37 poemas sobre o tempo para pensar na passagem dos dias

Floresce e resiste as estações
do tempo na Mata Atlântica,
a Rainha-do-abismo nesta terra
de Santa Catarina romântica.


Inspirando também a acontecer
do amanhecer ao anoitecer.


Manhã de Sol e noite enluarada,
Porque tu és flor enraizada
e filha de cada novo alvorecer
desta Pátria nascida libertada.


Não preciso te dar este poder
porque ele é teu desde nascer.

Está em tempo de aprender
a respeitar e de reconhecer
o legado da ancestralidade
da terra e da que cruzou o mar,
e que até o nosso idioma
por cada qual foi moldado,
sem criar um novo pecado.


Cultivar o olhar não limitado
pela cronologia e que encontra
na mata o Vassourão florido
sob o céu de novembro vestido.


Deixar-se levar pela festa do que é
de fato culturalmente enraizado,
e não mais se permitir seduzir
por aquilo que nos foi empurrado.

Tudo o quê a dança
do tempo faz em mim,
Tem me preparado
todos os dias para nós,
Canta o Bem-te-vi,
o vento sopra a Licuri,
Se dizem que amar
faz mal que nada de ti
e de mim nos afaste,
Que destino nos aproxime
e a gente se segure,
E que a importância alheia
não nos ocupe e nem capture.

Sem nenhuma pretensão
de ser nenhum pouco
diferente do que sou,
não volto atrás no tempo
que por mim passou.


O meu próximo rumo
é sempre em frente,
não disputo os espaços
que não me pertencem,
até as plêiades sabem.


Sob os teus olhos entre
as grumixamas que tingem
os lábios e a imaginação
rendidos para o gamahuche
inaugural para a cavalgação.


A sorte por nós foi lançada,
não é mais um jogo de sedução
que não vai dar em nada,
estamos na mesma conexão
a cada dia mais alinhada.

Perto do tempo da Inuíba
florescer existem razões
imperiosas para te dizer
porque é preciso crescer.


Sempre que deixo alguém
é porque foi dado motivo,
Não caminho junto com
quem faz o outro diminuído.


Longe de ser narcísica
a visão e o autovalor
os mantenho refinados,
para ser sempre preservados.


Diante de ações e palavras
pelas quais não as procurei,
ao lado de quem as elegeu, não fico;
para não abalar a beleza do caminho.

Sem vê-lo pressinto
que se casou por dentro
comigo sem saber,
Dezembro é tempo
de Faveiro florescido
e de viver convicto
o seu amor junto comigo,
por tudo aquilo que
ainda não fomos, somos
e seremos até o infinito.

Na colheita da Guáçatonga
do tempo sentir por detrás
tomando conta avassaladora
o ritmo adorável e implacável
dos teus suspiros devoradores,
E consentir que os teus beijos
totais se tornem senhores.


Cobrindo-me toda com a tua
pele masculina reluzente e solar,
Abrindo o espaço sem pestanejar
ao êxtase opulento me levar
ali mesmo pelos teus apalpos
aos andares da intimidade,
E pelos teus ousados abraços
render-me com gana e liberdade.


Deixar o teu olhar fio sedutor
conduzir a instrução
de cada toque arrebatador,
Com os nossos lábios
impulsionar o desejo imparável
de manter entrelaçados
o amor, a paixão e o inevitável;
Como se fosse a primeira
vez que a gente tivesse namorado.


(Sem receios e sem reservas
das expectativas românticas
transformar dois ímpares em par).

A ventania traz o tempo
para dançar com a gente,
Fazendo o Araçá-grande
gentilmente balançar
as flores a desabrochar.


Ouço Cantar os Reis
vindo se aproximar,
Queiram ou não,
vamos todos sorrir,
se divertir e a paz total
haverá de prosperar.


Os Reis Magos
irão nos abençoar
sob a luz da querida
Estrela de Belém
que irá nos iluminar.

Alma indomável de Cavalo-lavradeiro
livre, leve solta no seu próprio tempo
de ser menos urgente e mais presente,
Sentindo o perfume da liberdade
ao encontrar a sua própria verdade.


Permitido reger-se pela Via Láctea
sem perder o prumo e o rumo,
E pacto pleno com o imediato
em nome só do que faz sentido
afastada daquilo que é vazio.


Não se permite deixar dominar,
e também dominar porque sabe
os caminhos permitidos que permite
galopar até o seu igual encontrar,
e o seu próprio mundo entregar.

No Hemisfério Austral,
deixar que as fases
do tempo encantem,
Fazer a colheita
da beleza no Maitén,
Beijar e ser beijada
por tudo o que mantém
o coração batendo,
os olhos brilhantes
e a alma em elevação
para sereno e o sublime,
Para do amor não haver
nenhuma distração -
e nos reunir em gamação.

Diante dos teus olhos que
são onde convergem o céu
e monumentos do tempo,
Mesmo que ventos contrários
soprem nas nossas faces,
Convicta ando insistindo
para que o nosso mundo
íntimo não tenha destino
igual ao da Linha Durand.


Pisoteei caleidoscópios,
rasguei todos calendários
e quebrei muitos relógios,
Por recusar viver a vida
toda a mercê do acordo
entre o cavaleiro e o emir,
Está para nascer quem irá
ditar os meus valores a seguir.


Por saber que a história
não começou a partir daí,
As minhas próprias regras
fui eu quem escrevi,
E uma delas é que impérios
sempre as próprias covas
por si mesmos cavarão.


Confio na predição forjada
por lágrimas, sangue e fogo,
e na sublime ambição
que converge na sua direção
levando o teu amor no coração
com a certeza da tua retribuição.

Um pacto romântico
raro para este tempo:
Tornar-me a Rainha
neste Maracatu Rural,
Ser a dama especial,
a tua Lua Brasileira
no céu do sentimento;
E ser o paraíso total
no teu pensamento
a todo o momento,
Porque quero que seja
o meu divino Rei,
o dono do fechamento.

Ascender os patamares
da real conexão requer
o conhecimento da rota,
das passagens do tempo
do canoro íntimo que toca
no auge do florescimento
do Jacarandá bico de pato.


Tatear o etéreo deleite,
descobrir a veleidade
e a provocante leveza
em total liberdade,
paz e com a intensidade
do amor transparente,
que a estação certa haverá
de conceder para a gente.


Sei que não é diferente
do que passa contigo,
ainda em recolhimento
mantenho o momento
em embalador cultivo,
porque reconheço que
não sou deste nosso tempo,
embora no fundo seja
mais simples do que aparento.

29/12


Ninguém precisa
se afirmar o tempo todo,
Fale o necessário,
e deixe o tempo virar o jogo.








29/11




Existem certo confrontos
que fortalecem os inimigos,
Simplesmente não entre
neste circuito e nem conceda
combustível para ele ter nenhum
argumento contra você,
Cuide dos seus objetivos acima
de qualquer tentação
de se desviar do destino.




29/10


Se você foi muito ofendido,
e o ofensor está numa situação ruim,
Não interfira no caminho,
e nem sinta culpa por isso,
Porque se fosse o contrário,
ele sem culpa acabaria com você,
e devido a isso tu não tens o dever
de ser herói com quem na primeira
oportunidade acabaria contigo.

Deixar-se levar pelo tempo
onde os homens olham
para os relógios não desafiam,
porque fazer o refúgio
que protege o sagrado,
o paraíso e o profundo,
faz das vidas dos impérios
não mais serem as mesmas,
é mister abrir as tais fendas.


Permitir que os sonhos
deslumbrantes incendeiem
sem deixar que se extinguam
à guiar-se pelo caminho
que as estrelas conhecem,
e iluminam o único exército
que se curva diante de Deus.


Faça Sol ou faça Chuva,
ciente de que sou
a que é total fora da curva,
sem temer nenhum abismo,
no teu peito escrevi o destino,
que nós não podemos controlar;
a florescida tulipa selvagem
em todas as estações de amar.

Em meio ao véu frio
do tempo que envolve
a cidade de Rodeio,
mesmo sob o Sol e o céu azul,
Tudo invoca que é chegado
o mais austral poético momento.


À.partir dos nossos silêncios
contornando o Médio Vale do Itajaí
começarão discretamente
em nós a ser escritos os destinos
Onde o amor guiará pelos caminhos,
somos mais do que livrosa ser lidos.

Quero tudo ao mesmo tempo
sincronicamente e sinfonicamente.
Por ambição requintada inspirar,
e dar os mais amorosos suspiros,
E, sobretudo, ler os versos contidos
nas linhas da tua íris misteriosa:
as tradições românticas dos povos.


Envolvida, o meu corpo inteiro
treme e a boca saliva como
se estivesse diante de uma vitrine de doces,
só de pensar na sua mão deslizando
serena e forte na minha cintura.


Tudo isso é mais do que o suficiente
para me enlouquecer o dia todo,
sobre aquilo que sou capaz de te orgulhar
em público e bagunçar quando
tivermos o nosso paraíso particular,
com um canteiro de sálvias escarlates,
para receber uma grinalda entrelaçada
pelas tuas mãos habilidosas quando
chegar a florada para me enfeitar.


Querer sentir que sou o território
do alfa ao ômega — a sua propriedade,
o seu melhor assunto e a sua liberdade;
Tudo o que excita, livra e fascina,
por ser a mais feminina, a mais viciante,
a mais segura e a mais alucinante.


Em cavalgação orientada, devagar,
quando sem testemunhas você se enredar
nos meus cabelos e a gente se encaixar,
do teu jeito favorito me reivindicar
com delicadeza, delícia e firmeza:
ninguém vai nos distrair ou segurar,
viveremos sob a lei da nossa natureza.

O tempo é aliado para aquele que
tem direção para escolher e honrar
quem merece caminhar lado a lado,
e receber o amor como legado.


Para amar tão devagarinho
que cada suspiro venha se integrar à pele,
fazendo a sua presença ser beijada
como se o mundo estivesse dando o último adeus,
e inteiramente amada todos os dias
de tal jeito como se o mundo
estivesse sendo criado novamente por Deus.


Olho embevecida com a certeza de ser
e ter encontrado quem eu procurava,
para serenar e incendiar inteiramente
sem doer as expectativas românticas
em águas totalmente claras e atlânticas.


Manifesto querer-te como quem encontra
um templo num paraíso perdido.
Sem permissão, pularei etapas,
mergulharei sem ver o fundo
e me entregarei na tua imensidão:
sem dificuldades assumo o seu coração.


Meu desejo por você é silencioso,
queima tão cheio de fogo e mesmo assim
me faz tão completamente segura,
por perceber que és a minha casa e fortuna,
com direito a florada do castiçal-imperador
da minha América do Sul com todo o amor.


Teus olhos, teu corpo e toda a tua existência
têm desarmado com intensidade e sem pressa,
embora se revelem de tal maneira uma a uma
como presenças renovadas
para te possuir, te guardar e mimar,
e para o meu nome com muito amor passar.


.

O tempo é um ativo que busco,
sem adereços usar o dom divino,
Sem querer ser pretensiosa;
jamais na vida o desperdiço,
para a posteridade tenho escrito.


​Da Paineira-rosa tenho a estatura:
O que pode levar distante a ternura,
nunca começa bem, logo não insisto.
O que ilude não convém porque confunde,
porque quero o que derrama e funde.


​Quem é poeta sabe ler gente,
que são como água e azeite;
O romance e o drama sempre
serão dissonantes, paulatinamente.


​A minha liberdade só encontra,
com cumplicidade outra liberdade
— E com o que é de verdade —
Porque se fez arrumada por dentro
para resistir a qualquer tempestade.


​Indisponibilidade é porta blindada,
que não foi feita para ser forçada
pela virtude e disponibilidade;
Disponibilidade não é fachada:
é o caminho aberto e áureo.


​Disponibilidade é encontro.
Se não existe como rumo novo,
não deve ser como caça ao tesouro;
Porque é o sol que sempre nasce
para quem realmente entendeu o jogo.

O tempo propício chegou


de um mostrar o quanto um


pelo outro sempre esperou;


e nada nos dessacralizou.






Por adoração e magnetismo


viramos o magnífico vício


de escrevermos o destino:


o calendário não ultrapassou.






Não há um só dia que não


tenhamos vivido: porque


pelas estações nós sentimos.






E sentindo: ipês seguimos.


Com o ritmo das estações


pelos caminhos floridos.