37 poemas sobre o tempo para pensar na passagem dos dias

Redemoinho


O homem nasce menino
na planície verde e monótona,
onde o tempo mastiga devagar
os ossos das horas.

Tudo é pacato.
Tudo é árido.
O horizonte não traz ameaças.

Então chega o dia
em que ele se confronta com o furacão.
O tufão do Atlântico e do Pacífico,
carregado de cores, ruídos, promessas,
vidas demais até para mil existências.

O giro tempestuoso desloca o mundo.
Arranca o que era chão.
Semeia o que já nasce morto.

Nada permanece.
As coisas não amadurecem,
apenas surgem
e se dissolvem
sem parto
e sem luto.

O homem-menino abre os braços.
Quer o clarão,
quer o excesso,
quer o impossível.

E o redemoinho o aceita.

Engole seus sonhos frágeis,
mistura artefatos, rostos, desejos
em uma nuvem de poeira disforme.

Agora é homem.
O menino ficou para trás
como um retrato esquecido na estante,
como letras gravadas na velha árvore.

Está no olho do furacão.
Silêncio dentro.
Caos ao redor.

Já não acompanha o giro.
A mudança o ultrapassa
como um trem que não para em nenhuma estação.

Olha ao longe
as pradarias de onde veio.
Vinhas imaginárias.
Um tempo sem gritos.
Um tempo sem pressa.

Mas descer já não é gesto.
É amputação.

Ele tornou-se o próprio vento
que o desfaz.

A cada segundo
um pouco menos sólido,
um pouco mais vapor.

Ao homem sempre restará
esse vício antigo:

abandonar o simples
e, tarde demais,
implorar pela simplicidade.

A saudade machuca
As lembranças me fazem querer voltar no tempo
mas ele não volta
nunca voltou.

Não aguento mais!
Na televisão é coronavirus, Covid-19 o tempo todo!
A Globo não mostra outra coisa!.

Se você não aguenta mais ver na televisão, imagina contrair e depois ter que disputar atendimento ou espaço em UTI na saúde pública!
Segundo o representante da moral e bons costumes, 70% vai contrair e pronto!
E alguns irão morrer, Ou muitos E DAI??

Do Cuidado ao Tribunal:
A Nova Era do Lab Leak
Houve um tempo em que os portais digitais da saúde serviam para estender a mão. O cidadão americano buscava ali o amparo de um teste, a segurança de uma vacina e o acolhimento na vulnerabilidade da doença. Era a ciência a serviço da vida, protegendo o presente no silêncio do dia a dia. Sob a caneta de Donald Trump, no entanto, o cenário mudou. Onde antes se distribuía o cuidado, hoje se ergue um tribunal político chamado Lab Leak. As ferramentas de prevenção foram substituídas por uma busca implacável de culpados em direção a Wuhan. O abraço que protegia a saúde transformou-se no dedo que aponta para o passado geopolítico. Quando uma página de utilidade pública se converte em palanque ideológico, o ser humano deixa de ser o alvo do zelo e vira apenas plateia de uma disputa de poder. Uma mudança que nos lembra que, na política dos homens, a urgência de ter razão quase sempre silencia o dever de proteger a vida.

A Viagem


O tempo fortalece as convicções
das descobertas,
para se viver o novo mundo.


A viagem é certa a qualquer tempo.


O que me entristece não é
a ausência dos que se foram.


Mas, a presença dos que
aqui estão como se
tivessem partido.


Ademílton Batista
Brasil, Bahia, Itabuna
Direitos Resevaddos

A vejo


Por quanto tempo a vejo?
Anos, séculos, um passeio no arvoredo?
A beleza é algo que se tem ou que se convence?
No olhar eu te vejo mas são nos pensamentos que me perco.


Lamento, ter tido por tanto tempo e no final ter perdido.
Perdi o que tinha, perdi o que viria a ter
A vida segue, como se imitasse o rio
O rio que não olha para traz e não se permite voltar


Do que aprendo, eu pratico e não há aprendizado sem dor
Dor de não poder consertar, de não poder ajudar
Dor, ei de me lamentar, mas o pior é não poder ficar


Continuamos com a vida até que ferida se cure
Tenho estado nesse estado de aprendizado
Mas creio já ter melhorado a tal ponto de não doer mais
Mais o que seria do ser humano se não pudesse sentir?
O que seria de mim se não tivesse vivido a ti?

Show


Demétrio Sena - Magé


Busco dias mais brandos num tempo qualquer,
um espaço futuro que meu sonho alcança,
uma trégua do mundo nos baques da vida;
negocio esperança com minha jornada...
Eu intuo que ainda possamos ter paz;
um olhar otimista sobre a humanidade;
sou capaz de sonhar entre todo esse breu,
ter saudades dos dias que ainda virão...
Doentia insistência de olhar até ver
que viver é caminho pra qualquer depois,
e depois é segredo que ninguém desvenda...
Vejo nova manhã pra saber quem eu sou,
como acaba esse show que preciso entregar
aos aplausos ou vaias pra como atuei...
... ... ...


Respeite autorias. É lei

Talvez não estejamos perdidos.


Talvez apenas tenhamos passado tanto tempo procurando uma porta que esquecemos de perguntar se algum dia existiu uma saída.

Primavera. Dias de vento, de chuva e de mudanças.
Talvez seja tempo de abrir as gavetas da alma, reorganizar o que ficou guardado e revisitar aquilo que, por algum motivo, deixamos para depois.
Dias longos de reflexão, de escuta e de silêncio.
Um tempo de paz, não como ausência de conflitos, mas como possibilidade de ouvir o que existe dentro de nós.
Na psicanálise, escutar também é uma forma de cuidar: dar espaço às palavras, aos sentimentos e até aos silêncios que tantas vezes tentamos esconder.
Que esta primavera nos inspire a olhar para dentro com mais delicadeza, compreender nossas histórias e deixar ir aquilo que já não precisa permanecer.


Cleide Regina Scarmelotto

Quando olhei aquela foto
Algo diferente percebi
Demorei um certo tempo
Até que descobri


O olhar era de menina
A personalidade de mulher
A postura de uma dama
E o semblante de alguém que sabe o que quer

Parecia ser um desenho feito a mão
Mas nenhuma mão seria capaz de tanta beleza
Só podia ser então
Um capricho da natureza

Cada detalhe minha mente deixou anotado
O cabelo, o anel
O morango a ser degustado

O rosto de menina
Misturado ao olhar de mulher
Foi como uma flecha no meu peito
Chegou rápido ao coração
Entorpecendo esse sujeito


Evito sentir inveja
Mas ao ver aquela foto
Esse sentimento em mim despertou
Como não sentir inveja daquele morango
Que sua boca tocou

A vida é uma via torta, doce e amarga ao mesmo tempo,
E eu, tonta sonhadora, caminho na corda bamba do tempo.
Tento me equilibrar entre sabores e amores,
Mas se a corda arrebenta, não luto contra tombos, nem com as consequentes dores.
Fico, respiro, repouso em silêncio profundo,
Não estou nem aí para o mundo com seu peso tão imundo.
Não sou fantoche nas mãos do imprevisto,
Nem marionete no palco dos conflitos.
Não sou equilibrista buscando um fim incerto,
Nem sigo um novelo enovelado em nós (des)inosados.
Sou só eu, simples, entre tropeços e calmaria,
Deixo a vida ser feita de alma leve e poesia.
Quebrar os laços da luta incessante,
Permitir que o descanso seja o instante.
Pois na rotina do dia a dia, quando tudo cansa,
Ser tonta é talvez a mais doce esperança... o maior consolo pra deixar continuar a bater o próprio coração.

Pai!


Ah, se eu pudesse voltar no tempo...
Só mais um pouco. Só mais um instante.
Para aquelas conversas que não tinham relógio, que não tinham fim.


Ah, se eu pudesse te dizer o tamanho do vazio que ficou.
Da falta que me faz ter pra quem contar - minhas alegrias bobas e minhas tristezas mais fundas.


Eu nunca imaginei, nem por um segundo,
que tudo aquilo ia virar passado.
Que um dia eu ficaria só eu, a lembrança e essa saudade que não me deixa.


Porque eu aprendi que tudo passa.
Menos você.
Sua falta não passa. Seu conselho não passa. Seu jeito de brincar com a vida ainda mora em mim.

Estou mal e não sei por quanto tempo mais hei de ficar assim; estou apático e desinteressado por qualquer cousa, como se minha vida tivesse deixado de existir; tudo se tornou um peso o qual, quando colocado sobre minhas costas, tem as suas dimensões e, consequentemente, a massa aumentadas.
Vós leitores desentendidos, não tendes capacidade de compreender essa vastidão que me assola diariamente.
Leitores, se vós, amigos meus de longa data, encontrásseis alegria na existência, e se estiver vivo no anúncio dessa descoberta, clamai pelo meu vulto, que correrei até vós e vos abraçarei de todo o coração.
Caso esteja desacordado no interior de uma caixa de madeira, abri-a e cutucai-me com palavras que minha querida amada, na época da mocidade, costumava dizer. Com isso, hei de acordar e saudar-vos múltiplas vezes a fim de demonstrar-vos a minha mais pura gratidão.
Benzerei-vos e, depois de algum tempo, voltarei para me deitar, pois a minha juventude já se foi há muito tempo; foi-se com a partida de um certo alguém.

Se Deus prometeu, Ele cumpre.
Se Ele falou, Ele faz.
O tempo nunca anulou a promessa, apenas preparou o milagre.


Wanessa Guimarães Z96

TEMPO PERDIDO


Tempo que não passa,
Tempo que não volta.
Tempo que faz falta,
Tempo que faz história.


Tempo que traz mágoa,
Tempo que traz perdão.
Tempo que traz solidão,
Tempo que também traz paz.


Tempo de amar,
Tempo de dançar,
Tempo de falar,
Tempo de abraçar.


Tempo desperdiçado,
Tempo aproveitado,
Tempo abençoado...
Ou simplesmente, tempo perdido.


– Kaiane Macedo

'Respeite seu tempo, seu momento, sua trajetória.
Nem todos vão aceitar e está tudo bem, não é sobre eles, é sobre você.
Perca o que for, mas não se perca.'


Wanessa Guimarães Z96

'Faz tanto tempo que eu não te vejo
Que falta eu sinto de falar com você.
Eu sei que estás bem, e embora não esteja aqui comigo eu sei, você descansou.'


Wanessa Guimarães Z96

⁠Verso 1
Toda fase da vida tem algo pra ensinar,
Há tempo de sorrir e tempo de chorar.
Nenhuma tempestade consegue permanecer,
Depois da noite escura o sol volta a nascer
Helaine machado

O tempo não volta,
Nem tornará atrás.
Estás perdido, amigo;
Quando olhares para trás, verás.

⁠*"A BELEZA DE HOJE"*
"Meu Senhor e Meu Deus; a cada dia do tempo de minha vida vejo Tua criação; e a todo tempo verifico que tudo tu renovas; e assim, tudo é beleza, tudo é cor, movimentos e sentidos; e vejo minha vida; tal qual sou uma quimera, que não será bastante, para conhecer de todos estes teus maravilhosos prodígios;
Tú És a infinitude de tudo que amo, admiro, persigo e vivo;
e tal como quimera que sou, vivo meu lamento de não possuir o tempo; o tempo qual necessario para mais vislumbrar, aprazar e apacentar meu espirito, das renovações e belezas que advirão, depois dessa minha finitude.
Sonharei, pois, como quimera, ante todo regozijo que hoje subtraio de minha contemplação, quiça um novo tempo, para amar-te para sempre, de novo e de novo!"
(Victor Antunes)