Poemas de quem Deu um Fora
O florescer das Canafístulas
se aproxima para enfeitar
com cortesia e beleza o olhar,
que nós podemos cultivar;
acompanhando as estações
onde quer que cada um esteja.
Quem porta delicadeza
pode banquetear a todo
momento e em qualquer mesa.
Porque é algo que nenhum
tesouro pode comprar,
por ser um paraíso interno
que somente cada um
pode aprender a aprimorar
para o primaveral esbanjar.
É só o olhar que faz enxergar
a perspectiva que o outro
traz o essencial para alinhar.
Não importa para onde for
e quem quer que você seja,
saber o tempo de chegar,
sempre faz toda a diferença;
se ocupando da direção
com amabilidade e paciência.
Sempre que a Guyra Nhandú
bate as suas asas o frio
e a renovação se espalham
pela nossa América do Sul,
enquanto flores desabrocham
com discrição por todo o lugar.
É deste jeito que os corações
e a terra juntos se preparam
para a estação mais poética
mesmo que a tal cinegética
insista em vir a nos assombrar.
Assim haverá de ser sempre
em cada um a Primavera
contra tudo o quê nos austera,
até mesmo quando por aqui
não houver nenhuma atmosfera,
para nada quebre a fé no coração.
As roupas e as ideias no varal
deixo por conta do Sol, da Lua,
das estrelas e das tempestades,
Esta alma fresca é mantida
por conta absoluta da poesia.
Tudo é cultivado no fino afã
de nada deixar dever a alegria
autêntica de dar graças a vida
até quando a danada desafia
no festival da virada dos instantes.
O pleno caminho de ida e volta
o quê prende somente tem a ver
com a liberdade sem receio,
Acostume-se com este jeito
de quem nasceu selvagem mesmo.
A Umbu-cajá bailando
nos braços tão amorosos
da envolvente ventania
até parece que convida
para com ela também dançar;
Vou buscar por frutas doces
como quem busca por beijos,
Pensando mais de mil jeitos
de cativar o seu paladar
para com sedução te alcançar.
Colho o quê tenho que
colher com o maior carinho,
deixo algumas com todo
o amor para os passarinhos,
e a fé no coração eu ponho.
Caem as gotas de chuva
e pelo mesmo caminho
volto com o anseio de ocupar
totalmente o seu fascínio
e como a Umbu-cajá vou
deixar que venha me embalar.
Carinhosamente não vou deixar
facilmente de ser o destino,
porque sei que é recíproco,
a hora certa irá acontecer
quando menos a gente esperar,
como haverá de ser e assim será.
Tirar a cada dia mais
o eu na escrita para dar
vazão a tudo quê se imagina,
Captar o quê cativa,
tornar-se de fato o quê
fascina e entreter com
o balanço dos buritizais da vida,
Dar nas tuas mãos a chave
oculta da mais profunda fantasia.
A Flor-de-Outubro
floresceu nas mãos,
Quando existe a ânsia
é o sinal de alguma
entrega mesmo que.
digam que não existe
para nós uma regra;
Retirei o eu e você
da poesia que nasceu,
para tornar em nós
em nome do que ainda
nem mesmo aconteceu:
Na minha cabeça
a gente já se envolveu.
(Permito-me assim decretar).
Não educaram o suficiente
os olhares para discernir
o quê realmente pertence
à nossa amada Pátria Natal.
A Era da Inteligência Artificial
anda sussurrando que talvez
seja ou não por premeditação,
corremos os risco iminente
de virem nos "tirar até o chão".
Sei como é uma Lanterneira
e não perdi a minha memória,
se sou de fato poeta ou não,
não deixo perder a História.
Se não reconhecermos
a imagem do que é nosso,
não julgue como coisa de loucos:
não vai demorar muito
para esquecer quem somos.
Floresce outubrina
o amável Cajá-Mirim,
Os frutos que posso
colher este mês
são os teus beijos
reservados para mim,
E tudo aquilo que não
haverá entre nós fim.
Venerando a liberdade
em todas as instâncias,
Na voz da esposa
do Tenente Coronel
que está desaparecido,
E presente na voz da esposa
que não pode sequer
se pronunciar e ela
nem sabe que eu existo,
mas por ela sinto:
Na voz do pequeno filho
que ainda nem tem
vocabulário para falar,
E assim sou a voz
dos que não
podem ter voz,
mas justamente
todos estes me têm;
Eis me aqui a reivindicar
junto a sua consciência
para que coloque toda
essa história no lugar,
Inclusive, sou contra o feroz
bloqueio que não deveria
nem ter começado,...
Cadê a liberdade do General
que nem deveria
seguir aprisionado?
Enfim, superam cinco
centenas de discordantes
pelos cárceres,
os militares em mesma
situação há confronto
de cinco dados,
mas superam
a duas centenas;
Não dá para esperar
para trabalhar
por um país reconciliado.
Como não havia
encontrado
a palavra certa
para explicar
muito além
da liberdade,
Fui versando
sobre as nuvens
eletrizantes
da tempestade.
Chegou a hora
de contar o porquê
de tanta poesia:
a vida é capaz
com o pincel
da ironia pintar
as paralelas,
essa é a realidade
da História do Brasil
e da Venezuela,
não há como ser
indiferente e se calar.
Como uma praga
que devasta
uma lavoura,
O assunto é
mais grave
do que se imagina,
não sei o quê
será do destino
do continente,
ninguém tem
compaixão
do destino
da nossa gente,
que a verdade
seja dita:
não nos ensinaram
a nos amar,
e a nos fazermos admirar,
pedir pela libertação
da tropa já virou rotina.
Tudo consta que eu errei,
mas ainda prefiro pecar
pelo excesso de humanidade,
assim vou exigindo
que contem tudo sobre
a verdade, porque não
sou e nunca fui
de fácil convencimento.
Ariana liberada,
em condicional está
a liberdade,
e deixo bem aqui
a perplexidade:
a história da Capitã
está mal contada,
dizem que o filho
não foi preso,
Nina não
foi extraviada,
e ela tampouco
foi torturada.
Dizem que o único
prejudicado foi
o pobre cirurgião,
aonde está a nobreza
dessa gente que diz
que é cheia de coração?
Sigo no meio
das Mães e esposas
perseguidas
pela opressão,
quero a base
da poesia abrir
as portas da prisão.
Tudo mostra que
o desvio tem
sido certo,
falam de tudo,
menos do centauro
preso injustamente,
atitude de gente
que não me convence,
atitude de quem quer
apagar a injustiça
contra um homem correto.
Poesia para quê?
Para libertar
o centauro,
E todos os que
estão em cativeiro,
Poesia que grita
que a guerreira
Não recebeu trégua,
ela se encontra
Absurdamente presa,
e foi agredida.
Na tribuna
toda a poesia
que nesse mundo
há gostaria
ter seguido
com as esposas
e as famílias,
e sobretudo
ter recebido
a palavra,
mas como é
feita de letras
ela é como
a chuva caindo
no guarda-chuva
respingando
para se espalhar,
ela não para
jamais por aí,
e não há mais
como segurar.
Aguardo por
você onde
a consequência
não se esgota,
e a paciência
também não,
Se quiser te dou
o meu sobrenome,
Não vais morrer
nunca de frio
e nem de fome.
Porque já tens
endereço fixo
no meu coração,
mesmo sem
os olhos terem
te visto,
O amor é
a explicação.
Aguardo por
você porque
de ti eu sei
que eu sou
o quê te faz
contente,
e de ti não vou;
pois a gente
se merece
e se pertence.
Agradeço
a vida
ter me jogado
no chão para
que eu não
nunca
mais tenha
forças
para correr
atrás de quem
não me merece,
não merecia,
não mereceu
e jamais há
de merecerá.
A ironia da vida,
e giro do mundo,
acabam unindo
o inimaginável
e o impossível:
o encaixe perfeito,
creio que na vida
tudo tem jeito,
e a nossa hora
vai chegar;
e o destino sempre
acaba brindando
quem no amor crê,
e recusa jamais
deixar de buscar.
Aos que jogam
com o amor
e com ele
se portam
mentirosos,
levianos,
ambiciosos
e injustos,
não preciso lançar
nenhuma maldição:
o destino é preciso
em devolver
a cada um
a compensação.
É imperioso dizer:
- Ninguém mais
contém o quê
é sobrenatural.
mesmo diante
dos quatro
atrasos
do que é
para ser,
e ninguém
mais há
de deter.
Rima para o teu
ombro curar,
sonho para te
devolver,
pelo teu povo
não desiste
de te libertar.
Como uma onda caixote
do mar que não foi devolvido,
vejo os pertences remexidos,
o drama do jornalista só
é apenas um recorte
do que tem acontecido.
A maioria não liga
mesmo para isso,
sou tratada como
imigrante em minha
própria Pátria,
assim sigo isolada,
todo o dia só cresce
o sentimento de ridículo.
Como o nó da garganta
da filha que não vê há
quatro semanas o Pai,
muita coisa já não
mais me distrai,
porque sou a Mãe
da Mãe que não
obteve resposta,
no meu coração
carrego mais de um
General e a tropa.
Desde que se apossaram
do mar da Bolívia,
Eu estava lá só que
ninguém me via,
Bem no meio antiga
da tropa eu havia
sido escrita e escondida.
Fui revelada só agora
que não vou me contentar,
Enquanto não me devolverem
o General, a tropa e o mar,
Não vou parar um só dia
de espalhar a minha poesia
por todo e qualquer lugar.
Nasci sul-americana
e nenhum de vocês
a mim não me engana.
Estou espalhada pelo ar,
nasci na serra e cresci
bem no meio do mar.
Dirijo-me ao grande pátio
da vida para dialogar
com a América Latina,
há muito tempo tiraram
o mar da Bolívia,
nós sabemos muito bem
que para dominar um povo
se começa enfraquecendo
o seu território
a defesa e a polícia.
Gostaria de ser iludida,
a visita dos advogados
do General foi suspendida.
Em prol do mar,
da tropa e do General,
fazendo poesia reunida
no raiar dos giras(sóis) da lida.
Segue Juan há trinta
horas desaparecido,
Lorent não foi esquecido.
Em nome da fé
e daquilo que acredito,
dou meus versos à multidão,
porque não quero o meu
povo escravo e vendido.
Nessa tríade poética
cheia de maravilha
e culpa por ter feito
autoritários tropeçarem
nas próprias pernas
e se desconectarem
das obscenas idéias.
Porque com a tropa
sigo presa mesmo
que não me vejam,
podem ir atrás,
estou como serpente
invisível entre as rejas.
Dessa culpa jamais
eu hei de me livrar,
porque eu não sou
o pastor que para no
meio do caminho só
para ver o tempo passar.
Dos paisanos que estão
presos também me
encontro com eles,
se os meus poemas
estão irritando,
aprendi com o povo
que eles estão indo
bem e funcionando.
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