Poemas de quem Deu um Fora
eu sinto falta de carinho
De afeto
De denguinho
De ficar abraçada
Com um amor da vida inteira
Se me vejo me olhou
Se te vejo
Descubro
Horizonte novo
Horizonte descoberto
Adicionei mais um pensamento dentro do poço
Que vivo
No fundo do abismo
Adicionei migalhas para mim
E muito para amigos
Me dei por inteira
Até não dar conta
Do peso das minhas costas
Da cortesia paga
Do tamanho da anaconda
Como cobra rastejo pelo chão
Procurando carne para me alimentar
E como uma grande cobra
Traiçoeira
Me detenho com lágrimas
Escritas por mim mesma
Cansei de ser monótona
E fazer sempre o mesmo
Cada dia que passa sinto meu destino em minhas veias
Como se tudo fosse mágico
E belo
Sem dor
Sem frustração
Como se fosse rosas
Eu as cheiro
E sinto seu perfume
De longe
A vontade de conhecer o mundo não se esgota até enfim conhecer
Não sei nem se sei mais escrever
Mas ainda sinto satisfação em fazer
Todo momento é único
Tudo é valioso
Afaste-se do desperdício, despreze-o
Tudo nesta vida é um adeus!
Sejamos vastos, profundos...
Intensos!
" AH, O AMOR "
Eu já vivi o amor! Ah… O amor…
Sublime, majestoso, embriagante,
um tanto mentiroso e arrogante
mas, sempre, um sonho lindo, encantador!
Me fez mais sensual, melhor amante,
voraz quanto à paixão em seu ardor…
No entanto, mais sensível, sonhador…
Um poeta em seu espasmo delirante!
Cravou-me à alma os versos da poesia
e fez-me estar bem mais em sintonia
com todo um cosmo de real candura…
O amor… Ah, sim! O amor mais verdadeiro!
Vivi-o como um sonho derradeiro
confiando, eu, inocente, em sua jura!...
um sopro de imortalidade
a função da poesia é:
descomplicar o complicado
explicar o inexplicável,
retratar o irretratável
revelar belezas invisíveis
abrir portas sobre as rochas
dar visão aos cegos incuráveis
conceder raciocínio ao instinto
e sorrir dos amores inrisíveis
entre tantas façanhas nada críveis
deslindar o segredo do universo
desta forma, aquele que primeiro
encontrou uma caneta resolveu
todo o enigma com um verso
"faça se a luz", em seguida tudo
veio às claras e homem se igualou
a Deus.
“Antes de Ti
Sem o teu amor eu nada tinha
era só no mundo, vivia como um cão
uivando à lua, procurando abrigo!
Não notava no mundo, nem as coisas nele
durante o dia o céu era cinzento
apenas interrogações no meu lamento!
As pessoas eram como sombras
não as via, nem as escutava
tudo em minha volta pertencia aos outros
não tinha endereço nem destino
esperança era como miragem
no deserto em que habitei antes de ti!
As estações do ano não percebia
ou era outono ou verão constante
mas ao te encontrar descobri
as cores do arco-íris e o som da primavera!
tua beleza encheu meu universo vazio e escuro
teu amor me fez reviver e descobrir a beleza do mundo.”
―Evan Do Carmo
“A poesia será sempre o teu abrigo
Uma casa segura, um conforto
Preenchendo a tua vida vã, vazia
Na agonia velada do teu rosto.”
―Evan Do Carmo
As pérolas de meu irmão Jadeilson
Meu irmão, Jadeilson, é um homem simples, mas vez por outra me manda uma pérola filosófica. Outro dia, ouvi de sua boca algo espantoso, para um homem que tem como ofício, ser pedreiro e criador de galinhas.
Disse-me ele em uma conversa sobre política e corrupção: "Prefiro conviver com Leão saciado a ter que viver com um Cão faminto. Fazia ele analogia simples ao político rico e ao político pobre. Hoje, todavia, em outra conversa, me disse meu irmão: "Evan, você sabia que a persistência é a mãe da prosperidade?"
Nos dois casos, disse pra ele que são conceitos, contudo, vindo dele, de quem eu sei que não leu em livro algum, disse que sim era um pensamento original de muita relevância, uma vez que lhe veio à mente pela observação e não por estudo meticuloso, também a ideia do cão faminto nos reporta ao livro de "Eclesiastes", mas sei que ele não tem a maldade intelectual para plagiar o ora dito Clássico Bíblico. Disse a ele, meu irmão você um verdadeiro filósofo, à moda de Sócrates, que não escrevera nada.
O mar que um dia ao teu lado conheci
o mar que contigo descobri, não existe mais
durante as minhas insônias, nos meus sonhos
leve, escutava, como música de Bach,
seus suspiros tristes ao esbarrar no cais.
O mar em que um dia bebemos a seiva da eternidade
hoje não nos satisfaz, o mar que antes era calma
descanso e paz, assim como teu, não existe mais.
O fim do mito
Em vão tentamos construir
com o verbo aflito,
um deus, um mito
a paz sem conflito.
No silêncio do espírito
se esconde uma verdade
aquilo que intelecto apaga
não se escreve mais.
Assim se vai a calma
quando vem na alma
os temporais...
se dissolve o mundo
e fé no homem
tudo vira sombra
que se desmorona
com a luz do entendimento.
"Há uma fatalidade caótica, tanto na vida quanto na morte"
"O amor é um absurdo misterioso, quando é recíproco!!!"
O cortejo de João
Seguia uma multidão em rua larga
um cortejo de um defunto comum,
um homem conhecido e respeitado
na cidade.
Era o João, que morrera de dor
nas tripas.
João era uma alma boa, pessoa
prestativa e generosa.
João nunca se negara a ajudar seus
vizinhos, fossem eles gente boa
ou homens emprestáveis.
João não teve filhos nem esposa
e por toda vida vivera sozinho.
João cultiva a terra, onde plantava
seu sustento e o de quem lhe
batesse à porta.
João, certa noite, comeu seu jantar
e em seguida, depois de pitar o seu cachimbo,
fora dormir de barriga cheia e alma leve.
Durante a madrugada João sentiu fortes dores
no ventre, mas João era sozinho, na rua onde
morava ninguém escutou seus gritos por socorro.
João só foi encontrado dias depois, quando
vizinho lhe bateu à porta para lhe pedir açúcar
para adoçar seu café matinal.
O cortejo de João seguia na rua larga
em profundo silêncio, ninguém lhe cantava
ladainhas fúnebres,
nem cânticos de vitória.
Saudade
há um abismo
insondável
onde buscamos
a poesia...
para alguns
poetas ele tem nome
simples, como morte
desespero, angustia
e solidão...
mas para mim
ele sempre se revela
em hora improvável
seu nome é sempre
único, inconstante
invariável...
saudade...
do que não tive
do que não fiz,
do que não fui
não de amores
não de desejos
insaciáveis
não de corpos
não de bocas
nem de beijos...
apenas saudade
inconstante
invariável..
... o que é saudade?
saudade em mim é poesia
é dor que não varia
nem se explica
nem se acalma
é luz é treva
é minha própria alma
em desespero
em transe metafísico.
Sou, como todo homem,
prisioneiro, prisioneiro
de uma esperança
de uma ilusão persistente
de um querer permanente
de um sonhar consciente
de que no amanhã
logo amanhã
virá a liberdade
Prisioneiros da esperança
Sou, como todo homem,
prisioneiro, prisioneiro
de uma esperança
de uma ilusão persistente
de um querer permanente
de um sonhar consciente
de que no amanhã
logo ali, depois que noite se for
.... virá a liberdade
Quem acredita em liberdade?
quem se abraça com esperança?
são sempre os mesmos
os desesperados
os prisioneiros
os injustiçados
os cegos
os mudos
os surdos
os aleijados
...as mulheres,
as crianças
e os poetas.
“Na busca pela felicidade
reside um paradoxo universal
da alma humana.
Todos a querem, buscam avidamente,
mas não a compreendem,
não sabem o que procuram.
Enquanto o espírito ignorar
a verdade que há na
prática do bem, na doação total
e irrestrita, enquanto não se saciar
de egoismo, jamais saberá
o que significa a expressão:
"Há mais felicidade em dar
do que em receber."”
―Evan Do Carmo
um olhar no passado
Todos os dias, às seis da tarde, ele se sentava na mesma cadeira, na mesma calçada, esperando por alguém que um dia viu passar, na mesma calçada, da mesma cidade, daquele imenso mar
Era um bar à beira-mar, onde passava muita gente, mas este solitário observador nunca conseguiu realizar seu antigo sonho, o sonho de ver passar, na mesma calçada aquela figura que um dia lhe roubou alma.
Agora, depois que o mar avançou e cobriu a calçada, o homem continua a olhar, do mesmo ponto, o mesmo mar, da mesma cidade, onde não existe mais calçada nem transeuntes, apenas existe o mar e uma dor que não serena...
O amor não se compra, disto todos sabem, mas poucos compreendem um principio universal sobre o valor do amor, como se adquiri e como se perde.
O amor está em outra esfera de razão e entendimento humano, quem ama tem a força de um deus, e quem recebe a dedicação de alma de um deus, se torna um deus também, poderoso e humilde, sobretudo generoso e bom, quem ama cuida, alimenta e vibrar a cada sorriso e conquista do bem amado, quem ama liberta e nunca está preso ou limitado.
Ati, Iranete alma irmã da minha alma
Queremos incendiar o mundo
quando nos falta o amor.
Nero fazia poesia, era culto e instruído
um espírito sedento de atenção
paternal e amor romântico.
Nero tocava lira
e componha canções de amor
mas pôs fogo em Roma
e matou milhares de cristãos.
Teve poder e fama,mas não conquistou
nem conheceu o amor.
O que é verdade?, Certo dia alguém perguntou a um carpinteiro, que estava sofrendo a maior das injustiças cometidas pelos homens, todavia o mesmo não quis responder, talvez por julgar que seu interlocutor não merecia saber a resposta.
O que é verdade? Uma expressão dogmática, que não suporta o crivo da relatividade, contudo, mesmo dentro da nossa concepção imperfeita de mundo civilizado, é possível descrever ou designar algo que se aproxime daquilo que desejamos com esta pergunta.
Devemos buscar entre muitos pensadores importantes seus conceitos e teses jurídicas sobre o tema justiça, talvez ficaremos satisfeitos com esta: Verdade é tudo o que se opõe à injustiça.
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