Poemas de quem Deu um Fora

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O amor real não é um refúgio covarde contra a tempestade, mas o compromisso inegociável de dois náufragos que decidem construir uma ilha de paz no centro exato do furacão. Exige a coragem brutal de mostrar as próprias ruínas sem maquiagem e a paciência de reconstruir, pedra por pedra, o altar da confiança em solo movediço e incerto. Não aceite afetos rasos que temem a profundidade das suas águas escuras e a complexidade do seu arranjo interior mais íntimo e sagrado. Quem não sabe lidar com a gravidade do seu silêncio, jamais terá o direito de reger as sinfonias que pulsam em suas veias abertas. O amor é para os que não temem a intensidade de uma nota sustentada até o limite do fôlego.


- Tiago Scheimann

Que cada palavra aqui escrita seja um semente de superação, um escudo de honra e um hino de amor pela vida que não se rende à mediocridade do deserto rasteiro e sem alma. Você é o mestre da sua sinfonia, o autor da sua história e o arquiteto da sua paz interior sob as estrelas infinitas de um destino que você mesmo esculpe. Toque a sua música com todo o seu ser, ame com toda a sua verdade e viva com a dignidade suprema de quem sabe que o sublime é o seu único e verdadeiro lar.


- Tiago Scheimann

A felicidade é um ato de resistência política e espiritual contra um mundo que lucra com a nossa angústia e que se alimenta da nossa sensação de incompletude constante. Sorrir diante do abismo é a forma mais refinada de protesto, pois prova que o espírito humano possui uma fonte de luz que nenhuma treva externa é capaz de sufocar totalmente. Que a nossa alegria seja profunda e fundamentada na lucidez, nunca na ignorância, sendo o farol que guia outros náufragos para a praia da dignidade.


- Tiago Scheimann

Amar no meio da peste e do caos é o gesto mais aristocrático que um ser humano pode realizar, pois exige a doação total sem a garantia de qualquer colheita futura. É o compromisso de cuidar da fragilidade do outro como se fosse o último tesouro de uma civilização que está prestes a desaparecer sob as águas do esquecimento. Que o afeto seja o diapasão que nos mantém afinados com o que é humano, impedindo que o gelo da indiferença técnica congele as fontes da nossa compaixão.


- Tiago Scheimann

A justiça na terra não desce do céu como um raio de luz, ela germina em silêncio, como semente lançada em solo firme, cultivada pelas mãos daqueles que se recusam a ser cúmplices da opressão silenciosa. Cada palavra dita em defesa da verdade é mais do que um gesto humano, é como uma centelha de luz que insiste em brilhar mesmo nas sombras, erguendo, pouco a pouco, um lugar onde a dignidade não é apenas lembrada, mas vivida. Há uma voz mansa que sussurra no íntimo, convidando à retidão mesmo quando ninguém vê, lembrando que a verdadeira justiça começa no invisível, nos gestos pequenos e nas escolhas solitárias. Não espere por um julgamento final para ser justo, faça do seu próprio caminho um testemunho vivo, onde cada atitude carrega o peso de algo maior do que si mesmo, como se, em cada decisão, o eterno tocasse o instante.


- Tiago Scheimann

A lucidez é um fardo austero, daqueles que poucos conseguem sustentar até o último suspiro sem vacilar, e, ao mesmo tempo, é a lâmina silenciosa que dilacera os véus delicados das ilusões onde tantas almas distraídas repousam, acreditando estar seguras. Ver sem ornamentos, sem os filtros reconfortantes da fantasia, exige uma coragem rara, quase litúrgica, pois desmonta com igual rigor tanto a esperança ingênua quanto o cinismo cômodo que nos protege da vertigem do real. Há, nesse estado de clareza, uma solidão peculiar, quem enxerga demais já não pode retornar ao abrigo das mentiras suaves. Ainda assim, é nesse olhar despojado que a existência adquire densidade, como se cada verdade, por menor que seja, carregasse em si o peso de algo eterno e irrevogável. E então, aquele que recusa o brilho fácil das aparências passa a habitar o mundo com uma dignidade silenciosa, a dignidade de quem compreende que o essencial quase nunca se oferece aos olhos, mas insiste em existir, firme, nas regiões invisíveis do ser.


- Tiago Scheimann

Cada decisão é um salto no invisível, uma escolha que ecoa além do que os olhos conseguem prever. Não são as regras externas que definem um homem, mas a fidelidade silenciosa aos princípios que ele sustenta quando ninguém observa. Há uma justiça que não se escreve em códigos, mas no íntimo de quem escolhe o certo mesmo quando custa. Ser inteiro é assumir esse lugar, como quem entende que cada escolha carrega o peso de algo eterno.


- Tiago Scheimann

Dentro de mim ainda vive aquele menino ferido, o mesmo que um dia caiu de uma cachoeira, lançado contra a água gélida como se o mundo tivesse decidido testá-lo cedo demais. Eu ainda posso senti-lo atravessando o ar por um instante eterno, o silêncio antes do impacto, e depois… o choque brutal contra o frio, contra a pedra, contra a realidade dura do pedregal que não teve piedade. Durante muito tempo, tentei esquecer essa queda. Tentei agir como se levantar fosse suficiente, como se seguir em frente apagasse o que ficou cravado na pele e na alma. Mas a verdade é que ele nunca saiu de lá completamente… uma parte dele ficou presa naquele instante, molhada, tremendo, assustada, esperando que alguém voltasse. Hoje, eu volto. Hoje, eu desço até aquele lugar dentro de mim onde a água ainda é fria e o eco da queda ainda ressoa. E eu o abraço. Abraço com o calor que faltou naquele momento congelado, com a firmeza que o mundo não ofereceu quando ele se chocou contra a dureza da vida. Seguro aquele menino como quem resgata algo sagrado das profundezas, não para apagar a dor, mas para finalmente dizer: eu estou aqui agora… você não está mais sozinho. E então eu entendo. Ele nunca foi fraqueza. Ele foi o impacto que não destruiu, foi o corpo pequeno que resistiu à correnteza, foi o coração que, mesmo assustado, continuou batendo contra o frio, contra a pedra, contra tudo. Ele foi sobrevivência. E agora, ao invés de fugir daquela queda, eu a transformo em reencontro.
Permaneço com ele, no meio da água gelada, sobre as pedras irregulares da memória, até que o frio já não machuque como antes, até que o tremor se torne apenas lembrança, não mais prisão. Porque aprendi, da forma mais crua e mais verdadeira, que ninguém merece mais o meu amor do que aquele menino que caiu… e mesmo assim, não se perdeu de mim.


- Tiago Scheimann

Viver esse "primeiro momento" e encontrar o vazio é um batismo de fogo. Não houve o "nós", apenas o "eu" em uma vigília interminável. É o momento em que a alma diz ao corpo: "Nós fomos inteiros em um mundo de metades."
​Realizar o sonho de amar, mesmo sem a reciprocidade, é uma forma trágica de comunhão com o destino. É a prova de que a nossa vontade é capaz de criar universos inteiros, ainda que sejamos os únicos habitantes deles. Esse instante dói porque não é feito de encontro, mas de despedida do que nunca foi. É quando a vida nos olha nos olhos e, em um silêncio devastador, nos obriga a transformar toda aquela espera em uma nova e solitária forma de liberdade.


- Tiago Scheimann

​Viver é vagar por um inverno sem margens, onde os pés descalços tateiam o abismo sob o manto de uma chuva que não lava, mas petrifica. Sob o negrume de noites sem fim e dias de um cinza estéril, o horizonte se dissolve, e a jornada deixa de ser sobre o destino para se tornar a pura resistência da matéria contra o nada.


- Tiago Scheimann

​Às vezes, o olfato me trai e me devolve aquele cheiro ferroso, acre, de um tempo que eu gostaria de ter deixado para trás. Vejo-me novamente confinado naquelas caixas de concreto frio, em quartos de hospital onde o sol nunca ousava entrar com força. A memória é um curto-circuito, flashes de um ambiente sem relevo, uma monotonia de cinzas onde o único relevo era o barulho incessante das máquinas monitorando o que nos restava. É uma lembrança que não flui, ela fere em fragmentos frios e mecanizados.


- Tiago Scheimann

Há dias em que acordo carregando o peso de tudo o que ainda não consegui me tornar, um inventário de ausências que insiste em nublar o presente. No entanto, levanto-me não por uma euforia passageira, mas por uma recusa solene em abandonar a própria história no meio do caminho. Aprendi que a continuidade não exige uma força constante e inabalável, mas sim o compromisso fidalgo de não permitir que o ponto final seja escrito por mãos que não as minhas.


- Tiago Scheimann

Nem toda batalha digna de nota faz barulho, as mais definitivas ocorrem no claustro do peito, em um silêncio absoluto onde o mundo não enxerga o esforço hercúleo de apenas manter-se de pé. Existe uma dignidade profunda naqueles que insistem sem garantias, que habitam mentes difíceis e ainda assim escolhem a permanência. Algumas vitórias são tão íntimas que não precisam do aplauso alheio para serem consideradas divinas.


- Tiago Scheimann

O recomeço exige um desapego cruel do que achávamos que éramos, uma poda radical que nos deixa expostos, mas permite que a seiva da vida percorra novos canais até então obstruídos. Somos equilibristas em um circo que arde, tentando manter a elegância enquanto as chamas lambem nossos calcanhares. A maturidade, afinal, não é o ato de curar todas as feridas, mas de suportar o peso das experiências com uma consciência que a juventude jamais alcançará.


- Tiago Scheimann

O tempo é um escultor que usa a dor como cinzel para esculpir em nós uma beleza que a superfície desconhece, uma luz que só emana de quem já foi moído pelas engrenagens do destino e se reconstruiu com o ouro da experiência. A vida não nos deve nada, e é nessa falta de garantias que encontramos a nossa maior liberdade. No fim, o que resta não é o que acumulamos, mas a forma como permitimos que a existência nos atravessasse, transformando o nosso barro em estrela.


- Tiago Scheimann

Depoimento de um verdadeiro Sulista!




Há uma beleza no simples costume do campo, onde encilhar bem um cavalo e seguir ao trote parece ensinar que a vida exige firmeza, coragem e alma forte. Existe verdade no cheiro da costela de novilha pingando graxa no fogo grande de angico, no olhar do ginete preparando a tropilha e na lida bonita de quem honra o próprio ofício. O Sul velho carrega costumes que nunca se perdem: o chimarrão amargo bem cevado, o ponteio do pinho numa tarde de garoa e o homem campeiro que segue firme, mesmo quando a lida é bruta. Cada passo sobre o lombo de um cavalo conta a história de homens de alma rude, que aprenderam a pedir que Deus ajude sem abandonar a própria caminhada. E talvez seja exatamente isso que torna essa terra tão forte e verdadeira: a simplicidade de quem vive solto das patas, enfrentando o tempo com humildade, coragem e coração Sulista.


- Tiago Scheimann

Um peregrino passou a vida amaldiçoando as pedras que encontrava no caminho. Somente na velhice percebeu que cada tropeço o havia afastado de precipícios que nunca chegou a enxergar. Há sofrimentos que parecem castigos quando os atravessamos, mas que revelam sua misericórdia apenas quando olhamos para trás.


- Tiago Scheimann

Um homem passou anos carregando um vaso quebrado, envergonhado pelas rachaduras que o atravessavam. Certo dia descobriu que, por onde caminhava, as fendas deixavam escapar pequenas sementes que floresciam pelo caminho. Nem toda imperfeição é uma perda; algumas são apenas formas discretas de espalhar vida.


- Tiago Scheimann

Há em mim um homem que sofre em silêncio, observa com profundidade, recorda com saudade e reza com esperança. Talvez seja por isso que minhas palavras nasçam das cicatrizes: porque algumas dores só encontram descanso quando se tornam literatura.


- Tiago Scheimann

Descobri tarde demais que a liberdade não era um presente.


Era uma sentença.


Ninguém me empurrou para os erros que carrego.
Ninguém escolheu por mim os caminhos que me quebraram.


A vida apenas colocou as portas diante de mim e observou, em silêncio, enquanto eu escolhia qual delas me destruiria.


- Tiago Scheimann