Poemas de quem Deu um Fora
Muitas vezes um pensamento continua a ser original, mesmo depois de ter sido proferido uma centena de vezes.
O trabalho é um dever social, um dever humano nesta terra, uma manifestação da força criativa do homem, do seu poder de subjugar a natureza.
O trabalho qualificado implica de certo modo um elemento de capital pois a educação e a formação exigem recursos.
As riquezas, qualquer nume as pode conceder até mesmo a um malvado, / ó Quirno, mas a poucos homens cabe a virtude.
O trabalho que não pode separar a ideia é um trabalho contra a natureza. A ideia não existe, o que existe é o indivíduo.
Se um espírito contemplativo se deita à água, não tentará nadar, procurará, primeiro, compreender a água. E afogar-se-á.
Nos meus retratos infantis, sempre me impressiona um olhar de repreensão que só pode dirigir-se a mim. Terei sido eu a causa da sua futura infelicidade, eu pressentia.
E se fosse isso perder a vida: fazermos a nós próprios as perguntas essenciais um pouco tarde de mais?
Um deles era muito inteligente e aprendeu tudo, entendeu tudo e levou isso tudo consigo quando morreu. O outro era razoavelmente estúpido e inventou um modelo aperfeiçoado de aguça-lápis. E existiu mais.
É então um mundo de fórmulas a que eu obedeço e tu obedeces? Sem ele não poderíamos existir. Se víssemos o que está por trás não podíamos existir. O nosso mundo não é real: vivemos num mundo como eu o compreendo e o explico. Não temos outro. É a voz dos mortos insistente que teima e se nos impõe. Mais fundo: não existem senão sons repercutidos. Decerto não passamos de ecos.
Um mundo sem ciência é a escravatura, o homem fazendo girar a mó, submetido à matéria, equiparado à besta de carga.
Um homem é capaz de gastar um milhão de moedas para casar uma filha, mas não sabe gastar cem mil para instruí-la.
A fé é um condão. Mas o bom trabalho, no amor do ideal, dá a fé. Não há trabalho no sentido verdadeiro sem fé.
Raramente podemos descobrir um homem que diga que viveu feliz e que quando termina o seu tempo deixa a vida como um conviva satisfeito.
Economia significa ficar sem alguma coisa que se deseja intensamente, caso um dia se venha a querer algo de que provavelmente não se terá necessidade.
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