Poemas de Nelson Rodrigues
Minha inspiração é a soma de todas as vidas que tive, através de todas as eras, todas as idades.
O sujeito que não for pelo menos um dia Flamengo, não viveu. O Flamengo é uma força da natureza. Quando o Flamengo espirra, é o futebol brasileiro que fica resfriado.
O teatro, não tenha dúvida, exerce um estranho poder de cretinização, mesmo sobre as melhores inteligências.
O carioca é um ser encantado. No Rio, dois sujeitos que nunca se viram tornam-se como que súbitos amigos de infância e caem nos braços um do outro, aos soluços. E a única cidade em que pode nascer, entre dois desconhecidos, uma intimidade fulminante.
O brasileiro é o aniversariante nato. Nenhum outro povo faz anos com tão larga e cálida efusão. No Brasil, um aniversário jamais é intranscendente.
Hoje é muito difícil não ser canalha. Todas as pressões trabalham para o nosso aviltamento pessoal e coletivo.
Todos nós somos mais ou menos infelizes. As angústias estão crispadas dentro de nós como víboras.
Está se deteriorando a bondade brasileira. De quinze em quinze minutos, aumenta o desgaste da nossa delicadeza.
Se a vida não o faz sofrer, é preciso que o artista invente o próprio sofrimento.
O que atrapalha o brasileiro é o próprio brasileiro. Que Brasil formidável seria o Brasil se o brasileiro gostasse do brasileiro.
No dia em que a criatura humana perder a capacidade de admirar, cairá de quatro, para sempre. O mal de todos nós, a nossa crise, a nossa doença, é que admiramos pouco, admiramos de menos.
A perfeita solidão há de ter pelo menos a presença numerosa de um amigo real.
Para ter coragem, precisei sofrer muito. Mas a tenho. Posso subir numa mesa e anunciar de fronte alta: – “Sou um ex-covarde”. É maravilhoso dizer tudo.
O homem precisa de utopias, e direi mesmo: – são umas quatro ou cinco utopias que ainda nos salvam.
Com o tempo e o uso, todas as palavras se degradam. Por exemplo: – liberdade. Outrora nobilíssima, passou por todas as abjeções. Os regimes mais canalhas nascem e prosperam em nome da liberdade.
Outrora, os melhores pensavam pelos idiotas; hoje, os idiotas pensam pelos melhores. Criou-se uma situação realmente trágica: – ou o sujeito se submete ao idiota ou o idiota o extermina.
Não há gênio que não tenha, de vez em quando, a nostalgia da burrice. Aliás, um dos traços do gênio é o seu nenhum escrúpulo em ser imbecil de vez em quando.
No 25 de abril, lembramo-nos que a liberdade é como um cravo que precisa ser regado diariamente para florescer, pois sua garantia não é um destino, mas sim uma jornada perpétua de renovação e crescimento.
Bom dia, sol. Raios quentes que me abraçam, mesmo quando escondido atrás das nuvens de tempestade consigo sentir o teu calor. Bom dia, sol. Hoje é um bom dia para viver.
