Poemas quando eu me Amei de Verdade
O Brasil inventou a categoria do OBVIOSCENO: aquilo que, justamente por ser óbvio, é proibido como obsceno.
Fui instantaneamente acordada pelo pesadelo criado pelos meus demônios, amedrontada por não poder evitá-los como sempre fiz. E me é cada vez mais instigante o fato de que a cada dia mais eles se assemelham com minha realidade. Antes fossem deveras irreais, visto que de alguma forma minha consciência me diria tranquila que tudo não passara do que os estudiosos chamam de: resto de informação. Sim, todos esses sonhos devem ter fundamento nas minhas mais humilhantes covardias, como se o meu medo atraísse todo o mal que me aguarda ansiosamente. Meu inferno pessoal já sente tanto a minha falta que me persegue antes que houvesse chegado o meu dia, tratando-me já como posse - um brinquedo - por não ter suposto pra minha alma um destino melhor merecido. Assim se fazem meus momentos, torturantes e regados a sorrisos sombrios encobrindo um coração nostálgico e cansado de doer. Quero contar que cada batimento assemelha-se a uma mão áspera que o truxida árduamente, incessantemente, como demonstrando o quão prazeroso é me ver desfalecendo. A sede que um dia sentí pela vida foi se esvaindo tanto quanto não me resta mais desejo de imaginar futuros, nem de me incluir nos planos das pessoas mais próximas. Nem meus mais afetos são capazes de enchergar nas entrelinhas que algo me deixara doente. Mas, seria o choro mais profundo da alma uma doença? Ou o reflexo de que o viver é cansativo demais para quem tem um espírito anêmico e marcado pelas mordidas dilaceradas e com cicatrizes profundas causadas pelos sanguessugas da hipocrisia, da hegemonia posuda e mentirosa, das leis que afligem o pobre e enaltecem o rico. Sinto que até minha fuga do assunto como ele é, vem como uma explicação enigmática pra quem me escuta. Só quem lê com a alma é capaz de entender o que meus demônios me fazem. Tenho saudades do tempo em que sabia dominar ao menos meus pensamentos e minha vida.
Estudar muita matemática desenvolve tremendamente a capacidade de raciocinar sobre o que não existe.
Tenho medo de respostas apressadas. Elas dizem sem dizer. É sábio experimentar o silêncio do ainda não dito antes de revesti-lo de palavras.
Os prazeres de se depender de alguém empalidecem perto dos medos paralisantes que essa dependência envolve.
A pior decepção vem de quem pensamos nunca decepcionar, sempre amar e cultivar. A vida muda a cada instante, e dela coisas ruins são feitas. Decepções são criadas, choros são evitados. Cabeças são torturadas, mentes alienadas. Criamos veneno sem saber que temos, cometemos erros sem saber que existem. Nos perdemos em nosso próprio mundo, mesmo sendo apenas nosso. Voltamos atrás de decisões criticas, e erros podem ser fatais.
Shakspeare, em sua obra "hamlet", perguntou se em primeira instância: ser ou não ser? Eis a questão! Diria então a Shakespeare, que prefiro não ser, prefiro apenas estar, e neste estado me fazer independe do sentido. Então estou, mas não sou, nem nunca serei.
Aos onze anos, todo mundo sabe como consertar o mundo. Aos setenta, você olha para trás e vê que não conseguiu consertar nem mesmo o menor dos seus próprios defeitos.
A máscara que reveste vários não é falsidade ou desonestidade. Muitas vezes é apenas uma armadura que encobre os medos e fraquezas de uma alma confusa e só.
Não há nada eterno neste mundo; nada, nada. As mais profundas paixões morrem com o tempo.
As crianças ricas brincam nos jardins com seus brinquedos prediletos. E as crianças pobres acompanham as mães a pedirem esmolas pelas ruas. Que desigualdades tragicas e que brincadeira do destino.
Quer ser feliz? Observe as crianças. Elas não lamentam o passado e não se preocupam com o futuro. Elas simplesmente aproveitam o presente com tudo que ele oferece. Se dói, choram. Se é bom, distribuem gargalhadas contagiantes. Simples assim. Liberam seus sentimentos e vivem.
Todo mundo nos envia de volta um sentido diferente de nós mesmos, para nos tornarmos um pouco do que eles acham que nós somos.
A história de amor mais inocente começa com um olhar, passa ao sorriso, chega ao aperto de mãos às escondidas e acaba com um beijo e um sim.
Sempre ouvimos dizer que não se deve ter vontade de voltar no tempo, de se arrepender de nada que passou. Enfim, de um passado não tão distante, mas que marcou e deixou saudades (e bota saudades nisso). Rimos, brincamos, brigamos, choramos e fomos amigas, crescemos juntas em meio a tantas idas e vindas. Hoje, mais uma vez distantes uma da outra, só nos restou lembrar e desejar que essa amizade do passado continue no presente e no futuro, e que a distância que sempre ousou nos afastar fisicamente, não seja problema! Guardo no coração sua amizade e que seja eterna até depois dessa vida! Que saudade ingrata!
