Poemas Realidade da Vida
Menino criado com vó
Que a despedida seja nosso derradeiro anseio. Que dedicatórias e saudades não sejam nunca ensaiadas. Que os olhares não mirem lembranças ou lugares lembrando de alguém, e que a minha robusta linguagem seja tímida se um dia precisar falar de adeus com você.
Não tenho poemas tristes sobre você. A minha vida e a vida dos outros são todas vidas de dentro de você. Tu sabes que eu sei dizer e arrumar em palavras as mais consoladoras e convincentes. Só as nego e negarei dizer a todos qualquer coisa que explique um dia a tua ausência, porque “até logo” ou “até um dia” eu até diria, porém adeus jamais lhe daria.
E num verso em que foge a rima e o português rebuscado, digo-te até um pouco bravo, não com a braveza de um desorientado, mas falo da bravura de um filho de nordestino, cabra arretado, te proibindo que desta vida se retires antes que eu veja em vida os filhos dos meus filhos, para terem também a sorte, assim como eu tive, de ser menino criado com vó.
Quiçá todo mundo pudesse ter sido, como eu fui na infância, querido; hora outra chamado de neto preferido; comigo sempre repartindo os doces recebidos. Sorte na tua casa ter vivido, e da tua vida me foi feito abrigo, como até hoje e ainda em breve será.
Pois com pressa só tratamos a saúde. O que não for saudade pode esperar!
Nós não o perdemos
Nós não o perdemos, ninguém o perdeu.
Nós ganhamos o privilégio de viver 31 anos com uma pessoa maravilhosa. Ganhamos da vida a oportunidade de conhecer uma pessoa especial, e dizer que fomos felizes é pouco para descrever.
Se eu pudesse voltar no tempo para tê-lo de volta, voltaria.
Se fosse preciso renunciar a todos os títulos acadêmicos para tê-lo de volta, sem dúvida eu faria. Qualquer um de nós faria.
E, se tivesse essa alternativa, eu escolheria viver mais 31 anos de novo com ele, sem mudar nada do que foi. Tudo do mesmo jeito: os mesmos momentos bons e ruins, todos os momentos e a vida exatamente como foi. Perfeito como foi, porque não teria sido perfeito de nenhuma outra forma, se não fosse ele exatamente do jeito que é.
Hoje, esse ciclo não se encerra. Continuaremos vivendo, não apenas com tristeza, mas com o orgulho de quem o teve.
Cada lembrança, cada sorriso, cada risada, cada instante. Seu jeito, seus trejeitos, sua luta e suas vitórias não esqueceremos.
Procuro sempre olhar o lado bom das coisas e, após essa constatação do quão dolorida é a sua ausência, fica claro que viver com ele foi viver um paraíso na terra.
E o melhor de tudo é que um dia o encontraremos de novo. Ele estará feliz e ansioso para nos ver. Mas, enquanto esse dia não chega, tenho certeza de que o seu desejo é que vivêssemos bem, com a alegria que ele nos mostrou.
Espero que essas palavras encontrem paridade com o sorriso dele, mas sei que as palavras nunca serão suficientes para substituí-lo. Por isso, a melhor forma de viver neste momento é entender que a sua vida foi uma dádiva e que as nossas, por causa dele, foram privilegiadas.
Sobre este texto: não é o melhor que já escrevi, até porque nunca pensei em escrever sobre a sua despedida. Nunca pensei, porque só o amor nos faz acreditar que certas pessoas são imortais.
Eu não vou te levar no coração, eu vou te levar na alma.
Vou te levar no olhar, vou te levar naquela roupa bonita que você tanto gostava de olhar.
Mas eu vou te levar, porque o coração é um órgão simples sem você lá.
Então eu vou te levar e te lembrar em cada poesia de rosas que eu recitar e escutar.
Eu vou te levar, te esperando ansiosamente lá, lá onde eu me apaixonei por você pela primeira vez.
Lá, quando retornarmos para casa, eu vou poder me expressar,
e assim você me verá sem a maldade e as limitações do mundo.
E assim, assim eu estarei lá, no nosso primeiro altar, te esperando entrar,
para então poder me derramar
e compensar uma vida inteira de ansiedade
só para te amar de verdade de onde viemos, lá
na eternidade.
Que o importante vai acontecer
De qualquer jeito é eu e você
Difícil mesmo vai ser explicar pra alguém
Que ficaremos bem
"A arte da cultura, nos versos que o tempo não apaga,
vivem Mestres e Mestras raízes,
mãos que moldam a arte da palavra, da dança e dos saberes,
guardiões da cultura popular, tradição espelho de um povo feliz,
donos desses países.
Entre os ritos e os cânticos, tece saberes que os livros não trazem,
é oralidade pura desse chão."
— (Mestre Malaquias da Viola)
REFLEXÃO
“O amor não termina no grito, mas na ausência, no tratamento raso, no descaso e na falta de cuidado. Não se desfaz na discussão, e sim na falta de compreensão, empatia e respeito, mas na indiferença. Quando dois corações já não se procuram no silêncio, não sentem mais saudades e não se declaram em palavras sentimentos de AMOR, é porque a desconexão chegou antes da despedida.
O triste é que, em alguns casos, não existiu tempo de dizer ADEUS.”
(Mestre Malaquias da Viola)
"Tem gente que só vai acreditar no mundo espiritual ou levá-lo a sério depois que morrer."
- Anderson Silva
Encontre tempo para as coisas que te fazem lembrar o quanto é bom estar vivo.
Eu estou aprendendo isso.
A desacelerar.
A agradecer mais.
A valorizar o simples.
Porque no fim… são esses pequenos momentos que salvam o dia...
Tanta gente confundindo José Maria com Maria José que, se elas encontrarem a Paz de Espírito na rua, é capaz de pedir desculpas e dizer que estão esperando o Espírito da Paz...
--- Risomar Sírley da Silva ---
O céu e a chama
Havia um céu claro, inteiro,
um azul de infância, sem mágoa,
um tempo certo, verdadeiro,
que a chuva vinha quando era água.
Surgiu uma espessa fumaça,
nascida do metal e da pressa,
que tingiu o azul de desgraça,
e a chuva em ácido desce em praga.
Corrói a folha, a colheita,
ferve os rios, apaga o orvalho,
um verão que nunca aceita
o outono, nem seu trabalho.
E quando a última nuvem se esvai,
nem o azul nem a água voltarão...
Esse céu é o pacto que fizemos.
Aquela fumaça, a nossa ambição.
Aos pés da jaqueira pedi perdão.
Naquele momento senti a magia; a ancestralidade ali surgia,
diante de uma lágrima que na minha face escorria.
Olhei para o céu e uma voz sombria dizia:
— Levanta a cabeça, meu filho, chegará o grande dia.
Fiz a minha saudação, três nomes na mente surgiam:
Mepere, Bokolo e Iyá Bambá.
Inocentemente, foram louvadas nesse dia.
Novamente a voz sombria surgia:
— Siga em frente e acredite, chegará o seu grande dia.
"Na sombra de ninguém devemos viver;
Na própria sombra não devemos ficar;
Faça-se a luz;
Que ilumine a escuridão;
Caminhemos agora;
Rumo a liberdade;
Fugindo da solidão!"
"Bananeira! Bananeira!
Vê se pode me ajudar;
Quando for dar um cacho;
Por favor me avisar;
Pois assim terei um tempo;
De poder te amparar;
Evitando a tua queda;
E os frutos estragar;
Bananeira! Bananeira!
Não esquece de avisar!"
"Coqueiro! Coqueirinho!
Eu não sei o que dizer;
Você foi tão legal;
Em me favorecer;
Deu um cacho de coquinhos;
E pediu para eu comer;
A satisfação foi tão grande;
Que só tenho a agradecer;
Pois coqueiro que nem tu;
Jamais vou esquecer!"
“Para Vencer deve-se;
Improvisar o que precisa;
Adaptar a sua necessidade;
E superar a sua própria realidade”
Nos dias de hoje, sentir-se desejado não é algo difícil. Mas, para alguns, quando esse desejo parte da pessoa amada, ele tem um valor inestimável.
Talvez eu seja ingênuo, mas por que haveria de existir fetiche maior do que ser amado?
Garanto que qualquer um que tenha provado disso jamais se contentará com desejos superficiais.
Às vezes a gente passa tanto tempo procurando…
que esquece de agradecer pelo que já tem.
A vida tem dessas:
quando a gente para um pouco, percebe que muitos dos nossos pedidos já viraram realidade.
"Água! Água! Água!
Quão importante tu és;
De valor infinito;
Mas infinita não é;
Por isso cautela;
No uso dela;
Pois se ela acabar;
Vamos ter que gritar;
Pedindo socorro;
Para alguém ajudar;
Porque sem ajuda;
Nós vamos secar!
Água! Água! Água!"
