Poemas e textos sobre Jesus

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QUARTA-FEIRA DE CINZAS: DO ENTENDIMENTO ANTIGO À SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA.
A Quarta-Feira de Cinzas é uma data que integra o calendário religioso cristão ocidental como o início formal do período de Quaresma, e ocorre quarenta e seis dias antes da celebração da Páscoa, variando anualmente com base na data pascal.

DO QUE SÃO FEITAS AS CINZAS DA QUARTA-FEIRA DE CINZAS?
A Igreja determina claramente que nem toda cinza pode ser utilizada no rito de imposição. A cinza da Quarta-Feira de Cinzas vem da queima dos ramos abençoados no Domingo de Ramos do ano anterior. Elas recebem a água benta e são aromatizadas com incenso.

Origem Histórica e Seu Contexto Religioso.
No seio da tradição cristã, especialmente na Igreja Católica, a Quarta-Feira de Cinzas inaugura uma fase de reflexão, penitência e jejum que prepara espiritualmente o fiel para a celebração da Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo na Páscoa. Esse período de quarenta dias - a Quaresma - remete ao tempo de quarenta dias que, segundo a narrativa bíblica, Jesus passou em jejum e tentação no deserto antes de iniciar seu ministério público. ( Evangelho de Lucas 4,1-13 )

A prática de associar as cinzas à penitência remonta a tempos antigos, inclusive prévios ao cristianismo formal, sendo um símbolo de arrependimento, tristeza e reconhecimento da fragilidade humana nos relatos do Antigo Testamento.

Personagens como Jó, Daniel e a população de Nínive cobriram-se de cinzas e vestiram sacos de pano como gesto de contrição e súplica diante de Deus.
Na Bíblia, cobrir-se de cinzas (frequentemente acompanhado de vestir pano de saco) era um gesto cultural e religioso que simbolizava luto profundo, humilhação, arrependimento sincero ou desespero. Esse ato demonstrava a fragilidade humana e a dependência de Deus.
Aqui estão os principais personagens e grupos que se cobriram de cinzas:
Jó: Após perder seus filhos e bens, e ser afligido por doenças, Jó sentou-se no meio da cinza como sinal de luto e, posteriormente, declarou arrepender-se "no pó e na cinza" (Jó 2:8; 42:6).
Mardoqueu: Ao saber do decreto de Hamã para destruir os judeus na Pérsia, Mardoqueu rasgou suas vestes, vestiu-se de pano de saco e cobriu-se de cinzas em um ato de grande consternação e clamor (Ester 4:1).
O Rei de Nínive e o Povo: Após a pregação de Jonas, o rei de Nínive levantou-se do trono, tirou o manto, cobriu-se de pano de saco e sentou-se sobre cinzas, ordenando um jejum nacional como sinal de conversão (Jonas 3:5-6).
Daniel: O profeta Daniel relatou que se voltou ao Senhor Deus para buscá-lo com orações, jejuns, pano de saco e cinzas, ao interceder pelo seu povo (Daniel 9:3).
Rei Acabe: Após o profeta Elias condenar suas ações, o rei Acabe rasgou suas vestes, cobriu-se de pano de saco e jejuou, agindo com humildade (1 Reis 21:27).
Tamar: A filha do rei Davi, após ser violentada por seu meio-irmão Amnon, cobriu a cabeça com cinzas e rasgou a túnica como sinal de dor e desonra (2 Samuel 13:19).
Significado Bíblico:
O uso de cinzas era um reconhecimento visual de que o ser humano é "pó e ao pó voltará" (Gênesis 3:19), indicando a necessidade de purificação e conversão radical de vida.

No contexto cristão primitivo, penitentes públicos e pecadores graves eram submetidos a ritos de expiação que incluíam a cobertura com cinzas e a separação da comunidade até a reconciliação final. Com o tempo essas práticas de penitência pública evoluíram para um rito comunitário mais inclusivo, de forma que, desde aproximadamente o século XI, a imposição de cinzas passou a ser uma cerimônia litúrgica regular em toda a cristandade ocidental.O que ocorre no século XI é a universalização e regulamentação desse gesto no âmbito da liturgia oficial da Igreja Latina. O contexto é o das reformas eclesiásticas associadas à chamada Reforma Gregoriana, ligada ao pontificado de Papa Gregório VII. Nesse período, buscou-se maior uniformidade ritual e disciplina clerical. A imposição das cinzas deixa de ser um ato restrito aos penitentes públicos e passa a ser aplicada a todos os fiéis no início da Quaresma.
Um marco importante nesse processo foi o Concílio de Benevento, realizado em 1091 sob o pontificado de Papa Urbano II, o mesmo pontífice que convocaria a Primeira Cruzada em 1095. Esse concílio recomendou que todos os cristãos recebessem as cinzas na Quarta Feira de Cinzas, consolidando o rito como parte integrante do calendário litúrgico.

O Porquê das Cinzas: Significados Simbólicos e Antropológicos
As cinzas, como elemento, carregam uma potente carga simbólica. Antropologicamente, elas representam aquilo que resta do que foi consumido pelo fogo - morte, efemeridade, purificação e renovação. Em muitas culturas antigas, o uso de cinzas em rituais estava associado a tristeza e arrependimento profundo, um gesto de humildade diante dos deuses ou diante da própria condição humana.

Para a Igreja, esse ritual assume essas mesmas conotações, lembrando o fiel de sua mortalidade e da necessidade de conversão. Ao ser feita a imponência das cinzas na testa dos participantes geralmente em forma de cruz, pronuncia-se uma formulação tradicional que ecoa o relato do livro de Gênesis: “Lembra-te de que és pó e ao pó hás de voltar.” Essa frase retoma a ideia de que a existência terrestre é provisória e suscetível ao arrependimento e à transformação espiritual.

Nesse sentido, as cinzas funcionam como um memento mori - um chamado humano e universal à consciência da finitude e à busca de um sentido além do imediato. O antropólogo e historiador das religiões reconhece que tais símbolos, embora incorporados a práticas específicas como as da Igreja, dialogam com estruturas cognitivas universais: o fogo purifica, o pó remete à origem e à dissolução da forma, e o ritualiza-se como mediação entre o humano e o sagrado.
Sociedade e Transformações da Tradição.
A Quarta-Feira de Cinzas também marca uma fronteira cultural: o fim das festividades do Carnaval, festa popular de exuberância coletiva marcada por danças, folias e excessos, e o começo de um período mais contido e introspectivo. Historicamente, o Carnaval evoluiu de celebrações mais antigas de despedida das festas de inverno e de libertação social antes do período de abstinência quaresmal. Em muitas sociedades cristãs, essa transição representava tanto um encerramento de libertinagem quanto uma preparação moral e religiosa para o tempo de penitência.

No Brasil, essa encenação cultural e religiosa ainda é manifesto vivo - as ruas vibram intensamente até a madrugada da Quarta-Feira de Cinzas, quando então os espaços festivos cedem lugar a um silêncio ritualizado, simbólico de introspecção, autocrítica e reintegração à ordem social cotidiana.
Fontes Fidedignas para Estudo
Para compreender em profundidade a Quarta-Feira de Cinzas e seus significados:
A enciclopédia Britannica oferece uma visão concisa e historicamente ancorada da origem cristã e da evolução litúrgica da data.

Conclusão.
A Quarta-Feira de Cinzas é, portanto, uma celebração ritual que sintetiza a memória cultural, a simbolização religiosa e a consciência antropológica da mortalidade humana, funcionando como um ponto de inflexão entre a festa popular e a reflexão espiritual, entre o corpo e o espírito. Ela nos lembra que qualquer jornada de sentido exige reconhecimento de nossas limitações e, ao mesmo tempo, uma busca consciente de transformação.

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Eu não tenho vergonha de falar em Deus, eu faço
questão de deixar bem claro o quanto é que Deus
representa na minha vida; Simplesmente TUDO!!!
Nada é impossível para quem tem Deus no coração...
As mãos de Deus amparam o homem, só que infelizmente,
são poucos que sabem agradecer o privilégio de ter a presença de Deus em suas vidas e muito menos os que
tem a coragem de reconhecer que sem Jesus Cristo,
nós não somos absolutamente NADA!!!

Marta Gouvêa

Inserida por MartaGouvea

Misterio

⁠Naquele mistério da cruz
Nosso Deus abandonado
Que lá foi crucificado
Por nós morreu Jesus

Diante de tão grande atitude
Preso a mão com um prego
No silêncio da plenitude
Fardos pequenos que carrego

Silenciamos diante dos doentes, nos enfermos, sofredores
Da pobreza da Miséria das dores
Vendo Jesus naquele estado

Quando sentir muita dor
Quando te faltar amor
Lembre-se que foi muito amado

Ademir Missias

Inserida por MIssias

AO ANO NOVO:
SEMENTES DE CONSCIÊNCIA E RENOVAÇÃO INTERIOR.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro .
Ao alcançar o limiar de um novo ciclo temporal, o espírito lúcido recolhe-se por instantes à intimidade do próprio ser, não para julgar-se com aspereza, mas para compreender-se com maturidade. Esse gesto interior, silencioso e profundo, constitui um dos mais nobres exercícios da consciência humana. Nele, o ser reconhece as experiências vividas como lições pedagógicas da vida espiritual, compreendendo que nada foi inútil, nada foi em vão. Esse movimento reflexivo representa o amadurecimento do ego, que deixa de reagir impulsivamente aos fatos e passa a interpretá-los com discernimento e responsabilidade. Carl Gustav Jung afirmava que o autoconhecimento é o início de toda transformação autêntica, pois somente aquele que se observa com honestidade pode integrar suas sombras e libertar suas potencialidades latentes. Assim também ensina a psicologia espírita, ao reconhecer que cada vivência é um instrumento educativo da alma em processo de aperfeiçoamento.
A Doutrina Espírita, em consonância com esse entendimento, esclarece que a existência corporal não se fragmenta em começos e fins absolutos. Trata-se de uma etapa contínua no itinerário evolutivo do espírito imortal. Allan Kardec, ao sistematizar os princípios que regem a vida espiritual, demonstra que cada encarnação é oportunidade concedida pela lei divina para o progresso moral e intelectual. Nada ocorre ao acaso. Tudo coopera para a edificação do ser, ainda que, no instante da dor, essa verdade pareça obscurecida.
As provações que ferem também educam. As renúncias que custam amadurecem. As quedas, quando compreendidas, tornam-se degraus. Reconhecer isso é reconciliar-se consigo mesmo e libertar-se da culpa estéril. O espírito não se define pelos erros cometidos, mas pela coragem de transformar-se a partir deles. Tal compreensão fortalece a autoestima legítima, aquela que nasce do esforço íntimo e da fidelidade à própria consciência.
A verdadeira prosperidade não se mede pelos bens transitórios, mas pelo crescimento interior conquistado dia após dia. Cada pensamento elevado, cada gesto orientado ao bem, cada superação silenciosa constitui patrimônio imperecível do espírito. Como ensina a psicologia humanista, o sentido da vida não reside na acumulação, mas na realização interior que nasce do alinhamento entre valores, ações e propósito existencial.
O novo ciclo que se inicia apresenta-se como campo fértil de escolhas conscientes. Ele não promete facilidades, mas oferece oportunidades constantes de aprimoramento moral. A cada amanhecer, a vida concede ao espírito a chance de refinar suas intenções, fortalecer sua vontade e agir com maior lucidez e compaixão.
Que este tempo vindouro seja vivido com serenidade, responsabilidade e fé racional. Que cada consciência encontre em si mesma a força para perseverar, aprender e amar com mais profundidade. E que jamais nos esqueçamos de que o verdadeiro ano novo não se inaugura no calendário, mas no instante em que decidimos evoluir com dignidade, lucidez e fidelidade aos valores que elevam a alma.

Inserida por marcelo_monteiro_4

AMIGOS. TÍTULO DE DOAÇÃO SILENCIOSA.
"Já não vos chamo de servos, mas de amigos"
(João 15:15)

" Esse é o título de maior grandeza qual poderíamos esperar receber do meigo Nazareno e pelo mesmo fazermos jus em toda nossa existência no corpo ou fora dele. "
Autor: Marcelo Caetano Monteiro .

Dentre os ensinamentos mais elevados e perenes de Jesus Cristo, há um que se destaca pela profundidade ética e pela exigência moral que impõe ao espírito humano. Em dado momento, afirmou o Mestre que “o verdadeiro amigo é aquele que dá a sua vida pela vida do amigo”.

Se tomarmos essa afirmação em sua literalidade rigorosa, seremos forçados a reconhecer a escassez de amigos autênticos na Terra. Pouquíssimos seriam capazes de entregar a própria existência física em favor de outrem. Contudo, o ensino do Cristo não se restringe ao plano biológico. Ele se projeta no campo simbólico, moral e espiritual da vida. Dar a vida não é apenas morrer pelo outro, mas viver para o outro. É dedicar tempo, energia, cuidado, escuta, renúncia e presença. Eis o labor silencioso da amizade verdadeira, tarefa que somente os amigos assumem com naturalidade e nobreza.

Essas amizades profundas, viscerais e estruturantes manifestam-se com frequência no seio da própria família. Não raramente, os maiores amigos dos filhos são seus próprios pais. A mãe que se anula em favor dos filhos, o pai que abdica do descanso, do lazer e do repouso para garantir escola, alimento, vestuário e dignidade. São existências que se doam integralmente, mesmo quando os filhos ainda não possuem maturidade para reconhecer tal grandeza e transformam-se, por vezes, em exigentes inconscientes do sacrifício alheio.

Esses pais representam o arquétipo do amigo maior. Oferecem tudo sem contabilizar retornos, e há um valor pedagógico imenso quando o filho percebe que não há cobrança, apenas entrega. A amizade autêntica percorre esse caminho da gratuidade, onde o amor não exige recibos nem garantias.

Por isso a amizade não se negocia, não se impõe, não se exige. Ela nasce da sintonia, da afinidade moral, da comunhão de sentimentos e da ressonância íntima entre consciências.

Os amigos apresentam-se sob as mais variadas formas. Há amigos religiosos e amigos ateus. Amigos de fé superficial e amigos de convicção profunda. Há os expansivos e os silenciosos, os simples e os sofisticados, os que transitam nos ambientes do prestígio social e os que vivem nas periferias da existência. Não importa a origem, a aparência ou o estatuto. Quando o coração pulsa de modo diferente na presença do outro, quando há alegria mútua no encontro, ali se estabelece a amizade.

A amizade assume relevância singular porque, muitas vezes, permite uma abertura maior do que a existente entre consanguíneos. Há temas íntimos, dores profundas e fragilidades que se expressam com mais liberdade diante do amigo do que no âmbito familiar. Isso não diminui a família, mas enaltece a função terapêutica e fraterna da amizade.

Justamente por isso, a amizade exige respeito. Não é lícito ferir com palavras, humilhar com censuras ou violentar emocionalmente aquele a quem chamamos amigo. Quanto maior o afeto, maior deve ser a delicadeza. A discordância é legítima, mas jamais pode converter-se em hostilidade. O verdadeiro amigo transita livremente na intimidade do outro sem profaná-la.

Ser amigo é, portanto, estar disposto a dar a vida no sentido moral do termo. Daí a amizade aproximar-se da irmandade. O amigo verdadeiro é um irmão de escolha consciente.

Essa alma irmã merece fidelidade. A amizade autêntica manifesta-se na constância, na presença nos dias claros e nos dias sombrios. Existem os chamados amigos ocasionais, que só se aproximam enquanto há vantagens, recursos ou prestígio. Quando a fortuna escasseia ou a visibilidade desaparece, eles se afastam silenciosamente.

Também é preciso reconhecer que, por vezes, nós mesmos falhamos como amigos, procurando-os apenas nos momentos de crise e esquecendo-os nos períodos de estabilidade. A ética da amizade exige reciprocidade contínua, não conveniência circunstancial.

Valorizamos aqueles que permanecem conosco em qualquer clima da vida. A fidelidade afasta a suspeita. Onde há amizade genuína, não deve haver desconfiança sistemática.

É fundamental não confundir amigos com colegas. O coleguismo limita-se ao espaço funcional, ao convívio circunstancial do trabalho, do esporte ou do cotidiano social. A amizade, por sua vez, pressupõe confiança, transparência, abertura e compromisso moral.

Nesse sentido, o ensino do Evangelho de João ilumina a compreensão da amizade quando registra as palavras do Cristo: “Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu Senhor. Tenho vos chamado amigos, porque tudo quanto aprendi de meu Pai vos tenho revelado”. Jesus define a amizade pela partilha, pela verdade oferecida sem máscaras, pela sinceridade que não oculta nem engana.

Evidentemente, trata-se de uma linguagem simbólica. O Cristo revelou tudo o que podíamos assimilar, respeitando nossas limitações intelectuais, morais e emocionais. A pedagogia do amor também ensina a dosar a verdade conforme a capacidade de quem a recebe.

Assim deve proceder o amigo. Ele compartilha o que edifica, guarda o que pesa excessivamente e jamais transfere ao outro um fardo que este não possa sustentar.

A amizade é quase irmandade. Ser amigo é ser irmão por afinidade espiritual e escolha ética. Por isso, cabe-nos ampliar o círculo da amizade sincera e reduzir, tanto quanto possível, os espaços da inimizade enquanto caminhamos na Terra, pois cada amigo verdadeiro é uma ponte silenciosa entre o que somos e o que ainda podemos nos tornar.

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EXPLICAÇÃO ESPÍRITA SOBRE A INCORRUPTIBILIDADE E A IMPOSSIBILIDADE DA RESSURREIÇÃO DO CORPO.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro .

A Doutrina Espírita aborda as passagens citadas com critério racional, fidelidade ao ensino moral do Cristo e respeito absoluto às leis naturais estabelecidas por Deus. Nada é interpretado de modo literal quando a razão, a lógica e a própria evolução do pensamento humano demonstram que o ensinamento foi transmitido por linguagem simbólica, pedagógica e progressiva.
Comecemos por 1 Coríntios capítulo 15 versículos 53 a 57. O apóstolo Paulo afirma que o corpo corruptível deve revestir-se de incorruptibilidade e o corpo mortal de imortalidade. À primeira vista, a leitura literal pode sugerir a ressurreição do corpo físico. Contudo, o próprio texto, quando analisado com rigor, exclui essa possibilidade.
Paulo declara expressamente que carne e sangue não podem herdar o Reino de Deus. Essa afirmação é decisiva. Carne e sangue designam o organismo material, sujeito à decomposição, às leis biológicas e à morte. Se esse corpo não pode herdar o Reino de Deus, é logicamente impossível que ele ressuscite para nele ingressar. A transformação de que Paulo fala não é da matéria grosseira, mas do princípio inteligente que a anima interligado ao corpo espiritual qual seu denomina perispírito.
A incorruptibilidade não se refere à carne, mas ao ser espiritual. O corpo físico nasce, cresce, envelhece e se desagrega. Isso é lei natural observável é fato inegável. Ressuscitá lo significaria anular as próprias leis divinas que regem a matéria e leis essas que o próprio Jesus afirmou com sua autoridade não ter vindo para derrotá-la, mas sim dá-la cumprimento. A Doutrina Espírita ensina que Deus não se contradiz, nem revoga suas leis para atender interpretações humanas.
Quando Paulo utiliza a expressão revestir-se, ele não afirma retornar ao mesmo corpo, mas assumir outra condição. O Espírito, ao desprender-se do corpo físico, conserva sua individualidade, sua consciência e seus atributos morais. Ele passa a utilizar um envoltório fluídico mais sutil, o perispírito, que não está sujeito à corrupção material. É esse envoltório que Paulo, por limitação conceitual da época, denomina corpo espiritual.
A vitória sobre a morte, mencionada no texto, não é a reanimação do cadáver, mas a certeza da sobrevivência da alma. A morte perde seu aguilhão quando o ser humano compreende que ela não extingue a vida, apenas modifica seu modo de manifestação. O pecado, entendido sob a ótica espírita, é o atraso moral. A lei, quando mal compreendida, escraviza. O Cristo, ao revelar a lei do amor, liberta.
Essa leitura harmoniza-se plenamente com o ensino do Evangelho segundo o Espiritismo no capítulo primeiro intitulado Não vim destruir a lei. Jesus não veio abolir as leis divinas, mas explicá las e conduzir a humanidade à sua compreensão espiritual. Ele jamais ensinou a ressurreição da carne como retorno do corpo ao túmulo. Ao contrário, afirmou que seu reino não é deste mundo, indicando uma realidade espiritual distinta da matéria densa.
Nesse capítulo, esclarece-se que a lei de Deus é eterna e imutável. As leis naturais incluem a transformação da matéria e a continuidade da vida espiritual. Ressuscitar corpos decompostos violaria a ordem natural, o que seria incompatível com a sabedoria divina. O progresso ocorre pela evolução do Espírito, não pela perpetuação da matéria transitória.
A distinção feita entre a lei divina e a lei mosaica é fundamental. As prescrições exteriores, rituais e corporais pertencem a um estágio pedagógico antigo. Jesus combateu justamente a fixação na forma e no símbolo, chamando a atenção para o espírito da lei, que é moral. A ressurreição literal do corpo pertence ao mesmo campo das interpretações materiais que ele veio superar.
O Espiritismo, apresentado como o Consolador prometido, não cria nova doutrina, mas esclarece racionalmente aquilo que foi dito de modo alegórico. Ele demonstra que a verdadeira vida é a vida do Espírito, conforme ensinado pelo Cristo. O corpo é instrumento temporário. A alma é o ser real.
O Livro dos Espíritos, ao tratar da lei divina ou natural, ensina que essa lei está gravada na consciência e rege tanto o mundo físico quanto o espiritual, ( 621 L.E.). A morte do corpo não interrompe a vida do Espírito, nem o reduz à inconsciência. Ao contrário, o Espírito prossegue em sua jornada evolutiva, colhendo os frutos morais de sua existência corporal.
Na questão 625, afirma se que Jesus é o tipo mais perfeito que Deus ofereceu ao homem para lhe servir de guia e modelo. Ora, Jesus não retomou um corpo corruptível. Sua manifestação após a morte foi espiritual, perceptível aos sentidos humanos por concessão divina, mas não implicou retorno à vida orgânica comum. A Gênese de Kardec , ao analisar a natureza de Jesus, esclarece que sua constituição espiritual superior, lhe permitia fenômenos que não se confundem com ressurreição material.
Portanto, à luz da lógica espírita, a ressurreição do corpo é impossível porque contraria as leis naturais, a observação científica, a razão filosófica e o próprio ensino moral do Cristo. O que existe é a sobrevivência do Espírito, sua libertação progressiva da matéria grosseira e sua ascensão moral rumo a estados mais elevados de existência.
A incorruptibilidade anunciada por Paulo é a conquista espiritual, não a perpetuação da carne. A vitória sobre a morte é a certeza da continuidade da vida consciente. Assim, o Evangelho, compreendido no Espiritismo, deixa de ser promessa fantástica e torna-se lei viva, racional e profundamente consoladora, conduzindo o ser humano ao progresso moral que o aproxima de Deus.

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A VERDADEIRA MORADA - ELES VIVEM!
Catarina Labouré / Irmã Zoé .
Queridos irmãos.
que a suave paz e a doce luz de nosso Senhor Jesus,nos envolva e nos sustente como tem sido realizado sobre todos desde tempos imensuráveis sobre suas ovelhas imortais...
Meus filhos,foi estipulado pelos homens,uma data para se lembrar daqueles que adentraram pelas portas da morte do corpo físico,as moradas da casa paterna celestial! O derradeiro momento que se nos parece uma dura separação a qual dizemos respeitosamente,muitos afirmam "saudades eternas" não está de acordo com a vida que pulsa indeterminadamente na mensagem do túmulo vazio de Messias.
Ao cerrarem-se os olhos surrados da carne,quando o corpo inerte e frio,nada responde,causando-nos um amargor e sensação de que tudo acabou,os olhos em espírito translúcidos independentemente da evolução,se abrem em terras que antecedem a estes nas moradas infinitas na casa do Pai!
O fenômeno o qual se deu o nome de morte,não tem existência nem mesmo na própria matéria,pois correspondem à leis de transformações que dão continuidade unicelular a tantas outras vidas,que as lentes microscópicas podem comprovar.Na natureza nada se cria,nada se perde,tudo se transforma.Lavoisier está inquestionavelmente certo,o vaso cadavérico ainda é aproveitado pela natureza mesmo que reduzido a pó,no amparo da sustentabilidade ambiental.Que os incrédulos provem o contrário,sendo que tudo nos fala de vida.
Se a morte tivesse existência própria,equivaleria dizermos que existem duas forças no universo e sabemos sem sombra de dúvidas,que Deus é único,criador de todas as coisas.Ele não deu existência à morte,mas sim um tempo num corpo corruptível que hora se nos apresenta viçoso e logo mais cedo ou mais tarde será devolvido à sua origem no limo.
As palavras encontradas no Antigo Testamento: Tu és pó e ao pó retornará! Só tem efeito se forem analisadas com as palavras sublimais da frase esclarecedora do querido Padre Antônio Vieira quando ainda na terra:Queres saber o que é a vida?Olhai o corpo morto!
Na meditação em tal sensato pensamento,este queria dizer e consolando,que além daquele objeto que nos serviu de de vestimenta por um período,agora está vazio na concepção da palavra vida,porque ela agora,volita na vida verdadeira.
Quando o filósofo Sócrates que antes de Jesus vir assumir o seu insubstituível posto autocrático,perguntaram ao sábio pensador que fora obrigado a beber cicuta,dose suficiente para derrubar mais de dez elefantes,ele alegremente sorve o veneno e declara aos seus seguidores preocupados onde ele gostaria que fosse enterrado o seu corpo?
- O corpo? Este joguem fora...sócrates não habita mais nele!
A morte como sendo irmã da vida,mesmo que pareça um disparate tais palavras,dá a sua contribuição à vida,porque retira o homem do lamaçal fétido aprisionado na terra e o redireciona mais vivo ainda,porque ninguém morre!
Não perdemos os que amamos ou mesmo aqueles que são motivos de escândalos,mas que outros corações amantes choram também desfrutam da mesma essência imortal.
Não nos detenhamos em condenar a alguém,é preferível as desafeições dentro da matéria que fora dela,por causa da nuvem de testemunhas invisíveis que nos cercam,segundo o apóstolo dos gentios.
Não ignora-se a profunda dor que nos assalta quando este momento se concretiza,é uma dor que se pode dizer análoga ao desaparecimento,mas não nos percamos em tais sentidos,pois provas incontestáveis existem que o ser amado vive.Enderecemos a este nosso amor inseparável,mas nunca as palavras de adeus.Um dia vamos nos reencontrar,um dia,porque a cada um segundo as suas obras,na casa do Pai há muitas moradas.A evolução de cada um é o abismo que separava o rico que via o mendigo no seio de Abraão.
Precisamos fazer sem demora,um "exercício" para morte,como?
Nos preparando sempre,na renúncia,na dedicação,na auto iluminação para nos enxergarmos uns aos outros depois do aceno último no campo santo,onde todas as diferenças acabam.
Mas,não duvides todos sobrevivem,vivemos antes do corpo e toda a Bíblia dá nos provas da continuação perpétua do espírito...
Neste dia,em que dizemos comemorarmos o dia dos mortos,que estão sempre vivos e que vem falar aos "vivos" que estão sempre mortos,possamos banhá-los se for o caso com as lágrimas pela falta física,mas é bem sentida a presença constante em nós da sua marca a nos dizer: Estamos aqui,vivos,unamos os nossos sentidos puros e verdadeiros de amor como antes!
Alegremo-nos,isto não faz mal,enfeitemos a casa física de sorrisos e perfumadas flores ou mesmo dentro da expressão de cada fé,manifestemos a nossa gratidão a eles e a Deus pelo momento mesmo que fugaz pelo convívio no corpo.
lembremos a nossa fé as imutáveis e inesquecíveis palavras de Jesus:
- Coragem,eu venci o mundo,tu também o vencerá!
- Ser fiel até o fim e eu te darei a coroa da vida.
É nisto que se consiste a preparação para morte!
Assim agindo,quando este democrático momento vier,doerá,mas doerá menos,porque estaremos preparados.
Muita paz! E apenas um até breve!
( Mensagem recebida na noite de: ( 01/11/2015.)
Médium: Marcelo Caetano Monteiro.

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A INFÂNCIA COMO ESTADO TRANSITÓRIO DA CONSCIÊNCIA ESPIRITUAL.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
Na análise doutrinária da infância, conforme exposta em O Livro dos Espíritos, a questão 379º estabelece um princípio fundamental da antropologia espiritual: o Espírito que anima o corpo de uma criança pode ser tão desenvolvido quanto o de um adulto. A diferença não reside na essência do ser, mas na limitação imposta pelo instrumento corpóreo. A organização física infantil, ainda em formação, não oferece meios suficientes para que o Espírito manifeste plenamente suas faculdades. Assim, o grau de expressão do pensamento e da consciência encontra-se condicionado ao estado do corpo, e não à grandeza intrínseca do Espírito que o habita.
A questão 380º aprofunda esse entendimento ao esclarecer que, embora o Espírito possua em si a potencialidade intelectual adquirida ao longo de suas existências anteriores, os órgãos da inteligência, ainda imaturos, não lhe permitem exteriorizar tal patrimônio interior. A infância, portanto, não representa um empobrecimento espiritual, mas uma suspensão funcional da razão plena. O Espírito pensa segundo os limites do organismo que o abriga, permanecendo em estado de latência até que o desenvolvimento fisiológico lhe permita maior expansão intelectual e moral.
Essa condição explica a natureza dos sonhos infantis, geralmente simples e desprovidos de complexidade simbólica. Eles refletem o grau de atividade mental possível naquele estágio da vida orgânica. Não se trata de inferioridade espiritual, mas de adequação entre o princípio inteligente e o veículo material que o contém. A mente, ainda em formação, expressa-se por imagens singelas, coerentes com o nível de amadurecimento cerebral.
A questão 381º esclarece, por fim, que, ocorrendo a morte na infância, o Espírito readquire o seu vigor anterior. A libertação do envoltório carnal devolve-lhe gradualmente a plenitude de suas faculdades. Contudo, essa restituição não se dá de modo instantâneo. Persistem, por algum tempo, os vínculos fluídicos que o ligavam ao corpo, e somente com a completa dissolução desses laços é que o Espírito reencontra sua lucidez integral.
Dessa forma, a infância revela-se, à luz do Espiritismo, como uma fase transitória e pedagógica da existência espiritual. Não é um estado de ignorância essencial, mas um período de recolhimento e preparação. A alma, antiga e experiente, curva-se às leis da matéria para, mais uma vez, aprender, reajustar-se e prosseguir na ascensão moral que lhe está destinada.

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GANÂNCIA E APRENDIZADO.
"Perguntou o ganancioso ao senhor do mundo. Senhor, tu que tudo criastes, deixa-me tomar quanto eu puder deste mundo. E o senhor respondeu. Pois não, meu filho. Vai até onde teus pés e teu desejo te levarem. Moral da história. O doente ganancioso morreu exausto de tanto andar."
Autor. Um amigo.
Comentário moral. A narrativa, simples e antiga como as parábolas que atravessam os séculos, ensina que a ganância não impõe limites a si mesma. O desejo, quando não educado pela medida e pela consciência, transforma-se em força exaustiva que consome o corpo, obscurece o espírito e converte a liberdade em cativeiro interior. O mundo não nega nada ao homem. É o próprio homem que se perde ao confundir possibilidade com necessidade e caminho com posse.
Assim, aprende-se que a verdadeira sabedoria não está em ir até onde os pés alcançam, mas em saber quando deter-se, pois somente quem domina o próprio desejo consegue caminhar sem morrer de cansaço por dentro.
Escritor:Marcelo Caetano Monteiro.

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Mateus 13:14 - INVERSÃO DE VALORES.
A CEGUEIRA MORAL COMO SINTOMA DE UMA ERA DESORIENTADA.
A mensagem contida em Mateus 13:14, expressa uma diagnose espiritual de elevada gravidade ética. Ela descreve não um desvio episódico de costumes mas uma erosão profunda dos critérios que sustentam o juízo moral coletivo. A chamada inversão de valores constitui um processo de entorpecimento da consciência no qual o discernimento é gradualmente substituído pela conveniência e pela complacência afetiva.
Quando o texto evangélico afirma que muitos escutam sem assimilar e observam sem compreender ele aponta para um fenômeno de opacidade interior. A inteligência permanece ativa. A sensibilidade espiritual porém encontra-se embotada. O indivíduo passa a filtrar a realidade não segundo a verdade mas segundo o que lhe é confortável. Essa disposição gera uma anestesia ética na qual o erro deixa de provocar inquietação e o bem passa a ser percebido como incômodo.
A passagem de Mateus 13:14 descreve um fechamento voluntário da percepção moral. Não se trata de incapacidade cognitiva mas de recusa deliberada ao chamado interior. O sujeito preserva os sentidos físicos mas abdica da escuta profunda e da visão penetrante. Forma-se assim uma consciência seletiva que legitima desejos e invalida princípios. Nesse estado o certo parece excessivo e o errado parece justificável.
Em Mateus 18:7 a advertência assume uma dimensão estrutural. Os escândalos emergem como subprodutos de ambientes morais degradados. Eles não surgem por acaso. Eles florescem onde há permissividade normativa e diluição da responsabilidade pessoal. O texto não absolve o contexto. Ele responsabiliza o agente. O escândalo não é apenas um fato social. Ele é uma falha ética personificada.
Sob uma ótica tradicional essa degeneração revela o abandono de parâmetros objetivos de verdade. Quando a retidão passa a ser relativizada e a transgressão passa a ser celebrada instala-se uma confusão axiológica que compromete a formação do caráter. A pedagogia perde autoridade. A disciplina é confundida com opressão. E a liberdade é reduzida a impulso.
Essa desordem não permanece restrita ao plano individual. Ela infiltra-se nas instituições. Contamina o discurso público. E normaliza práticas que antes seriam moralmente reprováveis. O escândalo deixa de causar repulsa. Ele passa a ser assimilado como expressão cultural. O alerta ético passa a ser tratado como intolerância. E a tradição passa a ser caricaturada como atraso.
A mensagem portanto atua como um espelho severo aos desatentos. Ela recorda que toda sociedade que rompe com sua herança moral perde progressivamente a capacidade de orientar seus membros. A tradição não é um apego nostálgico ao passado. Ela é a sedimentação de experiências humanas que preservaram a ordem interior e a dignidade ao longo do tempo. Quando essa memória é descartada o homem permanece entregue às próprias pulsões sem norte e sem medida.
Uma civilização que confunde indulgência com virtude e rigor com maldade não caminha para o progresso mas para a dissolução silenciosa de sua própria base de diretriz.

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CAPÍTULO I
APRENDER A FECHAR AS PORTAS DA ALMA.
Filtrar os acontecimentos não é negar o mundo. É restabelecer hierarquia interior. O que tudo invade é porque tudo recebeu o mesmo peso. A alma, quando não seleciona, adoece por excesso de realidade.
O primeiro filtro é o discernimento do que merece permanência. Nem tudo que acontece fora exige hospedagem interior. Há fatos que devem ser reconhecidos e depois deixados seguir. A tradição sempre ensinou que a sabedoria começa quando se aprende a distinguir o essencial do ruidoso.
O segundo filtro é o ritmo. A vida moderna impõe simultaneidade. Antigamente, as dores vinham uma a uma. Hoje chegam em bloco. Recuperar o ritmo humano é reduzir a exposição. Escolher quando ouvir. Quando ler. Quando silenciar. O excesso de informação desorganiza a sensibilidade e dissolve as defesas naturais do espírito.
O terceiro filtro é o recolhimento consciente. Não se trata de fugir do mundo, mas de retornar a si. Momentos de solidão escolhida restauram limites internos. A interioridade sempre foi o lugar onde o ser humano reorganiza o sentido antes de voltar ao convívio.
O quarto filtro é a linguagem interior. Aquilo que não se consegue nomear tende a invadir de forma difusa. Dar nome ao que afeta é conter. Pensar é organizar. Escrever é delimitar. O que ganha forma perde poder invasivo.
Por fim, há o filtro ético. Nem toda dor alheia é incumbência pessoal. A compaixão verdadeira não se confunde com absorção. Ajudar não é carregar. É sustentar sem se perder.
Filtrar os acontecimentos é um exercício antigo. Sempre foi assim. O mundo nunca foi leve. Leve precisa ser o olhar que aprende a escolher o que entra. Porque quem não fecha as portas da alma acaba transformando a própria sensibilidade em campo de batalha.

Eis exemplos claros, ancorados na experiência humana tradicional, sem romantização do excesso moderno.
ANTIGAMENTE, AS DORES VINHAM UMA A UMA. HOJE CHEGAM EM BLOCO.
Antigamente, a dor tinha rosto e tempo. Um luto era vivido até o fim antes que outro começasse. A escassez de notícias fazia com que o sofrimento fosse localizado. Morria alguém da aldeia. Havia o velório. O silêncio. O luto compartilhado. Depois, a vida retomava seu compasso. A dor era profunda, mas circunscrita.
Hoje, em um único dia, o indivíduo é exposto a uma tragédia distante pela manhã, a uma violência simbólica ao meio dia, a um conflito social à tarde, a uma crise econômica à noite e a uma dor íntima antes de dormir. Nada se encerra. Tudo permanece aberto. O espírito não encontra fechamento.
Antes, o sofrimento vinha pela experiência direta. Hoje vem pela exposição contínua. Não é vivido. É absorvido.
RECUPERAR O RITMO HUMANO É REDUZIR A EXPOSIÇÃO.
Escolher quando ouvir. Antigamente, escutava se quando alguém batia à porta ou quando a comunidade se reunia. Hoje, escuta se o tempo todo, mesmo sem consentimento. Recuperar o ritmo é desligar o fluxo. Não atender a todas as vozes. Não se sentir moralmente obrigado a reagir a tudo.
Escolher quando ler. A leitura era um ato deliberado. Um livro. Um texto. Um tempo reservado. Hoje, lê se fragmentos incessantes. Manchetes. Opiniões. Julgamentos. Reduzir a exposição é resgatar a leitura lenta e profunda e recusar o consumo contínuo de conteúdo que apenas excita a angústia.
Escolher quando silenciar. O silêncio era parte da vida cotidiana. Caminhadas. Noites sem estímulo. Trabalho manual. Hoje, o silêncio causa desconforto porque revela o cansaço oculto. Recuperar o ritmo humano é reaprender a ficar sem ruído, sem resposta imediata, sem explicação.
O TERCEIRO FILTRO. O RECOLHIMENTO CONSCIENTE.
Antigamente, o recolhimento era natural. A noite encerrava o dia. O inverno recolhia a vida. A velhice diminuía o ritmo. Hoje, recolher se é visto como fraqueza ou improdutividade.
O recolhimento consciente é escolher sair de circulação por um tempo. Não responder imediatamente. Não opinar sobre tudo. Não se expor quando o interior pede abrigo. É a pausa deliberada que impede o colapso silencioso.
Exemplo concreto. A pessoa que sente o mundo invadir não precisa explicar se. Ela precisa se recolher. Caminhar sem destino. Escrever sem publicar. Pensar sem compartilhar. Orar sem espetáculo. Esse recolhimento não é fuga. É higiene da alma.
Porque o espírito humano nunca foi feito para carregar o mundo inteiro ao mesmo tempo. Ele precisa de intervalo. De fronteira. De retorno ao seu ritmo ancestral. E quando esse ritmo é respeitado, as defesas naturais voltam a existir.

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TÍTULO
A JUSTIÇA DIVINA E A LIBERDADE DO ESPÍRITO
ARTIGO
O Espiritismo, em sua expressão mais depurada, não se apresenta como sistema de temor, mas como pedagogia moral da consciência. A Doutrina não constrói um Deus punitivo, arbitrário ou vingativo. Revela um princípio soberanamente justo e bom, cuja ação se manifesta pelo respeito absoluto à liberdade espiritual e pela finalidade educativa das experiências humanas.
Deus não condena suas criaturas a castigos perpétuos por erros transitórios. Tal concepção violaria a própria ideia de justiça, pois nenhuma falta limitada no tempo poderia justificar uma pena infinita. O erro, no entendimento espírita, é sempre circunstancial e próprio de um Espírito ainda imperfeito, jamais definitivo ou essencial à sua natureza. Por isso, a Lei Divina oferece, a qualquer tempo, meios de progresso, reparação e reequilíbrio moral.
O arrependimento não surge como mero sentimento de culpa, mas como lucidez ética. Reparar não é sofrer por sofrer, mas agir em favor do bem, restabelecendo a harmonia rompida. A justiça divina não se impõe de fora para dentro. Ela opera no íntimo da consciência, onde cada Espírito experimenta as consequências naturais de suas escolhas. Persistir voluntariamente no caminho do mal converte-se, por si mesmo, em sofrimento, pois ninguém viola a ordem moral sem ferir a própria estrutura psíquica e espiritual.
A chamada pena eterna, à luz do Espiritismo, não é um decreto imutável, mas uma permanência voluntária no erro. Se o Espírito ali permanecesse indefinidamente, a dor também se prolongaria. Contudo, a mínima disposição ao arrependimento basta para que a misericórdia divina se manifeste, oferecendo novas oportunidades de aprendizado e reabilitação. Eis a relatividade das penas e da própria noção de eternidade, compreendida não como duração infinita do sofrimento, mas como continuidade da vida orientada ao aperfeiçoamento.
A liberdade concedida aos Espíritos é condição indispensável para o mérito moral. Se não houvesse possibilidade de escolha, não haveria responsabilidade, nem virtude autêntica. Deus permite que o Espírito experimente o bem e o mal para que aprenda, pela razão e pela vivência, a distinguir o que eleva daquilo que degrada. A sabedoria divina não se impõe pela coerção, mas pela educação gradual da consciência.
O primeiro ensinamento é o amor. O segundo é a instrução. Amar sem compreender conduz ao fanatismo. Instruir sem amar conduz à aridez moral. O Espiritismo une ambos, chamando o ser humano a uma ética da responsabilidade, da lucidez e da esperança ativa.
Assim, a mensagem espírita não promete atalhos, nem absolvições automáticas. Ela convoca o Espírito à dignidade de construir-se, passo a passo, na liberdade, assumindo o peso de seus atos e a grandeza de sua capacidade de transformação, pois toda consciência que se esclarece encontra no bem não uma imposição, mas um destino escolhido com maturidade e verdade.

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"DESEJO DE SUMIR. ESSA VONTADE CANSADA DE TODOS OS DIAS."
"Eles não verão nem ouvirão meus segredos bobos."
Ninguém acorda para mais um dia. Apenas se põe de pé dentro dele, como quem aceita um fardo antigo sem discutir. Não sabemos quem passa por quem. Se somos nós que cruzamos as vidas ou se são elas que nos atravessam, deixando resíduos invisíveis que se acumulam até o cansaço.
O desejo de sumir não nasce do espetáculo. Nasce da repetição. Da fadiga de existir todos os dias sem interrupção. Não é morte o que se quer. É intervalo. É silêncio prolongado. É não precisar sustentar o peso de si mesmo por algumas horas que nunca vêm.
No silêncio inaugural o deserto não boceja. Ele estremece. As notas de piano não caem. Elas sangram num tempo lento, espesso, difícil de atravessar. O contrabaixo pesa como um peito saturado de dias iguais, marcando o passo de quem caminha não porque acredita, mas porque ainda não caiu. O sol não nasce. Ele apenas tolera o mundo. A esperança não é linha no horizonte. É cicatriz que insiste em não fechar.
A melodia cresce como cresce o trauma cotidiano que ninguém percebe. As teclas pretas e brancas não dançam. Elas se enfrentam. O drama não se costura. Ele se rasga em acordes de tensão contínua. Não há repouso nas pausas. A pausa ameaça revelar o vazio. A poeira guarda a história como quem guarda um segredo vergonhoso. O herói e o vilão dividem o mesmo corpo cansado. Ambos querem sumir. Um chama isso de covardia. O outro chama de descanso.
Seguimos de pé por entre o dia. Não o dominamos. O dia nos atravessa com suas exigências mudas. Cada encontro é um choque entre cansaços que não se confessam. Cada rosto esconde um pedido de trégua. Não sabemos quem carrega quem. Apenas seguimos, tropeçando em nós mesmos.
A cadência final não consola. Ela esgota. O último grave não vibra. Ele cai. O movimento não se transforma em silêncio. Transforma-se em suspensão. Não é morte. Não é alívio pleno. É a permanência de uma vontade que não se resolve. A música termina onde a dor aprende a morar sem escândalo. O Oeste adormece porque até o vento se cansa de insistir.
E ainda assim alguém se levanta amanhã. Não por esperança exuberante. Mas porque permanecer, mesmo desejando sumir, é um gesto severo de lucidez. E seguir, cansado e consciente, é a forma mais silenciosa e profunda de coragem.

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O SILÊNCIO QUE VIGIA.
O teu silêncio não se limita a calar. Ele age. Instala-se como uma presença meticulosa destinada unicamente ao meu coração. Não vem para ensinar nem para esclarecer. Vem para despertar antigos medos que eu julgava sepultados. Ele percorre minhas veias com a frieza de uma água que não purifica. Apenas paralisa. Congela lentamente cada parte de mim até que o gesto mais simples se torne impossível e eu me descubra imóvel dentro de uma armadilha sem grades visíveis.
Esse silêncio não grita. Mas ressoa. E o que ressoa não é som. É pressão. É o peso de tudo o que não foi dito escorrendo para dentro da consciência. Quando transborda pelos olhos já não é choro. É rito. Cada lágrima amplia um rio íntimo onde a memória se afoga. Um Estige particular que me conduz não à morte do corpo mas à suspensão da esperança.
No íntimo da psique ele não se anuncia como violência aberta. Chega como frio constante. Um frio que rouba do corpo a coragem do movimento e da mente a ilusão de defesa. Tento compreender. Construo explicações. Mas o silêncio não dialoga. Ele observa. Espera. E nessa espera molda o medo até que o medo se torne morada permanente.
O castigo não está em sofrer. Está em saber que tudo poderia ter sido diferente por uma única conversa. Porque o que sempre desejei não foi vencer nem acusar. Foi falar. Falar para libertar. Falar para romper o feitiço da mudez que transforma o amor em sepulcro. E então compreendo. O silêncio não aprisiona quem se cala. Aprisiona quem espera. E é nessa espera que a alma aprende tarde demais que a misericórdia recusada pesa mais do que qualquer palavra dita.

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A VOZ DO PASTOR E O DISCERNIMENTO ESPIRITUAL.
Sob a ótica espírita, a afirmação de que a ovelha conhece a voz do seu pastor adquire um alcance que ultrapassa a imagem literal e penetra o campo da consciência moral e do discernimento espiritual. A passagem evangélica em João 10:3-4, 14, 27-30 não descreve apenas um vínculo afetivo, mas revela uma lei íntima da vida espiritual. O Espírito amadurecido aprende a reconhecer a verdade não pelo ruído exterior, mas pela consonância interior que ela produz em sua consciência.
O reconhecimento da voz do pastor simboliza a afinidade vibratória entre o ensinamento do Cristo e o grau evolutivo do Espírito. A ovelha não segue o estranho porque a voz que não procede do amor, da justiça e da caridade não encontra eco em seu foro íntimo. No Espiritismo, essa capacidade de reconhecimento nasce do progresso moral. Quanto mais o Espírito se educa no bem, mais facilmente distingue a orientação legítima das sugestões enganosas, sejam elas oriundas do orgulho humano ou de influências espirituais inferiores.
Seguir o pastor, nessa leitura, não significa submissão cega, mas adesão consciente. O Cristo vai à frente porque ensina pelo exemplo, e protege porque suas leis são leis de equilíbrio. Aquele que escuta e segue essa voz encontra direção segura mesmo em meio às provas, pois não caminha ao acaso. A proteção não é a ausência de dificuldades, mas a certeza de que nenhuma experiência é inútil quando vivida à luz do bem.
O conhecimento íntimo do pastor, que chama cada ovelha pelo nome, revela a individualidade espiritual. Para o seu amor, Deus não vê massas anônimas, mas Espíritos singulares, cada qual com sua história, suas quedas e suas possibilidades de ascensão. Ser conhecido pelo nome significa ser reconhecido em sua identidade espiritual, com responsabilidades próprias e tarefas intransferíveis no processo evolutivo.
Quanto à vida e à segurança prometidas, o Espiritismo esclarece que não se trata de privilégio ou garantia arbitrária, mas de consequência natural. Ninguém pode arrebatar a ovelha da mão do Pai porque a lei divina é soberana e justa. O Espírito que se harmoniza com essa lei encontra estabilidade interior, mesmo quando atravessa a dor, pois compreende o sentido das experiências e não se perde no desespero.
Assim, conhecer a voz do pastor é aprender a ouvir a própria consciência iluminada pelo Evangelho vivido. É distinguir, no tumulto do mundo, aquilo que conduz à elevação moral daquilo que apenas seduz os sentidos. Quando essa escuta se torna hábito da alma, o Espírito caminha com segurança, mesmo nas noites mais densas, porque já não segue vozes estranhas, mas a verdade que reconhece como sua.
ENTRE O PASTOREIO E A VIGILÂNCIA SOMBRIA. SERÁ A OVELHA UM LOBO?
A pergunta levantada não é simples nem confortável, e justamente por isso é necessária. Conhecer pelo nome, no sentido evangélico e espírita, não é reconhecer o rosto, a presença física ou a frequência nos bancos. Conhecer pelo nome é conhecer a alma em sua dignidade, em sua fragilidade, em seu tempo próprio de amadurecimento. É saber quem é o outro sem desejar possuí lo, moldá lo ou utilizá lo.
Quando os olhos se tornam felinos, atentos não ao cuidado, mas ao controle, já não há pastoreio, há vigília predatória. O lobo não chama pelo nome, ele identifica pela utilidade, pela fraqueza, pela conveniência. Onde há cálculo, expectativa de retorno, vaidade espiritual ou desejo de domínio, ali o olhar já não é o do Cristo. É apenas o instinto revestido de linguagem piedosa.
Sob a ótica espírita, toda confiança recebida é prova e tarefa. As ovelhas que nos são confiadas não nos pertencem. São Espíritos em jornada, com dores que não nos cabem julgar e ritmos que não nos compete acelerar. O verdadeiro pastor caminha à frente não para ser visto, mas para servir de referência silenciosa. Ele protege sem vigiar excessivamente, orienta sem invadir, corrige sem humilhar.
Quando deixamos de conhecer pelo nome, passamos a conhecer por rótulos. O fraco, o rebelde, o difícil, o que não colabora. Nesse instante, o vínculo se rompe, porque a relação deixa de ser espiritual e passa a ser funcional. O Evangelho, porém, não se sustenta sobre funções, mas sobre consciências.
A questão central não é se falamos em nome do pastor, mas se ainda ouvimos a sua voz. Porque quem realmente escuta o Cristo não aprende a olhar sem cobiça, a conduzir sem violência e a amar sem necessidade de posse. Onde isso ocorre, mesmo que haja discurso correto, já não há rebanho, há apenas sombras em disputa.
E talvez o maior exame moral seja este. Antes de perguntar se somos seguidos, perguntar se ainda somos capazes de chamar alguém pelo nome sem segundas intenções, pois somente quem abandona os olhos do lobo pode reaprender a caminhar com o coração do pastor.

DE MAIOR GRANDEZA SOB A ÓTICA ESPÍRITA.
João 15:15 não é apenas uma declaração afetiva de Jesus aos seus discípulos. Trata-se de uma mudança íntima na relação entre o ser humano e o divino. Ao abandonar o termo servo e elevar o homem à condição de amigo, Jesus inaugura uma ensinamento espiritual fundada na consciência, na liberdade moral e na responsabilidade do espírito que já não obedece por temor, mas por entendimento.
No entendimento espírita, essa passagem revela um marco evolutivo. O servo age por submissão exterior. Cumpre ordens sem compreender o sentido profundo do que executa. Já o amigo participa do propósito. Ele conhece a causa, o fim e o caminho. Quando Jesus afirma que revelou tudo o que ouviu do Pai, não fala de segredos místicos reservados a poucos, mas das leis morais que regem a vida, acessíveis à razão e ao sentimento amadurecido.
Ser amigo de Jesus, portanto, não é um título honorífico concedido por devoção verbal, mas uma condição interior conquistada pelo esforço ético e pelo progresso espiritual. A amizade pressupõe afinidade. E afinidade, no campo espiritual, significa sintonia com os valores que Jesus viveu. Misericórdia. Justiça. Verdade. Amor ativo.
Sob a base espírita, essa transição de servo para amigo indica o fim da fé cega e o início da fé raciocinada. O espírito já não caminha guiado apenas por dogmas ou por obediência passiva, mas pela compreensão das leis divinas inscritas na própria consciência. O servo teme errar. O amigo compreende, erra, aprende e recomeça.
Há ainda um aspecto profundamente consolador nessa afirmação. O amigo é aquele que é chamado a participar da obra. Jesus não centraliza em si o plano do Pai. Ele o compartilha. Ele confia. Ele responsabiliza. Isso significa que o ser humano não é um mero espectador da criação, mas cooperador ativo no aperfeiçoamento do mundo e de si mesmo.
Assim, João 15:15 consagra o mais elevado título que se pode rogar de Jesus. Não o de soberano distante, nem o de juiz implacável, mas o de amigo espiritual. Amigo que ensina. Amigo que confia. Amigo que espera. E essa amizade não se mede por palavras, mas pela disposição íntima de viver aquilo que Ele viveu, até que o conhecimento se transforme em consciência e a consciência em amor vivido.

Essa pergunta toca o ponto mais delicado e mais verdadeiro do cristianismo vivido, não apenas professado. E a resposta, se honesta, exige silêncio interior antes de qualquer afirmação.
Se temos sido amigos de Jesus na pessoa uns dos outros, isso se revela não no discurso, mas na prática cotidiana. A amizade que Ele propôs não é abstrata, nem restrita ao plano da devoção íntima. Ela se encarna no modo como olhamos, tratamos, acolhemos e suportamos o outro, sobretudo quando o outro falha, diverge ou nos fere.
Ser amigo de Jesus no próximo é reconhecer que o outro não é um obstáculo à minha fé, mas o campo onde ela é provada. Quando julgamos com dureza, negamos essa amizade. Quando excluímos, rompemos com ela. Quando usamos o nome de Jesus para afirmar superioridade moral, transformamo-nos novamente em servos do ego, mas em amigos do Cristo.
A amizade verdadeira supõe igualdade moral diante da lei divina. Não há amigo que se coloque acima do outro. Jesus lavou os pés dos discípulos exatamente para destruir qualquer ilusão de hierarquia espiritual baseada no orgulho. Assim, toda vez que nos colocamos como donos da verdade, como fiscais da conduta alheia, deixamos de agir como amigos e retornamos à postura do servo que obedece sem compreender o espírito da lei.
No convívio humano, a amizade com Jesus se manifesta na capacidade de ouvir antes de corrigir, de compreender antes de condenar, de amar mesmo quando não há reciprocidade imediata. Não é conivência com o erro, mas caridade com o erro alheio, sem esquecer a vigilância sobre o próprio.
À luz espírita, essa pergunta nos confronta com a coerência evolutiva. Somos amigos de Jesus quando reconhecemos que todos estamos em processo, em diferentes graus de amadurecimento espiritual. A impaciência com o outro denuncia impaciência conosco mesmos. A intolerância revela desconhecimento das próprias sombras.
Portanto, se ainda falhamos em ser amigos uns dos outros, não significa que Jesus nos tenha retirado essa possibilidade. Significa apenas que ainda estamos aprendendo o que Ele quis dizer quando nos chamou de amigos. E esse aprendizado não se dá em templos apenas, mas no atrito diário das relações humanas, onde o amor deixa de ser ideia e passa a ser escolha consciente, reiterada e silenciosa

OVELHAS, AMIGOS E SERVOS.
Ao interpelar Simão pela terceira vez e confiar-lhe as ovelhas, o Cristo sela definitivamente a diferença entre servir por obrigação e amar por consciência. A pergunta repetida não visa constranger. Visa amadurecer. Jesus não procura declarações inflamadas, mas confirmação interior. Quem ama assume cuidado. Quem ama aceita responsabilidade. Quem ama compreende que a amizade com o Cristo se traduz em serviço lúcido e silencioso.
O Divino Pastor não solicita prodígios. Não exige espetáculos espirituais. Não pede que se altere a natureza das ovelhas, nem que se violentem os ritmos da vida. Seu apelo é simples e, exatamente por isso, profundo. Alimentar. Sustentar. Cuidar. Permitir que cada qual cresça segundo as leis que o regem, sem atalhos ilusórios e sem privilégios artificiais.
Nessa recomendação está implícita uma advertência moral. Alimentar não é envenenar. Conduzir não é dominar. Ensinar não é impor. Quem se diz amigo do Cristo, mas contamina a fonte do pensamento com orgulho, vaidade ou intolerância, trai a confiança recebida. O alimento espiritual, para ser válido, precisa ser limpo. E a limpeza começa nas atitudes de quem o oferece.
Assim também ocorre com todos aqueles chamados a lidar com ideias, consciências e sentimentos. O Cristo não espera que transformemos pessoas comuns em santos imediatos. Ele espera fidelidade ao bem. Espera coerência. Espera que a mesa do exemplo não desminta o discurso e que a palavra não contradiga a vida.
Entre o servo que obedece sem entender e o amigo que ama porque compreende, há o caminho do pastor fiel. Aquele que não se coloca acima das ovelhas, nem as abandona. Apenas caminha com elas, alimenta quando necessário, corrige com mansidão e confia no tempo. E é nesse cuidado diário, humilde e responsável, que se revela a verdadeira amizade com Jesus.

Inserida por marcelo_monteiro_4


É difícil fazer umas boas trovas,
dessas que a toda gente seduz,
tem que contar sílabas, que prova!
só se pedir ajuda ao senhor Jesus
Mas Ele não pode a isso atender,
seria até pecado aproveitar,
já tem tanto enguiço para resolver
e vai dizer que preciso estudar
Ai, querido senhor "Jesus Cristinho",
desculpa essa minha intromissão,
mas escrever assim bem certinho
é para mestres e já não sou isso não...

Inserida por neusamarilda

Poesia da criação
.
Na cosmovisão do tempo
há uma arvore genealógica do mundo,
a criação do vento, deu-se ao espaço,
JESUS, no monte, viu toda glória futura
a casa das dimensões e o mar da eternidade,
estava dentro dele,
todos os livros dos corações abertos estão,
a versão mais bonita é a tradução do amor
os pássaros em luzes, eram paisagens brilhantes
a passagem das eras, em idades de dia,
ele é poesia do alfa e ômega
na arca da aliança estão a história e o véu
como chama de fogo, e voz de trovão
muitas águas dizendo: aí vem! o noivo!
Desperta oh filhos de Sião!

Inserida por AllamTorvic

⁠⁠§
Em direção ao Calvário

Contemplo a eternidade
a oportunidade de cantar!
Canção que exalta o Rei
Hasana, Hosana, Hosana!

⁠⁠⁠§
Em direção ao Calvário

Esqueço o rosto do mundo
o futuro e o passado
constitui sempre o presente

⁠⁠§
Em direção ao Calvário

Desvendo todo mistério
a ciência dos tempos
o ensinamento do mestre
podes carregar essa cruz?

Inserida por AllamTorvic

⁠A Graça,

Diante de tantos abismos hermenêuticos,
diante da minha pequenez,
Pergunto-me: como posso alcançar à santidade?
...
Qual a possibilidade,
Diante de mim... Homem de imperfeições
De falsas motivações, dúvidas e medos?
...
Como posso caminhar
ao lado de um Deus, tão santo,
E aprender de seus mistérios,
Mesmo a despeito de mim?

A Graça.

Inserida por AllamTorvic

⁠Creio que a igreja de Cristo é o povo;
Cristo é a pedra e somos nós sua igreja, louvando pela fé e obra como uma virgem esposa nos preparativos das núpcias

Há um povo perdido chamando em vão, não pelo apelo, mas por crerem antes em vãos homens, deturpadores da palavra de Cristo e egoístas.

Me sinto triste, como me faz triste ver a desunião dos meus irmãos.
A colheita é breve e os tempos andam confusos 📖

Conheçamos a verdade e a verdade nos libertará. Sempre.

Inserida por Loren_Esmeralda