Poemas quando eu me Amei de Verdade
Os Olhos Da Noite
A noite me consome
Como o vicio e o cigarro
Eu me perco nessa fome
Preso dentro do carro
A noite me paralisa
E só o medo parece fazer sentido
A vida parece tão curta e mais lisa
E meu coração tão duro e partido
Os olhos da noite me cega
E também me apavora
Quando a menina chora
E o menino escorrega
Os olhos da noite me contam
Segredos que a vida te esconde
E as coisas que elas aprontam
Só o breu da noite responde.
Eterna Paixão
Pelo sim,
Pelo não
Estou com você
E não abro mão
Haja o que houver
Eu posso até sofrer
Mas guardarei Você
No meu coração
Como quem guarda
No jarro uma flor
E mesmo que o espinho
Te causa alguma dor
ela sempre serar
A sua eterna paixão
E há sempre a espera
De um novo botão
Que brote o amor
A ternura e o perdão
E que sirva de alimento
A toda e qualquer ilusão
Desde a alma de um pecador
Até a calma de um pescador
Quando o breu da noite chegar
E o brilho do sol acordar
Menina, moça e rapaz
Tão cedo irão despertar
O sorriso é um enorme portão
Que brilha em faísca na multidão
O amor é a chave
Para abrir qualquer porta
Em todo sentido
Em qualquer direção.
Presságio
Eu vejo braços no ar
Defendendo a nação
Eu ouço desatinos
E me ponho a chorar
Pois conheço o destino
De toda essa gente
Que insiste segurar o rojão
E conter a enchente
Obedecendo o coração
Pra poder se libertar
Eu vejo uma multidão a caminhar
Intensamente na mesma direção
E sinto que a luta
Ainda demora acabar
Enquanto não se falar em amar
E em ter compaixão
Eu vejo abraços
Travados com a luta
Por isso há uma luz
Lá no fim do túnel
Acendendo um sorriso
Que ainda reluz
Mostrando que esse
É o fim da labuta.
Grilos
Hoje eu acordei assustado
Com grilos no meu blusão
Hoje eu paguei meus pecados
Com grilos até no colchão
Tinha grilos em todo lugar
No quarto,na cozinha
No banheiro e na sala de estar
Alguns já em pé no portão
Esperando a sua vez de entrar
Tinha grilos até no telhado
Todo atrevido e molhado
Parecia que saiu do banho
Ou talvez do fundo do mar
Tinha grilos até na torneira
E quando se abria
Parecia cachoeira
Era tanto grilo pra lá,
E tanto grilo pra cá
Como se fosse uma cordilheira
E quanto mais se subia
Menos parecia acabar
Tinha grilos pra todos os lados
E grilos de todos os modos
Pois enquanto alguns
Se agasalhava no cobertor
Alguns passeavam no corredor
E outros refrescavam na geladeira.
Simplicidade
Eu preciso de tão pouco pra viver
Só uma vida com bons amigos
E água pra tomar banho e beber
Um sorriso eu preciso também
Mas que ele seja sincero
Pra mim não ter que esconder
A simplicidade é o que me faz feliz
E a felicidade me mantém de pé
A tristeza está por um triz
Pois sempre que ela chega perto
Eu mando ela ir embora
E pra bem longe eu faço correr.
Hoje, queria apenas não ser eu.
Nem que seja ao menos um minuto.
Não sentir todo o peso que trago guardado no peito, que me dilacera a alma.
Dormir e não mais acordar,
te encontrar nos meus sonhos,
com aquele sorriso lindo,
com todo aquele brilho nos olhos,
como se fosse a primeira vez.
Hoje eu estou me reconciliando comigo Mesmo.
Hoje estou encerando mais um ciclo, terminando a travessia de mais um precipício de minh'alma, liberando alguns apegos que adquiri sem necessidade.
Hoje comecei a entrar nos labirintos do meu interior em busca do Eu verdadeiro , em.busca da fagulha divina em mim, que se encontra nos caminhos da verdade.
Toque de luz (27/06/2016 )
25 de Julho.
Gasto mais tempo lendo textos do que vendo imagens.
Não porque não goste.
Eu gosto muito.
Na verdade, aprecio belas fotografias e até me arrisco. Admiro os fotógrafos.
E quem nunca se "instagrameou"?
Quem nunca registrou uma bela paisagem ou tirou uma boa foto de si?
É algo tão natural quanto a luz do dia.
É fantástico isso, brincar de fotografia.
Mas um bom texto tira os pés da gente do chão. Provoca aquela inquietação que se mistura ao fascínio. Provoca a ânsia de saber o porvir, a cada palavra, a cada parágrafo, cada capítulo.
As imagens dizem o que querem dizer.
São pontuais.
As imagens dizem muito e às vezes não dizem nada, fica o dito pelo não dito.
Os textos não, eles precisam de você, precisam da sua visão de mundo, precisam que você converse com eles.
Os textos são gentis, chega um determinado momento que eles saem de cena pra que você construa.
E mesmo depois do fim, do último ponto final, eles continuam a registrar. Sem pausas. Sem interrupções. Sem quebra. Silenciosamente. Não no escrito, não no impresso. Não mais no papel, agora, dentro de você.
Justamente esta capacidade de registrar o hiato, a pausa entre o dizer e o não dizer, é que eles tiram a gente do eixo e nos transportam pra lá.
Os textos são fantásticos.
Os textos nos inspiram.
E viva à palavra escrita!
Aos que que as eternizam com caneta e papel.
Seja quem for.
Um famoso ou um aninônimo.
Quem tem cabelos brancos ou quem não sabe nada da vida.
Viva à você, brasileiro, que escreve sua história todo dia, em crise, sem perder o sorriso e esse brilho no rosto.
Todos nós temos um "quê" de Escritor, pois escrevemos a nossa própria história, diariamente.
JOELHO DE PORCO COM CHUCRUTE
Aqui em casa eu mesmo queimo a lata - faço meus cozidos.
Mas, sabe como é... às vezes enjoa; então, estava mesmo determinado a comer um trem, lá na região central de Belo Horizonte.
Lugar escolhido, dia chegado... lá estava eu.
Sem olhar o cardápio porque a fome era muita, fui logo pedindo por gentileza ao garçom, que trouxesse-me uma porção de joelho de porco com chucrute.
Optei por aquele prato, mais por achar o nome do mesmo, sugestivo,diferente; e não por saber do seu verdadeiro conteúdo.
Não havia consultado previamente sobre o assunto...
Qual foi a minha surpresa?! Aquilo não era uma comida da culinária mineira,propriamente dita, como eu achava.
Nada mais era do que pé de porco com batata inglesa, acompanhado com uma iguaria de repolho picado,fininho, fermentado no vinho branco.
Trem de alemão. De mineiro não era. Comi aquilo pra não fazer desfeita... não achei grandes coisas!
Antes, tivesse degustado um franguinho com angu,quiabo e couve rasgada, aqui de Minas e do Brasil.
Teria sido mais interessante,mais nutritivo e mais em conta.
Não teria jogado meu dinheirinho fora; nem teria elevado o meu colesterol, já alto, à níveis ainda mais preocupante.
02.07.16
Entre um casal, um Eu Te Amo pode deixar o dia ou uma noite mais alegre...
Pena que nem todos sabem disso...
Utopia
Eu vi tudo escuro
E o mundo todo rodar
Escondi atrás do muro
Pra o meu sonho ninguém lapidar
Eu vi que a estrada era torta
Mais insistir em querer chegar lá
Correndo dos infortúnio
E me escondendo atrás da porta
E quando invadiram o meu quintal
Só levaram as rosas do jardim
E as pequenas flores de jasmim
Só deixaram as roupas do varal
E as pequenas celamim
Um roseiral inteiro balançou
Pois nunca tinha visto nada igual
Tentaram levar os nossos sonhos
Mas eles andam sempre
Tão bem guardados
Aqui presos dentro de nós
Já tão concebível e quase real
Pois um sonho,
É sempre indestrutível
E tão incapaz de alguém roubar
Ou fazer virar pó.
Retrato
Eu te vi da janela
Com um olhar flutuante
Estava sempre tão bela
Mas de mim tão distante
Eu te vi muito além
Correr entre o céu e a terra
E como um arco-íris
Lá no pé da serra
Eu vi o seu olhar
No meu olho também
E quando a brisa se levantou
Eu vi paixão correr pro terreiro
Com passos tão apressados
De quem quer ser o primeiro
Eu vi que a emoção
Ali também dançou
Como jamais ninguém
Ousou dançar
E quando o coração
Se abriu
O amor se libertou
E a menina sorriu.
O QUE SER?
Os rótulos não dizem quem eu sou
Quem eu sou diz quem eu poderia ser
Evidentemente não sou
Tudo aquilo que poderia ser.
Mas ser alguém é uma agressão
Ser ninguém é uma lástima
Quer que eu seja tu, o bobão?
Desculpa, prefiro ser uma lágrima.
Mas hoje, só quero ser meu
Quero ser o ser que sabe voar
Quero ser eu
Pelo menos até eu mudar.
EU VI DEUS...
Deus estava na flor, na bioindústria natural,
no inseto polinizador...
Na força do operário;
No mel da abelha, na matéria prima...
Na água da fonte,no rio a correr,
na centelha que ilumina,
o meu viver.
Vi Deus na estrela d'alva, na Natureza;
na união da família, na fé, e no café da manhã,
em volta da mesa.
O vi, no templo: no sermão do pregador,
na oração e no louvor... E, no evento da dor, estava no cântico dolente da despedida...
Vi Deus arrependido, desolado, chorando,
por ter dado tanta autonomia ao homem;
Inclusive, para pecar (desobedecê-lo).
Mas, vi um Deus alegre sorridente: onde numa grande festa, Ele, de braços abertos, recepcionava um povo de vestes brancas... Iluminado pelo perdão!
12.07.16
Tempo
Assim como passam as horas
O meu tempo eu também invento
Você eu quero é agora
E cada segundo
Eu há de fazer
Ele passar mais lento
Assim como passam as horas
Eu amarro também as cordas
Pra que o tempo ele nunca passa
Quando você do meu lado acordar
E pra nunca querer ir embora
Por isso eu faço
O meu tempo
Pra que ele não voa
Como os meus pensamentos
Tempo eu faço pra tudo
Pra tomar banho na lagoa
E curar alguns sentimentos
Pra beber a água da chuva
E conter as mágoas
Daqueles mendigos na rua
Sempre a padecer
Parado e calado na curva
Tempo eu faço pra você
Que chora de barriga cheia
Um dia vai faltar
Quem vem pra te ver
E vai perceber que aquela amizade
Era mais que uma ceia
Pois mesmo regada
A uma mesa farta
A beleza não vinha do pão
E sim da certeza
De uma sã e sincera união.
Brasileiro
Já que a vida ta ai pra viver
E cá no Brasil eu cair pra sofrer
Que façam valer
Esse meu único direito
Enquanto é direito por aqui se viver
Já que eu corrir
E não posso alcançar
Que façam valer
Esse meu único direito
Enquanto é direito
Por aqui se acabar
Se isso é a minha sorte
Qual serar a minha sina?
Serar a morte
Em meio a uma chacina?
Ou um corte na veia
Como se fosse vacina?
Já que a vida ta ai pra viver
E cá no Brasil eu cair pra morrer
Que façam valer
Esse meu único direito
Enquanto é direito
Por aqui padecer
Enquanto em mim
Ainda existir um peito
Que sirva de álibi ao país
Quando tudo perder o respeito
E ser arrancado pela raiz
Mesmo que o rosto
Alguém pinta com giz
O que fará esse moço
Com essa cicatriz
Novela ele já não assiste mais
Com vergonha
Daquela atriz
Na mesa já não senta pra almoço
E esconde até as suas digitais
Com vergonha do que passou
E com medo do que vem depois
Pois quando quebraram
Os seus cristais
Quebraram também
Os sonhos de nós dois
E nem ilusão aqui mais restou.
A Minha Voz No Vento
Eu solto a minha voz no vento
E deixo ela ser levada pra longe
Pra que ela vá de encontro
Ao teu sofrimento
Isolados em terra de monge
Eu solto a minha voz no vento
Como quem solta por ai
Algum pensamento
Na ponta da lingua
Um amor ciumento
E de tanto ser assim
Muitas vezes até cai
Só não morre a míngua
Porque tem documento
E o amor não é assim
Um ser lazarento
Quando eu solto
A minha voz no vento
É como quem dar mil saltos
E perde a noção do tempo
Na pressa eu já calço
Os sapatos
Pra dar chute na cara
De alguns ratos
Quando insistirem
No meu encalço
E se mesmo assim
Eles resistirem
No seu pescoço
Eu faço um laço
Depois amarro e dou um nó
E faço isso com um cadarço
Pois quando eu solto
A minha voz no vento
Eu também me revolto
E brigo pelo movimento
Mas se tu é meu amigo
E tem sentimento
Eu te dou o meu abraço
Pra que faça dele o teu abrigo.
Cabaré
Eu sentir um cheiro de cigarro
E vinha lá do cabaré
Ouvir também um escarro
E era de homem e mulher
Eu vi o seu fogo aceso
E era tanta fumaça
Que parecia uma chaminé
A sua boca parecia um vulcão
E o seu corpo derrubava
Como um furacão
Você era um perigo
A que se guardava
Um certo abrigo
Á sua perdição
Se ver uma mulher de capuz
E uma argola na orelha
Faça logo o teu sinal da cruz
E corra do mel dessa abelha
Se ela fala demais
Tape logo os seus ouvidos
E também as suas orelhas
Seja muito prevenido
E esconde até
As suas sobrancelhas
O cabaré é um canivete
Lugar onde se enfeitiça
E sai muito pivete
A mulher mascla sua língua
E o seu bolso também
Tudo isso ela faz
Sempre por um vintém
Como quem mascla um chiclete
E deixa morrer á mingua
O caberá é a navalha
E a mulher é a bebida
Chega o homem canalha
E a trata como mulher da vida
Ali corre sangue
E mesmo assim a mulher convida
Sempre em gangue
E quase não tem despedida
De corpo, alma e mente despida
Já quase enlouquecida
Não dispensa nem a gângster
E ainda banca a ensandecida
Á querer sempre mais
E nunca estar agradecida.
O Canto Da Sereia
Os meus passos
Eu deixo na areia
Pra que homens devassos
Não roubem o canto da sereia
Pois a minha presença
A eles faz pirraça
E quando eles caiem na cachaça
Assinam logo a sua sentença
Os meus passos
Se apagam com o vento
Mas não há tempo que apaga
Cada passo do meu sentimento
Pois a minha marca
Eu deixo no chão
Mas tudo que eu sinto
É guardado no coração
Os meus passos
Eu deixo no ar
Quando eu soubo
Em cima da árvore
E o vento me joga no mar
E quando eu piso
Na pedra de mármore
Eu vejo o mundo rodar
E todo que é riso mudar de lugar
Eu me rasgo na cerca de arame
Pois sou mais liso do que sabão
E quando eu soubo nesse tatame
Sempre me jogam de cara no chão.
O Frio Da Noite
Deixa eu tocar o meu tambor
Pra encantar o amor
E espantar essa dor
Que bole e remexe por dentro
Acompanhando
O tic, tac do despertador
Deixa eu tocar o meu tambor
Nessa noite fria
De coração gelado
Quero fazer do seu corpo
O meu cobertor
Como se a gente fosse namorado
Deixa eu tocar o meu tambor
Olhando dentro dos seus olhos
Pra te mostrar a batalha
Travada por um sofredor
De mão, braço
E perna amarrada
Congelado no breu
E no frio da madrugada.
