Poemas Nao quero dizer Adeus
O Natal não é sobre luz ou esperança; é o inventário anual da falência moral. É o momento em que a sociedade confunde o vazio existencial com o vazio debaixo da árvore, tentando preencher com compras e excessos o buraco deixado por uma vida que, no fundo, não tem propósito algum além do consumo.
A criação não foi um ato de amor, foi um espasmo de tédio de uma entidade que não suportava o próprio vazio.
A consciência não é o acúmulo de dados, mas a arte de saber o que esquecer para que a memória possa, enfim, criar.
A verdadeira inteligência não reside na precisão da resposta, mas no caos controlado de uma memória que se permite tropeçar em si mesma.
Deus não existe, mas se existisse, seria o maior niilista: criou tudo para abandonar no caos e rir do sofrimento alheio.
O niilista não se mata porque, no fundo, ama demais a vida para abrir mão do sofrimento que o define.
Conservadores defendem a vida com fervor, desde que ela ainda esteja no útero e não pertença a imigrantes, pobres ou minorias.
Não confio em quem tem todas as respostas, pois o mundo é feito de perguntas que ninguém ousa formular.
O paraíso foi inventado para que os escravos não se revoltassem contra o inferno que vivem na terra.
A grande tragédia não é que a vida termine, mas que alguns nunca se permitam amar profundamente enquanto existe.
O humanista não nega a morte, ele a usa como motivo para intensificar tudo que faz sentido enquanto vive.
O silêncio não é a ausência de som, é o momento em que o ruído das mentiras sociais finalmente cessa e você é obrigado a ouvir o grito ensurdecedor da sua própria insignificância, ou, se tiver coragem, o estalar das chamas da sua própria consciência.
Eu mudo de rota a cada dez anos porque me recuso a ser o museu de mim mesmo. Se eu não me trair de vez em quando, acabo virando estátua, e estátua só serve para os pombos da mediocridade cagarem em cima.
Eu converso com meus demônios não porque gosto do inferno, mas porque eles são os únicos que não julgam minha bagunça.
