37 poemas sobre o tempo para pensar na passagem dos dias

Não temos pouco tempo. Temos, talvez, mais tempo do que imaginamos. O que nos falta não é a duração, mas a consciência de sua passagem.


Perdemos muito dele esperando o momento certo, adiando desejos, habitando culpas antigas e projetando futuros que talvez jamais cheguem. O relógio não nos rouba as horas. Somos nós que, tantas vezes, entregamos a ele aquilo que não vivemos.


No fim, a tragédia talvez não esteja em morrer cedo, mas em atravessar longos anos sem realmente estar presente neles. O tempo não precisa ser maior. Precisa ser vivido antes que se transforme em memória.

O menor virá a ser mil, e o mínimo, um povo grandíssimo. Eu, o Senhor, a seu tempo o farei prontamente.

Isaías 60:22

Ainda não chegou o tempo certo para que a visão se cumpra; porém ela se cumprirá sem falta. O tempo certo vai chegar logo; portanto, espere, ainda que pareça demorar, pois a visão virá no momento exato.

Habacuque 2:3

O prazo máximo
Vivemos como se o tempo nos devesse eternidade, ignorando que existir é habitar um prazo cujo limite desconhecemos. Talvez o maior engano humano seja acreditar que ainda há tempo, quando até o instante presente já começa a pertencer ao passado.



Bruno Bellotti

Sempre se pensa que se tem muito tempo...
Mas ele é implacável. Quando se percebe, já passou muito tempo de lá para cá.


O mais triste é que nada foi feito, e o maior defeito é lamentar.
Olhar para trás de nada vai adiantar. A melhor coisa é continuar...
Mas é melhor se organizar...
Planejar o aqui e o agora. Não jogue fora o mais belo da vida.


O sentido dela é amar.


Amar quem já gostamos é muito fácil. O desafio está no perigo que existe no desconhecido, no esquisito e no complicado. É esta criatura que veio instigar para te ensinar...


A vida é um enigma, um doce mistério. Para descobri-la, temos que aprender a colorir o preto e branco, para alegrar o caminhar.


Ficar parado onde está não é jogar, muito menos enfrentar. É fugir, negar, sofrer... É morrer.


Ninguém parte sem chegar a hora, mas a vida nos elimina quando nos vê sofrer...


O sofrimento é você não entender o que veio fazer aqui na Terra.


Então, vá em frente, e lá vai a primeira pista:


A vida é o sagrado misturado com o engraçado e, às vezes, o certo parece errado...

Palavras colocadas no tempo certo
geram um efeito grandioso.
Palavras ditas no tempo errado,
geram consequências estrondosas.
Já palavras soltas não geram
absolutamente nada.

Vamos nos perder no tempo?

Amanhecer o dia com a alegria de uma criança recebendo um brinquedo.

Acordar de súbito, sabendo que o sonho não passou de um pesadelo.

Levantar-se e ver a vida com a sutileza do voo de uma libélula em plena primavera.

Cair da cama e sair correndo para não deixar as coisas boas do mundo acontecerem sem a sua participação.

Sair de casa com a esperança de dias melhores, mesmo com o futuro recente incerto.

Apreciar, da janela, a firmeza e a dedicação de pessoas desconhecidas, porém essenciais no dia a dia.

Vestir-se de amor em todos os momentos e enfrentar, com cautela, tudo e todos.

Ir ao trabalho todos os dias, sem calendário, como se fosse uma eterna sexta-feira.

Ver o mundo, ver a vida, ver as coisas partindo do pressuposto da conformidade entre o que somos, o que temos e o espírito permanente de justiça.

Contemplar entardeceres, viver menos na compulsoriedade e aproveitar o hedonismo.

Rir, cantar e assobiar aquela musiquinha chata que não sai da cabeça.

Perder-se no tempo e voltar ao itinerário sem usar nenhum atalho.

Vamos nos perder no tempo!

Houve um tempo em que eu acreditava que certas coisas eram absolutamente essenciais. Hoje, depois de tantas experiências, entendo que o essencial é encontrar em mim a força para transcender qualquer realidade.
Há compreensões que nascem do que vivemos em silêncio. E só nós sabemos o que foi preciso atravessar para chegarmos até aqui, a este exato momento.
E parte dessa força está em aprender a nos aceitar, compreender nossa história e nos perdoar. Honrar quem somos é nos permitir mudar.

A chuva chegava sem pressa, como quem volta para casa depois de muito tempo. Cada gota parecia hesitar antes de tocar o chão, suspensa numa dúvida que só o céu entendia. E lá embaixo, as nuvens subiam do asfalto quente — não eram de vapor, eram de memória, de coisas que a gente deixa para trás sem perceber.
No meio dessa confusão de águas, havia um espelho velho, encostado em nada. Ele não refletia rostos, refletia saudade. Você olhava e via a versão de si que não escolheu, parada do outro lado, também te olhando. Doía um pouco. Doía bastante, na verdade.
E o relógio? Ele não tinha ponteiros, só tinha paciência. Marcava horas que a gente não viveu, minutos que escorregaram entre os dedos enquanto distraímos. Às vezes eu pegava ele no colo e sentia o peso do tempo perdido — não é culpa, é só... vida.

A outra versão da história,
deixa que o tempo conta.
Ele sabe mostrar com grandeza de detalhes.

Cuide de suas instabilidades,
Para não se tornar um tornado.




"Não é sobre o tempo'

Tem muita gente roubando,
O tempo,
A confiança,
A paz,
E batendo no peito,
Dizem serem honestas.

A gente vai perdendo,
O tempo,
A confiança,
A admiração,
O interesse,
Até finalmente se perder.

Sobre meu passado eu vendi o prédio inteiro por uma pechincha.
O tempo até demoliu,
Não existe mais.

O agora é difícil de entender,
Tempo e emoção não se combinam.
Mas ensinam grandes lições.

O tempo é um menino debochado
que tem a façanha de passar levando certos pesos,
Colocando certas coisas no lugar.

Depois a vontade passa,
Depois o momento é outro,
Depois o tempo tira a chance,
É o depois que rouba o agora.

Não cobro explicações,
Conheço um agiota sem amnésia chamado tempo,
Que faz a cobrança com juros.

É tarde meu bem,
A sua saudade está fora de moda,
Você não me usa faz tempo.

E o tempo com sua maestria,
segue mostrando quem é quem,
Sem grandes estardalhaços.