Poemas quando eu me Amei de Verdade
"O poeta é um fingidor".
Mente tão decentemente
Que parece que não mente
Quando fala de amor.
Os que escutam sua fala
Na vida passam a pensar
Que o que de fato vale
É a ilusão de amar.
Como se possível fosse
Entender falsa razão
Daquele que ama e mente
Que pensa que finge e sente
Que engana o coração
A SAUDADE
A saudade mata a gente
A saudade não tem dó
A saudade fica sempre
Quando a gente anda só
A saudade é indigente
Que não tem onde morar
É insônia persistente
Na cama de quem sonhar
Que a saudade é boa gente
Que serve pra recordar.
A saudade é inocente
Não conhece a dimensão
Não sabe o peso dos pés
Nem o alcance da mão
Não sabe por onde anda
Na estrada do coração ❤️
A saudade é displicente
E volta quando bem quer
Em hora que não se espera
Em dia que não se quer.
A saudade é soberana
E nos trata a ponta-pé
Quando se abre o labirinto do pensamento
e o homem a contento toma posse da razão...
É difícil encontrar duas coisas
que façam sentido
Em busca do paraíso perdido, nesse
emaranhado de contradição...
Vida humana, insana, sem gana
e sem grana...o que será de nós,
meu irmão...?
"Quando dois polos se aquecem e se inflamam, em rota de colisão, qual é a medida
sábia se tomar?
Ser neutro seria a solução?"
(...)A luz do entendimento se acendeu depois que o espírito da consciência se materializou, quando o verbo se fez letra e a letra palavra, então a palavra se fez discurso, e o discurso registrou eventos, ideias, sonhos e lendas. (...)
do livro O segredo da boa comunicação.
nas melhores lojas do ramo
Quando fores a uma exposição
ou galeria de arte, não toques em nada
o divino está na contemplação.
A beleza deve ser sempre preservada da posse
tuas mãos não foram feitas pra pensar
usa a mente, o êxtase do encanto
reside em contemplar.
Não confundas a arte com mulheres
que se usa as mãos para tocar.
Veja a arte como flor imarcescível
nuncas sabes que matéria ele usou criar.
Quando bate o cansaço
é hora de girar a chave
mudar de rumo
se livrar do entrave
buscar notra fonte
o néctar da vida breve
soltar carga e o peso
do fardo que outrora
foi doce e leve.
OLHAR DE RESSACA
Você nem disfarça
que gosta de mim
deixa-me sem graça
quando olha-me assim.
Nem me pede desculpas
quando esbarra comigo
não sei mais ao certo
se sou seu amigo.
Não posso pensar
já não tenho noção
de até onde é que vai
essa doce ilusão.
Seu olhar de ressaca
é um copo espumante
me atrai ao um abismo,
com suspiro de amante.
O teu olhar de onça faminta
impede que eu minta
que eu negue o que sinto
que sou um leão
que ruge faminto
morrendo de fome
quando o teu olhar
de mar arrebata-me
me consome.
Não tenha medo
quando tudo fica escuro
a noite esconde o sol
por isso não vemos
o horizonte atrás do muro
mas busque na memória
o amanhã que deseja tanto,
ele te espera radiante
pra te manter vivo e seguro.
Poesia acústica
"Quando pisquei
já era noite
Os planos feitos
Foram defeitos
De sonho vão
Não foram eleitos
Perderam a força
Quebraram as cordas
Do coração."
O que temos de fazer
Quando tudo está perfeito
Levantar as mãos pro alto
E ao pai agradecer.
Senhor, não sei o que dizer
Pois quantas vezes neguei
Tua existência, por medo
Do teu julgamento
Fiquei irritado, procurando
Culpado, sem paz
sem Paciência.
Hoje compreendi, que quando me diz não,
é pro meu próprio bem, pra minha salvação.
Não tenho resposta pra muita
Coisa, coisas simples como o engenho da chuva que rega e faz crescer o trigo que faz o pão.
Por isso resolvi calar diante do espanto
que me causa a natureza.
Devo aguardar em silêncio
A tua decisão, pois só tú
Tens o poder, a justiça, a fonte
De toda sabedoria e beleza.
Evan do Carmo
O amor em ação é uma força sem igual,
Que faz a diferença na vida de alguém.
Quando confiamos, o resultado é surpreendente,
E as pessoas são capazes de superar qualquer desafio.
Acreditamos que podemos fazer a diferença,
Com um coração aberto e compaixão sincera.
Os excluídos são aqueles que precisam da nossa ajuda,
E podemos escolher ser um canal do amor em suas vidas.
Veja além das aparências e julgamentos,
E sinta a dor dos outros como se fosse sua.
O poder do amor em ação é incomparável,
E pode transformar todo o universo ao nosso redor.
Se você acredita no poder do bem,
E está disposto a se esforçar para ajudar,
Nunca deixe de fazer o bem,
Pois somente assim teremos um mundo melhor.
Quando o verbo em mim calar
cessará todo o julgamento do mundo
a consciência do medo se dissipará
e hão de se fechar todos os abismos
então reinará o imponderável silêncio
sobre o discurso da dúvida
e a verdade terá enfim seu pleno espaço
a luz iluminará sem temor a escuridão
E quando chegar esse momento sagrado
não haverá mais intrigas nem artimanhas
o amor enfim será o nosso guia
e a paz reinará nas almas mais danificadas
Então minha alma poderá voar livremente
sem medo de ser julgada ou incompreendida
e o coração feliz baterá em plena harmonia
numa eterna sinfonia de amor e vida.
A musa que canta
Quando ela canta o mundo se encanta
Se veste de beleza o abismo do silêncio
Enquanto ela canta, sozinho eu penso,
Ela se apaixona pela música
E faz amor com ela
E os tons perfeito que saem do seu peito Suavizam o mundo tão cheio de dor.
Eu, poeta amador, não descrevo direito
O que escuto, o que ora vejo
nesta musa imortal
A canção se envaidece, e a plateia
Adormece, o céu vem ao chão
Lhe prestar homenagem.
E até Deus duvida que ela seja real
Pois quem canta assim
Dominou o segredo,
que os têm os mortais
Sabe o meio e o fim
Da celeste razão
De que somos iguais
Não abro mão da minha solidão
Quando sou vazio metafísico
No silencioso abismo de mim
Onde criou o imponderável.
Neste instante glorioso em que "sou"
Longe do mundo e das pessoas
Eu tomo meu café amargo
E me solto das amarras dos homens
Tudo é infinito e intocável
Para tudo além de mim
Sou natureza e instinto
Não importa se sou verdade
O que crio foge às convenções
A arte de viver é ser livre
A arte de morrer é negar
Julgar é tarefa para os mortos.
Enquanto vivo penso, existo
A crença de esperar o amanhã
É fuga e medo de sonhar
Não sou poeta, apenas minto.
SEM TER VOCÊ
Quando o vento da saudade
balançar meu coração,
vou cantar uma canção pra você.
Vem me tirar desse sofrimento,
não aguento este momento
que passa o tempo sem ter você.
O rio no peito está secando,
porque o sol da solidão está queimando.
E o frio da saudade afugenta o meu ser,
não há cobertor que esquente
a vontade de viver.
E o frio da saudade afugenta o meu ser,
não há cobertor que esquente
a vontade de viver.
Canto e Abismo
Me sinto perdido,
arrebatado,
quando escuto tua voz.
O som que de tua boca sai
me guia—
e sempre me lança ao abismo.
Espanto e desespero me perseguem.
O violino,
o mais metafísico dos instrumentos,
ressoa sobre uma base de piano.
Teu canto lírico, suspenso no ar,
é fôlego e esperança.
Caminho sob a sombra
de um passado que não esqueço.
Morro, adormeço,
mas não sonho.
Vivo a realidade cruel do abandono.
Ah, que cão sou eu,
esquecido na noite chuvosa!
Meu destino é árido,
minha cova, rasa.
Não há salvação para quem ama,
nem para quem perdeu
a hora da partida
e o encanto da chegada.
Ah,
minha triste figura,
minha desventura,
minha sorte desalmada.
Quando Deus Se Chamava Lear
Disse-se outrora que houve um rei cujo nome não era nome, mas sentença. Chamavam-no Lear — embora esse som não bastasse para contê-lo. Não era homem, nem rei apenas: era a imagem que o mundo fazia de Deus em ruína.
Governou por anos uma terra que se curvava ao gesto de sua mão. Mas, como todo soberano que envelhece, quis dividir o poder antes que a terra o dividisse a ele. Três filhas. Três mundos. Pediu amor, mas em voz alta. Pediu afeto, mas diante da corte. Queria ternura, mas com pompa. Queria certeza — o que só os deuses buscam quando estão à beira da dúvida.
As duas primeiras disseram o que ele queria ouvir. A terceira, não disse.
E foi expulsa.
Desde então, Lear vagou por campos de vento e neblina, coroado apenas pela ausência. Aos poucos, descobriu que a coroa que pesava sobre sua fronte não era de ouro — era o silêncio.
Chorou pela primeira vez numa noite sem estrelas, onde os trovões respondiam às suas perguntas com risos. Gritou aos céus: “Sou mais pecador ou mais punido?”. O céu não respondeu.
Mas ali — no barro, na lama, no desabrigo — nasceu algo que jamais possuíra no trono: visão.
Não dos olhos, que já falhavam. Mas da alma.
Viu o mendigo e o bobo. Viu o traidor. Viu a filha fiel, que nada dissera porque tudo sentia. Viu o tempo, que não se dobra à vontade dos reis. Viu Deus, talvez — mas hesitante, escondido sob o capuz de um louco.
Quando enfim morreu, ninguém soube. Nem sinos dobraram, nem anais registraram o fim do reinado.
Mas alguns dizem que, em certos dias de tempestade, uma voz ainda ecoa pelas montanhas:
“A arte é o consolo no abismo onde o próprio Deus hesita.”
E nesse eco, dizem, está Lear — não mais rei, não mais homem,
mas lembrança.
Quando quiseres me levar, irei sorrindo.
Quando me achares digno daquele banquete onde serei o prato suculento dos vermes, fique à vontade.
Sei que poeta não deve demorar muito por aqui.
Quanto a essa ilusão que puseste no coração do homem, de ser eterno, fica no vácuo, como hiato cósmico.
Como palavra muda, impronunciável.
Que nós, por confusão mental, criamos em delírio: eternidade.
