Poemas de quem Deu um Fora
O diálogo é, antes de tudo, um pedido sutil de cuidado. Mesmo quando parece banal ou corriqueiro, há entrelinhas pedindo presença, escuta, consideração. Quando o silêncio chega, ele já não é mais paz — é ausência. É o eco do que foi ignorado, negligenciado, esquecido. O silêncio, nesse contexto, não é escolha, é cansaço. É o ponto final de muitas vírgulas não lidas. Ele sinaliza desistência, mostra que o outro já não enxerga sentido em tentar se fazer entender.
E quando isso acontece, você começa a perder. Perde o vínculo, perde a confiança, perde a chance de fazer diferente. Porque quem cala já gritou demais por dentro. E aqui, neste ponto, deixo de cuidar. Não por falta de amor, mas por amor próprio. Deixo de cuidar de quem não soube cuidar da minha tentativa de permanecer.
Pascásio Custódio da Costa e a Empada de Aratu: Um Patrimônio Vivo
Reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial de Sergipe em 2021, a empada de aratu do povoado Terra Caída, em Indiaroba, transcende o sabor para tornar-se um símbolo de identidade e memória coletiva. Seu guardião é Pascásio Custódio da Costa, conhecido como "Mestre Pascásio", que há mais de meio século dedica sua vida a essa iguaria que hoje atrai turistas e fortalece a economia local.
O que muitos não veem, porém, é que essa tradição vai além da cozinha: envolve o trabalho silencioso das catadoras de aratu, mulheres que mantêm viva a técnica artesanal de coleta e preparo do crustáceo, transmitida entre gerações. É delas que nasce o catado minucioso, base não só da famosa empada, mas também de pratos como a moqueca defumada na palha de bananeira, outra joia da culinária local.
Essa rede de saberes — Pascásio, as catadoras e a comunidade de Terra Caída — compõe um ciclo cultural raro, onde gastronomia, memória e pertencimento se entrelaçam. Mais do que um prato, a empada de aratu é um eco do passado que insiste em permanecer no presente, como testemunho vivo da força e do orgulho de um povo.
RETICÊNCIA
Ainda acredito no amor,
um amor que chega sorrateiro,
invadindo espaços que nem sabia serem meus;
instala-se sem pedir licença,
bagunça o que parecia tão certo,
derruba certezas;
às vezes vem para acalmar,
ou para inquietar,
para fazer sentir o que estava adormecido;
adianta se fechar?
quando ele quer, ele entra
e transforma tudo em morada;
como seria a vida sem ele?
sem o colo que acolhe,
sem o olhar que diz mais que palavras;
quem, pela vida, não quer provar
o gosto de gostar,
com calma, desejo e permanência?
ficar no silêncio dos braços,
na pausa de um suspiro,
no instante em que dois corações se escolhem;
amar também é isso:
continuar e confiar,
mesmo quando parece fim,
como quem abre janelas.
Dentro do Corpo
Há dias em que morar em mim é como habitar um corpo alheio.
O peito pulsa em golpes bruscos, como martelos sem compasso,
e cada batida ecoa por dentro como se o coração buscasse um rumo que perdeu.
O ar pesa.
Não é que falte oxigênio — é que cada tentativa de inspirar
parece empurrar contra um muro invisível.
O pulmão enche, mas a dor o esvazia antes do suspiro terminar.
Os músculos se tornam fios trêmulos,
sustentando um corpo que ameaça despencar a cada passo.
O cansaço não é sono; é um colapso silencioso
que pede desligar tudo, como quem reinicia uma máquina cansada demais para funcionar.
Por dentro, tudo treme.
Não é frio, não é medo — é um estremecimento que começa no centro e se espalha,
como se o corpo tentasse se desligar para proteger o que resta.
E, no entanto, permaneço.
Não por escolha heróica,
mas porque, mesmo perdido, o coração insiste em bater.
E eu sigo, acompanhando-o,
como quem atravessa a noite sem saber se haverá amanhecer.
Entre Silêncios e Vestígios
Há um peso que carrego, invisível aos olhos alheios, mas constante em cada batida do meu peito. Vivo entre olhares que não compreendem, sorrisos que escondem cansaço e palavras que jamais alcançam a profundidade do que sinto. A cada dia, tento organizar a mente, colocar sentimentos em ordem, enquanto o mundo espera uma versão minha que já não existe.
Não busco atenção, nem aplausos. Apenas a compreensão de que existir, para mim, é um esforço silencioso e contínuo. Já gritei em silêncio, já falei com o olhar, já tentei expressar-me pelo gesto, pela imagem, pelo texto, e mesmo assim muitos passam sem perceber. Alguns dizem que não sabiam, outros desviam o olhar, e o que resta é o eco de uma presença que luta para ser sentida.
Às vezes, desejo apenas descansar, me desligar do peso que se acumula sem solução, anestesiar a dor sem deixar de existir. Não se trata de desistir da vida, mas de sobreviver à intensidade de sentir tudo em excesso. É um cansaço que ninguém vê, uma batalha invisível que consome e exige resistência.
Sei que posso tocar alguém, mesmo que seja só um coração. Um gesto silencioso, uma mão estendida, um olhar que acolhe sem julgar. Isso é o que salva, mais do que palavras tardias, mais do que multidões de reconhecimento depois da ausência.
Minha existência deixa rastros em palavras, em imagens, em pequenos pedaços de mim espalhados pelo mundo. Cada fragmento é um vestígio de luta, de presença, de tentativa de conexão. E mesmo que jamais eu veja o impacto total, acredito que há propósito nesse caminhar, na honestidade de sentir e de me expressar, na coragem de permanecer sendo humana, apesar de tudo.
Porque, no fim, o que realmente importa não é ser compreendida por todos, mas ser fiel a mim mesma, ao meu sentir, e deixar que quem estiver pronto para enxergar, veja.
Versos de esperança
Mesmo quando a noite parece engolir os caminhos, a alma ainda carrega um lume secreto que insiste em acender a escuridão.
Crer sem ver é como dar um passo sem enxergar um palmo diante do nariz.
É caminhar sem visibilidade, sem clareza do que será o daqui a pouco, e ainda assim plantar algo no agora, acreditando que talvez, amanhã, você possa desfrutar.
Mas até para fazer o mínimo no presente é preciso força em meio à fraqueza, confiança em meio à dúvida, e fé — mesmo quando ela parece desfalecer, pequena como um grão quase invisível.
Ainda assim, digo: quem já foi alcançado pelo amor de Deus nunca se esquece de sua potência. Esses sobrevivem até no automático, como eu, que hoje sou sustentada pela fé e acolhida em um lugar que só Deus sabe explicar.
Passar pela escuridão da alma faz com que a luz do sol seja ainda mais preciosa. Faz parar para apreciar ou simplesmente revisitar imagens guardadas numa galeria de memórias únicas, que apenas meus olhos presenciaram.
Olhar uma fotografia é reviver cada emoção ali contida, congelada para sempre.
E ao mergulhar na magnitude de cada momento, percebemos, com delicadeza e dor, que o tempo… ah, o tempo… esse não volta.
O silêncio me olha de volta
como um espelho sem moldura.
Nele, o que cala fala mais alto:
pensamentos em desordem,
sentimentos sem abrigo,
palavras que aprenderam a sobreviver mudas.
A mente vagueia onde o corpo não foi,
repete cenas, refaz diálogos,
insiste em perguntas que não querem resposta.
E quando tudo ao redor descansa,
há um ruído íntimo e persistente
não é medo, nem dor exata,
é a alma pedindo escuta.
Talvez o silêncio não seja ausência,
mas o lugar onde a verdade
respira sem pedir permissão.
Cartas aos Céus
Senhor,
Hoje encontrei algumas palavras que um dia escrevi para Ti.
Estavam guardadas entre anotações antigas, carregando desejos, convicções e pensamentos que nasceram em um tempo diferente deste, mas que ainda conversam com quem sou.
Ao relê-las, percebi que não encontrei apenas uma lembrança.
Encontrei uma parte de mim.
Uma mulher que, naquele tempo, já tentava honrar os propósitos que depositou em Tuas mãos.
E foi bonito perceber que, apesar dos dias vividos, das dúvidas enfrentadas e das transformações que o tempo trouxe, algumas sementes continuam vivas.
Ainda acredito que aquilo que é precioso merece cuidado.
Ainda acredito que certas conexões não podem ser apressadas.
Ainda acredito que existem entregas que só encontram sentido quando caminham ao lado da verdade, da reciprocidade e da Tua direção.
Hoje não escrevo para falar do fim da espera.
Porque ela continua.
Também não escrevo para pedir que ela termine.
Escrevo para agradecer porque, enquanto espero, o Senhor continua trabalhando em mim.
Continua alinhando meus pensamentos, fortalecendo minhas convicções e lembrando-me de que propósito não é apenas sobre chegar a algum lugar.
É sobre quem nos tornamos durante o caminho.
Se em alguns dias meus desejos falarem mais alto, que eu continue ouvindo a Tua voz acima deles.
Se em alguns momentos a solidão visitar meus pensamentos, que ela nunca seja maior do que a paz que encontro em Ti.
Se o tempo parecer longo, que eu me lembre de que nenhuma estação permanece para sempre e que cada uma delas possui algo a ensinar.
E que eu jamais perca a ternura do coração enquanto aguardo aquilo que um dia entreguei em oração.
Porque algumas promessas não vivem apenas no futuro.
Elas também transformam o presente.
E eu sigo aqui, Senhor.
Ainda aprendendo.
Ainda confiando.
Ainda esperando.
Amém.
14 de junho de 2026
Respire fundo,
a vida é um sopro,
o tempo é astuto,
seja grato no pouco,
não seja ingrato no muito,
momentos são temporários,
viver é oportuno, é raro.
Se você puder, hoje ainda:
Olvide contratempos e mostre um sorriso mais amplo
para aqueles que lhe compartilham a vida;
dê mais um toque de felicidade e beleza em seu recanto
doméstico;
faça a visita, mesmo ligeira, ao doente que você deseja
reconfortar;
escreva, ainda que seja um simples bilhete, transmitindo
esperança e tranqüilidade, em favor de alguém;
melhore os seus conhecimentos, no setor de trabalho a
que esteja empregado o seu tempo;
estenda algo mais de otimismo e de alegria aos que se
encontrem nas suas faixas de convivência;
procure esquecer - mas esquecer mesmo - tudo o que
se lhe faça motivo de tristeza ou aborrecimento;
leia alguma página edificante e escute música que
pacifique o coração;
dedique alguns minutos à meditação e à prece;
pratique, pelo menos, uma boa ação sem contar isso a
ninguém.
Estas indicações de apoio espiritual, se forem
observadas, farão grande bem aos outros, mas
especialmente a você mesmo.
André Luiz
Hesitei horas
antes de matar o bicho.
Afinal, era um bicho como eu,
Com direitos, com deveres
E, sobretudo,
incapaz de matar um bicho,
como eu.
A expressão típica de um começo de amizade seria algo como: "O quê? Você também? Pensei que eu fosse o único."
(Os quatro amores)
Um pedido de perdão
Me perdoa pelas vezes que eu fiz você chorar,
errei na decisão de te abandonar,
sei que te magoei e que não quer voltar.
Sinto falta de quando a gente andava pela praia,
você me olhava de um jeito engraçado,
que me fazia sentir a pessoa mais amada.
Tem horas que o coração não dá para aguentar,
pede apelo para os olhos e começo a chorar,
não passo uma noite sem em você pensar.
Sei que não mereço, mas não posso desistir,
preciso do teu sorriso...
por favor, volta para mim.
Meu coração se alegra em boa companhia
E melhores amigos não terá,
Mas não existe um trem no qual eu não iria,
Aonde quer que ele vá.
Lá vinha ela!
Vindo sempre,
seduzindo.
Vestido vermelho,
de um tom
meio tinto...
Decote forte,
mas nela,
distinto.
Em suas mãos,
duas taças
e um tinto.
Dói.E dói muito mesmo, o amor dói.
Feridas abertas novamente:
Um remédio????
-Só mesmo o tempo, e a confiança que Deus sempre estará ao meu lada para segurar a minha mão.Em todos os momentos.
Eles vão tentar esconder tudo de você
Então não acredite em tudo que cê olha
Sempre existe um outro mundo que você não vê
Então pense bem pelo que você ora
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