Poemas sobre Si Mesmo
Às vezes, muitas vezes
Eu sinto uma imensa, muito imensa
Muito imensa mesmo
Uma saudade imensa, bem maior
Do que muita gente pensa
E penso nele, penso e me pergunto
Por que é que a gente repete e repete
e repete tantas vezes o mesmo assunto?
Quanta coisa a gente tinha pra dizer
e não disse...
Queria que ele me visse agora
Queria que ele me dissesse
Que sentiu a minha falta
Queria que ligasse pra mim
Qualquer hora dessas
Queria conversar um dia
Sem pressa
Ou gente por perto pra apressar a gente
Um dia o tempo acaba
Um dia um de nós dois se vai
Nunca se sabe
Queria dizer
Pai, meu coração é bem pequeno
Mas você ainda cabe.
O Universo
Este local
até hoje inexplicável
onde vivemos,
sem saber se é mesmo verdade
A existência de nós mesmos
Vivemos
Em vez de buscar explicação
para tudo que vemos
Quanto mais se descobre
mais descobrimos
que menos sabíamos
Abre-se uma porta
Estamos à um passo das estrelas
E cada dia mais distantes
das respostas escondidas
em cada descoberta
com as quais ninguém concorda
de vez em quando
alguém abre a porta certa
Em vez de outro abismo
aparece a teoria das cordas
até que um dia
percebemos
que estão também aqui
e que também estamos
estivemos ou estaremos
lá
Nos confins dessa infinita
estrada que o tempo não alcança
dançando sem saber
cada passo dessa dança
que ninguém vai saber explicar
se não conseguir
tornar a ter o que um dia chamávamos
de pureza da criança
Explicamos o corpo usando o cérebro
Não se explica o cérebro
Usando apenas ele mesmo
Abre-se uma porta
caimos no abismo
no qual ninguém cairia
se voltasse a usar apenas
a sabedoria que um dia tivemos
e não sabemos aonde ficou
Portanto
Ignoramos o tudo
Em vez de entender o nada
Do muito que eu quis
Nem tudo me foi possível
Mesmo assim, talvez até esteja feliz
Concluí que é culpa minha
não saber querer direito
Daquilo que conquistei
algumas não deixaram
nem pista do seu paradeiro
sumiram de vista
ficou apenas o que era verdadeiro
Das poucas verdades
que os ventos trouxeram
Algumas nem verdades eram
Mesmo assim, menti pra mim
e enfim
as transformei em verdadeiras
Meus desejos então
hoje em dia, nada mais esperam
além de que permaneçam
as que ficaram
As demais
Eu até já me esqueci
e espero sinceramente
Que também me esqueçam.
O tempo passa, corrói a ferrugem, rói a traça
porém há belezas ocultas, mesmo que nada se faça
nem tudo na vida perde a graça.
Hoje o mundo ainda não é mágico
Mas seria fantástico assim mesmo
Se vocês estivessem aqui
Enquanto vocês dormem seu sono profundo
procuro corrigir este lugar
A cada segundo, tentando melhorar o ar
Que haveremos de respirar
No dia em que nos reencontrarmos
Aqui, nada flutua à toa, ainda
Mas a gente cultua uma Divindade
Suprema e muito linda!
A mesma que os acolheu ai no Céu
Existem sim, tardes infindas aqui
desde que vocês partiram
Muita coisa mudou
Outras permanecem muito iguais
E assim permanecerão
Não existem mais aqueles lamaçais
tão divertidos
Que a gente pisava
nos ensolarados domingos de manhã
de nossa, a cada dia mais distante
rica e saudosa infância
Mas no meu coração
Muita coisa permanece como antes
Pois a aliança firmada com os anos
nada e nem ninguém haverá de quebrar
mesmo que o destino
tenha mudado os nossos planos de meninos
Até o dia
Em que novamente nos virmos
Fica guardada aqui no peito
do mesmo jeito
aquela profunda amizade
amados amigos e primos
irmãos de verdade
Que a vida me deu
e que o tempo levou
Quando nada mais houver
E se não restar
nem mesmo a dor
Agradeço pelo que tive
Mesmo estando assim
tão distante do começo
fico feliz pela tarde
Quando chove
Observo o alarde que faz o mundo
e agradeço, mesmo quando
dentro de mim
Nada mais se move
Me apego ao apreço
Que um dia, porventura
houver existido
pela pessoa que eu era
A vida não passa
Nós passamos pelo Mundo
a vida espera
às vezes fingida e mentirosa
e há dias em que é sincera
e claramente fria
Quando mais nada houver
e acabar-se o que havia de melhor
assim como também não existir
amor, calor ou dor
estio ou frio
Nada pra sentir
e nenhum lugar aonde eu ir
Ainda assim
Espero que ainda possa ver
as aves no Céu
Simplesmente pra se olhar
Mesmo que em meu caminho
haja apenas as quedas
E esta vida eu já nem viva
Nesse dia talvez eu compreenda
Que por mais que a vida tente
e a gente jamais aprenda
Seja ela gentil, sutil ou incisiva
haverá de existir pra sempre
A alternativa de vivê-la
desta maneira
um tanto contemplativa
O Universo permanece imparcial
Mesmo quando parece que não
E qualquer coisa pareça
receber um tratamento especial
Desigualdade é ilusão
O reverso e o avesso
O Céu e o chão
Filhos da mesma natureza
A Natureza é um amor
Cuja confiança nós desmerecemos
Uma tábua de leis
Que nós não lemos
E que às vezes
se apresenta enfurecida
Nos forçando a reaprender
O lado leve da vida
A vida, curto e eterno
Período de tempo
No qual dividimos energia
Com o ar, com os mares e as pedras
Poeira de estrelas
e com a própria vida
Que compõem e se espalha
Por este imenso Universo
Onde, apesar de nossas ilusões
Nada falha
A luz e a escuridão
Divididas com plena igualdade
Onde a única ilusão existente
É a existência do mal
Que não existe
Portanto, não fique triste
Pois o Universo
Permanece imparcial
Faço comigo mesmo
Uma guerra noturna
declaro um armistício
pra tentar me destruir
Me convenço de que é chegada
a hora de morrer
Penso que passou
da hora de partir
Tenho uma breve lembrança
dos lugares onde eu fui
das pessoas com quem eu estive
será, que uma vida só se vive?
Creio que não
tenho quase certeza que não
tenho certeza que não
não.
É que a gente distorce
tanto a realidade
Que nem sabe mais
distingüir a qualidade
do que é real ou fantasia
pode ser que este dia e esta hora
sejam agora, somente ilusão
e eu esteja em outro lugar
no despertar de outra Aurora
Vida minha, amada vida
Te agradeço por vivê-la
Mesmo que às vezes eu sinta
Que talvez eu não mereça tê-la
Cresce em mim a cada dia
A alegria de poder viver
Vida, te prometo
Que até o meu último suspiro
Você não há de ser perdida
E que mesmo nos piores
Momentos de delírio
Não haverei de sentir
Medo de vivê-la
Tenho sim
Vontade de fazer
Muita coisa que eu não faço
Aquelas que, portanto
Você, minha vida, permitir fazer
Se acaso pra longe eu tenha que ir
Eu vou até lá para vivê-la
E viverei, durante a viagem
A alegria de enxergar
A linda imagem da minha chegada
E mesmo que lá não haja nada
Viverei a alegria da volta
Vida, imensa vida
Cuja existência, muita gente acha
que deve ser vivida animalescamente
Permita, vida
Que o vento leve estas palavras
E as entregue a alguém
Que mereça recebê-las
Diga à ela, vida
Que antes que você se acabe
Eu gostaria muito de poder
Conhecê-la
E que ela finalmente
Reconhecesse o que me faz.
Vê-la
Sentí-la
Beijá-la
E, quem sabe, dizer que por ela
Valeu-me viver minha vida.
Quando perco a esperança
Minto pra mim mesmo
e dentro desse engano
Faço de conta que ela vai voltar
No tempo da primavera
O vento me arrasta, o Mundo gira
a vida dança e o tempo me alcança
Tento dar uma guinada
Quando vejo
Estou novamente rumando
Exatamente na direção errada
Sem ter o que fazer
Não faço nada
E também não me entrego
Parece que tem dias
Em que vivo somente um voo cego
E quando ele termina
Eu cheguei à uma noite vazia
Mais uma
Me entrego então a ela
Pois em meus sonhos
Ali existe, sim
Uma esperança, ainda que pequena
De poder olhar a tua cara, tão bela!
As pessoas vão passando
Não é esta e nem aquela
Quem dera, esta noite
talvez eu tivesse a sorte
de olhar novamente as estrelas
e finalmente; por um momento
Poder ver a você
e somente você
Linda como a luz da primavera
Os milagres que existem no Mundo
Eu os vejo nas menores coisas
Mesmo que sejam grandes
Pois é nos detalhes, que se escondem
os seus significados mais profundos.
A escuridão que precede o amanhecer
traz junto a si uma paz e uma temperatura
Que a gente não há de ver ou sentir
Em todo restante do dia
O canto dos pássaros ao longe
Misturando-se ao silêncio
entrecortando-lhe, extingüindo-o
Findando-lhe aos poucos
A coloração acinzentada
misturada a uma tonalidade rósea
é a luz do Sol brincando entre as nuvens
Tornando menos plúmbeo
o milagre pluvial
Algo lindo de ser ver!
E assim
A noite e o silêncio morrem
Na rua as pessoas correm feito loucas
Quando cumprimentam-se, velozes
Suas vozes denunciam, roucas
Um misto de tristeza e alegria
Pelo milagre do nascer de mais um dia
Bom dia!
Hoje eu não tenho nada
E mesmo se hoje eu tivesse
Não sei se saberia o que fazer
Assim como fui fazendo sem saber
As coisas que fiz
Agora eu entendo que não sabia
A vida nunca depende somente
das coisas que a gente faz
Muito menos do que deseja
Cada vida é um mundo
E todo mundo, igual a mim
Também não tem nada
Além da ilusão
Em ter aquilo que não tem
Mas poucos mais
Além de quase ninguém
Procura perceber
Que por mais imagine ser
Não passou de possuir uma mera ilusão
Uma espera ansiosa
Uma palavra mal falada
Um egocentrismo
A busca por algo além
Que somente os levou a nada
E hoje, sem nada
Igual a mim
Dentro de um Universo vazio
Eu olho de longe posso ver
Se conseguisse, eu poderia rir
das promessas sem sentido
Que seduzem
As mentes de quem somente
Tornou a vida a cada dia mais vazia
devido às próprias decisões
Eu hoje não tenho nada
Mas posso ver e sentir
Tamanha aflição
de quem um dia pensou ter tanto
Enquanto perdia
Por obra das próprias mãos
O que um dia pensou ter de sobra
A vaidade é uma cobra de duas cabeças
e destila o veneno que te mata
Na saudosa visão do que se foi
Que começa a doer
A cada palavra e cada mentira vã
A cada vez que a própria ira
Te faz cair de joelhos
E sentir vergonha
Em olhar o próprio rosto
No espelho de cada manhã.
Edson Ricardo Paiva.
A gente briga
Até mesmo com a barba que cresce
Olha a própria cara no espelho
Pára, fita ...se encara
Meu Deus
Acho que conheço esse cara!
Eu já vi esse rosto numa foto antiga
...esquece!
Diacho!
Não lembro com quem parece
Devagar, me afasto
Me bastam os apelos jamais atendidos
E tantos pedidos
Perdidos no silêncio
Me arrependo por ter esquecido
Foram só ruídos de passos
Que deixei pelo chão
Igual a mim
A cada qual
A solidão igual e contrária
Um baú lotado dela
Aquela
Que ninguém sabe por que merece
Sem mesmo caber merecê-la
Em cada noite sua escuridão
Em cada escuro uma estrela
Edson Ricardo Paiva
Eu quero a chuva
Num dia de Sol
No mesmo Sol
De uma manhã de inverno
Eu quero a sorte
de noite estrelada
Que seja hoje
e de novo amanhã
Calor de Sol
Numa blusa de lã
Espero
A curva lá da ventania
Eu quero vida na vida
E se eu pudesse querer
Outra coisa qualquer
Desejaria que ela fosse
Linda
Linda como a chuva
Num dia de Sol.
Edson Ricardo Paiva.
Aprendi a ser eu mesmo
Praticando ato de ser
A mim mesmo de vez em quando
Eu não posso e não preciso
Ir a todos os lugares
Mas posso olhar calado
E descobrir o que não quero ser
O que restar, sou eu
Aquele que traz no coração
O que merece ser lembrado
Aprendi a errar sem pedir ajuda
Meus erros me ensinam
Que o mundo muda
Mas que há coisas no mundo
Que serão sempre as mesmas
Do pouco que aprendi
Eu sei que tem coisas ali
Que devo levar comigo
Pois não devem ser ensinadas
A mais pura manifestação de vida se dá
Nos momentos em que não se sabe como agir
Pra todas as outras se olha os ponteiros
Enquanto o relógio enferruja
Sem que se veja
Qual dos dois tempos foi mais verdadeiro.
Edson Ricardo Paiva.
"Vale o escrito
Desde que tal ato
A ninguém seja dito
E assim segue a vida
Mesmo que ninguém saiba pra onde
E no fim se descobre
Que o maior alívio é viver sem motivo
Evitando o desconforto
De saber-se vivo
Apesar de morto"
Edson Ricardo Paiva.
Eu gosto mesmo é de ser criança
Subir-me num pé de sonhos
Me arvorar no galho mais alto
E imaginar que esses anos passados
Foram só devaneios de infância
E que vou descer de lá
No meio de algum quintal que existe ainda
Pode ser naquela linda hora triste
Em que a mãe mandava ir tomar banho
E banhar-me de toda malícia
Dessa astúcia adquirida
Nas feridas que a vida trouxe
Enquanto a vida não tirou-me ainda
da mente essa doce lembrança
E de novo encher-me de sonhos
Criança nasce de novo, todo dia
E no dia que não mais for assim
Não é mais infância.
Criança deseja, sim
Ter aquilo que não tem
Mas, se não tiver, nem liga
Criança não é mulher e nem homem
Criança é criança
Come o que todos comem
Mas na hora de sonhar
Ninguém sonha melhor do que ela
Aquela briga boba pela vida
Ainda não lhe pertence
Tanto faz, quem vence ou quem vence
Pensa assim...e assim todos vencem
Criança tem paz, sorri para a vida
Não faz mal se a vida não sorri de volta
São tudo coisas da vida
E nada que a vida fizer
A convence a desistir de nada
Criança volta pra casa
Vencedora e satisfeita, todo dia
As dores de hoje
Não vão mais doer amanhã
Criança não tem
Cicatrizes na alma
Hoje, por maior seja
A calma com que eu desça
Do galho do pé de sonhos
Os velhos pés sentem dor
Pior é a dor de não saber
Se hoje o meu sonho maior
É o sonho de eu
Nunca mais subir lá
ou de lá
Nunca mais eu descer.
Edson Ricardo Paiva.
Hoje eu fiz café
E desfiz a amizade
da saudade que eu sentia
de mim mesmo
Parece a semana passada
Mas faz muito tempo...
Eu sentia um perfume
Que até hoje eu não sei ao certo
A vida não era
Um caminho de estrelas
A vida era o nada
Onde a trilha era delas
Meus pés vão pisando outro chão
Onde o brilho são vagalumes
Hoje eu fiz café só pra mim
Hoje eu vi que tinha
Borboletas coloridas
Bordadas
Na única xícara que não quebrou
A vida ilude
Mas não faz feliz
Acordo outra vez
Agora não sou mais
Um menino de giz
Desenhado num muro
Novamente me vi de pé
Transbordando o café na pia
Acordo de novo
Dessa vez
No mesmo dia
Percebo que nunca mais
Quero estar perdido
O poema de hoje
Ainda nem foi escrito
O dia de ontem
Escurece no esquecimento
Borboleta que pousa na minha mão
Minha única xícara
Linda... e última vida.
Edson Ricardo Paiva.
Minha casa
São asas que saem de mim
Que me cabem nos bolsos
Mesmo que bolsos não tenha
São brasas que aquecem
Ventos frios que arrefecem
Minha casa é palavra guardada
Das coisas vazias que eu ouço
Meio termo, meio-dia
Meio morna
Fria totalmente
Não importa exatamente a forma
É tudo aquilo que eu sou
Mesmo
Que jamais eu tenha sido tudo
Pois eu tenho tudo isso em mente
Minha moradia é uma semente
Um nada, um pé na estrada escura
É uma luz acesa que me ilumina
E mesmo assim, não tendo nada
Minha casa é meu abrigo
Que sou só eu mesmo que vejo
Porque sou só eu mesmo que sei
Que o endereço dela é em mim
E tem sido assim desde o começo
Pra poder um dia levá-la comigo
Por mais longo que seja o dia
Há sempre o momento
Em que o dia termina
Edson Ricardo Paiva.
"Desde muito cedo
Antes mesmo de nascer meu Sol amigo
Me prestei e esquecer meus medos
E me emprestei a um ser só
Que era eu
Trazendo nas mãos, nada mais que dez dedos
Escondi no coração muito mais que vinte medos
Do lado da minha paz
Minha paz, há muito esquecida, espalhei
Meu Sol se pôs
Meu medo escondido, só pra mim guardei
Pra depois do fim da vida."
Edson Ricardo Paiva.
