Poemas sobre Ruas
Arraial...
d'ajuda
d'a cura
d'a jura de amor
que em mim perdura!
Arraial...
um olhar encant(a)dor
quando se perde nas brumas
e se acha num sorriso noturno
das noites em mim!
O beijo que você não deu
ficou perdido nas tuas noites sem dormir...
pensamentos infindos se perderam no breu
e só era teu o silêncio que estava em ti!
Traduz-se em dor,
vôos rasantes que pressentem a solidão
de um corpo que se entrega à tristeza...
em busca de respostas
às perguntas do seu coração!
Devolva-me o brilho do meu olhar,
você levou parte do que em mim era amor...
Siga para nunca mais voltar;
ou venha buscar a metade que você deixou!
Serei inteiramente canção
em todos os momentos que em você pensar...
Buscarei no 'azul' o teu beijo como inspiração
e colocarei nos meus versos o amor que tenho pra te dar!
Imbecis chamam de progresso
a lama que no peito de um povo sangra...
Chafurdam-se no leito dos seus minérios,
acabando com vidas e esperanças!
Roubaram o nosso "anil"
e nos deixaram "verdes": míseros morimbundos
somos filhos de uma "pátria armada"...
E o amarelo se fez luto:
em nome de um solo, outrora mãe, gentil!
A aura que circunda os anjos
me direciona e me inspira...
Mas quero experienciar todos os reflexos:
até mesmo os nem tão bons assim...
E que o amanhã seja o espelho
(límpido, transparente e impoluto)
do que se perpetuará em mim!
Ouço o tanger melódico dos meus lúdicos sonhos
e sigo o canto do aboio que em meu peito mora...
sou a bruma leve, sem cortinas para a vida,
Sou o pontear que ondeia as cordas da viola!
O sol me 'alumia' em claves prateadas
e me cerca num mundo que é meu habitat...
Me envolvo em 'causos', frutos da minha cantoria
e ouço o canto do vento leve, só pra mim assoviar!
Ardem-se em chamas os sentidos
e numa entrega metafísica tornam-se um...
Essências transbordam em prazeres mútuos
é o desejo da vida quebrando o jejum!
Trago na mão calejada
o grito que a pátria não quis ouvir!
Me calo num silêncio insano,
Há um vontade de estar...
Mas eu prefiro sair!
Ainda assim, acredito no sorriso das flores!
Um abraço aconchegante em si bemol
assim ouvi as estrelas (pensando em ti),
diziam ser você a minha luz e acreditei...
foram os acordes mais lindos que vivi!
Chega a noite e com ela a solidão
e a alma do poeta desprendendo-se do chão
conjuga amor! Os seus versos estão no cio...
Acasalam-se as rimas! É o amor em êxtase!
Quem canta, toca e compõe
traduz-se na mais pura inspiração...
E para qualquer forma de tristeza,
há de vir sempre uma nova canção!
A dor pode ser o momento
mais expressivo em nós!
É através dela que reavaliamos
o que somos e o que fizemos!
Refaçamos a nossa estória
para colhermos um novo desfecho!
É a lei da vida!
Olhar o céu... contar estrelas
Instantes lúdicos de ternura...
O corpo leve, a alma solta
e a direção da lua, numa suave aventura!
Viagens, tormentos ou adágios?
E um corpo embarca sem direção
A mente se entrega em vagos presságios...
é uma ida sem volta, sem os pés no chão!
Cerdas ressoam na mais perfeita harmonia,
flutuantes partituras ditam o tom do amor
e no coração da noite, a lua em melodia
embala sonhos de um coração sonhador!
Ao contemplar uma breve tempestade,
um coração machucado tenta decifrar o amor,
não vê resposta, pois na dor há cumplicidade,
entre a tristeza que se foi e a cicatriz que ficou!
