Poemas Realidade da Vida

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Houve um tempo em que a ignorância envergonhava-se de si mesma,
tanto que se recolhia à timidez e ao pudor.


Nos tempos atuais, não.


A ignorância converteu-se em espetáculo:
exibe-se por todos os meios possíveis e imagináveis, ostentada com um orgulho desmedido.


Houve um tempo em que a ignorância ao menos tinha vergonha de existir,
recolhia-se, constrangida, à sombra da timidez e do pudor.


Hoje, não.


A ignorância perdeu o constrangimento,
aboliu a vergonha e transformou-se
em virtude pública com direito
à fanáticos seguidores.


Exibe-se ruidosamente,
disputa holofotes,
exige aplausos e se orgulha
da própria miséria intelectual.
✍©️@MiriamDaCosta

Existem momentos
em que o meu âmago,
tão visceral,
como um vulcão,
entra em erupção,
jorra intensidade,
expele profundidade
e minhas veias
pulsam versos,
poesia
em estado de lava,
palavras incandescentes
que golpeiam,
sem pedir licença,
a delicadeza desse meu sentir
forte e violento.
✍©️@MiriamDaCosta

📆 07 de janeiro ❤ Dia do Leitor 📚


Ode ao Leitor


Querido Leitor,
tu que chegas de mansinho
e, sem pedir licença,
habitas minhas entrelinhas.


És o silêncio atento
entre uma palavra e outra,
o sopro que reacende
o que parecia morto no papel.


Sem teus olhos,
meus versos seriam apenas
ossos de letras,
corpos sem pulso,
gritos sem eco.


És tu quem dá voz
ao que escrevi em silêncio,
quem sente a dor que não sangra,
quem reconhece a alegria
que não soube sorrir.


Leitor,
tu não passas pelo texto ,
tu ficas.
Te demoras.
Te implicas.


E ao ler-me,
reescreves-me dentro de ti.


Por isso hoje,
07 de janeiro,
não celebro apenas o ato de ler,
celebro o encontro:
quando no silêncio da solitudine
a minha escritura
encontra a tua leitura
e, por um instante raro,
ambas se reconhecem vivas.
Conectadas.


Gratidão por existir! ❤
✍©️@MiriamDaCosta

"A calma não é fraqueza.
É autocontrole depois de
conhecer o próprio
instinto."

A minha promessa para o Ano Novo (2026)


Odeio promessas!
Promessas são pactos frágeis
assinados com o medo do futuro.


Não prometo nada
a mim mesma,
eu me conheço.


Não prometo nada
aos outros,
eu os conheço também.


A única coisa que não negocio,
depois da liberdade,
é a escrita.


Enquanto houver pulso
me bombardeando,
eu escrevo.


Enquanto houver ferida
me cutucando por dentro,
eu escrevo.


Enquanto houver silêncio
me gritando nos ossos,
eu escrevo.


Enquanto houver sangue,
suor e lágrimas
me derramando,
eu escrevo.


Não faço promessas!
Eu cumpro.


Escrever não é escolha.
É instinto.
É reflexo.
É sobrevivência.


Eu escrevo
quando falta ar.
Eu escrevo
quando sobra silêncio.
Eu escrevo
para não morrer por dentro.


Promessas nascem fracas,
já pedindo desculpa
por não sobreviverem ao tempo.


Eu não prometo!
Eu persisto.


Escrevo
como quem se mantém viva
num mundo
que golpeia para matar.


Escrevo nas entrelinhas
dos pontos onde sangro
e não coagulo.


✍ ©️ Miriam Da Costa

Mistério e Loucura


Ignoro minha origem,
me escapa o meu destino,
sabe-se lá, qual...


Caminho entre mistérios,
habitante do enigma,


tentando compreender,
com mãos trêmulas de sentido,
de versos e de interrogações
este mundo estranho
e muito louco
em que respiro, escrevo e
sou vida.
✍©️ @MiriamDaCosta

O agente secreto , Golden Globes 2026, Globo de Ouro...


Wagner Moura, como outros representantes da arte em geral no Brasil, superou ele mesmo!
Superou a política anti cultura que imperou na nossa Nação.
Superou a cultura do viralatismo.
✍©️@MiriamDaCosta

Critica-se a Lei Rouanet em nome de uma suposta “indignação ética”, sem sequer compreender que ela não é esmola,
não é “dinheiro dado a artistas”,
mas um mecanismo de renúncia fiscal , dinheiro que já sairia do bolso público e que passa a ser direcionado, com regras, para cultura, educação simbólica, memória e pensamento crítico.


Os mesmos que se arvoram como “cidadãos do bem”:


receberam auxílio emergencial indevidamente,
vivem de benefícios estatais históricos,
defendem privilégios corporativos (militares e suas viúvas e filhas eternamente pensionistas),


e jamais questionam isenções fiscais bilionárias concedidas a bancos, igrejas e grandes empresas.


A indignação, portanto, não é moral , é seletiva.


Ela escolhe alvos simbólicos fáceis: artistas, intelectuais, escritores e produtores culturais vários.


Porque cultura incomoda, questiona, expõe contradições, desorganiza certezas e encenam a história que tentam apagar.


Não se trata de repúdio ao uso do dinheiro público.
Trata-se de repúdio àquilo que pensa, cria e revela.


Em resumo:
Não odeiam o Estado beneficiador,
odeiam o Estado quando ele não os beneficia diretamente; e odeiam ainda mais quando ele financia ideias, sensibilidade e pensamento crítico que são contrários às próprias ideologias politicas, religiosas e culturais.
✍©️@MiriamDaCosta

20 de Janeiro📆Dia dos Caboclos na Umbanda


Ode ao Caboclo Arranca Toco 🌱🪓


Óh, Meu Amado Caboclo!
Seu Arranca Toco,
força que nasce do chão,
braço de mata fechada,
olho atento de quem conhece
o silêncio das raízes antigas.


Caboclo de pés firmes,
que não pede licença ao medo
e não negocia com a injustiça.
Onde o tronco resiste,
tua mão conhece o ponto exato,
nem excesso, nem hesitação.


Arrancas o que apodrece escondido,
o toco que impede a passagem,
a raiz do engano que insiste
em se disfarçar de sombra boa.
Tua justiça é direta
como o golpe do machado
e limpa como água de nascente.


Guardião dos que caminham
com o corpo cansado
e a alma pedindo clareira.
Ensinas que não há floresta viva
sem poda,
nem caminho aberto
sem coragem de remover o que pesa.


Caboclo Arranca Toco,
teu canto ecoa
no coração da terra
e no peito de quem aprende
a dizer não ao que paralisa,
sim ao que liberta.


Salve a mata!
Salve a força que sustenta,
arranca, limpa
e faz brotar de novo.
Okê, Caboclo Arranca Toco!
✍©️@MiriamDaCosta

Meus olhos cevam-se
enquanto devoro palavras.


Ler é nutrir a alma
faminta de sentido
num mundo que a esquece
à míngua.
✍©️@MiriamDaCosta

"O Natal é a celebração do nascimento do menino Jesus, celebre o amor."


Feliz Natal

A visão e a indignação seletivas dizem muito menos sobre o mundo
e muito mais sobre quem olha para ele.


Pensar isso é reconhecer que, muitas vezes,
a indignação não nasce da injustiça em si,
mas da conveniência.


Indigna-se quando dói no próprio território,
silencia-se quando o dano beneficia, protege ou confirma crenças.


A visão seletiva é uma forma sofisticada
de cegueira:
olha, mas não vê;
vê, mas escolhe esquecer.


E o que dizer?


Que a indignação seletiva não é ética,
é estratégia.
Não é consciência,
é cálculo moral.
Não é empatia,
é espelho.


Ela grita contra certos absurdos
enquanto cochicha cumplicidades
diante de outros.


Aponta o dedo com uma mão
e tapa os próprios olhos com a outra.


Talvez a frase mais honesta seja esta:


Quem escolhe quando se indignar
já escolheu de que lado não está.


✍©️@MiriamDaCosta

A indignação seletiva
não nasce da justiça,
mas do interesse
bem vestido de virtude.


Quem se indigna por conveniência
não defende valores,
defende posições.
✍©️@MiriamDaCosta

⁠Você é pra mim o que o amarelo era pro Van Gogh
Uma explosão de luz em minha tela escura,
Com pinceladas de amor, no coração, algo novo,
Nossas cores se misturam, numa paleta de ternura.

Você é pra mim o que a Mona Lisa foi pro Da Vinci
Um enigma encantador, um sorriso profundo em seus olhos, descubro meu mundo e princípios,
Cada traço de sua alma é meu tesouro no mundo.

Você é pra mim o que a melodia foi pro Mozart,
Notas que tocam meu ser, uma sinfonia de paixão,
Seu amor é a canção que enche meu mundo de arte,
Em sua harmonia, encontro a completa gratidão.

Assim como o amarelo inspirou Van Gogh a criar
E a Mona Lisa intrigou Da Vinci a contemplar
E como Mozart deu vida à música e ao som,
Você, meu amor, é minha inspiração, é o meu dom.

Como cores, sorrisos e canções, eternamente raro,
Para eles, cores, harmonia e sorrisos é muito mais do que podemos enxergar
Este poema é só para nós, um segredo compartilhado.

Sou fascinada pela palavra
em estado bruto,
antes da forma,
antes do adorno,
nua, crua e cortante
quando ela ainda sabe golpear.


A palavra que toca fundo,
que atravessa,
que deixa marcas.


Escuto-a ao contrário,
como quem busca
o eco secreto do sentido,
e nesse movimento
me deixo avassalar
avassalando.


Quando preciso vesti-la,
faço-o com deleite,
como quem escolhe
um tecido tênue
para a própria alma.


Mas meu amor maior
é pelo seu avesso silencioso,
aquele que só responde
quando tocado no escuro,
onde os significados sangram
em sentimentos vivos.


Sou excessiva
e visceral na linguagem
e delicada no gesto,
habito o extremo
e me encanto com a ternura.


Vai entender…
sou palavra em contradição viva.

E nessa contradição linguística,
entre visceral e tênue,
os meus versos harmonizam-se
na minha essência.
✍©️@MiriamDaCosta

Oh! Outono!
Volta para os meus braços.
Já não suporto o calor excessivo do verão.
Vem, refresca os meus dias
e embala as minhas noites com frescor.


Oh, Outono,
retorna ao abrigo do meu colo.
O verão me exaure
com seu fogo insistente.
Vem com teus ventos mansos,
refresca esses dias febris
e derrama silêncio fresco
sobre minhas noites.


Oh! Outono…
volta para os meus braços sedentos.
O verão arde demais em minha pele e na alma.
Preciso do teu sopro âmbar,
das folhas que caem como suspiros,
do frio suave que acalma o corpo
e adormece os pensamentos.
Vem…
refresca meus dias abafados
e devolve às minhas noites
o direito de respirar.


✍©️@MiriamDaCosta

Ode à cor laranja ( minha cor preferida)


Laranja é o incêndio manso
entre o grito do vermelho
e o riso do amarelo.


É o sol quando desaprende a ser astro
e resolve escorrer
pela paleta da tarde.


Cor de fruta aberta,
de sumo que explode
nos lábios da vida
de fome boa,
de poesia viva,
de desejo sereno
que não amarela com o tempo.


Laranja é a coragem
em estado morno,
não a fúria,
mas a chama que insiste
quando a noite ainda ameaça.


É o outono aprendendo a ser arte,
folhas que caem
sem culpa,
sem drama,
apenas porque amadureceram.


Laranja é o pulso da criação,
o instante em que a luz hesita
antes de virar memória.


Cor do entre,
nem começo, nem fim,
mas o salto.


Ó laranja,
ensina-me a existir assim:
intensa sem violência,
viva sem excesso,
ardendo sem me consumir.


✍©️@MiriamDaCosta

*08 de Janeiro - Dia do Fotógrafo *


Ode ao Fotógrafo


O Fotógrafo é aquele
que eterniza a poesia
de uma paisagem,
de um momento
e da História.


É o guardião do instante
que o tempo tentaria apagar,
o artesão da luz
que molda silêncios
em imagens que falam.


Com olhos atentos,
ele escuta o invisível
e revela o que
passaria despercebido
à pressa do mundo.


Congela o efêmero
sem lhe roubar a alma,
transforma segundos
em memória
e memória em legado.


Entre sombras e claridades,
escreve com luz
aquilo que as palavras
nem sempre alcançam.


Fotografar
é um ato de presença,
um gesto de amor pelo real,
um pacto silencioso
com a eternidade.
✍©️@MiriamDaCosta

*08 de Janeiro - Dia do Fotógrafo *


Ode ao Fotógrafo (2)


O Fotógrafo
arranca a poesia
das entranhas da paisagem,
violenta o segundo
antes que ele apodreça no tempo.


Caça o instante
com olhos famintos,
respira luz,
sangra sombra,
dispara o silêncio.


Congela o que nunca mais será,
fere o fluxo da História
com um corte preciso
e chama isso de memória.


Não pede licença ao mundo:
invade, captura,
expõe a nudez do real
sem filtros morais.


Fotografar
é um ato de risco,
um confronto direto com o efêmero,
uma emboscada armada
contra o esquecimento.


O Fotógrafo sabe:
toda imagem é um grito
preso num instante
que se recusa a morrer.


✍©️ @MiriamDaCosta

Não quero que me olhem,
e sim que me vejam de verdade.
Ver exige sensibilidade.