37 poemas sobre o tempo para pensar na passagem dos dias

A vida é essa efeméride que habita o tempo: frágil, breve, mas intensa o suficiente para nos atravessar.
É uma matéria que se molda às estações que cada um vive: ora floresce, ora cai em silêncio, ora amadurece para depois se desfazer no vento.

O que hoje é lembrança, ontem foi presença — carne, gesto, instante que respirava conosco.
E o que amanhã será apenas um vulto, talvez não passe de um eco dos sentimentos que deixamos escorrer pelos dedos, ressentidos por não termos aproveitado as oportunidades presentes que a existência, generosa e impermanente, nos ofereceu.

A vida é assim:
um convite que se renova,
um aviso que sussurra,
um tempo que não volta,
mas que insiste em ensinar.
Ensinar a amar.
Amar com profundidade.

—“De volta para minha casa.”

O tempo não espera por ninguém — ele devora horas, dias, existências inteiras sem piedade ou pausa.
A vida não ensina, não aconselha; ela simplesmente irrompe, crua e imprevisível, forçando-nos a aprender na dor ou no êxtase.
O futuro não é morada segura, mas mera passagem efêmera, um sopro entre o agora e o nada. Assim como a onda beija a areia e recua sem adeus ou promessas, os amores vêm e vão, frágeis ilusões de eternidade.
Não há sentimento que garanta para sempre; a saudade, a lembrança, a recordação gritam em vão para quem optou pela ausência.
Elas não confrontam o vazio — apenas ecoam no peito de quem ficou. O mundo não para quando uma vida se apaga. Ele gira, indiferente, tecendo novas tramas sobre cinzas antigas.
Apesar das tormentas, das perdas que rasgam a alma, eu sei: a vida é boa, um milagre teimoso em meio ao caos.
O problema não é ela — somos nós, humanos cegos, que ainda não aprendemos a viver de verdade, a abraçar o fluxo sem amarras.

"Desvaneio é o instante em que a alma se despe do tempo e veste o infinito — onde o pensamento não busca respostas, mas dança com o mistério."

Roberto Ikeda

Não há ouro que resista ao tempo,
nem poder que se sustente na eternidade.
A coroa pesa, mas não liberta;
é prisão disfarçada de glória.
O povo, cego ou cúmplice,
aplaude sombras e se curva ao vazio.
Mas toda autoridade é pó,
todo império é ruína,
todo rei é apenas homem.
A verdade não se cala:
o trono é provisório,
a vaidade é efêmera,
e a história não perdoa.
É em vão servir um rei que serásubstituído por outro.

O sol nasce,
a flor se abre,
o tempo passa,
e eu sigo
leve,
vivendo o agora.

Corpos falam
sem precisar de som,
sussurros traduzem o que o peito cala,
o tempo para,
e tudo é só respiração
e gozo.

Que é gostar?
é pensar vez em quando sem amar.
Que é amar?
é pensar todo tempo sem gostar

⁠Tempo de refletir;
Tempo de perdoar;
Tempo de sorrir;
Tempo de amar.

Que esse espírito natalino se perpetue durante todo o nosso tempo.

Feliz Natal!

Quem olha para trás vê o passado esquecido.
Um tempo que já não vive em nós, mas permanece vivo na memória dos outros.
O que foi deixado de lado, o que não quisemos carregar, encontra abrigo em lembranças alheias.
O passado não desaparece — ele se transforma em silêncio, em cicatriz, em história contada por quem ainda se lembra.
E é nesse contraste que mora a verdade: aquilo que esquecemos não deixa de existir, apenas muda de dono.
O esquecimento é escolha.
A lembrança é resistência.
E entre os dois, o tempo constrói sua própria justiça.

se me perguntassem á um tempo atrás diria que jamais faria algumas coisas mas com o tempo os nossos gostos, os nossos objetivos vão mudando.
e eu cheguei a um momento da minha vida que quero focar somente em mim.
mesmo que para isso tenha de fazer coisas que me doam um pouco

O tempo

O tempo que hoje passa, amanhã tem pressa.
O tempo com cada ponteiro e seus segundos,
esse tempo tem pressa,
Esse tempo, tem vento em cada ponteiro.
Esse tempo nem tem tanto tempo assim.
O tempo além de não ter tempo, não tem também piedade, ele tem pressa. E quando menos esperamos... o que era 2 anos, vira 7, e o que tinha 7 vira 17, e assim vai...

-- Que saudades de quando o tempo tinha tempo. E tudo era... simples.

Em tempos de tempo
Houve tempos em que me debruçava na cama, chorava lagrimas
de salamandra, mas não me esquecia de viver.
Houve horas, em que me perdia no inconciente, me deixava florecer.
Hoje, sou mais razão... não me perco em sentimentos,
me situo em meu lugar, como um rei ao seu trono.
Hoje sou mais Capacidade... meu raciocinio não se deixa levar por instrumentos que possa me trazer a infelicidade, imoralidade, libertinagem.
Por no final das contas, hoje, sou mais Hereto.
Sou mais firme mais objetivo.
Sou mais além de mim... sou ti e todos, sou cada passo largo do cavalo, e cada bolha de ar do fundo do mar.
Sou eu.

As relações humanas são complexas, multifacetadas.


Nelas o tempo mostra que só o que é verdadeiro realmente sobrevive.


A intimidade revela nuances e características nem sempre agradáveis.


E que, em alguns casos, é só a utilidade que norteia uma relação qualquer, sendo assim, facilmente dissipada.


Porém, não vivemos sem elas, mesmo com suas contradições, aprendizados, preocupações, e até ansiedades...


Tendo sim ótimos momentos, onde o amor é a base para serem duradouras, e em algumas situações, necessariamente suportáveis.

Talvez o mundo não esteja em silêncio.
Talvez ele fale o tempo inteiro,
em sinais simples, em verdades nuas,
mas poucos escutam sem o ruído do ego.
O deserto não é externo —
ele nasce quando a mente se fecha
e transforma perguntas em muros.
As sombras não vivem fora da luz,
vivem no medo de encará-la.
As correntes não são de ferro,
são feitas de certezas vazias,
de ignorâncias defendidas com orgulho.
E a saída do labirinto não exige força,
apenas humildade para admitir
que a luz sempre esteve ali,
esperando ser vista.

-Mesmo depois de muito tempo com a cabeça no lugar e tambem todo o resto, pude compreender ainda mais os aspectos da vida; so vem de um lugar,
do futuro, no futuro estaram as coisas que estao sendo criadas ou realizadas para mim, que mesmo na imcompreençao como naquele passado sem aspecto no
qual eu viví sem entender, talvez porque nao quería, ou porque nao coseguia, no futuro presente em que vivo, eu so prefiro entender
as coisas que sao facilmente compreedidas ou que tenha constancia nos sentimentos de afeto mais sinceros.


por mim: desconhecido

⁠Rosa Branca

Resplandecer da luz
Onde a singularidade abraça
Benevolencia do tempo
Resignificação acompanhado não necessários
Dádiva do esperar o momento de brotar.

Em um tempo não tão remoto, a humanidade acordará surpresa com o fato de que viveu até então sob um emaranhado de mentiras. Os mais simples e dependentes perceberão que seus mestres, lideres e gurus nunca souberam de nada sobre vida, morte, pós morte, espíritos, Deus, deuses, diabo. Perceberão também que a ciência sempre se equivocou ao cavar essas questões para desmentir ou ratificar - às vezes retificar - as verdades apresentadas por seus pretensos donos.
Aliás, a imensa descoberta desse tempo será simplesmente aquela de que não há verdades. Não há descobertas além dessa de não haver descobertas. O não haver será fato contundente. Nada será, mas no máximo estará, em forma de máxima, para logo estabelecer o nada, que será tudo. Voltaremos ao começo, numa tentativa de reaprender a aprender com a reciclagem do caos. O reexercicio da ignorância ou a recriação do sonho de um todo que sempre andará na frente; para lá dos olhos da cara.
Tudo que sei é que sei disto. No entanto sei, ao mesmo tempo, que não sei como sei... Ou como penso que sei. Caso queiram, se restar ao menos querer, julguem apenas que sou mais um louco desses que sempre tentam enlouquecer o mundo... Tentam e sempre tentarão, pelo menos enquanto existir mundo para enlouquecer. Digo; para enlouquecer mais ainda, como se não bastasse toda a loucura dos dias atuais e daqueles que estão por vir... Em um tempo não remoto.

Quero amigos com tempo e validade;
que meus toques alcancem, não digitem
na frieza banal do facebook;
na textura do velho lap-top...
Namoradas reais; que os lábios beijem;
tenham rostos à prova de artifícios;
cujos corpos recheiem meus abraços;
não me façam buscar prazer em mim...
Solidão só se cura com pessoas,
as pessoas estão em nossos olhos,
onde nossas vivências nos atestam...
Amizades e amores se autenticam
a partir das presenças, não das telas
que as remelas dos olhos esquadrinham...

HORIZONTES

Demétrio Sena, Magé – RJ.

Ando meio sem tempo de nutrir
depressão, baixa estima, insônia e mágoa,
estou meio sem água pra chorar
o que o mundo guardou dentro de mim...
Já não cabe me abrir à própria crise
de sentido, propósito e contexto,
ao deslize de minhas esperanças
onde o texto fugiu de meu rascunho...
E não posso me dar sequer ao luxo
do lamento e da velha nostalgia,
cada dia requer um novo sonho...
Fico meio sem chão pra me plantar,
sem arpão pra morrer na minha praia
cujo mar está cheio de horizontes...

PROPOSTA

Demétrio Sena, Magé – RJ.

Também sei não ter tempo, às vezes paciência;
ser distante, presente, a depender do surto,
ter meu curto circuito conforme o capricho,
dar os olhos, ouvidos, e depois tirar...
Tenho todo poder que se tem de ser vago,
de sumir e voltar como quer o meu ego,
mas querer que algum prego pendure as esperas
pela boa vontade que nem sempre tenho...
Só não sei fazer uso dessa pretensão;
modelar a meu modo as expectativas
do que tenho, não tenho, quando e não pra dar...
Sempre vejo pessoas como gente, mesmo;
não imponho; proponho minha identidade
como toda verdade redistribuída...