Poemas sobre Coragem
A criança que fui e o homem que sou trocam bilhetes na madrugada. Um pede coragem, como quem pede socorro. O outro devolve silêncio, rabiscos, mapas inúteis de resignação. Às vezes, contra a própria vontade, sobem no mesmo trem. Não sabem por quê. Descendem em estações sem nome, onde a surpresa não consola, apenas prova, cruelmente, que ainda se está vivo.
A tristeza tem territórios que eu ainda não visitei. Vou a pé, com uma lanterna de medo e coragem. Algumas ruas são estranhas e pedem licença para entrar. Outras me reconhecem e me oferecem cadeiras antigas. Sento-me e descubro que conversar com a dor é arte.
Quando penso em coragem, lembro de pequenas decisões. Elas não soam heroicas, mas movem montanhas internas. Trocar o olhar, dizer o nome, abrir uma porta. São gestos pobres, mas imprescindíveis. E a soma deles nos reconstrói, dia após dia.
O amor que me cura não exige perfeição. Ele pede apenas coragem para chegar com as mãos vazias. Acolhe os termos e as condições sem contrato. E na simplicidade do gesto, tudo se transforma. Porque amor que exige pouco é o que mais dá.
A coragem que admiro é a que retorna depois do medo. Não é a que nunca treme, mas a que insiste em levantar. Há heróis de pequena escala que multiplicam esperança. Reconhecê-los é dever de quem quer viver bem. E eu os nomeio internamente como santos do cotidiano.
Amar foi bonito enquanto durou,
mas sobreviver depois exige outra coragem. Porque lembrar dói mais do que perder, e esquecer parece uma forma de traição. Ainda assim, sigo, ferido, lento, verdadeiro, aprendendo que viver também é resistir à própria saudade.
A coragem de pedir ajuda é prova de sabedoria. Não é fraqueza admitir que não se dá conta de tudo. Quando pedi, recebi mãos que não perguntaram por que. E isso fez toda diferença na minha recuperação. Compartilhar é dividir o peso e multiplicar o passo.
Sigo em travessia, sem garantias de chegada, mas com a certeza de que a coragem de partir já foi uma vitória.
Meu silêncio não é deserto, é multidão, está lotado de tudo o que ninguém teve coragem de perguntar ou paciência de ouvir.
Sigo. Não por coragem heróica, mas por uma teimosia visceral que me impede de aceitar o ponto final antes da hora.
A coragem verdadeira nasce no exato momento em que você percebe que ninguém virá te salvar e decide, com mãos trêmulas, se reconstruir sozinho.
Você não precisa de um mapa novo para recomeçar, precisa apenas de coragem para admitir que o caminho antigo se tornou estreito demais para a imensidão que você se tornou, aceitando que algumas pontes precisam arder para que a fumaça nos guie até a outra margem.
A coragem não é o rugido do leão na arena, mas a voz baixa que, ao final de um dia terrível, sussurra para o espelho: "amanhã eu tentarei de novo", com a dignidade de quem sabe que a derrota é apenas uma pausa técnica para ajustar o fôlego.
Quem tem coragem de abrir trilhas e encontrar a nascente,
Não aceita beber de qualquer poça que encontra.
“A razão somente alcança sua verdadeira maturidade quando adquire a coragem de interrogar aquilo que, por longo tempo, foi aceito como indiscutível. O pensamento autêntico não nasce da submissão passiva às certezas herdadas, mas da inquietação crítica que ousa revisitar os próprios fundamentos da verdade. Questionar não significa destruir o conhecimento, mas purificá-lo das ilusões da acomodação intelectual. Afinal, toda consciência verdadeiramente lúcida compreende que o progresso do espírito começa no instante em que a dúvida deixa de ser sinal de fraqueza para tornar-se instrumento de sabedoria.”
