Poemas de quem Deu um Fora
O Mangue-vermelho
Simplesmente ser como um Guará
sob a proteção do Mangue-vermelho,
da vida não ter nenhum medo,
Viver não pede receita de bolo ou segredo;
No Mangue-vermelho se proteger,
nutrir e com confiança viver;
e adiante, no curso, com coragem seguir.
Se permitir ser couro a ser curtido
e pintado pelo Mangue-vermelho,
Não ter nenhum vínculo passado,
orgulhar de ter as raízes expostas,
deixarque a ciência encontre a cura
e não se fazer em tudo --- absoluta.
Ser paciência pura com gente dura,
que não enxerga um palmo adiante do nariz,
como o Mangue-vermelho, ser refúgio feliz,
mesmo quando não for visto como merecido,
dizer com honra para sim: - Eu existo, e resisto.
Do jeito que está o mundo,
só consigo pedir a Deus:
--- Um melhor "Dia das Mães"
a cada novo segundo
do jeito poético e profundo.
Há um romance sonâmbulo
sob os teus olhos de Lorca...
Palavras pretensiosas arremessadas,
e um arranque automático
entre algo épico
e o pesadelo lírico,
na alta madrugada.
Com o peso da alma
cheia de poesia intensa,
onde o mundo olha
para as personagens
que não podem corresponder
devido à profundidade,
à leveza e à liberdade
de ser o que sou — escolhi.
Diante da lua cigana,
num estado de êxtase,
sob os teus olhos de Lorca,
ainda talvez acordada
todavia desejo o real,
pois a essência segue intacta.
Firme vivendo o suspense
de um romance sonâmbulo:
"Ver-te que te quero ver-te",
nos teus braços que também
querem ver-me em meio ao verde.
Onde não sei como, quem dará
e qual será o passo primordial,
ao se se conseguirá alcançar o pleno final.
Te coloco sob o meu olhar
e faço da minha arquitetura
o teu lar de arrebatamento,
De um jeito que obstinação
ninguém poderá controlar,
O que busca para amainar,
tornou-se urgência sem par.
Não preciso performar
e nem fingir submissão,
como território conquistado;
Pois é peremptório,
fixo e desapegado —
o meu perfume afrodisíaco,
feito do Oceano Atlântico Sul,
é o teu favorito santuário.
Na troca afável entre
meu e o seu pulsar aurum,
Mentes e corpos
em plena convergência,
profunda, sedenta e quente,
No abandono das horas
no melhor acordo entre a gente
para incorporar a êxtase
que se derrama inteiramente.
Jogos de imprevisibilidade
para aquecer o inverno
que se aproxima em Santa Catarina,
Não nego que assim quero,
mas que venham com
a tranquilidade de um chá de Tinguaciba,
com o seu abraço cheio de aconchego,
e a tua carícia que até a minh'alma alisa.
O tempo é um ativo que busco,
sem adereços usar o dom divino,
Sem querer ser pretensiosa;
jamais na vida o desperdiço,
para a posteridade tenho escrito.
Da Paineira-rosa tenho a estatura:
O que pode levar distante a ternura,
nunca começa bem, logo não insisto.
O que ilude não convém porque confunde,
porque quero o que derrama e funde.
Quem é poeta sabe ler gente,
que são como água e azeite;
O romance e o drama sempre
serão dissonantes, paulatinamente.
A minha liberdade só encontra,
com cumplicidade outra liberdade
— E com o que é de verdade —
Porque se fez arrumada por dentro
para resistir a qualquer tempestade.
Indisponibilidade é porta blindada,
que não foi feita para ser forçada
pela virtude e disponibilidade;
Disponibilidade não é fachada:
é o caminho aberto e áureo.
Disponibilidade é encontro.
Se não existe como rumo novo,
não deve ser como caça ao tesouro;
Porque é o sol que sempre nasce
para quem realmente entendeu o jogo.
Um dia a gente vai se encontrar
para a Bahia vou te levar,
Tenho certeza que você vai amar.
Bem próximos, a gente vai dançar
um bom arrocha para nunca
mais em outro alguém na vida pensar.
Sem ter pressa de nada,
construir com encanto,
fiel aos vínculos afetivos.
Um elevar o outro como
a sua tão querida fonte
de ocitocina favorita;
fazer o coração confiar,
cultivar a intropatia
e crer que é possível
viver com generosidade.
Abraçá-lo por inteiro,
abraçar tanto
até a tua alma alcançar
e com a minha se encaixar;
brincar como se ainda
fôssemos crianças
com animais de estimação,
e não permitir que nada
desoriente o coração.
Manter à disposição
a nossa companhia
de quem precisar da gente,
manter-se perto
das pessoas queridas;
não permitir que
nenhuma intranquilidade
entre nas nossas vidas,
para que o amor entenda
que ele é feito para durar.
Quando for percebido
o risco de desapaixonar,
recordar que é possível
se apaixonar várias vezes
por tudo aquilo que fez
a gente se encontrar
e com amor nos enveredar;
de igual maneira que depois
da florada do guanandi,
saberemos o momento
certo dos frutos encontrar
para o nosso paladar adoçar.
Caiam sobre nós as pétalas
da chuva-de-ouro nativa,
Não podemos negar
que do pensamento um
do outro a gente habita,
Nós temos o tom certo
que afina o coração um
do outro do jeito que ninguém
nesta terra sequer imagina,
Estamos certos que não
tem nada a ver com fantasia.
Não há jogo da conquista,
porque o mundo é nosso!
Tudo em nós nos alinha
com grandeza magnífica.
Estão reservados o seu ser,
o seu querer e a vontade
que sussurrada irá dizer
"Que o seu equilíbrio magnífico
está em vir a me pertencer";
Eu sei que sou com todas
as grandezas a sua mulher.
Não é preciso o inverno cessar,
porque sabemos o que queremos,
Sem subterfúgios e sem adereços,
só pertencemos a nós mesmos.
Não é um peso levar
para o mesmo caminho
o seu melhor amigo,
É só ele que nunca
vai te abandonar,
Não importa o quanto
tempo for durar.
Da Mata Atlântica à Amazônia,
ter tudo e mais um pouco:
do coração e frutos de juçara,
que nasceu para alimentar,
e merece sempre ser preservada.
Juçara bonita e tão rara,
que além das gentes sustenta
tucanos, jacus, jacutingas,
e os versos deste poema.
Juçara esquecida e tão cara,
que além das gentes sustenta
sabiás, periquitos, maritacas,
e cujas folhas são capazes
de cobrir com beleza as casas.
Juçara magnífica e tão rara,
que além de alimentar as vistas,
sustenta macacos-prego, cotias,
esquilos, e que aos músicos
emprestara ritmo e inspiração
para mais de uma latina canção.
Da Mata Atlântica à Amazônia,
que alimenta mais do que sabemos,
e está deixando de existir para todos:
para os catetos, tatus, capivaras e antas,
e daqui a pouco até para as esperanças!
O interesse no futuro, percebi que não existe,
e pergunto sem resposta neste quase luto:
— Será que é de fato o que queremos?
Chegamos no ponto de vivemos ou vivemos.
Olhar para frente
é um dever em busca
da metamorfose,
Baixo a ocupação
via doutrinação
por outra Nação,
é dever da nossa
conquistar a libertação.
O Bicudinho-do-brejo
é um passarinho romântico
de uma parte do meu Sul
magnífico e poético
em dias com ou sem Céu azul.
Com igual alegria de passarinho
no meu coração resolvi
construir para nós um ninho
feito com amor, carinho
e enfeitado por beijinhos.
O Bicudinho-do-brejo com
a sua persistência inspira
vivendo nos mangues, alagados,
pântanos e capins altos,
segue ensinando que os caminhos
não é e nem nunca serão
o do desânimo e da desistência.
Com o Bicudinho-do-brejo
e seu voo baixinho é possível
se movimentar, ir longe
viver o quê se pode hoje
e seguir amando sempre.
Observando a rota mística
do Bicudinho-do-brejo
aprendi que nem mesmo
o mau tempo pode fazer
com que queiramos menos
e que percamos a fé na vida.
Um Bolo Formigueiro
gentil com suco ou café
é algo bem brasileiro
que faz sempre a nossa
festa a qualquer hora,
Você sabe que te guardo
com poesia amorosa.
Não importa o tamanho,
a hora, o dia e nem mesmo
o meu estado de espírito,
um pedaço de Bolo de Brigadeiro
feito e oferecido com amor
sempre alimentará
a minha criança interior
com a genuína alegria
do nosso Brasil Brasileiro,
porque é capaz de fazer
do pior momento no momento
perfeito e trazer de volta
o sorriso com aconchego
com jeito e seu doce sabor.
Fazer um Kutiá
para encontrar
o doce nos teus
amorosos beijos,
Essa será a maior
glória dos desejos:
Celebrar juntos por
ser apaixonados.
Amanteigado
Buscar nos seus lábios
um Amanteigado,
Ganhar um beijo apaixonado
e um sonho romântico
que hei de ter realizado.
Tortéi
Quando o amor
entre nós se tornar
a mais alta grei,
Nunca mais haverá
de faltar um Tortéi
recheado com Abóbora,
Porque eu tenho
certeza que você adora.
Trovadorismo para o Vale Europeu Catarinense
Nas linhas do meu caderno
antigo encontrei um poema
que estava em completo
que resultou numa cantiga
nesta tarde na minha Rodeio,
e enquanto eu escrevia
entrou uma borboleta
pela janela do meu quarto,
Que inspirou a escrever um belo
Trovadorismo para o nosso
Vale Europeu Catarinense
que cerca de inspiração
a vida da nossa gente,
Gratidão é para poucos
que orgulhosamente
tem um coração que pulsa e sente.
Sempre-viva-gigante
A Sempre-viva-gigante
enfeita como um poema
a nossa bonita cena,
Você convicto se declarando
perdidamente apaixonado
e eu deliciada com puro
encantamento flutuando.
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