Poemas de quem Deu um Fora

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Ainda que eu caminhe nos trilhos que a vida reserva para mim, o tempo e o vento, às vezes, insistem em mudar o rumo, como se soubessem que certos desvios são necessários para nos levar exatamente onde precisamos estar.

Quiçá este seja o nosso refúgio: perder-se na mansidão deste oceano azulado, observando a calma das ondas. Desprovido da inquietude, misturo-me à natureza; ela me move, me comove. A orla me faz sentir parte dessa natureza infinita.

É incompreensível que ainda existam guerras que se pretendam santas na Terra. Talvez, no invisível que não nos é dado enxergar, até santos e anjos se enfrentem em combates que escapam ao entendimento humano, como se toda luta, em sua essência mais misteriosa, fosse uma tentativa de tocar aquilo que habita o reino do indizível.

O que eram apenas resquícios… tuas águas ainda fluem em meu peito. Guardadas no silêncio das profundezas do oceano, podes ouvir a minha voz, pois sou onde o mar deságua os teus pensamentos.

O sono é leve para os caminhantes noturnos.
Meus pensamentos ainda esbarram nos seus e, nesse silêncio, você retorna como uma febre que não passa.

Quando as flores do seu jardim já não têm o mesmo fulgor, a mesma cor, o mesmo perfume… não adianta apenas regá-las. Antes de tudo, é preciso mudar as raízes.

Ouvir não é apenas o que os ouvidos absorvem, mas o que a consciência compreende.

A vida floresce quando aprendemos a regá-la, mas também a atravessar, com paciência, as quatro estações.

Aprender a conviver com os meus demônios foi a maneira de impedir que os meus anjos me abandonassem.

Que o brilho da lua na noite de 31 de outubro não sirva apenas para caçar bruxas, mas também para iluminar as fadas.

Tornamo-nos estrangeiros em nosso próprio corpo quando desconhecemos os nossos limites.

Tal como as árvores frutíferas, o que define o ser humano é aquilo que ele produz.

O Demônio habita o centeio do whisky, nas nuances de menta que equilibram a doçura da alma e no aroma que desperta a coragem do desespero; na busca pela última gota que não sacia, apenas sufoca.

Consumi uma vida em meio a enganos, na ânsia de corrigir minhas imperfeições; talvez bastasse deixar a vida seguir seu curso natural.

Na dimensão mais rara da alma, a Catedral permanece erguida como uma utopia esquecida entre o tempo e o infinito.

Destino não é apenas o lugar a que chegamos, mas aquilo em que nos transformamos ao longo dessa viagem silenciosa.

De fato, naquelas linhas esboçadas, os versos são tão dependentes que basta conceder-lhes existência.

Você ainda ouvirá seu nome, suas conquistas, agradecimentos, palavras de carinho, mas antes terá que morrer primeiro.

Talvez o nosso lado escuro não seja feito apenas de sombras, pois até a Lua guarda segredos que o Sol desconhece, afinal, nem tudo o que permanece oculto é feito para ser iluminado.

Nem tudo o que escondemos é sinal de culpa, assim como nem tudo o que revelamos nos liberta.