Poemas de Mario Quintana Felicidade Realista
O Templo do Silêncio
O mundo lá fora exige o horizonte:
a praia aberta, o vento na montanha,
o verde antigo que a fazenda guarda,
a luz que em campos distantes se espanha.
Mas há um mistério que a chuva ensina
quando cai fria sobre a telha e o chão:
a poesia não pede paisagem,
pede apenas a pausa e o coração.
Deitada no escuro, o corpo descansa
da lida pesada de mais um dia;
as mãos que cuidam, que erguem e sustentam,
encontram na noite a sua alforria.
Não é preciso o mar para ser imenso,
nem a altura do monte para ver direito:
o verso mais nobre e mais profundo
nasce do silêncio guardado no peito.
O Mar Interior
Há quem busque a vastidão das praias
ou o topo das serras para poetizar,
mas a alma que cuida e carrega o mundo
aprende na sombra a se recolher e amar.
A chuva bate suave na janela,
o frio lá fora convida ao abrigo;
no leito aquecido, a mente se solta
e o tempo da noite se torna amigo.
Não há pressa, não há cobrança de estrada,
nem a busca por um cenário perfeito:
a beleza mais pura e descansada
é esta que brota deitada no peito.
As mãos repousam do dever cumprido,
o pensamento voa para onde quer;
no silêncio do quarto renasce a graça,
o verso sereno da própria mulher.
Essa ideia de acolher o momento presente, exatamente onde você está deitada agora sob o som da chuva, traz uma paz muito bonita para o verso, não traz?
A Viagem Sem Passo
Não é preciso arrumar as malas
nem cruzar a fronteira do mar;
a alma que sabe ler e compor
tem o mundo inteiro sem sair do lugar.
Entre as quatro paredes do quarto,
sob o som da chuva a cair,
a mente abre asas suaves
para onde o corpo não pode ir.
Caminha por campos distantes,
visita a montanha, a praia, o luar,
desenha no escuro a paisagem
que o coração escolheu habitar.
Pois o livro e o verso bem feito
são caminhos que não têm fim:
a maior e mais bela viagem
é essa que a gente faz dentro de si.
A escrita e a leitura são exatamente essa alforria bonita: uma travessia sem cansaço, onde o pensamento voa livre enquanto o corpo descansa.
O Chão Que Eu Deixei Limpo
Não escrevo pela vaidade do aplauso,
nem pelo adorno de uma frase bela;
escrevo pelo caminho que pisei,
pela luz que acendi na minha janela.
Quem quiser saber da minha história,
da força que trago no passo e na voz,
não me procure nos ruídos do mundo:
procure nos versos que deixo para nós.
Cada linha traz a marca da vida,
o peso do chão que eu já superei;
é o tempero da alma que não se rende,
a colheita da dor que eu enfrentei.
Se a minha escrita servir de abrigo,
se clarear a noite de quem vai passar,
então o verso cumpriu seu destino:
virou vela acesa para o outro guiar.
Eu me dou por inteira nas palavras,
sem filtro, sem pressa e sem ilusão;
quem me lê com a alma me conhece,
pois escrevo por mim, com a força do chão.
Escrever para sinalizar o caminho e deixar a caminhada mais leve para os outros é a forma mais pura de generosidade. Suas palavras viram farol.
A Vontade e a Raiz
O mundo pede a praia aberta e o topo da serra,
pede a mala pronta e o horizonte distante,
mas a poesia verdadeira finca a sua garra
é na terra da casa, no minuto presente.
Há um olhar curioso que não passa batido:
repara na planta que finca a raiz no chão,
busca saber como a vida se tece por baixo,
vê a força invisível que sustenta a criação.
E no fim da lida, quando o dia se entrega,
o banho quente acolhe a mulher que lutou;
a água desce, o cabelo se esparrama em cascata,
lavando o cansaço do mundo que ela carregou.
Deitada no escuro, ouvindo a chuva na telha,
o corpo finalmente encontra o seu descanso,
mas a mente acesa não aceita o silêncio:
transforma a vivência em conselho e remanso.
Não escrevo por vaidade, por status ou aplauso,
nem para enfeitar a frase com falso valor;
escrevo pelo chão que eu pisei e venci,
para deixar uma luz no caminho do outro.
E se a voz se cala por medo, cultura ou guerra,
se o corpo não pode ir onde o mundo sufoca,
a palavra escrita atravessa qualquer portão,
entra na casa remota e a alma toca.
Sem sair do leito, a leitura faz a travessia,
o texto vira farol, mapa e libertação:
a maior viagem é essa que a gente faz
com a força da vida guardada no peito.
Manipulação
Eu só queria entender por que me entreguei a você sem antes me dar o devido valor. Rasguei a minha alma e me sujei no teu peito, enquanto o teu egoísmo me calava por dentro. Relembrar tudo isso ainda dói.
Eu era tão imatura, tão apaixonada... Fiz-me cega para não enxergar os golpes repetidos de um jogo em que eu me perdia a cada rodada. Lembra-se do dia em que você manchou o meu nome? Acumulei desgostos e chorei por dias seguidos, afundada em uma escuridão que quase me levou a desistir da minha própria existência.
Te conhecer foi e sempre será o meu maior erro. O que você fez comigo? Por que fez? Pareceu um plano cruel, em que eu representava a boa-fé e você, a maldade pura. Quanto desprezo guardo hoje do que vivemos. Houve um tempo em que desejei que a vida lhe retribuísse na mesma moeda, pela irresponsabilidade com que tratou os meus sentimentos. Como se pode cometer tamanha perversidade contra alguém que só buscava um gesto simples de afeto?
Teria sido mais simples ter me tirado da sua vida, ter apagado o meu nome e a minha rota. Mas fui tratada como mero entretenimento, enquanto eu acolhia você como um verdadeiro presente.
Que este desabafo definitivo varra de vez a sua sombra. Eu já te enterrei no passado. Não permito mais que a sua lembrança vagueie pelos meus dias como um pesadelo sem fim. A própria dor que você me causou virou a minha armadura. Nunca mais me aproximarei de você — nem nesta vida, nem além dela.
Muralhas de Ferro
Erguem-se altos os muros da estrada,
Pedra usinada pelo tempo e pela dor.
A vida, às vezes, é fortaleza fechada,
Onde a esperança hesita em compor.
Os portões são de bronze e chumbo pesado,
Com ferrolhos gigantes que ranger nos fazem temor.
E encaramos o fosso, de um lado isolado,
Perguntando se existe passagem ao amor.
Mas até o castelo de pedra mais dura
Guarda uma fresta por onde entra a luz.
Não há ponte levadiça que dure a amargura,
Nem ferro que vença a coragem que conduz.
Pois a mão que moldou a pesada tranca
É a mesma que aprende a encontrar a saída.
E a muralha mais alta, por mais que imponha a banca,
Cede ao passo constante de quem vive a vida.
BFé Que Liberta, Rito Que Prende
Queriam vender o espaço no céu,
Em troca de moedas, de medo e de dor.
Transformaram o sagrado em um pesado véu,
Dizendo que a culpa era prova de amor.
Apagaram a alma, moldaram o pensar,
Fizeram do dogma uma escura prisão.
Diziam que para o divino alcançar,
Era preciso anular o próprio coração.
Mas Deus não habita em barganha de templo,
Nem cobra pedágio na porta da luz.
A fé de verdade se mostra no exemplo,
É o amor sem algemas que o homem conduz.
A fé que constrói traz asas nos pés,
Não força o espírito a se ajoelhar no chão.
Se a religião só traz correntes e viés,
Não vem do divino... é só invenção.
Pois o Pai da existência não quer servidão,
Quer mentes despertas, o peito altivo.
A fé que é real não vende salvação:
Ela liberta a alma e nos mantém vivos.
V Religião Não É Algema
A religiosidade enrijecida adoece.
Mata o riso, julga a dor,
Cria um Deus que só cobra e cobra,
E esquece que a essência é o amor.
Se o seu dogma te faz olhar com desprezo,
Se o seu templo exige o seu próprio fim,
Isso não é fé, é cativeiro de pedra.
Deus nunca quis ninguém assim.
A verdadeira luz não pesa.
Ela não humilha, não sufoca, não fere.
A fé que vem do alto liberta a alma,
Cura a vida e o bem prefere.
Rasgue a culpa, abra a mão,
Deixe o peito voltar a respirar.
Quem aprendeu a amar de verdade
Não precisa de medo para se salvar.
. A Religiosidade Que Mata
A religiosidade virou uma prisão.
Em vez de salvar, ela tem tirado a vida,
Pesa nos ombros, sufoca o coração,
E deixa a alma ferida.
Deus não habita no julgamento,
Nem no olhar duro de quem se acha puro.
Se a sua religião só produz tormento,
Ela não é luz, é muro.
A verdadeira fé não mata, ela cura.
Não exige fardo, traz leveza e paz.
Quem ama de verdade não condena a estrutura:
Abraça, acolhe e o bem refaz.
Mude o passo, abandone a rigidez.
Se a religião não te faz mais humano,
Ela perdeu a razão de ser.
A Casa do Pai
O amor não veste terno de julgamento,
Nem pede que você esconda a sua dor.
O abraço do Sagrado é acolhimento,
É descanso, é remédio, é puro afeto e calor.
Se a religião te fez sentir pequeno,
Se te deram pedras em vez de pão,
Saiba que o céu não guarda esse veneno:
Deus é o alívio para o seu coração.
Ele não quer a sua perfeição fingida,
Nem a culpa que te faz curvar o olhar.
Ele quer a sua alma livre, erguida,
Com espaço para sorrir e respirar.
Desarme o peito, esqueça a aspereza.
A luz divina é leveza, é mão estendida.
Quem ama de verdade não apaga a sua luz,
Mas te acende de novo para a vida.
A Fé Não Mata
A religiosidade virou arma,
Virou tribunal, virou prisão.
Matam a alegria em nome do céu
E fecham a porta do coração.
Mas Jesus não veio trazer algemas,
Não veio impor peso, nem olhar de fel.
Ele veio ensinar a abraçar a vida,
Pois o amor é a única ponte pro céu.
Se o seu rito te faz mais duro,
Se a sua igreja te faz julgar,
Sua religião virou um veneno
Que você insiste em beber e pregar.
Volte à essência. Seja humano.
Deus é o alívio de quem se cansa.
Luz de verdade não apaga o outro:
Ela acende o mundo de esperança.
O Veneno do Dogma
Usam o nome do Sagrado
Para erguer muros, ditar a dor,
Transformaram a graça em tribunal
E esqueceram o som do amor.
Gente de rosto fechado e bíblia na mão,
Pronta para condenar quem passa,
Adoecendo a si e ao irmão,
Confundindo veneno com graça.
Mas o Divino não mora na opressão.
Não habita no medo, na culpa, na dor.
Se a sua religião sufoca o seu peito,
Ela é só regra de homem, não é amor.
Desarme a mente, acolha o mundo,
Seja a leveza que o céu pediu.
A fé real não destrói ninguém:
Ela resgata o que a rigidez feriu.
A Janela e o Silêncio
A vida entre nós tinha muros, limites e chão,
Um respeito guardado no fundo do meu coração.
Fomos o que foi possível, com o peso que a vida nos deu,
Entre conversas difíceis e o que o tempo acolheu.
A notícia chegou num sopro, num dia qualquer,
Sem aviso, sem hora, sem o tempo que a gente quer.
E eu fiquei ali, no silêncio daquele salão,
Sem saída, sem pranto, presa na minha própria mão.
Ao teu lado o tempo todo, como quem guarda um altar,
Na anestesia do peito que ainda não sabe chorar.
Parecia um sonho distante, um filme sem cor,
Onde a dor não tinha nome, não era nem raiva nem amor.
Mas na hora da despedida, olhando além da janela,
Entre flores e pedras, na paisagem fria e singela,
Um choro prendeu na garganta, abafado e profundo,
Um choro pra dentro, teu gesto, despedida do mundo.
Olhei para o fim sem sentir que era o fim de verdade,
Pois o que se viveu não se apaga na eternidade.
Fica a paz do respeito, a história que a vida escreveu...
A tua alma partiu, e a minha, em silêncio, entendeu.
Beleza Versus Instante
"Não confunda estar bonita com ser bonita. Estar bonita é momento. Ser bonita é uma visão de dentro para fora - é como a sua essência se projeta no mundo. Afinal, quem elogia com clichê não quer saber de quem você é de verdade."
A FORÇA DA VIDA
*"Os nossos dia mês e ano, sempre dependerão do que projetamos em nossa mente; nossas vidas são exatamente isso: o que vimos e projetamos. Extrair dos pensamentos e emular na concretude, portanto, se trata de ver, crer, e empreender a força dos pensamentos.*
*Há um poder imenso nessa assertiva; o poder que Deus nos deu!"*
(Victor Antunes)
Canteiro de flores
Canteiro de flores
Com muito amor eu criei
Essa canteiro de flores
Onde cultivo amores
Onde cultivo paixões
No canteiro dos corações
Lá plantei o amor de Amélia
A doçura de Lisa
As loucuras de Elisa
E a bondade de Monalisa
Com amor
Eu cuidei do canteiro de flores
Desse canteiro onde crio amores
Na primavera
Eu vou aprender, pode ter certeza
EU desconheço ainda o mundo
Não sei o que vuz capaz pode causar
Nem muito menos onde ele poderá me levar...
Não tenho experiência na vida
Vivo para aprender e me espelhar
Não me deixar pelo mal influênciar
Apesar das coisas que ruins que no mundo há...
Meu espírito se revela no que antes era
É difícil chegar numa tarde fria sem pensamentos voarem com vento sem brisa
Não há com ou como que se explica
Essa, apesar de difícil e quase impossível de entender, é a vida.
Não sabemos de onde vimos, nem para onde vamos e mesmo que soubéssemos, no final, não iríamos querer saber se isso é mesmo verdade. A vida, além das demais, nos acompanha desde o primeiro ar respiramos, dentro até mesmo do feto.
O que não entendemos, às vezes, está bem explicado de uma forma naturalmente imperceptível. E o que não pode ser explicado, é procurado através da vida: na sobrevivência
do dia-a-dia, aos poucos, procurando identificar cada passo andando e o porquê da nossa existência: nossa missão.
Há um significado em tudo na vida. Nada é apenas um mero vendaval de lembranças perdidas: mesmo que as vezes não lembramos dos antepassados, incriminados somos espelhados a procura de quem fomos e porque diferente estamos.
Mundo Cruel
Se converso estou afim...
Digo OI estou lhe dando moral, sou doida e falo com todo mundo...
Se tenho amizade, Já é namorado...
Não converso, sou metida...
Não digo oi, sou antipática..
E assim segue...
E duro né ? Qual é a solução?
