Poemas de despedida de morte para dedicar a quem partiu

⁠Preto para caçar de noite e dar sorte,
Pois o branco é a cor do pranto e da morte.
Dourado para a noiva em seu vestido,
E vermelho para invocar um feitiço.
Seda branca quando nossos corpos queimam,
Bandeiras azuis aos perdidos que retornam, pois teimam.
Chamas para o nascimento de um Nephilim,
E, para apagar nossos pecados, és um fim.
Cinza para o conhecimento que não deve ser dito,
Cor de osso para aquele que não envelhece, bendito.
Açafrão ilumina a cor da vitória,
Verde para um coração partido, almejando a glória.
Prata para as torres demoníacas, cor de adamas,
E bronze para invocar poderes malignos, nada mais."

Morte Amiga.

Quando tu morte chegar,
Espero que chegue a cavalo.
Não demoras vêm me amar.
Só assim eu calo.

Morte chega de sofrimento.
Minha única certeza não me abandone.
Eu não te enfrento.
Quando tu chegar, estarei caído, nem precisará chamar pelo meu nome.

Vem morte!
Traz o fim da minha vida.
Vida sem sorte.
Vida não preferida.

Morte querida.
Vida sofrida.
Morte amada.
Vida perdida.

É inútil eu querer viver.
Vem logo! Morte amiga.
Eu não desejo mais sofrer.
Eu te acolherei feliz, morte amiga.

E se somos Severinos
iguais em tudo na vida,
morremos de morte igual,
mesma morte severina:
que é a morte de que se morre
de velhice antes dos trinta,
de emboscada antes dos vinte
de fome um pouco por dia

Ele viveu como um fugitivo, um traidor... Um criminoso, rezando pela liberdade da morte.
Ele trocou seu Orgulho pela desgraça, seu amor pelo ódio, e, ainda assim Itachi morreu
sorrindo.

Embora saibamos que a morte é uma parte da vida,
Parece que jamais estamos preparados o suficiente,
Quando aparece bem na nossa frente, se encarrega,
Carrega doente e desaparece com a gente da gente!
Guria da Poesia Gaúcha

MEDITAÇÃO DO DUQUE DE GANDIA
SOBRE A MORTE DE ISABEL DE PORTUGAL

Nunca mais
a tua face será pura limpa e viva,
nem teu andar como onda fugitiva
se poderá nos passos do tempo tecer.
E nunca mais darei ao tempo a minha vida.

Nunca mais servirei senhor que possa morrer.
A luz da tarde mostra-me os destroços
do teu ser. Em breve a podridão
beberá os teus olhos e os teus ossos
tomando a tua mão na sua mão.

Nunca mais amarei quem não possa viver
sempre,
porque eu amei como se fossem eternos
a glória, a luz e o brilho do teu ser,
amei-te em verdade e transparência
e nem sequer me resta a tua ausência,
és um rosto de nojo e negação
e eu fecho os olhos para não te ver.

Nunca mais servirei senhor que possa morrer.

Nunca mais te darei o tempo puro
Que em dias demorados eu teci
Pois o tempo já não regressa a ti
E assim eu não regresso e não procuro
O deus que sem esperança te pedi.

Sophia de Mello Breyner Andresen

Eu sozinho sou mais forte
Minh'alma mais atrevida
Não fujo nunca da vida
Nem tenho medo da morte

Eu sozinho de verdade
Encontro em mim minha essência
Não faço caso de ausência
E nem me incomoda a saudade

Eu sozinho em estado bruto
Sou força que principia
Sou gerador de energia
De mim mesmo absoluto


Eu sozinho sou imenso
Não meço nunca o meu passo
Não penso nunca o que faço
E faço tudo o que penso

Eu sozinho sou a Esfinge
Pousado no meio do deserto
Que finge que sabe o que é certo
E sabe que é certo que finge

Eu sozinho sou sereno
E diante da imensidão
De toda essa solidão
O mundo fica pequeno

Solidão!!!
Eu sozinho em meu caminho
Sou eu, sou todos, sou tudo
E isso sem ter contudo
Jamais ficado sozinho

''Não posso obrigar ninguém a me amar até que a morte nos separe. Mas exijo que me tratem com decência e respeito. Porque eu me respeito, então quero que você siga meu exemplo."

(Para todos os Amores Errados)

Se me amas, não chores mais!

A morte não é nada.
Apenas passei ao outro mundo.
Eu sou eu. Tu és tu.
O que fomos um para o outro ainda o somos.

Dá-me o nome que sempre me deste.
Fala-me como sempre me falaste.
Não mudes o tom a um triste ou solene.
Continua rindo com aquilo que nos fazia rir juntos.
Reza, sorri, pensa em mim, reza comigo.

Que o meu nome se pronuncie em casa,
como sempre se pronunciou.
Sem nenhuma ênfase, sem rosto de sombra.
A vida continua significando o que significou:
continua sendo o que era.
O cordão de união não se quebrou.

Porque estaria eu fora dos teus pensamentos,
apenas porque estou fora de tua vista?
Não estou longe,
Somente estou do outro lado do caminho.
Já verás, tudo está bem.

Redescobrirás o meu coração,
e nele redescobrirás a ternura mais pura.
Seca as tuas lágrimas e, se me amas,
não chores mais.

"Nossa salvação é a morte, mas não esta".

(O aforismo mostra nossa possibilidade de morrer e renascer no decorrer de uma mesma vida.)

A morte pertence à vida,
como pertence o nascimento.
O caminhar tanto está
em levantar o pé
como em pousá-lo ao chão.
(Pássaros Errantes)

Após a morte

Quando eu morrer
não quero chorar de pranto
nem flores lindas nem pétalas
posso ate sofrer de saudades
mas não quero sentir solidão
guardarei meus momentos felizes
mas voltarei para apagar os tristes
não temerei a outra vida
porque nada sei sobre ela
tendo consciência da morte
eu sofro menos sem querer
vou gritar menos sem sofrer
porque irei te encontrar
mesmo após a morte
nunca vou te esquecer
minha vida minha

thadeu alencar

"A morte e a vida estão no poder da língua; o que bem a utiliza come do seu fruto.”

"O que você diz ( fala) pode salvar ou destruir uma vida; portanto, use bem as suas palavras e você será recompensado.” –

A morte é que está morta
Ela é aquela Princesa Adormecida
no seu claro jazigo de cristal.
Aquela a quem, um dia - enfim - despertarás...

E o que esperavas ser teu suspiro final
é o teu primeiro beijo nupcial!

- Mas como é que eu te receava tanto
(no teu encantamento lhe dirás)
e como podes ser assim - tão bela?!
Nas tantas buscas, em que me perdi,
vejo que cada amor tinha um pouco de ti...

E ela, sorrindo, compassiva e calma:

- E tu, por que é que me chamavas Morte?
Eu sou, apenas, tua Alma...

Esse giro
Esse amor
Essa cachaça
Esse cheiro de morte
Eu respiro forte
Eu desmaio
Eu amo demais.

Os opostos

O oposto de viver é a morte,
O oposto do azar é a sorte,
O pesadelo é o oposto de sonhar,
O ódio é o oposto de amar,

O oposto da treva é a luz,
O oposto do diabo é a cruz,
O doce é o oposto do sal,
O bem é o oposto do mal,

O oposto da água é o fogo,
O oposto do sábio é o tolo,
O desistir é o oposto de superar,
A bobagem é o oposto de amar,

O oposto da flor é o canhão,
O rei é o oposto do peão,
O oposto do ser é o não ser,
Mas o eu é o oposto do você.

O medo do fim, é a morte do que poderia ser um começo.
Assim amores morrem.
Assim histórias morrem.

algumas flores teimam em viver

apesar do peso
apesar da morte
apesar de algumas

que teimam em morrer
apesar de tudo

VIDA QUITADA

Vivo de fato. Não espero a morte. Creio ter explicado, embora vá fazê-lo de novo, que a minha vida é preciosa. Tenho cada momento como nova pepita garimpada no percurso de minhas paixões. De meus sonhos projetados para o futuro. De minha crença na existência desse futuro, ainda que ele não passe do dia seguinte. Não há pedra na vesícula, ou no rim, que possa diminuir o valor da pedra preciosa que há no meio do percurso... Do meu percurso.
O sentido que dou a cada dia vai muito além das conquistas materiais, embora também as valorize, decididamente bem menos do que às conquistas de afetos, saberes e culturas. Viver bem, no meu caso, tem pouco a ver com os bens acumuláveis ao longo da existência. Confesso que nunca lutei por casa, carro, fama, influência, cargos destacados no emprego e na sociedade. Até mesmo como escritor, nunca enviei calhamaços, livros demo, endereço pessoal de blog ou algo parecido para editoras, visando contratos. Percorri meus caminhos do meu jeito, com as dificuldades próprias de quem escolhe caminhar, e por isso demorei tanto a parir livros.
Sou realizado como escritor de pouca fama e educador apaixonado. Sobretudo como pai de Nathalia e Júlia, irmão de oito pessoas amadas com as quais partilhei a mãe dos sonhos de qualquer filho, e como amigo de pessoas também especiais. Eis minha realização pessoal. A de um homem que chamam de acomodado, mas que na verdade é muito ambicioso, pois deseja (e tem com fartura) o que nunca será comprável.
Se hoje não temo a morte, é porque minha vida está quitada. Já estou em paz comigo, errei tudo o que pude, consertei o que deu, fiz minhas escolhas certas e erradas, paguei por estas outras e tive por aquelas as recompensas de praxe. Fui criança na idade certa, fiquei maduro na maturidade, agora caminho rumo à velhice, tendo na mente um conceito enxuto e sereno da mesma, para não ser, equivocadamente, um triste velho de alma jovem.

A nossa história de 30 anos juntos,
não se acaba aqui, não se acaba assim...
A morte que nos separou agora, é a mesma
que irá nos reencontrar. O meu amor por você é tão grande, que vive em nossos filhos, que irei criar à sua semelhança, com caráter , hombridade e retidão. E quando a minha missão cumprida estiver, em teus braços, irei me aconchegar. Que eu suporte os dias de saudade e as noites de dolorosa solidão...até o dia em que finalmente, contigo, de novo, irei estar.


Para Márcio Miguel Zorio, meu esposo falecido em 17/07/2016.