Poemas me Ame no Silencio

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Inconcebíveis

Inconcebíveis palavras são ditas
No silêncio do pensamento
Exulta, ó sensível coração!
Tua essência é como uma árvore frutífera e sedenta
Que alimenta e sacia os pobres famintos;
Vem a mim, ó doce e apetecível vinho,
Deixa o teu líquido verter pelos córregos
O teu veneno imortal;
Deem-me numa taça as borbulhas
Deste intenso vermelho sanguíneo
Manchando minha consciência
No cume da minha eterna felicidade.
Esconde no recôndito de teu coração
O jardim que tanto cuidaste
Para a farta produção dos nobres parreirais.

As Margens do Silêncio


Sento às margens do rio para refletir. A água tranquila funciona como um espelho e devolve a minha própria imagem – nítida, brilhante, revelando instintos expostos, emoções desordenadas. Sei que o tempo guarda todas as respostas, mas, mesmo entendendo o cenário ao meu redor, não consigo ouvi-las. O que escuto é apenas o silêncio, um silêncio que se acomoda ao meu lado como uma companhia serena, quase amigável.


É então que, como um filme silencioso, vejo teu semblante surgir na memória. Há tristeza, amargura, cansaço. Há um peso que não consigo explicar. Um nó, sobe pela minha garganta, apertando como se mãos invisíveis tentassem impedir que qualquer palavra escapasse. As lágrimas contidas, pedem libertação. E como finalmente permito que venham, elas deslizam pelo meu rosto e molham minha pele, levando consigo um pouco do que me sufoca. O sorriso que sempre esteve estampado em mim, desaparece – some sem aviso, como truque de ilusionista.


Sinto o frescor da manhã tocando meu rosto, como se fossem mãos suaves acariciando minha pele. A natureza ao redor transforma o espaço em um refúgio, um pequeno abrigo onde posso descansar meu corpo e aliviar a mente. Meus pés tocam de leve a água e, ao mínimo movimento, círculos se formam, desenhando imagens que lembram mandalas – figuras quase sagradas, que parecem guardar em si algo de cura.


Encontro ali um momento raro de paz, entre o vento que passa devagar e a correnteza da água. Não consigo explicar o que sinto, pois, naquele momento não preciso mostrar minha fortaleza. Continuo a observar a água, ouvindo o silêncio e pouco a pouco o mundo dentro de mim se reorganiza.

Sinais do Silêncio


Ele, também poderia se retratar – entrar em contato, dizer que a saudade consumiu os seus dias. Que o seu corpo sentiu a mesma intensidade que o meu. Dizer que tudo não passou de um mal-entendido, explicar as suas razões, de ter sumido, talvez deixar clara a situação.


Desmontar toda essa confusão e revelar o que se passa dentro do seu coração. Esses mal-entendidos poderiam ser esclarecidos. Eu poderia tentar entendê-lo. Mostrar que tudo o que se passou foi intenso, sublime. Mostrar que fui importante.


Entendo que talvez o sentimento seja apenas de minha parte. Mas então, porque há invasão em meus pensamentos? Invasão em meus dias ternos e serenos? Tudo vira uma revolução, uma guerra interior, quando, sem permissão, ele vem - sem ser convidado.


Há pendências batendo à porta. Esse estranho caminho que me conduz por encruzilhadas desconhecidas, me mantém em alerta.
Os sinais que a vida dá são claros. Dizem tudo o que eu preciso saber. Mostram caminhos.


Rita Padoin
Escritora

Falésias do Meu Silêncio


Falésias íngremes, no meio do nada, fazem morada. Meu olhar se perde entre o vazio e o instante de inspiração. As rochas parecem mortas, mas, ao observá-las atentamente, vejo que há vida, há história, há beleza, há transformação, há mistério. Isso acontece quando conseguimos abrir as cortinas internas, e captar a essência que ali habita – o verdadeiro remédio da cura.


Cada passo traz a sensação de que estamos lutando por um lugar onde possamos, enfim, nos encaixar. Nos limites do tempo, há um intervalo silencioso à espera de que compreendemos seu ensinamento e sua postura diante da pressa daqueles que tentam seguir sem perceber.


Meus passos estão, a cada dia, mais lentos. Não quero mais correr. Não quero ter pressa. Não quero tropeçar. Quero entender. Quero mudar. Quero viver intensamente, sem ter que olhar para trás e revisitar o passado. Quero um olhar voltado ao futuro – um olhar de sucesso, de vida que me espera.
Hoje, penso apenas no agora e no que está por vir...


Rita Padoin

Quando compreendermos o grito do silêncio, compreenderemos todo o resto.
Rita Padoin


Do livro "Entrelinhas"

Filosofia do silêncio
A cada passo no silencio guardo um pouco de ti que como uma poesia de poucas palavras e profunda beleza, atiçou o brilho dos meus olhos, despertou o desejo e me fez guardar o sorriso de disfarce. O desconhecido que julgo diferente mas que por suas próprias palavras me faz pensar.
A cada passo no silencio guardo um pouco de ti, que como um livro de belas historias não canso de ler, como um disco de belas canções não canso de ouvir, que como a incrível lua não canso de olhar. A cada passo no silencio guardo a tua beleza que me encanta e que definitivamente não sei explicar, cada bobagem dita e as frases sem sentido. Mas, como aquilo que não está planejado, não vou guardar as palavras que certamente não ouvirás, mas que precisa saber ....respiro profundo e calmamente quando penso em ti e somente ti guardo pois não quero nunca ti perder!

Um tão breve talvez
Um encontro ou desencontro
Um chegar ou partir...
Um grito no silêncio silenciando emoções, desejos ou quem sabe sonhos...
Um recitar em versos...Uma canção de ninar.


Hannah Lessa

Te amo duas vezes...


Eu sempre amei você,
desde o início,
desde o silêncio,
desde sempre...
desde o nada que já era tudo.


Antes de saber quem você era,
antes de entender o que seria
na minha vida.


Não sei se foi o poder da chama gêmea —
da junção divina —
mas te amei bem antes...


Talvez seja a força das almas,
o laço antigo,
a chama gêmea —
essa união que não se explica,
mas que se sente...
com a pele,
com o coração.


Não sei se fui eu quem amou primeiro,
ou se apenas reconheci
um amor que já me habitava.


Quando soube de tudo,
não houve espanto,
nem dúvida.
Só permaneci —
amando.
Como se já soubesse.


Meu corpo já ansiava o seu,
meus pensamentos já te buscavam,
meu coração…
já era teu.


Já amava com toda a intensidade,
já sentia saudade.
E eu, sem perceber,
já tinha desistido de tudo
por você.


Não sei onde termina o amor
e onde começa a conexão de almas.
Talvez nem exista fronteira.


Porque, se for assim,
em total lucidez,
declaro —
nesta vida corpórea
e na outra espiritual —
eu te amo duas vezes.

O silêncio da minha alma


Fui me apagando aos poucos...
E eu nem percebi.
Lutava sem saber,
Implorava sem querer...


Demorou,
Mas entendi.
Tentei,
Briguei,
Estava numa guerra.


Eu queria de volta a minha personalidade,
A guerreira
Que vencia tudo
E todos.


Onde me perdi?
Onde deixei de existir?


Mas isso não era certo,
E eu não desistiria.


Na luta por me encontrar,
Já não sabia
Se me achava...
Ou mais me perdia.)

O menino e o furacão


Diziam, em silêncio:


"É só uma criança com atraso…
lá no fundo da sala,
com uma folha branca nas mãos."


Eu sei — é o que todos pensam,
mas não dizem.


Estão mais preocupados em embelezar os títulos da deficiência do que em trabalhar,
na prática, a inclusão.


Decoram nomes,
enfeitam diagnósticos,
mas esquecem do essencial:
ver.


Eu nunca tive alunos,
e sim histórias com nome:
Antônio. Bernardo. Daniel. Fernanda. Gabriela…
cada um era único — uma pessoa, uma personalidade, uma habilidade,


mesmo quando o mundo insistia em reduzi-los.


E ele…


O menino da cadeira de rodas,
de movimentos curtos, quase ausentes,
fazia desenhos incríveis que ninguém via —
porque queria a perfeição
e, quando não saía em total sintonia,
por cima do desenho criava um furacão.


Rasgava o próprio céu,
girava sobre o que tinha criado,
cobria tudo —
como se dissesse, sem voz:
“Se não for inteiro, ninguém vai ver.”


E ninguém via mesmo.


Mas eu vi — vi além.


Tentei falar, e ninguém se importou…


Para que dar trabalho,
se ele já estava quieto, ocupado,
com uma folha na mão?


Era apenas um estágio.


E, no fim do dia, havia sempre duas almas frustradas:


A dele —
gritando por reconhecimento.


E a minha —
aprendendo o peso de não ser ouvida.

"O silêncio é infalível
e as vezes vale mais que
mil palavras, os sábios
também se calam, os leigos
falam de mais e normalmente
vivem muito muito menos"...

Dia nublado, tempo oscilante, mente turva.
Pensamentos ociosos vagando sem rumo.
Silêncio por fora, enquanto por dentro uma multidão de vozes disputa espaço.
O mundo parece calmo, mas a tempestade escolheu outro endereço

*Para você .


Sinto falta do teu jeito calmo de existir,
Do silêncio que entende sem precisar pedir.
Não é só saudade que aperta o peito,
É a certeza de que te tenho respeito.


Respeito pelo caminho que você escolhe,
Pela força que não grita, mas acolhe.
Pela verdade que carrega no olhar,
E por me ensinar tanto sem precisar falar.


A distância mede o espaço, não o que sinto.
Cada lembrança tua é um lugar distinto
Onde moro um pouco quando a noite vem,
E lembro que amor também é querer bem.


Volta quando puder, mas saiba:
Se demorar, eu espero.
Se mudar, eu entendo.
Porque amar é isso,
Respeitar teu tempo e sentir falta do teu riso.

Eu e o meu eu


Eu, o reflexo de um rio e a lua,


Eu, o meu passado e o silêncio profundo da madrugada,


Eu, meus sentimentos presos a momentos e os meus pensamentos vagando em direção a Lua.

No silêncio está a provação:
Portas vão se fechar;
Oportunidades irão escapar das suas mãos;
Pessoas que não se alinham a sua futura realidade irão se afastar;
Não tema, Deus está alinhando.

*Se o silêncio falar mais alto*

Se o silêncio falar mais alto hoje,
deixa que ele diga o que eu não ouso:
que em cada batida do meu peito
mora o teu nome, manso e repouso.

Se o silêncio falar mais alto,
não prometo céu sem tempestade,
mas prometo mão firme na tua.
Se o mundo virar de cabeça pra baixo,
eu danço contigo nessa rua.

Se o silêncio falar mais alto,
te quero nas coisas pequenas:
no café quente, no “dorme bem”,
no riso que escapa sem motivo,
no quase-beijo que vem e não vem.

Se o silêncio falar mais alto,
lembra: amor de verdade não se mede em chão.
Ele atravessa mar, atravessa tempo,
e encontra abrigo no teu coração.

Se o silêncio falar mais alto,
te quero sem medida, sem desculpa,
pele na pele, verdade nua e crua.
Se o mundo pedir que eu te esqueça,
eu escolho te amar na contramão da rua.

Se o silêncio falar mais alto,
teu nome queima na ponta da língua,
incendeia tudo que eu tento calar.
Não é carinho manso, é tempestade —
e eu quero me perder no teu mar.

Se o silêncio falar mais alto,
quando teus olhos me acham no escuro,
o tempo para e tudo faz sentido.
Um teu "fica" já me deixa rendido.

Se o silêncio falar mais alto,
se amar é risco, eu assino sem medo,
se é queda, que seja no teu abraço.
Porque fora de ti eu só existo,
mas contigo eu aprendo a ser espaço.

E se um dia me perguntarem por que te amo,
eu vou sorrir e responder baixo:
"É porque, quando o silêncio falou mais alto,
eu descobri que era lá que eu moro."

Livros e cafés


Entre o som da cidade e o silêncio das páginas,
me encontro.
Cada capítulo é uma viagem, cada gole de café, um abraço quente na alma.
Aqui, vestida de histórias, habito um universo onde o tempo se dobra e a realidade se dissolve nas entrelinhas.

O silêncio da noite nos convida a entrar,
Onde o toque da pele começa no olhar.
Aqui, o romance não tem timidez,
Se despe do medo e se entrega de vez.
Somos a chama que queima no escuro,
O abraço apertado, o porto mais seguro.
Um misto de anjo, de fogo e paixão,
Que pulsa no ritmo do coração.
Deixem a luz baixa, o mundo lá fora,
Porque o nosso instante começa agora.
— Anjinha Sensual

Silêncio que dói


Meu amor, se eu pudesse gritar pro mundo,
Eu diria que te amo tanto que sabendo que você irá partir machuca.
Cada batida do meu peito já anuncia a despedida,
E o peito aperta só de imaginar sua partida.


Mas não posso dizer o que queima aqui dentro,
Engulo o choro, disfarço o sentimento.
Te vejo indo embora nos meus pensamentos,
E finjo que o adeus não me rasga por dentro.


Meu amor, fica entre nós esse segredo,
Esse amor que dói calado, que vive de medo.
Te amo tanto que sabendo que você irá partir machuca,
Mas não posso dizer, então deixo a dor me consumir em silêncio.

O silêncio oferece palavras
Que são ligadas pelo olhar
Nas expressões valiosas
Mostrando que as emoções
Vão além das expectativas
Pois falam no próprio olhar.
Olhos de crianças inocentes
Pedindo afeto ,pedindo carinho
Olhos de velhinhos carentes
Pedindo consolo pedindo abraço .
Então preste muita atenção
Nos olhos que falam ao coração
Eles revelam os sentimentos
No piscar de uma vida veloz
Que precisamos assim enxergar
O brilho dentro de cada olhar.
E caso ele esteja vazio, triste
Precisamos ao menos tentar
Aliviar o peso dessa dor
Com a força que vem do amor!

JOÃO BATISTA BARBOSA
MIMOSO DO SUL ES
POESIA