Poemas Procurando um Amor

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A biologia do amor


Olhamos para as relações modernas como quem olha para o guarda-roupa. Diante do primeiro sinal de desgaste, de um fio puxado ou de uma costura que cedeu, a resposta imediata tem sido o descarte. Trata-se o amor como matéria inanimada, uma peça de vestuário que se usa até gastar e, depois, joga-se fora para abrir espaço para a próxima novidade.
Mas o casamento não é feito de tecido.
O casamento é como uma célula que pode ser restaurada por tempo indeterminado. Ele é um organismo vivo, dinâmico, dotado de uma biologia própria. Onde muitos enxergam o fim pelo desgaste, quem compreende a natureza do laço enxerga a necessidade de regeneração. Uma célula não se joga fora quando adoece; ela se nutre, se adapta e se reconstrói do zero se receber os estímulos certos.
Em um mundo que escolheu a facilidade do descarte, insistir na restauração contínua dessa célula é o verdadeiro ato de coragem e amor.
— Kathleen Soares

...uma relação de amor
nem sempre é fruto de simples
escolha - amor é percepção, é atração,
um resvalo de pele, o encanto
da diferença - afinal, somos desiguais,
embora, não em essência;
por vezes, amamos, mesmo
divergindo!

... a Filosofia,
originária na Grécia Antiga,
significa 'amor à sabedoria'...
Servindo como ferramenta medular
de quem busca incessantemente o
conhecimento - não de quem
diz já possuí-lo!

... o amor-próprio,
quando desprovido de qualquer
traço de egoísmo e vaidade, transforma-se
na fonte primeira de toda consistência
e plenitude do amor ao
próximo!

O amor me encontrou na arquitetura,
Não era em casa, nem em estrutura.

Era no traço, no vão, no desenho,
No teu olhar que virou meu acenho.

Estendeste pra mim um tapete vermelho,
Não de luxo, mas de espelho,
Onde cada passo era um reencontro,
Dois destinos num mesmo ponto.

E nos encontros que a vida traça,
Vi que amar também é praça,
É projeto, é planta, é alicerce,
É o que fica, é o que permanece.

A Luz que Pregam


Pregam a luz,
mas vivem na escuridão.
Falam de amor,
mas carregam julgamento no coração.


Pronunciam o nome de Deus
como quem conhece a verdade,
mas esquecem que nenhuma fé
deveria caminhar ao lado da crueldade.


Estendem a mão em público,
sorriem como se fossem abrigo,
mas, quando encontram alguém diferente,
transformam o abraço em perigo.


Pregam aceitação,
mas escolhem quem merece pertencer.
Falam sobre perdão,
mas não sabem perdoar o que não conseguem entender.


E talvez a maior ironia
seja chamarem de escuridão
aquilo que simplesmente não se parece
com a luz que aprenderam a imitar.


Porque há quem acenda velas,
faça orações e fale de salvação,
mas seja incapaz de oferecer
um pouco de compaixão.


Eu não preciso apontar dedos.
A consciência sabe quem é quem.
Afinal, quem realmente vive na luz
não precisa provar que é luz para ninguém.


Há quem pregue a luz em nome de Deus,
enquanto escolhe viver na escuridão
quando ninguém está olhando.

reamar.


Enterro o que fomos sem negar o que fomos,
deixo o antigo amor repousar sem pesar
há coisas que morrem para que, entre os escombros,
duas mãos diferentes se possam tocar.


Não quero o retorno do mesmo começo,
nem repetir promessas que o tempo desfez
se ela vier, que eu saiba encontrá-la de novo,
como quem conhece e descobre outra vez.


Imagino nós dois numa mesa qualquer,
ela contando alguma coisa e eu distraído,
não pelo que diz, mas pelo jeito de dizer
como se o amor tivesse enfim aprendido


que amar não é saber quem o outro será,
é ter curiosidade de vê-lo mudar.


E talvez, quando a tarde cair sobre nós,
eu perceba, sorrindo, uma coisa singela
não foi o tempo que trouxe de volta a nós,
foi o que aprendemos enquanto faltava ela.


Porque ainda seremos estranhos em certas manhãs,
ainda haverá perguntas que não saberemos fazer
e eu quero justamente essas partes humanas:
descobrir sua nova maneira de ser.


Que ela também me encontre sem me procurar, nas versões antigas que um dia conheceu. Eu não quero que ela volte para o homem de lá, quero que ela conheça o homem que o tempo me deu.


E se algum dia estivermos, sem perceber,
em qualquer canto do mundo, sem nada especial, eu quero olhar para ela e finalmente entender


o nosso amor não voltou.


Ele começou de novo.

Há mais poesias em uma gota de amor do que em todas as palavras já escritas no universo.


A linguagem guia o desejo, mas é pequena demais para expressar a alma.

Paralelo à liberdade
(Mauro 1Evaristo)

É muito mais fácil odiar que amar,
Amor é criança pedir a camisa do Neymar
Ódio é multidão irascível insana
Sujando a história democrática corintiana.

Ódio não existe ou permite razão
Daí todo o que odeia ser sem noção,
O amor é paralelo à liberdade
Só ama quem tem responsabilidade.

Ódio é doentio, divide qualquer nação,
Quem odeia perde o rumo e razão
Ignora causa, fato e efeito,

Quem odeia despreza ter coração,
Mas o Amor engrandece qualquer sujeito,
Quem odeia só vê o reflexo no espelho.

feradapoesia.blogspot.com

Será que um dia terei seu amor?
É tão fútil isso...não saber seus sentimentos
Olhar para você, e o mesmo não retribuir o olhar...
Pode ser coisa da minha cabeça...pelo menos era o que eu queria...


Ao mesmo tempo que pode haver algo que preencha essa ansiedade e curiosidade por uma resposta...De mesmo forma, pode não significar nada...


Sinto o véu frio da névoa envolvendo-se em mim, procurando me dar conforto ou me dar esperança...só que não funciona, não chega nem mesmo perto de ter o calor da esperança...


Óh céus! Como eu queria que você me dissesse algo que me acalorasse e me desse esperança...


Que você retribuisse seu olhar,
Começasse uma conversa comigo, para ambos ouvirmos a voz um do outro..
Que você me enviasse músicas com uma mensagem oculta...
Queria eu que fosse verdade,
Mas, óh céus, por que isso tem de ser tão difícil?


Pode ser tudo ilusão,
No fim não há nada entre nós,
É algo fantasioso da minha mente,
E tenho de aceitar, para que isso não me corroa por dentro...

"Ninguém valoriza ou agradece,
o que consegue sem custo,
o que de graça recebe,
nem amor, nem amizade,
nem flores nem poesia..."

Do pressuposto lógico de que sem reciprocidade nada prospera.

Aqui fala o filósofo, e não a besta quadrada do poeta.

UMA CANÇÃO DE AMOR JAZZ

⁠Eu sei,
Que não é fácil viver,
Sozinho sem um alguém,
Por isso eu amo você.
Pedi ao sol
Pedi à lua
Para encontrar um amor
Um anjo me responder.
No lindo sonho acordei
ouvindo a voz do alguém
a me dizer sorridente
Sou eu,
Que estou aqui com você
Também estava sozinha
E agora tenho o céu...

⁠AMIZADE, O VERDADEIRO AMOR.

Não há outra forma de relação capaz de ser eterna, de perdurar por toda uma vida. Poucos amores conseguiram isso. Nas relação humanas, só a amizade tem provado que é forte o suficiente para suportar as adversidades que são comuns entre pessoas de diferente classes sociais e origem étnica.

Até na literatura, é a amizade que supera os romances, geralmente os romances mais famosos são trágicos ou tratam de um amor impossível.

Mas veja o caso de amizade mais grandioso da literatura universal, e sem dúvida concordará comigo.

Se ainda não leu, com cuidado merecido que devemos ao esta obra, faça-o agora e constate o que digo.

Dom Quixote, a relação de amizade que se eterniza ali tem ressonâncias inimagináveis, quem não deseja um amigo como Sancho Pança?

⁠Cravemos os dentes
na carne um do outro,
em busca do sangue
de um amor já morto.


A fatalidade do acaso
fez do instinto o desejo
e a sobrevivência do querer:
sangrar para existir.


Cravemos os dentes
na boca um do outro,
em busca da saliva
de um beijo roto.

Há acontecimentos na existência que marcam como amor ou paixão avassaladora. E, às vezes, tentamos reescrever essa história — mover o enredo, deslocar o sentimento, transplantar a emoção para outro contexto, outra pessoa, outro encantamento. Mas não funciona.


No universo emocional, certos eventos só acontecem uma vez.
Não é possível reconstruir o que o caos, em sua precisão secreta, nos ofereceu como vivência única.


Há experiências que pertencem a um instante irrepetível, e nenhuma tentativa humana consegue reescrever aquilo que nasceu para acontecer apenas naquele momento — e nunca mais. Evan do Carmo

O AMOR, QUANDO ELE CHEGA


I
O amor, quando ele chega,
altera o tempo e o clima,
transforma a rota do vento,
desloca o eixo da Terra
e o hemisfério se inclina.
II
O amor, quando ele chega,
organiza o caos infindo,
desmantela o imponderável,
rasga as vestes da razão,
e o que antes era utópico,
nas cordas do coração,
desamarra o improvável.
III
O amor, quando ele chega,
desperta o desconhecido,
faz oscilar estações
pra confundir os sentidos.
IV
E, nessa linha de sombra,
respira uma verdade fatal:
o amor, quando ele chega,
nos expõe à vil tragédia
que não raro é seu final.

Quando o amor encontra seu lar, ali permanece, não por inércia, mas por escolha. Ele se acomoda nos gestos mínimos, na repetição dos dias, no reconhecimento silencioso de um no outro. Ficar não é fraqueza, é decisão cotidiana. O amor cria raízes, aprende o ritmo da casa, conhece seus ruídos, suas sombras e suas promessas.


O vento não chega de uma vez. Ele começa como estagnação, como descuido quase imperceptível, como a falsa segurança de que tudo está garantido. É a falta de escuta, a ausência de curiosidade pelo outro, o adiamento constante do cuidado. O vento é o silêncio que se prolonga, a palavra que deixa de ser dita, o toque que vira hábito sem presença.


A casa não cai por ódio, nem por grandes tragédias. Cai porque deixa de ser habitada por dentro. O vento apenas revela o que já estava frágil. O amor não acaba quando o vento sopra; ele se desfaz quando ninguém mais sustenta as paredes.

Um amor impossível.
Uma taça de fel.
Um amargo destino.
Um abrigo no céu.
Um desejo etéreo.
Uma dura sentença.
A ausência do mundo.
Uma vida em vão.
Um poeta.
Uma musa.
Divina ilusão.
Foram dados um ao outro
em tempos diferentes:
um viverá na morte,
o outro na inconsciência.
— Evan do Carmo

Ah, meu amor, vem ficar comigo.
Vem, meu amor, vem correr perigo.
Ah, meu amor, somos mais que amigos.


O mundo é vasto, e a estrada é longa.
E a sorte ronda quem tem coragem.
Me dê sua mão, pulemos juntos
de asa-delta, sem mapa-múndi,
sem rota certa nesta viagem.


Não há campo aberto,
nem fogueira acesa à nossa espera.
Deixemos para trás o sonho e a quimera.


Não temos tempo para fantasias.
A morte vigia todos os mortais.
Nos esconderemos na multidão.
Entre tantos iguais
Comeremos o pão de cada dia.

O AMOR DE UMA MÃE COMEÇA ANTES DA PRIMEIRA LEMBRANÇA


“Um filho pode esquecer o colo que o protegeu, a voz que o acalmou e até as mãos que o ensinaram a caminhar. Ainda assim, haverá nele pedaços de um amor que começou antes que pudesse se lembrar.”


— Primeira Mãe, personagem de Ender: Genesis Protocol


Obra: Ender: Genesis Protocol
Autor: Jonas Saul P. Sodré
@Jonassaul.ofc