Poemas Nao quero dizer Adeus
Cada vez que um calhorda se dá mal ao fim de uma trajetória de maldades não significa, necessariamente, que nos sintamos atendidos pelo viés da vingança, mas tal desfecho nos chega como resposta da lógica cósmica de que o que se planta se colhe. Um histórico de iniquidades, se concluído com êxito, apenas reforça o entendimento de que justiça divina é um engodo e que calhordice compensa.
Afinidade não se impõe, respeito não se força e confiança não se cobra... São sementes deixadas pelo caminho que criam raízes, de modo que as árvores em que se tornaram se mantenham de pé. Ao término da estrada, já se faz inútil olhar para trás e lamentar as que não brotaram.
Longos períodos de empenho não valorizado fazem brotar sentimentos involuntariamente assomados que nos doem abrigar por impelir-nos para decisões que machucam, e suscitam dúvidas sobre seu acerto. Mas o primeiro sucesso que as segue, no entanto, revela-nos que este só se fez possível pela decisão assumida na hora certa, sem a qual estaríamos cada vez mais distantes do resultado que há muito merecíamos.
Quem espalha espinhos ao longo do caminho negligencia um retorno não previsto após perder os sapatos, quando irá descobrir como pode ser doloroso provar do que infringiu aos outros.
O grande problema deste país não é a proporção maior de pessoas de baixo poder aquisitivo, mas as de baixo poder de raciocínio. Interessa, contudo, ao poder – posto que se apresentam como maioria – que uma coisa esteja associada à outra.
Uma meia-verdade pode ser uma mentira inteira, quando se relata apenas a parte que não compromete. Mas a omissão não tem o mesmo caráter, prestando-se muitas vezes a poupar o outro de uma verdade para a qual não se encontra preparado e, nesse caso, não se trata de faltar com a verdade, mas de não impô-la, pois que pode não se traduzir como benefício.
Ainda que aparentemente paradoxal, religião e religiosidade não precisam estar juntas e pode até acontecer, como no meu caso, que o despertar de uma é justamente o fator determinante para nos afastarmos da outra, dependendo da profundidade buscada.
“Vive a vida menina como se não houvesse amanhã... procure a felicidade nas coisas simples e nos momentos singulares... não há felicidade completa, mas também não existe infelicidade eterna... a vida é feita de pequenos momentos e momentos podem ser intensamente vividos e principalmente felizes... “
O meu “estou bem” significa que estou de pé, estou respirando, andando, sentindo, mateando, mas não significa que estou feliz.
— Me faltas tu.
Uma pessoa egoísta e mentirosa não suporta quem é verdadeiro. Os verdadeiros são mais difíceis de enganar.
Quem vive surgindo em cena, exibindo hipocrisia, sonhando aplausos e ansiando ser visto, não aprendeu os detalhes da vida, nem leu o cronograma onde a regra é a diferença e a lição é a superação.
Não tenho tempo para audiências, nem pago o que não devo, por calúnia ou chantagem.
Não faço promessas, prefiro não acumular dívidas de amor.
Encontrar o amor de quem sabe onde está não é tarefa fácil. É melhor contemplar a alma livre e permitir-se descobrir novos horizontes.
O que o leva o ser humano ao precipício não é a falta de oportunidade, a fatores de desejos em direção ao caos.
Não há como saber onde está na vida de alguém. Uma semana, um dia, uma hora ou nunca fez parte. O melhor é observar os detalhes.
Não corra contra o tempo ele está aqui, vá com ele conhecer os horizontes mundos espaços é o mesmo tempo em tempos diferentes, na soma do tempo só o tempo conhece seu tempo.
Nada depende de nós, e por isso, não agendes teu amanhã nem te entregues a planos que o sol do dia ainda não iluminou. Não alimente sonhos no solo instável da força interna que te ignora, porque os sonhos não realizados são apenas flashes efêmeros — passageiros que não acendem a chama da realização, pois a vida escapa ao nosso comando. O vento não espera nossa permissão para soprar, a água não consulta a nós antes de correr para o mar; assim também o destino dança independente da nossa vontade. Somos folhas levadas pela corrente, falsas capitãs de um navio onde o leme escapa às mãos humanas. Não é no controlar, mas no abandonar, no fluir, que reside a verdade de nossa existência. Sonha, se quiseres, mas saiba que em cada sonho desconexo do hoje, perde-se o presente que é tudo o que realmente é dado. A força que pulsa em ti não é força de impedimento, mas de rendição ao ritmo maior da vida — e nesta rendição, toda a grandiosidade do existir permanece silenciosa, ao passo que a ilusão do controle desvanece-se lentamente. Não mais planejes, não mais sonhes ávido por resultados. Apenas respira, aceita e deixa que o mistério do acaso escreva seu desfecho. Pois nada de verdadeiramente grande depende de nós — somos ao máximo passageiros, e o navegar da vida é uma dança sutil entre o ser e o não poder ser.
