Poemas Lya Luft fim de Semana
A vida é curta
A vida não é bela porque resiste,
mas porque se despede.
A beleza nasce no fim,
na certeza de que cada instante
é um sopro único,
um lume breve
contra a eternidade.
Ela vale porque é curta,
porque nos obriga a gastar o coração
sem economias,
a sentir com excesso,
a errar sem medo,
a celebrar cada milagre miúdo
que se esconde nos dias comuns.
É um banquete de instantes,
servido com a urgência do agora,
um convite para sermos inteiros
antes que o silêncio chegue.
E quando enfim chega a hora
de deixá-la ir,
não é perda, não é falha
é apenas o desfecho natural
do espetáculo.
Pois não importa o destino,
importa a travessia.
Não é o porquê,
mas o como.
E quando tudo escorrega das mãos,
quando nada mais depende de nós,
é tempo de soltar as rédeas,
permitir que o destino conduza,
e apenas contemplar, em assombro sereno,
o milagre silencioso
que é viver.
Um dia, um fim
Unico momento
Demasia de intensidade
Abraças um fim
Feito de instante para morrer.
Kaike Machado
Amores perdidos
O amor é a semente que planta o sim, mas é o ódio que colhe o fim. E se o remorso é um peso mudo que se cala, a solidão é o vento que não para de apontar a casa vazia. Porque as pessoas não voltam por amor, voltam pela falta dele.
Casa-se por um talvez, por um tal de amor. Separa-se por uma certeza: a do rancor. Arrepende-se talvez, por um remorso surdo. Mas volta-se sempre, sempre, pelo medo do vazio absoluto.
O matrimônio é erguido na frágil arquitetura do afeto, mas desmorona no terremoto do ressentimento. E se o arrependimento é o eco que fica, a depressão é o silêncio insuportável que convida o eco de volta.
Clareira no Fim da Sombra
Há um túnel que a noite tece,
De asfalto frio e ar que pesa,
Onde o eco de um pranto crepita E a dúvida,sinistra, visita.
Os passos são de chumbo e pó,
Cada instante um eterno só.
O ar,um véu de algodão cru, E o silêncio,um pesado atlas mudo.
Mas segue, alma, não cries morada Nesta galeria escura e alongada.
Pois mesmo onde a visão se apaga,
A esperança,sutil, não se afasta.
Ela é o fio de luz que não se vê,
A respiração do chão sob os pés.
É o grão de areia que teima em brilhar No granito mais duro a sussurrar.
Não é um clarão, um sol repentino,
É antes um trabalho pequeno e divino: É a gota que a rocha fende,
O fio de voz que te diz:“Espere.”
É a flor que racha o concreto,
O abraço no desamparo completo.
É a cor que volta ao branco e preto,
É o mapa quando estás desacerto.
Avista! Lá adiante, um ponto, um grão, Não é ilusão,não é traição. É a certeza de que a noite é fase, E a claridade encontrará sua estase.
Não é o fim da caminhada, não,
É a clareira após a escuridão.
É a prova,calma e serena,
De que a luz,por mais que doa, é plena.
Então respira fundo o ar que avança, Cada passo é uma nova esperança.
O túnel termina,a luz te banha,
E a alma encontra a sua própria montanha.
Amar você foi como andar com o infinito,
Sem começo exato, nem fim definido.
Cada passo era leve, flutuava no ar,
Como quem ama sem medo de se entregar.
Foi perder o rumo, mas encontrar sentido,
Ver no teu olhar um céu nunca visto.
Foi silêncio que falava mais que som,
Foi tudo e nada, intenso e bom.
E mesmo que o tempo queira apagar,
Esse amor não dá pra calcular.
Porque amar você…
Foi como andar com o infinito.
*– Binilson Quissama*
CHUVA
Respinga molhando a terra
O friozinho no fim da tarde
Céu nublado, falta do Sol
Assim o dia se encerra.
Da vegetação, cheiro de hortelã
Nos convida a abrir a janela
Por hoje, continua a chuva
Talvez, o Sol apareça amanhã.
O tempo passa com alegria
A natureza abraça a terra
Sussurrando uma poesia.
Eu por aqui vou ficando
Hora de dormir, boa noite
Deus nos abençoando.
Irá Rodrigues.
Porque no fim, é só você com você. É na solidão que a verdade aparece, e só quem encara o vazio sem fugir é que descobre de onde vem a luz.
Por: Drykka Oficial
Eu sou o vento, a correria sem fim,
Mil ideias na mente, dançando pra mim.
Um ser atentado, que a vida me chama,
E você, meu amor, é a minha calma.
Enquanto eu pulo, quebro e invento,
Seu olhar me serena, me traz o alento.
Um sorriso que acalma, um abraço que é lar,
Você me entende, me ensina a amar.
Não me julga, me aceita, me faz florescer,
Com esse seu jeito que me faz querer
Ser melhor, ser mais calmo, mas sem perder
A essência que me faz, Alessandro ser.
E no fim do dia, quando tudo acalma,
Seu amor é a paz que repousa na alma.
O atentado e a calma, num laço sem par,
Nosso amor é a força, que nos faz continuar.
No fim, o amor mente pra não machucar,
o ódio fala a verdade pra ferir,
e a vida…
a vida é só essa rua sem saída
onde cada grão de areia
vira poesia,
cada facada vira verso,
e cada lágrima vira sangue
HORA TRISTE
O momento transcende a fim de mundo;
o bardo se aconchega à solidão,
e, prenhe de um pesar cruel, profundo,
chora a angústia de atroz desilusão!
Na penumbra da alma, o céu é profundo,
e o pranto inunda toda a escuridão;
então um verso nasce, e num segundo,
canta a mágoa que habita o coração!
Mas mesmo em meio à sombra que consome,
o bardo insiste em seu cantar dolente,
buscando luz no abismo da saudade!
O tempo passa, lento e indiferente,
e cria, então, a estrofe com seu nome,
na rima rica da felicidade!
Nelson de Medeiros
A espera: o triste fim da solidão
Esperei no tempo que não tem fim, Na espera que a vida me deu, A eternidade de um dia só pra mim, Um mundo inteiro onde o Sol se escondeu.
Esperei, em cada lágrima, um mar, E, em cada batida do meu coração, O sopro de uma esperança no ar, A certeza de uma única oração.
Eu esperaria por toda a minha vida, Se a sua demora não fosse em vão, Se a saudade não fosse uma ferida, Se a eternidade não fosse solidão.
🌿 Laços que não se desfazem
Amizade é ponte sem fim, construída com gestos simples, com palavras que curam a alma e silêncios que também falam. É o abraço que chega antes da dor, a risada que estoura no meio do dia, um ombro que entende sem perguntar, um olhar que diz: “eu estou aqui”.
Nos dias claros, caminhamos lado a lado,
falando dos sonhos que parecem distantes,
e nos dias nublados, seguramos firme as mãos,
mesmo quando o chão parece desabar.
Cada história compartilhada é um tijolo,
cada segredo, uma semente plantada,
crescendo na terra fértil da confiança,
florescendo no jardim da vida.
O tempo tenta testar a distância,
mas a amizade não se mede em quilômetros.
Ela se mede em lembranças que aquecem,
em mensagens enviadas de madrugada,
em risos que atravessam o vento
e chegam intactos ao outro lado.
Porque o coração sabe o caminho
mesmo quando os mapas se perdem.
Há amizades que chegam devagar,
como a maré beijando a areia,
e outras que surgem como tempestade,
derrubando muros e abrindo o céu.
O que importa não é como começam,
mas como permanecem:
firmes como raízes de árvores antigas,
livres como pássaros ao amanhecer.
Se um dia a vida nos levar por estradas opostas,
levarei comigo teu riso e tua voz,
guardados como relíquias preciosas.
E sei que, em qualquer reencontro,
as palavras voltarão a fluir
como se nunca tivéssemos partido.
Porque amizade verdadeira é assim:
não conhece adeus, apenas recomeços.
A verdadeira felicidade é uma estrada sem fim...
Só assim teremos o prazer de sermos felizes diariamente.
Quando o último raio se esconde,
a casa se apaga no campo
e tudo se cala sem início nem fim.
A sombra repousa nas paredes,
ondas de saudade se arrastam
entre ruínas de luz que partiu.
O silêncio faz morada,
nenhum vestígio de retorno,
apenas o crepúsculo lento
acolhendo todos os nomes
que o dia cansado esqueceu.
No fim das contas,
a opinião dos outros
é só ruído sem sentido.
Quem xinga por prazer
tem o cérebro menor que um átomo.
A felicidade nasce
quando calamos
a boca dos demônios
lá fora.
"Melhor é o fim das coisas do que o começo delas" é um provérbio que vem do livro de Eclesiastes 7:8
Viemos ao mundo chorando para que um dia possamos partir dessa vida sorrindo.
FUNÇÃO FINAL
No fim, não há prêmio, nem festa.
Só o cansaço que não se despe.
Só o corpo que ainda se presta
A fazer o que ninguém mais quer.
Sou o que cumpre, não o que sonha.
Sou o que segue, não o que escolhe.
Sou o que vive, mas sem vergonha
De saber que a vida me engole.
E quando tudo enfim cessar,
Não haverá quem vá lembrar.
Só o vazio que vai ocupar
O lugar que fui — sem durar.
Jerónimo Cesarina
Nascidos fomos, sob um céu de cinza e bruma,
Com a exata medida para a dor sem fim.
Duas metades buscando a mesma espuma,
Um laço trágico tecido em linho carmim.
Desde o primeiro olhar, a alma reconheceu
O espelho partido, a sua parte ausente.
Mas o destino, em escárnio, interveio,
Deixando a chama acesa, mas fria e renitente.
És meu avesso, a chave que a dor contém,
A prova viva de um amor que não se finda,
Mas entre nós, a sombra, o que convém,
O grito mudo de uma estrada que se cinda.
Melancolia em cada suspiro teu que ouço,
Tristeza funda em cada passo meu que dou.
Somos a tragédia do mais puro poço,
Onde a água clara nunca se encontrou.
Ah, esta união de almas, dramática e amarga,
Que nos condena ao longe, ao eterno anseio.
Uma febre que arde e que a vida embarga,
Um abraço negado, morrendo em meio ao meio.
E assim seguimos, dois espectros em conflito,
Ligados pela dor, não pelo doce intento.
Um poema de pranto que jamais foi dito,
O eco que restou de um amor sem sustento.
