divertem mais que a História.

Saber tudo de tudo. Ou tudo de algum saber. Decerto é impossível e mesmo indesejável. Mas que tu sintas que é bela a luz ou ouvir um pássaro cantar e terás sido absolutamente original. Porque ninguém pode sentir por ti.

Vergílio Ferreira
FERREIRA, V., Escrever, Bertrand, 2001

O fato de sermos habitados por uma nostalgia incompreensível seria mesmo assim o sinal de que existe um além.

É tão indulgente o homem para consigo mesmo, que nunca julga ter-se aproveitado bastante da liberdade de se portar mal.

Com o amor dá-se o mesmo que com o vinho. Perdoem-me as leitoras o pouco delicado da confrontação; mas bem vêem que ambos embriagam.